Furry Brasil e o Furry no Brasil

Idéias novas surgem todos os dias. Ainda bem, pois é através delas que movemos a máquina da evolução e da melhoria das coisas. Graças a isso, o [i]furry fandom[/i] brasileiro está inovando dia a dia.

Mas é necessário? Se ta dando certo do jeito atual, por que mudar?

Esta antiga pergunta não é exclusiva do fandom. Da política aos esportes – passando pelos conceitos newtoneanos de física clássica – a inércia é difícil de ser mudada. Requer energia e um agente disposto a usar esta energia.

Os atuais líderes – ou alfas – do fandom brasileiro vem se mostrando felizmente com bastante energia e aptidão para usá-la, vide as recentes renovações nos principais centros digitais de encontro e discussão sobre furry. Nós entusiasticamente aplaudimos esses esforços e apoiamos, cada qual em níveis de apoio e responsabilidade diferentes, obviamente.

O principal motivo das mudanças – felizmente também – não teve geração espontânea das cabecinhas dos lideres, mas foi motivado pela mudança do perfil do usuário. Desde há dez anos atrás, ainda que a faixa etária dos freqüentadores tenha variado pouco pra cima ou pra baixo no decorrer dos anos, o estilo de vida dos jovens brasileiros se modificou muito. Obviamente isso se reflete no fandom.

O crescente avanço tecnológico tem levado todas as ferramentas de uso diário a um único destino: o do imediatismo. Não é mais necessário esperar dias para a revelação de fotos. A música lançada hoje nos Estados Unidos chegará aqui ontem. O computador ensina crianças a ler aos 3 anos de idade (mas acaba inibindo a escrita a mão). Os microblogs obrigam a síntese, o resumo, a ultrafiltragem da informação transmitida. Se me dissessem, na minha infância, que no futuro eu poderia assistir desenhos animados pelo telefone (celular), eu riria histericamente.

As mudanças de interface são benéficas e atraem mais adeptos e simpatizantes para o furry fandom. Mas além de terem validade curta (com a teoria do imediatismo, as interfaces tendem a cansar os usuários se não forem renovadas com freqüência), não são suficientes para direcionar uma real mudança nos comportamento de cada um.

Recentemente assisti (via youtube) uma palestra de um psicólogo durante uma convenção furry norte-americana. Perdoem-me se me falta o link para provar, continuarei procurando. Enfim, o tal psicólogo falava para uma platéia de furries (suiters ou não) sobre como melhorar a aceitação do fandom entre a população leiga.

Entre as sugestões dadas, a que mais me chamou a atenção é “usem termos que as pessoas conhecem! Se não querem ser taxados de estranhos ou isolados, usem termos que aproximem o seu comportamento de coisas palatáveis do dia a dia.” Exemplifico: uma furcon cheia de fursuiters e desenhistas furry poderia facilmente ser vista (e frequentemente é) como algo exótico... exceto se for explicada como uma “Convenção onde se usam costumes/fantasias e se cultua quadrinhos/cartoons”. Dizendo isso, não há nenhuma mentira embutida e as coisas ficam mais aceitáveis para a população. Uma fursona é perfeitamente descrita como um “alter-ego fictício com características animais e humanas que os usuários escolhem para interagirem com o restante do fandom”.

É isso que falta ao fandom brasileiro: ser porta-voz de si mesmo. As ferramentas digitais estão aí pra nos ajudar, mas depende de cada um mudar a própria atitude.

Abraço do Lobo de Fogo.

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Opa! achei o video ao qual faço referencia no texto!
http://www.youtube.com/watch?v=Z2DSc8GHl5g
é em ingles, mas acho q da pra entender alguma coisa.
03/01/2011 23:46:11
Interessante, gostei da matéria e principalmente a citação que fursona é um “alter-ego fictício com características animais e humanas que os usuários escolhem para interagirem com o restante do fandom”.
09/01/2011 20:08:35
muito interessante realmente.
axo que a ideia de mudar o jeito como apresentamos o furry ao lado de fora, mudando o modo como qual falamos dele é uma boa aternativa sim, vou por em pratica concerteza ^^
09/01/2011 22:49:31
Awesome Zuko, é a melhor maneira de ganhar aceitação e tolerância mesmo.
16/01/2011 17:25:01