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A Aitônada (conbook Abando 2016)
#1
Como de costume, escrevi um conto para o conbook do Abando deste ano. Seguindo a temática, tentei emular um pouquinho a forma e os temas da épica clássica para contar uma história que aproveitasse o universo criado pelo evento. 

Boa leitura!
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A Aitônada


Eis algo raro! És a primeira criatura, antro ou zoomórfica, viva ou tártara, a vir à superfície e pisar o marfim que recobre o solo do templo de Iris, deusa da vida e protetora de Atlântida. A primeira em muito tempo, desde antes da era de ouro, quando os furries atlantes viviam em virtude e reconheciam o valor de uma obra de arte mais além de seu status. Desde então vi-me obrigada a retirar-me à este pico longínquo e esquecido por esta triste era de bronze repleta de desejos mesquinhos e almas vulgares.

Mas não és representante desta decadência. Mesmo no Olimpo o busto de Aiton da Atlântida é bem conhecido e celebrado. Vossa fama rivaliza com a dos mais exímios heróis e semi-deuses de todas as eras subaquáticas. Vosso nome habita os lábios de todas as espécies. És Aiton, filho de Gigas o tectônico.

Foste agraciado pelo toque de meu irmão Thalios logo ao nascer. Aprendeste a falar com poucas semanas de vida; aos dois anos já falavas como um adulto e, aos dez, possuías uma retórica invejável. Conquistaste o favor de cidadãos e escravos e libertos com discursos que deleitavam tanto a alma quanto a mente. Até hoje todo o fandom insiste em replicar vossas célebres frases como se fosse o lendário Paulus, o coelho, ou a vulpina lispectoriana.

Embriagado de fama e imaturidade, tiveste uma adolescência intensa, trocando o favor de um irmão pelo de outro, trocando cervo por pavão, trocando Thalios por Voluptus, o nascido do prazer carnal, pai das bacanais, do vinho, da vodka balalaika e da água de coco.  Não recordas muito de tão hedonista época, mas o fandom, ah, o fandom não esquece. Compêndios inteiros relatam as mais pícaras e vulgares das celebrações pelos mais fúteis motivos. Passaste de grande orador, artista trágico inequiparável, a hedonista carente de propósito, cujo sexo havia passado por mais lugares que o próprio Odisseu.

Mas com o passar do tempo, o prazer deixou de ser o suficiente. Sentiste um vazio em teu interior crescer e crescer até o ponto de se tornar insuportável. Em uma ultima e desesperada tentativa de te prender sob sua tutela, Voluptus lhe ofereceu algo capaz de preencher até o vazio antes do caos: amor.

Amaste, e como amaste! Dedicaste toda vossa devoção à corça Syzygus, vossa musa. Escreveste, recuperando vossa paixão pelas palavras, milhares de versos sobre a arte de amar, todos dedicados aos cascos de bronze daquela impossível de se conquistar. Entregou-lhe vossa alma inúmeras vezes, sempre a recebendo de volta com fria indiferença.  

Apesar de sermos senhores de nós mesmos, os deuses não somos tão diferentes dos furries mortais. Vivemos pela diversão. E nada nos causa mais prazer do que irritar-nos os uns aos outros. Talvez seja por isso que Aello, senhora da guerra, tenha se interessando tanto por ti. Ao notar que farias de tudo para conquistar o amor de Syzygus, lhe convenceu de que a melhor forma de provar o seu valor era no campo de batalha, defendendo o pouco que restava da honra da Atlântida. Com a promessa de tornar-te uma lenda, reuniste um modesto exercito e partiste de vossa terra natal.
 
Foram dez longos anos navegando verticalmente até a superfície, em busca de terra firme, um país que assediar, conquistar e reconstruir como uma nova Atlântida onde seu povo maldito poderia enfim recomeçar. Mas tamanha insolência apenas nos irritou. Sempre que vossa nave avistava um continente, fazíamos com que os ventos os soprassem de volta ao mar. Sempre que vossa tripulação tentava entrar em contato com algum outro navio, gerávamos uma tempestade que os engolisse. Dez anos, Aiton. Dez longos anos como um simples peão dos deuses, pagando pelos pecados de seus ancestrais, sofrendo a maldição que você mesmo queria retificar. Viste como, um a um, morria vossa tripulação. E ainda assim insistias em desembarcar em terra firme. Pedias, imploravas silenciosamente todas as noites à deusa marcial por uma oportunidade de se provar em batalha. Mas havia muito que Aello já não lhe ouvia. Ninguém lhe ouvia.

Mas na primeira noite do décimo ano, quando já não restava nenhum outro corpo que lançar ao mar, de volta aos domínios atlantes, quando tudo o que conhecias era morte, oraste pela vida. Oraste a Iris, e Iris correspondeu. Eu sempre acompanhei vossas desventuras às margens das disputas de meus irmãos e irmãs. Mas ao ver-te chamar meu nome, não pude evitar trazer vossa embarcação até meus domínios. Era minha decisão final. O primeiro atlante a pisar terra firme novamente seria vos, Aiton!

Não confunda minha concessão com mera misericórdia. A minha é uma motivação muito mais básica. Como deusa da vida, protetora e senhora última de Atlântida, lhe concederei um desejo. Por vossas exímias virtudes, por haver honrado nosso nome e pela grandiloquência ao nos desafiar pelo bem de vosso povo e por seguir as paixões que tornam fascinantes os mortais. Conceder-lhe-ei este desejo por pura curiosidade de saber o que realmente deseja Aiton, o mais virtuoso de todo o seu fandom. O ressurgimento da Atlântida? Que os rapsodas cantem vosso nome por eras? Riquezas sem igual? Diga e lhe será concedido.

-Aiton se limitou a entregar um papel à encarnação da deusa grifo. Nele, havia o tosco esboço de uma corça semi-nua.

“Eu quero uma request full-color, com shading, cenário complexo, +18, seguindo a risca esta referencia, mas com liberdade pra você criar o que quiser, respeitando a...”.


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#2
Cara, adorei o final!!! XD


Desculpe, não posso ir pois estou arrumando minha caçarola.
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#3
Eu li no conbook, e concordo com o Setzer, o final ficou D+ ^^


JrFur    JrFoxFurry     Orlando Maned Wolf 
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