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Haras Hostel X
#1
Citação:Haras Hostel X é a sequência direta de Haras Hostel, um conto que fiz para zombar de mim mesmo, já que eu tenho por tendência shippar humanos com Furries equinas. Então, peguei todas as referências dos meus contos onde há presença de Furries, e criei ou reaproveitei uma personagem de cada cenário. Como elemento de ligação (Ou desculpa pra misturar isso tudo), a Porta Estelar, um artefato construído há bilhões de anos atrás e que pode ligar qualquer ponto no universo, em qualquer ponto do tempo, inclusive outras dimensões.

Para conhecer mais sobre Haras Hostel, recomendo ler a primeira temporada.


Haras Hostel X – O Resgate Final (Parte 1 – Briefing)

Manhã de sexta-feira. Uma semana se passou desde que Sal havia voltado à Pousada do Haras. Sal já estava acostumado a acordar com o peso do corpo nu de Ariadne sobre ele. Com um cafuné, acorda a eqüina, que nitre de forma preguiçosa.


(Sal)—(Acorda, Bela Adormecida...)


(Ariadne)—Hummm, só mais cinco minutinhos...


Ouve-se bater na porta do quarto.


(Paloma)—Os dois pombinhos vão demorar muito, ainda? Marina e Sadol já estão aqui!


O tom de voz de Paloma era meio impaciente, e o casal resolveu levantar-se logo. Já eram oito horas da manhã, e Sal estava curioso para saber a razão de Marina e Sadol estarem tão cedo na Pousada do Haras. Ao chegarem na recepção, a porta da pousada estava fechada, e as outras integrantes da Pousada, mais Marina e Sadol, sentados nos sofás.


(Sal)—Por que a Pousada do Haras ainda está fechada?


(Paloma)—Vamos fazer um briefing para ver quem vai acompanhar nós três até Tarbanna para resgatarmos Aisha Dalla.


(Ariadne)—Aisha Dalla é a tua amazona, né Paloma?


(Paloma)—Exato. Senhoras, senhoritas e senhores: Esta é a missão mais perigosa que já tivemos que enfrentar. Os tropards de Baatom, os Marianistas de Chann’Dar, os Haivuurans de Klismara, o Edson... Não são nada, comparado às forças policiais de Enta, a nação de onde nós três viemos.


(Marina)—Nós poderemos acabar enfrentando a arma designada especialmente para nos substituir nas operações policiais e de guerra de Enta. Essa arma é uma criatura artificial. Foi designada para não ter fome, sede, nem cansaço, resistir aos armamentos mais poderosos, e ser totalmente manobrável, uma vez que só funciona se estiver sob controle de um piloto, que comandará essas criaturas da segurança de um Posto Policial.


(M. Sadol)—Elas se chamam “Semivivos”, e o nome especifica sua condição. São seres vivos em eterno coma, cujo cérebro é uma espécie de computador orgânico. Apenas algumas armas desenhadas pela própria Armada de Enta podem ferir ou mesmo destruir um Semivivo. E qualquer ataque bem-sucedido pode impelir o piloto a autodestruir um Semivivo, pois sua força vem de uma Esfera de Nêutrons. Essa autodestruição pode reduzir tudo num raio de alguns metros a... Nada.


(Paloma)—Para nossa sorte, alguns cientistas do Projeto Grifo tiveram acesso às características dos Semivivos, como sua vulnerabilidade, e quais tipos de armas podem incapacitá-los sem ocasionar sua destruição. Uma delas é o rifle de Nêutrons. A Haijmazoo conseguiu produzir um exemplar através de esquemáticos, com capacidades de tiro de precisão. Mare-Anne?


(Mare-Anne)—Vocês me salvaram, hora de eu retribuir o favor!


(Sal e Ariadne)—COMO ASSIM, MARE-ANNE?!?


(Marina)—Mare-Anne se tornou franco-atiradora enquanto esteve em Chann’Dar, lutando pela Resistência Furre de Eponápolis. Tiros precisos de até 3 Km de distância.


(Ariadne)—Tô... Boba!


(Sal)—Só tu?


(M. Sadol)—Outra arma, usada em último recurso, mas que se mostra bastante útil em caso de emergência, é a Faca Anti-Inercial. Ela destrói o Campo Inercial, que é o que torna aquelas... Criaturas... Praticamente indestrutíveis. Infelizmente, não tínhamos material para construir uma dessas na Haijmazoo, mas é fácil de se obter de policiais de Enta. Para usá-las com habilidade, é preciso destreza em combate corpo-a-corpo.


(Paloma)—Conto com você... Hir’Ranni.


(Hir’Ranni)—Hir’Ranni, gheheira! Eu luto lado de P’loma!


(Paloma)—Precisaremos de mais uns trunfos, coisas que Tarbanna não conhece, como metaenergias. Manuara e Fünf, têm certeza que podem dar conta?


(Fünf)—Andei treinando Zanmera para operar a Porta Estelar justamente para estar nesta missão!


(Manuara)—Desta vez, estou equipada com algo mais do que apenas manipulação de probabilidades: Trouxe uns souvenires de uns amigos meus, Magos-de-Combate que servem à Armada Imperial de Ebennar. Paenii e Tarnoga queriam me ajudar, mas Paenii ainda está se adaptando à bipedação, e Tarnoga tem suas funções em Dyjar, eu não poderia arriscar as vidas delas, de forma alguma!


(Paloma)—Resiarto queria ajudar também, mas além de ele não ter experiência alguma em combate, ele acabaria se atrapalhando todo. E, de atrapalhado, já basta o Sadol.


(M. Sadol)—Exat... EI !!!


(Marina)—Então, o Grupo de Caça está formado: Eu, Paloma, Sadol, Mare-Anne, Hir’Ranni, Manuara e Fünf. Como humano, Sadol fará a parte do reconhecimento do terreno e, talvez, possa até mesmo adentrar o presídio com suas credenciais e assim, localizar Aisha.


(Paloma)—Manuara estará acompanhando a vibração mental de Sadol e, assim que ele mandar uma transmissão dizendo que achou Aisha, ela se teleportará pra lá.


(Marina)—Paloma é a única Hippomorfa a ter acesso a todos os níveis do quartel-general da Oitava Polícia Montada. Ela levará Hir’Ranni até onde os Semivivos estão.


(Paloma)—Munida de facas anti-inerciais, tudo que Hir’Ranni tem a fazer é destruí-los antes que sejam ativados. Eu darei cobertura durante o processo.


(M. Sadol)—Mare-Anne vigia a Porta Estelar de um ponto alto, pra se assegurar de que nenhum Semivivo, ou qualquer um que não seja nós, chegue perto. Menos de 3 clicks, meta bala... Ou feixe, sei lá.


(Paloma)—Marina estará de olho nas comunicações, para estar ciente dos passos da força hostil e nos avisar de cada movimento. Ela dará cobertura a Mare-Anne, que estará concentrada vigiando a Porta Estelar.


(M. Sadol)—Fünf terá a missão mais complexa. Como ela é a operadora oficial das Portas Estelares, cabe a ela operar a Porta Estelar de Tarbanna para fazermos o caminho de volta. Ela também estará conectada a cada um de nós e providenciará ajuda na medida do possível.


(Sal)—Quanto tempo vai durar essa missão?


(M. Sadol)—Não temos ideia. Mas não se preocupe, você e as duas que ficam terão assistência para manter a Pousada funcionando. Apenas mantenha a porta dos fundos trancada para que não vejam a Porta Estelar em funcionamento no nosso regresso.


(Marina)—Tomamos a liberdade de... Olhar sua lista de clientes. Alguns são conhecidos da Haijmazoo, e não ligarão de fazer um free-lance terceirizado. Inclusive, devem estar chegando a qualquer momento.


Nesse exato instante, ouve-se um acelerar de uma moto superesportiva. Briefing terminado, Sal é autorizado a abrir a Pousada.

Uma humana de seus 40 anos, corpo de verão, cabelos louros, macacão de couro e capacete na mão, se faz anunciar.

(Humana)—Alexandra Honshi, detetive particular e camareira nas horas vagas. Pode me chamar de “Allie”. Lugarzinho aconchegante, hein? Vou gostar desse baito.


(Ariadne)—Honshi?


(Zanmera)—Por acaso, você conhece uma Yukio?


(Allie)—Minha irmã caçula. Trabalhava como mercenária, e... Ei, então ESTA é a famosa Pousada do Haras? Aha... Yukio sempre fala deste lugar, do massagista das mãos de ouro, e das ooza que são todas equinas...


(Ariadne)—“Mãos... De... Ouro”?!?


(Allie)—A propósito, qual é o nome do massagista em questão?


A eqüina da Terra Paralela se interpõe entre Allie e Sal.


(Ariadne)—“Aquele” massagista está em férias, mas não se preocupe, temos outro que é tão bom quanto ele!


(Marina)—Sra. Honshi... Precisaremos que esteja a dispor para esta pousada até retornarmos de nossa missão.


(Allie)—Ah, sei. É mais uma daquelas missões que não se pode falar e que eu tenho que segurar as pontas? Tranquilo, desde que a Tia Pecúnia me seja apresentada no final. (Esfrega polegar e indicador gesticulando “dinheiro”)


Outra figura entra, quase sem ser notada. Uma raposa, em trajes puídos.


(Raposa)—Er...


(Paloma)—A tal “raposa de Chann’Dar” da qual Yukio falava é esta. Seu nome, Fox Redd.


(Fox)—Schtauffen. Fox Redd Schtauffen. A senhora me disse que tinha outra Chann’Dariana por aqui...


(Paloma)—Esta é Mare-Anne Andaluz, não sei se--


(Fox)—Mare-Anne Andaluz?!? Vencedora do Torneio de animadoras de Chann’Dar por três anos consecutivos?!? Líder das animadoras da Seleção de Futebol de Ur? CLARO QUE EU CONHEÇO!!! SOU SUA FÃ!!!


(Mare-Anne)—Hã... Sério? Então, a raposa que me deu um buquê de flores...


(Fox)—Sim, era eu! Kurt odiava futebol, mas gostava de ver as animadoras, e eu ficava boba ao ver tanta energia! Eu sempre quis ser uma animadora, mas meu pai não tinha dinheiro para me matricular numa universidade... Como estão as coisas em Chann’Dar?


(Mare-Anne)—Péssimas. Os Marianos agora estão atacando em praticamente todos os países. E eu... (Chuif!) Perdi... Meus parentes...


As duas se abraçam, em comoção. O clima fica meio pesado.


(Fox)—Qual Furre que nunca perdeu algo praqueles bastardos?...


Ouve-se um ligeiro bater na porta aberta. Uma eqüina de pelagem branca e crina e cauda negras.


(Marina)—Pessoal, esta é Pästa Gramma. A mãe dela pediu ajuda porque ela está fugindo de um psicótico, que um dia foi o marido dela. A família dela, inclusive, está em Sorocaba.


(Zanmera)—Gramma... Gramma... Já ouvi esse nome... AH! Lembrei! Menara me falou dela quando esteve hospedada aqui! Filha de Khumarto e Mästhiga, estou certa?


(Pästa)—Sim, está. Creio que devem ter falado coisas horríveis a meu respeito...


(Zanmera)—Não falaram nada de você em particular, mas você foi citada devido à Maldição de Tar Adon. Não sou muito de fofocar, mas a Minnara andou se deitando com o pai dela, que tinha sido o Tao Lora dela... O bode que deu, vou te contar! Sinta-se à vontade, Pästa, pode usar o quarto da Manuara.

Aparece outra humana, de longas madeixas castanhas lisas.

(M. Sadol)—Ela não estava na lista original, mas como insistiu muito, entramos em um consenso, se ela se sentir incomodada, pode largar a Pousada, e indicar outra pra seu lugar.


(Zanmera)—Pelo Grande... Shaila Benavides?


(Mare-Anne)—Quem é ela?


(Zanmera)—A ex-namorada do Resiarto!


(Shaila)—Zanuca, que bom te ver de novo! Tá trabalhando aqui, agora? Desistiu do jornalismo?


(Zanmera)—Nem sei por onde começar, sabia?


(Allie)—Cabelão, hein? Minha irmã do meio morreria de inveja!


Mare-Anne franze a testa. Havia decidido ser a namorada do Resiarto e, de repente, aparece a ex como uma sombra de incertezas.


(Ariadne)—“Zanuca”?


(Zanmera)—Ehehe... Apelido bobo que a gente ganha na faculdade, não liga...


(Pästa)—Espero que aqui não façam brincadeiras com o meu nome, como lá em Sorocaba...


(Marina)—Falta chegar mais uma, onde ela está?


Subitamente, uma onda de frio invade o local. As equinas da Pousada do Haras conhecem bem essa onda de frio. Mas, não vêem nenhum portal. De repente, ouve-se bater de palmas do lado de fora.


Sal vê uma eqüina parecida com Hir’Ranni, mas mais baixa, com focinho curto, pelagem branca com crina e cauda azuis e um ar bem maduro.


(Equina)—Aqui é a Pousada do Haras?


(Sal)—Sim, é.


(Equina)—Que bom! Permita-me apresentar-me, meu nome é...


(Marina)—Majesti Herodblossons! Está atrasada!


Majesti entra, apressada. A visão dela intriga a todas as equinas da Pousada e também a Sal, que nunca viu algo parecido. Possui três dedos em cada mão e cascos pronunciados nos pés, assim como os Hipponitas, mas também possui pelagem em cores só encontradas nos habitantes de Klismara. Seus modos de falar, sentar-se e gesticular são bem conhecidos da Nobreza Poran, mas sua cabeça ostenta um focinho mais curto que o normal para a espécie eqüina. Possui um chifre, como Fünf, mas é um chifre mais curto e grosso.


(M. Sadol)—Majesti apareceu de repente, se inscrevendo no programa de voluntários da Haijmazoo. Sua experiência batia exatamente com o que era pedido aqui na Pousada do Haras, até parecia feita sob encomenda para este lugar.


(Manuara)—(De fato, muito suspeito... E com aquela onda de frio vindo antes dela... Parece obra de um certo Banatan...)


(Paloma)—Bom, o time de substitutas está armado: Fox substitui Mare-Anne, Shaila substitui Hir’Ranni, Alexandra me substitui, Pästa substitui Manuara e Majesti substitui Fünf. Garotas! Zanmera e Ariadne vão ensinar vocês no que vocês estiverem em dúvida, e o Salomão é o manda-chuva do lugar, portanto, obedeçam-no!


(As novas garotas)—Sim, senhora!


(Marina)—Não se preocupem, meninas, o Sal não é do tipo que abusa da boa-fé de fêmeas subordinadas... Mas cuidado, que a Ariadne é a namorada dele, e é muito ciumenta!


(Ariadne)—EI !!!


(Paloma)—Ela tá mentindo?... Dininha.


Ariadne fica muda, pois sabe que Marina falou a verdade.


Logo depois das cinco substitutas serem apresentadas à pousada do Haras, o Grupo de Caça de Tarbanna vai para o quintal dos fundos. Zanmera, pela primeira vez operando uma Porta Estelar, estava apreensiva.


(Zanmera)—Frequências... Peraí, tem histórico de três operações anteriores!


(Fünf)—Qual é a mais antiga?


(Zanmera)—Esta aqui: X-4ZQA8NUN2I9, Y-PDA4L6OFM2A, Z-9S7ARDIO5L1, W-M9A2RKI8N8A, Beta Negativo, Gamma Negativo, Sigma Positivo. Renomeando operações como “Tarbanna”. ABRINDO!


Novamente, a Porta Estelar gira seu anel interno, fazendo a estática invadir o ambiente. Uma sonda cabeada havia sido trazida por Marina e Marcus Sadol.


(Zanmera)—Enviando sonda cabeada.


A paisagem árida é detectada pela câmera da sonda. Algumas pedras e uma enorme planície de rocha e areia é o que chega até a tela.


(Paloma)—É este o local de onde eu vim pra cá. Zanmera, recolha a sonda tão logo nós atravessemos.


(Marina)—Armas OK, suprimentos OK, kit médico OK.


(Manuara)—Meus poderes de Nobre Porana estão plenamente carregados.


(Fünf)—Metaenergias OK.


(Mare-Anne)—Vamos logo! Quanto antes começarmos, antes terminamos!


(Hir’Ranni)—Hir’Ranni OK!


(M. Sadol)—Então VAMOS!


Os sete atravessam a Porta Estelar e, como combinado, Zanmera recolhe a sonda cabeada e fecha o portal.


(Zanmera)—Boa sorte... Vão precisar.


Uma pequena esfera flutuante estava no local e, ao fechar da Porta Estelar, ela voa de volta a seu ponto de origem, junto de outra esfera. A caixinha com as duas esferas é fechada, e uma mão tridáctila segura um cristal multicor.


(Majesti)—Querido... O grupo de caça já foi atrás de Aisha Dalla. O que eu devo fazer agora?


Uma voz emana do cristal.


(Voz)—Continue seu papel até que retornem. E reporte qualquer anomalia. Conto com você.


(Majesti)—Como queira, querido.


Hora do jantar, só estava um cliente na pousada. Majesti cuidou da cozinha e sua técnica surpreendeu até mesmo a cética Zanmera.


(Zanmera)—Tenho que admitir, você é uma perfeita cozinheira! Já foi chef de algum restaurante?


(Majesti)—Ah... Não. Só herdei a mão da minha mãe pra cozinha. Gostava de vê-la cozinhar, então eu cozinho desde bem jovem.


(Fox)—Jamais achei que uma herbívora conseguiria fazer um prato carnívoro tão gostoso!


(Allie)—Tenho que concordar com a raposa, este prato está uma delícia!


(Shaila)—Mas os vegetais também estão ótimos!


(Pästa)—Concordo! A textura está perfeita!


(Zanmera)—(Perfeita até demais... Acho isso muito estranho...)


(Ariadne)—Você ainda não nos disse de onde veio, Majesti. É de algum “mundo mágico” semelhante a Klismara?


Nisso, um fenômeno estranho acontece com Majesti. Sua crina, até então azul-celeste, começa a ganhar um tom mais forte e escuro.


(Allie)—Uau, gostei do efeito! É uma moda nova de Tabax? Como fez isso?


Majesti cai em si e vê que sua crina está mais escura. Inventa uma desculpa de ir ao banheiro e, lá dentro, trata de se acalmar, respirando fundo e se concentrando. Com isso, a cor de sua crina volta ao normal. Na cozinha, o burburinho continua.


(Zanmera)—Eu conheço TODAS as raças equinas de Tabax, e aquela ali não pertence a nenhuma delas! Uma pena que Manuara não esteja aqui...


(Allie)—Tô meio por fora de antropomorfos que não são de Tabax, pode me atualizar?


(Ariadne)—Eu sou de uma Terra paralela, na qual a espécie humana nunca existiu, e a senda da evolução encontrou lugar em quase todo o reino animal.


(Zanmera)—Manuara é de Klismara, um mundo, digamos, “mágico”, com criaturas em cores berrantes, elfos, dragões e tudo o mais.


(Sal)—Paloma e Marina são de Tarbanna, uma colônia da Terra em outra linha temporal. Curiosamente, a mesma linha temporal de Chann’Dar, mas mais adiante. 3120, se não me engano.


(Zanmera)—3126.


(Fox)—Mare-Anne é de Chann’Dar, mesmo planeta de onde eu sou. Chann’Dar também é colônia da Terra. Eu fiquei lá até o ano de 2687. Daí, eu, meu marido e meu filho voltamos para este planeta, mas alguma coisa nos jogou para séculos no passado.


(Ariadne)—Hir’Ranni é de Baatom, um outro planeta, colônia da Terra, em outra linha temporal, 2080, se não me engano.


(Zanmera)—Fünf é de Tabax, mas de um dos Territórios Desconhecidos, os quais são virtualmente impossíveis de acessar.


Shaila foi surpreendida com a visita de Resiarto. Lógico, houve bate-boca, com Zanmera tentando acalmar os ânimos e só piorando as coisas. Sal precisou levar Resiarto pra fora para a coisa toda não descambar em briga.


(Resiarto)—Mas eu só queria pedir desculpas...


(Sal)—Resiarto... O clima não tá favorecendo. Deixa ela esfriar a cabeça, quem sabe daqui a alguns dias...


(Resiarto)—Heh... Você não conhece a Shaila. A senhorita “guarda-rancores”. Ela pode estar com 80 anos, se me encontrar, ela vai relembrar aquele momento que eu pisei feio na bola com ela. E olha lá se não me der bengalada na cabeça! Ela não esquece nunca, e pelo visto não perdoa nunca, também.


(Sal)—Mas afinal, por que você veio aqui?


(Resiarto)—Tua namorada me disse que uma das novas garotas precisava de massagem...


E lá se foi papo afora a respeito de mulheres em geral. Afinal, só haviam eles de machos naquela pousada. Mais tarde, Sal chamou Allie e a apresentou a Resiarto, dando-lhe as devidas precauções, dada a libido incontinente do garanhão.


(Allie)—Não se preocupe, se ele avançar um milímetro além do permitido, ele vai descobrir novos significados para a palavra DOR! Não sou chegada em peludos como a Kimberly, espero que ele esteja de sobreaviso.


(Sal)—Olha, de sobreaviso ele tá, agora, se ele vai conseguir se conter, isso eu não posso garantir. Sinta-se livre para puni-lo.


(Allie)—Cara... Acho que você é um patrão muito gente fina.


Enquanto a Pousada do Haras era fechada, Shaila e as outras foram dormir. Apenas Allie estava acordada, deitada no colchonete de massagem, “do jeito que o diabo gosta”. Resiarto começou a mostrar seu dote para massagens. Não demorou muito, gritos foram ouvidos, que só não acordaram o cliente porque o quarto dele tinha, como todos os outros, isolamento acústico.

Allie estava punindo uma bolinação de Resiarto com a famosa “chave em cruz”, usada em espetáculos de luta-livre.

(Resiarto)—ÁÁÁGUA !!! DESISTOOO !!! ÁÁÁGUA !!! AAAARGH !!! ISSO DÓÓÓI !!!


Acompanhando os gritos de Resiarto, os característicos sons de ossos sendo desconjuntados.


(Allie)—Pensei... Que o Sal tinha te falado sobre ir além do permitido!


(Resiarto)—AAAI !!! ESCORREGOU, MINHA MÃO ESCORREGOOOU !!!


(Shaila)—Larga. Dele. JÁ!


A irmã de Yukio Honshi sentiu uma vibração esquisita no comando de Shaila. Não demorou a ligar as peças.


(Allie)—Ãhn? É você a ex-namorada dele? Não se preocupe, só tô mostrando a ele o lugar dele.


(Resiarto)—Tá doeeeendo, caralho!!! Vai arrancar o meu braaaaço!!!


(Allie)—Você tem bastante carne, e ossos fortes, não quebra tão fácil. Agora, repita o que a tia Alexandra disser: “Eu nunca mais vou bolinar uma fêmea, a menos que ela peça”. Vai, repete!


(Resiarto)—Eu... (Puf!) Nunca mais... (Argh!) Vou bolinar... (Ungh!) Uma fêmea... (Ai, ai, aaaai!) A menos... A (Argh) menos... (Arf!) Que ela peça...!


Dito isto, Allie solta Resiarto, empurrando-o com o pé.


(Allie)—Que lhe sirva de lição. Da próxima vez, vai ser tipóia e gesso!


Inesperadamente, Resiarto é amparado por Shaila, que conversa algo que só foi entendido pelos dois. Mancando, com um dos braços sendo seguro pelo outro, Resiarto é conduzido por Zanmera até o portão da Pousada.


(Zanmera)—Você não aprende mesmo, né? Por que fez isso? O Sal não te disse que se bolinasse ela, ela iria te castigar feio?


(Resiarto)—(Argh...) Disse, lógico que disse. Pensa que eu queria ser punido daquela forma?


(Zanmera)—Então por que...? Espera... Foi por causa da Shaila, não foi?


(Resiarto)—Eu vi a cara dela... E ela... Ela conversou comigo... Espero que, pelo menos, um pouco do rancor que ela tem por mim tenha sido queimado nesse suplício que ela me viu passar. Eu sei, que eu nunca vou ter o perdão dela... Mas eu queria que, pelo menos, ela parasse de me odiar...


Colônia Rural 4472-F, Departamento Norte-2, Enta, Tarbanna, 3126.


(M. Sadol)—Bom, a caminhada vai ser longa... Estamos no bloco F, a sede da Oitava Polícia Montada fica no bloco B.

(Paloma)—Por sorte, há uma caverna natural aqui. O sol aqui tá de lascar!


(Mare-Anne)—Eu que o diga!


(Manuara)—Faço minhas as tuas palavras!


(Marina)—Injete freon nos biométricos, Paloma. Os meus já estão injetados.


(Hir’Ranni)—Eu não entendu... Pus’que reclamam tantu?


(Fünf)—Você é de uma raça acostumada com o deserto, nós não!


(Paloma)—Manuara, não esqueça da ligação mental com o Sadol!


A Ligação Mental serve para Manuara saber onde Marcus Sadol está todo o tempo, vendo por seus olhos, ouvindo por seus ouvidos. Serve também para abrir o portal a menos de três metros de onde ele estiver, como se fosse um kaletto móvel. Como único humano da equipe de resgate, ele pode passar despercebido pela sede da Polícia Montada (Até porque ele estava trabalhando lá até fugir com Marina e Dr. Gezeit). Feita a Ligação Mental, Marcus Sadol partiu sob o sol escaldante do deserto rumo à sede da Polícia Montada, que não tinha mais esse nome dado o desaparecimento e sistemática eliminação de Hippomorfos.


Dois longos dias foram gastos até Marcus Sadol encontrar um sinal de civilização. Finalmente, estava no bloco B! Logo, trataram de reconhecê-lo de longe. Igor Zartan, temporariamente afastado da Polícia Rural de Enta, foi o primeiro a reconhecê-lo.


(I. Zartan)—Pelo estado deplorável das roupas, não poderia ser outro! MARK SADOL! Hahahahaha!!! Até parece que ficou perdido no deserto!...


(M. Sadol)—Pior... (Puf...) É que é... (Puf...)


As roupas de Marcus Sadol tinham se deteriorado dado umas quedas de ribanceiras, areias movediças e outros presentinhos do deserto.


(I. Zartan)—E quanto à tua Hippomorfa, a Marina?


Marcus Sadol faz uma cara triste, soturna. Ele pode ser desastrado, mas domina a interpretação de papéis como ninguém em Tarbanna. Era pra ele ter sido ator, não tivesse ele se inscrito por acidente no concurso da Polícia da Colônia Urbana 4450, seu local de nascimento, pensando que era um teste para filmes de ação.


(I. Zartan)—Putz... Que pena...
Vocês eram muito ligados… Meus pêsames. Aqueles caras são filhos-da-puta mesmo, eles pensam que só porque eles criaram os Hippomorfos, podem extingui-los a seu bel-prazer!

(M. Sadol)—Ouvi meio por alto que a Aisha foi presa, por quê?


(I. Zartan)—Parece que ela tinha roubado uns segredos sobre alguma coisa, mas isso tem virado desculpa pra prenderem quem eles querem. Eles pensam que são americanos, agora. Segundo dizem as fontes, a Hippomorfa dela fugiu. O que é estranho, pois a Paloma era devotada à Aisha...


(M. Sadol)—(E por que você acha que eu estou aqui, inocente?) Er... Tem como visitá-la?


(I. Zartan)—Bem, ela tava sob quarentena, mas parece que resolveram pegar mais leve recentemente. Tome, leve este cartão. Do modo como eu te conheço, você deve ter passado muito tempo no deserto, e depois da prisão de Aisha Dalla, eles trocaram todo o sistema de credenciais, e teu cartão será recusado. Este eu peguei semana passada. Sabe como é, preciso levar umas informações para umas pessoas a quem devo umas e outras, hehehe... Use este e você poderá chegar até onde está Aisha. Fala praquela MILF que o Zartan mandou um beijo bem onde ela sabe, hahahahaha...


Como uma pessoa nada indispensável e totalmente desimportante para a Oitava Polícia Montada de Enta, Marcus Sadol entrou praticamente despercebido. Foi ao alojamento, onde pegou um traje novo – E notou que estava mais gordo – e foi fingir que fazia alguma coisa. Dirigiu-se à cadeia. Muitos criminosos pés-rapados ainda estavam lá, enquanto que muito peixe graúdo que ele e Marina tinham prendido não estava mais lá. Grande também era o número de policiais presos. Marcus Sadol conhecia todos eles. Todos tinham algo em comum: Eram muito zelosos com seus Hippomorfos. Marcus Sadol ajudou muitos Hippomorfos a escaparem da morte certa, geralmente com seus antigos cavaleiros e amazonas sendo presos como distrativos. Alguns não tiveram a mesma sorte. Sadol soube de três que foram pegos e mortos, na frente de seus parceiros: 4331-HF-39 “Pampa”, explodida a vácuo na frente de sua amazona, Sd. Sara Krismacher, que entrou em depressão profunda e se suicidou na semana seguinte à execução; 4000-HM-28 “Diablo”, morto em um tiroteio contra Semivivos, ao lado de seu cavaleiro, Sgt. James Severino, que levou um tiro em um dos olhos que atingiu parte do cérebro, e hoje vegeta no Hospital Militar de Enta, sem chances de recuperação; e 3232-HM-41 “Furacão”, Hippomorfo aposentado, que pediu para ser morto por seu antigo cavaleiro, Cel. Aldebaran Toicinho, como “última honra”. Aldebaran foi morto antes, por uma equipe de assalto composta de Semivivos, e Furacão destruiu dois deles antes do terceiro se autodestruir, implodindo a casa do coronel. O inquérito corre sob segredo de estado, pois Aldebaran tinha vários inimigos na própria Polícia Montada, e era contra a implantação dos Semivivos.


Uma voz familiar denuncia a presença de Marcus Sadol. Seu quase-xará, Sd. Marcos Urukawa, ex-cavaleiro do Hippomorfo 3891-HM-09 “Preto Velho”.


(M. Urukawa)—Ora, ora! Sadol! Se você está aqui, é porque Marina está a salvo, né?


(M. Sadol)—Como assim, Urukawa?


(M. Urukawa)—Corre a lenda: Desde que aquelas malditas máquinas de carne foram implantadas por aqui, se o Hippomorfo morre, seu cavaleiro também morre. Ou vira um vegetal, como o pobre Severino. Uma pena que eu não verei mais o meu fiel Preto Velho, mas eu sei que ele está seguro. Por onde esteve, voltou para a cidade? Esteve escondido? Ficou sabendo do Ten. Bellini? Teve um ataque do coração. Dizem que foi quando acharam e mataram o Pé-de-Quenga, e ele nem estava sabendo da operação.


(M. Sadol)—Putz, pegaram o Pé-de-Quenga?


(M. Urukawa)—Desde que assumiu o novo ditador aqui em Enta que tá essa coisa, apareceram os Semivivos e estão caçando os últimos Hippomorfos. Tem notícias do Doutor?


(M. Sadol)—Tá bem, tá seguro, não tem como pegarem-no. Onde eu acho a Aisha?


(M. Urukawa)—Solitária 46. Privada de água, luz e arejamento. Parece que vão deixá-la apodrecer lá.


(M. Sadol)—Não se eu tomar uma atitude.


(M. Urukawa)—Que atitude, rapaz? Não sei como ainda não te prenderam!


(M. Sadol)—Depois te conto. Até mais!


E Sadol foi seguindo até a ala das Solitárias, fortemente vigiada. Os guardas deixaram Sadol passar, porque Sadol é totalmente inofensivo, de acordo com o julgamento da Oitava Polícia Montada. Inclusive, resolveram antecipar a hora de sol mensal de Aisha Dalla para ela poder conversar com Sadol.


Uma grossa parede de vidro separa os dois.


(Aisha)—Foi Brahma quem te mandou aqui... Talvez você seja meu último amigo a me ver viva... Estão planejando algo para a próxima hora, e eu sei que, quando há uma agitação assim, é porque vai rolar execução. Passou esta hora, colega, vá embora. E fala pra Paloma que--


(M. Sadol)—Posso falar ou tá difícil?


(Aisha)—Desculpe, eu queria muito falar com alguém... Mas diga...


(M. Sadol)—Vamos tirar você daqui. Paloma está te esperando.


(Aisha)—Peraí, como assim? Ela foi capturada?


(M. Sadol)—Não... É você que vai ser liberta!


Deserto


(Manuara)—Ele está com Aisha Dalla. Abrindo portal!

(Paloma)—Hir’Ranni, Marina, no três! Um... Dois... TRÊS!


E as quatro equinas pulam o portal, aparecendo a poucos passos de Marcus Sadol.


(Aisha)—PALOMA!!!... MARINA?!?...


(Paloma)—Calmaí, gatinha, primeiro vou levar minha filha pra brincar com umas bonecas. Manuara, tira ela daqui!


(Manuara)—Nem precisa falar!


Outro portal surge, e Manuara aparece ao lado de Aisha Dalla.


(Manuara)—Quer ir para a Liberdade?


Nisso, um guarda percebe o movimento.


(Guarda)—EI !!! Vocês aí !!!


O disruptor sônico de Marina deixa o guarda tonto, enquanto outro portal é aberto, Aisha atravessando-o, e sendo fechado logo depois. Manuara saca uma vareta elaborada.


(Manuara)—Hora da diversão!


Marcus Sadol e Marina pegam cada um uma submetralhadora, enquanto que Manuara paralisa os guardas com seus raios mágicos.


O alerta não demora a surgir:


--ALERTA DE HIPPOMORFO! ALERTA DE HIPPOMORFO! ALERTA DE HIPPOMORFO!...


Mal apareceu o primeiro guarda...


(Paloma)—Oi.


--POW!


(Hir’Ranni)—Tiau.


Mais um guarda nocauteado, e Paloma passa duas facas estranhas e fosforescentes para Hir’Ranni.


(Paloma)—Facas Anti-Inerciais. Destrua os Semivivos com elas. Acerte a esfera pra destruí-los.


(Hir’Ranni)—‘Xa comigu!


Um elevador, vários andares no subsolo, e Paloma e Hir’Ranni estão diante de um enorme armazém, onde aguardam, enfileirados, milhares de Semivivos.


(Paloma)—Quanto mais destruição, melhor! Os da frente são acionados primeiro, destrua-os primeiro!


(Hir’Ranni)—Oh’khei...


E, facada após facada, as camadas protetoras dos Semivivos eram destruídas, até chegar na esfera vermelha, que os fazia explodir numa bola de sangue.


Comando de Operações


(Coronel)—Não acionou os Semivivos ainda?!?

(Capitão)—Estão sendo destruídos com facas Anti-Inerciais mais rápido do que podemos mudar a frequência de comando para acionar as outras unidades!


(Coronel)—Simples: Instale os modos automáticos e ordene a retirada dos efetivos do lugar!


(Capitão)—Mas Coronel, o modo automático ainda não está totalmente controlável!


(Coronel)—FODA-SE! Eles destruirão a tudo e a todos por lá!


Prisão


(Marina)—Precisamos distrair os guardas! Manuara, você pode destrancar as celas?

(Manuara)—Que as trancas se invalidem, e que as portas se abram! Sésamo! Electronullam Aperportallum!


Todas as portas se abrem, seguidas de um blecaute, e uma gritaria emerge da massa que ganha sua liberdade de uma hora pra outra.


(M. Sadol)—HOJE SERÁ UM NOVO DIA!!!


(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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[Imagem: CAP.jpg]
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#2
Muito foda! Big Grin


[devart]RenanPoletti[/devart]
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#3
(Continuando...)

(Parte 2 – Batalha)
 
Deserto. Aisha Dalla pisa no chão quente, sendo recepcionada por um rifle de precisão seguro por Mare-Anne.

(Mare-Anne)—Nome!


(Aisha)—Capitã da Oitava Polícia Montada de Enta, Aisha Dalla. E você, qual é teu número de série?... Peraí, eu não te conheço!


(Mare-Anne)—Sou Mare-Anne Andaluz, e a história é muito comprida pra te explicar. Fünf, comece a trabalhar no portal.


(Fünf)—Porta Estelar! Quando vão aprender o nome correto disto?


(Aisha)—Ei... Foi por este lugar que Paloma sumiu! Isto é...


(Fünf)—Um conector interdimensional, capaz de conectar qualquer ponto no tempo, no espaço e em qualquer dimensão ou universo onde tenha outro igual. A propósito, sou Fünf Haajimee, e Paloma vivia falando de você. E não, nós não somos Hippomorfas.


Prisão


(M. Sadol)—Manuara, abra um portal pra Marina!

(Marina)—Tá louco? E eu vou deixar o MEU humano correndo perigo? Uma regra: Viver juntos ou morrer juntos!


De encontro a eles, Marcos Urukawa.


(Marina)—Urukawa!


(M. Urukawa)—Os guardas estão fugindo! Você sabe o que isso significa, não sabe, Sadol?


(M. Sadol)—Puta que pariu!...


(Marina)—Que houve, Sadol?!?


(M. Sadol)—Se os guardas estão abandonando o lugar, isso significa que os Semivivos serão acionados no modo automático! Não haverá ninguém os controlando! Eles matarão toda e qualquer criatura que encararem pela frente! Inclusive os guardas que não fugirem a tempo! Marina, contate Paloma, fala pra ela sair de lá IMEDIATAMENTE!


Subsolo


(Paloma)—Hir’Ranni! Eles estão sendo ativados no modo automático! Cair fora JÁ!

(Hir’Ranni)—Comu?


(Paloma)—Marina me passou uma mensagem! Rápido, antes que os olhos deles comecem a acender!


(Hir’Ranni)—Daquele jeito ali?


(Paloma)—PRO ELEVADOR, SUA MOLENGA!!!


As duas correm pro elevador, tendo urros inumanos atrás delas. A porta parecia levar uma eternidade para se fechar, quando de repente, um tiro de feixe atravessa a porta!


(Hir’Ranni)—AGH!!!


(Paloma)—HIR’RANNI !!!


A Hipponita tinha sido atingida nas costelas do lado esquerdo. Paloma irrompeu em fúria, as duas facas anti-inerciais em suas mãos. Mal os Semivivos interromperam o fechar da porta do elevador, iniciou-se uma carnificina sem tamanho, a furiosa Hippomorfa, mente bloqueada pela fúria, desviando-se dos tiros de feixe, e criando mais e mais explosões de sangue.


Uma das facas, que equipava um dos Semivivos, escorregou perto de Hir’Ranni. Um dos Semivios estava se preparando para atacar Paloma por trás, quando é seguro, e de sua esfera localizada no centro do corpo, brota uma lâmina fosforescente, fazendo o Semivivo explodir em sangue.


(Hir’Ranni)---Arf... Hir’Ranni... Arf... Gheheira...


(Paloma)—SUA IDIOTA!!! VOCÊ ESTÁ FERIDA!!!


(Hir’Ranni)—Num vô dexá...  Arf... Machucá P’loma... Arf...


A resistência, mesmo com um furo no peito, era incrível. Era o “modo de fúria” de Hir’Ranni que, com um grito de guerra baatomense, avançou com Paloma rumo à turba de robôs de carne descontrolados.


Prisão


 
(M. Sadol)—Por que elas estão demorando tanto?!?

(Manuara)—Aquelas... Coisas... Estão atacando sem pensar. Paloma e Hir’Ranni os estão destruindo com uma certa facilidade...


(M. Urukawa)—Claro! Sem humanos para comandá-los, eles não passam de sub-animais! Não podem sequer se autodestruir!


(Manuara)—Hir’Ranni foi atingida nas costelas... Mas ainda luta como se nada tivesse ocorrido... Paloma já está bem ferida, também, e parece estar incontrolável...


(Marina)—PARA O SUBSOLO!!! Urukawa, comande a rebelião! Hora de um golpe de estado!


(M. Urukawa)—Pode apostar! E quanto a vocês?


(Marina)—Nós nos despedimos aqui.


(M. Sadol)—Te cuida, japonês! Abayô!


Marina, Marcus Sadol e Manuara foram para o subsolo, enquanto Marcos Urukawa foi para o arsenal, formar a milícia de resistência. Ele tinha um motivo muito forte para derrubar o atual ditador de Enta.


Sara Krismacher.


Eles estavam a um mês do casamento quando Pampa, a Hippomorfa de Sara, foi pega e executada na frente dela. Ela se suicidou na semana seguinte, e durante seu enterro, Marcos Urukawa foi preso. Isso, havia dois anos atrás.


Deserto


(Aisha)—Argh, pensei que a missão era só me resgatar! Por que estão demorando tanto?

(Fünf)—Tenho uma conexão mental ativa com Manuara no momento, me parece que os Semivivos foram acionados no modo automático. Paloma e Hir’Ranni estão destruindo-os por lote, mas estão feridas, e Marina e Sadol foram ajudá-las. O objetivo foi mudado para “Destruição dos Semivivos da Oitava Polícia Montada” e “Início de Golpe de Estado”.


(Aisha)—O QUÊ?!? Eu... Eu tenho que voltar!!!


(Fünf)—Sem chances. Assim que eu terminar de conectar este portal com a frequência espaçotemporal do planeta de onde viemos, você será despachada.


(Aisha)—EU JÁ PERDI A PALOMA UMA VEZ, EU NÃO VOU SUPORTAR PERDÊ-LA DE NOVO!!!


(Mare-Anne)—Se acalma, tia. Manuara está com elas, se der merda, ela invoca o mesmo portal que te trouxe aqui e trás todo mundo pra cá.


(Fünf)—Acho que encontrei... A última travessia está recordada. Sim, são estas as frequências, os destinos Beta, Gamma e Sigma estão corretos... ABRINDO!!!


Subsolo


(Manuara)—Pessoal, vamos deixar esses sacos de ossos pra trás, a Fünf já conectou o portal para a Terra!

(Marina)—Se deixarmos um Semivivo inteiro, a Oitava Polícia Montada não será tomada, e o Golpe de Estado vai fracassar!


(Paloma)—(Argh...) É sério... (Puf...) Que vocês incitaram um Golpe de Estado? Mas e quanto aos Semivivos das outras quinze Polícias Montadas e trinta e duas Polícias Urbanas?


(Sadol)—Paloma, você conhece o Urukawa. Ele pode cortar todos os links que ativam os Semivivos, mas para isso, esta seção precisa estar limpa. Sem os Semivivos, eles vão precisar botar a cara pra briga, e tem um MONTE de policiais que gostavam de seus Hippomorfos...


Uma sombra distorcida acompanha de perto. Sadol, como sempre, azarado, entrou na mira de um Semivivo, mas antes que este pudesse atingir Sadol, é acertado bem no centro do núcleo com um feixe de nêutrons.


(Sadol)—Valeu pela cobertura, Paloma! Quase que me ferro!


(Paloma)—Aquilo foi um feixe de nêutrons. Nenhum de nós – Exceto Mare-Anne – tem uma arma assim.


(Manuara)—E Mare-Anne está no Deserto... Quem foi, então?


(Paloma)—Pode sair de sua cobertura... Winchester.


Um Hippomorfo desfaz sua cobertura refratora, revelando um garanhão cinzento, de um tom semi-azulado, carregando uma carabina de nêutrons.


3443-HM-86, codinome Winchester.


(Winchester)—Pensei que passaria despercebido... BBRRRRFFFF!!!


(Paloma)—Não sei como raios você conseguiu esses upgrades, mas é bom sabermos que há mais alguém do nosso lado. Você pode vir conosco para a Terra, assim que acabarmos com os Semivivos restantes.


(Winchester)—Agradeço a oferta, companheira, mas eu tenho pra onde ir. Estou servindo um comandante novo, que foi quem me deu estes upgrades. Minha missão era garantir que o resgate de Aisha Dalla fosse bem-sucedido, sem que eu fosse percebido. Infelizmente, falhei na parte de não deixar ser percebido, mas tive que agir com esse lendário azarado com as costas descobertas.


(Paloma)—E quem é esse teu novo “comandante”? Tava estranhando, pois você é da Sétima Polícia Montada, a dois mil clicks daqui.


(Winchester)—Não preciso dizer quem é, vocês vão descobrir a identidade dele facilmente. Tudo que vocês precisam é destruir os Semivivos? Pela facilidade com que vocês estão os destruindo, eles só podem estar no automático. Vão pra casa, eu termino o serviço.


(Marina)—Há quase mil Semivivos ainda ativos! Você sozinho não dá conta do recado!


(Winchester)—Tenho uma dívida com meu antigo cavaleiro. Tenho mais suporte do que vocês possam parecer. Mas meu comandante disse que o pesadelo de um de vocês pode ser o trunfo necessário, quando tudo der errado. VÃO!!!


Manuara abre o portal e os cinco invasores deixam o lugar, reaparecendo no deserto.


(Winchester)—Eles já foram embora.


Uma voz abafada surge no comunicador.


(Voz)—Deu o recado?


(Winchester)—Sim.


(Voz)—Então, você não precisa mais estar aí. Use o Token para retornar.


Winchester planta uma espécie de cone, furando a parte que seria a base. Um portal se abre. Pegando um barbante, Winchester atravessa o portal e, puxando o barbante, o portal se fecha.


Deserto


Aisha se desespera ao ver Paloma naquele estado, com marcas de tiros, garras e mordidas por todo lado. Hir’Ranni e Marina não estavam muito melhores. Sadol estava todo sujo de sangue de Semivivos, assim como Manuara, que havia gastado sua última vareta de combate.

(Paloma)—Hey, eu tô mais inteira que você, ainda! Tô preocupada é com a minha filha!


(Aisha)—Filha?


Hir’Ranni se apresenta, ainda contorcida do tiro nas costelas. Paloma explica que adotou Hir’Ranni porque ela havia sido abandonada. Aisha acaricia a cara de Hir’Ranni que, exausta, desfalece.


(Paloma)—O portal está aberto, certo? Então, Aisha leva Hir’Ranni para a Terra, e nós terminamos o serviço.


Pousada do Haras, Terra, 2035


Ariadne vigia o portal reacendido, silenciosamente, mantendo a porta dos fundos trancada como Marina havia recomendado.

(Aisha)—Ajuda aqui!


Chamando desesperadamente por Sal e Zanmera, Ariadne corre para dentro, logo vindo os três para ajudar a colocar Hir’Ranni em um espaço mais adequado.


(Sal)—Você é Capitã Aisha, não?


(Aisha)—Sou. Pelo visto, você que é o Sal. Obrigada por cuidar da minha Paloma.


(Ariadne)—“Sua” Paloma?


(Sal)—Ela foi amazona da Paloma quando as duas trabalhavam juntas na polícia. (Para Aisha) Né?


(Zanmera)—Nossa, a Hir’Ranni tá bem mal... Vou pedir pra Fox trazer gelo.


(Sal)—Faz o seguinte, chama um médico!


Por sorte, Dr, Gezeit estava de plantão na Pousada. Cumprimentou calorosamente Aisha e foi tratar de Hir’Ranni. O que ele ia pedindo, as outras iam buscando.


(Dr. Gezeit)—Ferrimentas de nêutrrons son serríssimas! Se non trratados a tempa, podem acabar trransformando o ferrida em uma massa de nêutrrons! Eu non acrredito que a trratado de Colda foi refogada pela novo Goferno de Enta!


(Aisha)—O Tratado de Colda proibia o uso de feixes de nêutrons como projéteis contra organismos vivos. O novo ditador de Enta não só revogou, como equipou os Semivivos com armas de nêutrons.


Colônia Rural 4472-F, Departamento Norte-2, Enta, Tarbanna, 3126


(M. Sadol)—Mensagem de Urukawa. Os Semivivos restantes da Oitava Polícia Montada saíram do Modo Automático, e estão sendo controlados por caçadores. Estão seguindo um rastreador que leva direto... PRA CÁ?!?

(Marina)—Claro, não poderia ser de outra forma.


Um rastreador grudado no uniforme de Marcus Sadol. É um modelo indestrutível.


(M. Sadol)—E todos os 971 Semivivos restantes estão vindo pra cá!


(Paloma)—Ou... (Puf...) Winchester dançou, ou ele... (Puf...) Nos traiu. Droga, tiros de nêutrons são uma merda, mesmo...


(Mare-Anne)—Daqui de cima, tô vendo uma verdadeira FALANGE! Nove amontoados de 100 e um amontoado com os restantes!  Vão destruir tudo se nós não cairmos fora!


(Manuara)—Ainda não. Temos uma última chance.


A Nobre Porana agarra forte a cabeça de Marcus Sadol.


(Manuara)—Me perdoe... Mas me lembrei de uma coisa...


E Marcus Sadol é ardentemente BEIJADO na boca, para olhares espantados de todas as outras equinas presentes.


(Marina)—O que significa is--


--ZAARK!!!


Um feixe de nêutrons vara a cabeça de Marina de fora a fora! A Hippomorfa expira, ante o olhar atônito e desesperado de Marcus Sadol.


(M. Sadol)—NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOO !!!


As mãos de Marcus Sadol tremem. A terra treme. A enorme lua sobre Tarbanna muda sua face, mostrando um lado destruído por algum evento misterioso. Da cratera massiva do lado destruído, um objeto brilhante desce vertiginosamente, até ficar a centímetros dos olhos de Marcus Sadol. Sua verdadeira identidade fora revelada.


(Paloma)—“No dia em que o Desafortunado criar laços com alguém que não é de sua raça, e essa criatura morrer perante seus olhos de forma brutal, o Deus das Trevas JNMTHWAA despertará, usando o corpo do Desafortunado para destruir o mundo atual e criar um novo. A Lua mostrará sua face destruída, e em frente a seus olhos, estará a Lança do Fim do Mundo. Com ela, JNMTHWAA destruirá tudo, começando por quem o despertou, seguindo pelos impuros e, por fim, pelos puros, deixando a terra estéril para que OOKRDNMY, o Deus da Luz, despache JNMTHWAA de volta para as Trevas Eternas e repovoe o mundo estéril com vida plena.” Assim dizem as Escrituras Proibidas do Vale Baka.


(Mare-Anne)—Tô com medo...


(Paloma)—Eu nunca tive medo na minha vida, mas... Estou seriamente cogitando voltar pra Terra agora!


(Manuara)—Não precisam temer!


(JNMTHWAA)—MALDITOOOOOS!!! APODREÇAM NAS TREVAS!!!


E, de posse da Lança do Fim do Mundo, que se torce e retorce como uma fita de DNA, JNMTHWAA invoca um raio em sentido horizontal que, numa varredura em leque, destrói de uma vez TODOS os Semivivos! Como efeito colateral, morrem também seus operadores, partidos ao meio na altura da esfera. Pânico geral em Enta.


(JNMTHWAA)—CRIATURAS PÉRFIDAS!!! ABERRAÇÕES MALFEITAS!!! EXPLODAM NUMA BOLA DE SEBO, E QUE MORRAM SEUS CRIADORES!!!


Apontando a lança para cima, miríades de raios finos como fios de cabelo saem da ponta da Lança, mergulhando nas cabeças de todos os envolvidos na criação dos Semivivos, desde os projetistas que receberam os projetos de uma potência alienígena, até o Ditador de Enta e toda a Alta Cúpula.


(JNMTHWAA)—AGORA--


(Manuara)—Agora desperte, Marcus Sadol. Foi tudo um terrível...


Outro beijo na boca, e Marcus Sadol desmaia. A Lança do Fim do Mundo desaparece como fumaça.


(Manuara)— ...Pesadelo.


Não demora muito, Marcus Sadol acorda. O primeiro rosto que ele vê é o de Marina.


(M. Sadol)—MARINAAAA!!! (Chuif) Você tá viva!... Graças a... Peraí, eu vi você levar um tiro que te vazou a cabeça de fora a fora! Logo depois do inesperado beijo que...


(Manuara)—Paloma havia me contado que você tinha grande chance de despertar o tal do “Jinimtwaa”, pois você tinha o perfil. Então, eu induzi o beijo da ilusão, fazendo você acreditar que tinha perdido a Marina pra um daqueles troços.


(M. Sadol)—Mas eu fiz algo excepcional?


(Paloma)—Bem... Olhe ao teu redor.


Marcos Sadol olha pilhas de Semivivos completamente mortos, partidos ao meio bem no equador da esfera de energia que os mantinha funcionando.


(Paloma)—Agorinha, Urukawa nos mandou um recado dizendo que tanto o ditador, quanto a alta cúpula, e todos os envolvidos no projeto dos Semivivos, foram... Mortos. E não sobrou um Semivivo pra contar história. Pela primeira vez na minha vida, EU fiquei com medo de você, Sadol!


Marcus Sadol olha pra cima. A face destruída da lua, pouco a pouco, volta a se esconder. Marina o abraça, e ambos trocam um beijo de leve.


(Manuara)—Já que a treta toda acabou, vamos pra casa?


(Mare-Anne)—E eu não precisei disparar nem uma vez que fosse!


(Paloma)—Quero ver se Hir’Ranni está legal. Vamos logo!


(Marina)—E VOCÊ, tá legal?


Atravessando o portal, o sexteto retorna para a Terra. Missão cumprida.


Pousada do Haras, Terra, 2035


Calorosos abraços, cuidados médicos, banhos demorados e um lauto banquete depois, Paloma tem um anúncio a fazer, à mesa de jantar.

(Paloma)—Galera, sei que conviver comigo não foi fácil. Salomão, Manuara e Mare-Anne que o digam. Quando eu cheguei aqui, estava arrasada por pensar que, além de ter perdido minha amazona, também tinha falhado na missão de entregar para o Dr. Gezeit o disco com as informações sobre a Porta Estelar que o Projeto Grifo obteve estudando o exemplar escondido no Curral e o achado no Deserto. Mas depois, cumpri minha missão de entregar os dados e, hoje, cumpri com a minha promessa de trazer a minha amazona em segurança, graças a vocês. Presenciei coisas que um ser humano não presenciaria sem perder a sanidade, e mudei meus paradigmas. Finalmente, cumpri minha missão e estou pronta para minha nova fase.


(Zanmera)—Larga mão de enrolar, Paloma, e diga logo o que você quer dizer!


(Paloma)—Quero agradecer, do fundo do meu coração, por terem me ajudado a trazerem minha querida pra junto de mim novamente. Minha vida estava parcialmente completa com uma filha, agora está totalmente completa com minha companheira.


(Sal)—Com...


(Ariadne)—Pa...


(Zanmera)—Nheira...?


Nisso, Aisha Dalla se levanta.


(Aisha)—Viu só, Sadol? Não era só você que tinha um caso com sua parceira de polícia.


Aisha e Paloma se abraçam e se beijam de forma que arrancou suspiros de todos. Inclusive do Dr. Gezeit.


(Mare-Anne)—Vocês são lesbianas? NO LO CREO!!!


(Paloma)—Nosso caso é até mais antigo que o do Sadol com a Marina.


(Marina)—Então... Você é mesmo...


(Zanmera)—44 bico-largo? Bom, eu tinha uma leve suspeita, dado o teu jeito meio “machona”, mas eu achava que era por causa do ofício...


(Paloma)—Na verdade, a “machona” da relação é a Aisha. Meu jeito sempre foi bruto, mesmo.


E o conversê rolou solto. Em um canto escondido, Majesti reporta.


(Majesti)—Resgate bem-sucedido. Descobri que a pessoa que foi resgatada é companheira amorosa da Hippomorfa com jeito de machona... Ah, Paloma, o nome dela.


(Voz)—Bom trabalho. Pode retornar a hora que quiser.


Uma brisa fria faz a figura de Majesti Herodblossons desaparecer sem sequer ser notada.


Em outro canto...


(Shaila)—Me disseram que você está com alguém, agora... Que é alguém que atende aos teus... Anseios. Espero, realmente, que vocês sejam muito felizes.


(Resiarto)—Você poderia pelo menos passar uma borracha em tudo o que aconteceu de ruim entre nós dois...


(Shaila)—Não se preocupe, eu vou passar uma borracha em TUDO. Em TODAS as nossas lembranças. Estou pra começar um curso novo em uma faculdade no Rio Grande do Sul. Por favor, não me procure, OK? Adeus.


E Shaila parte, sem falar uma palavra a mais ninguém. Nem mesmo a Zanmera.


Após receber o dinheiro, Allie cumprimenta a todos os restantes, e parte em sua moto ruidosa e superesportiva, a toda velocidade.


Pästa Gramma também recebe sua parte, direto da Haijmazoo, e embarca na viatura de proteção a vidas ameaçadas, rumo a Sorocaba, onde estão seus pais.


Fox também recebe uma quantia, que permite passar um tempo com o marido e o filho em um hotel barato da cidade. Marina tentará convencer a Haijmazoo de que ela pode ser uma agente útil, apesar do marido ser um suywan. A agência relutou em aceitar Marcus Sadol.


Sal, Ariadne e Zanmera deram pela falta de Majesti e Shaila. Zanmera disse que, como Resiarto estava por perto, era bem capaz de Shaila ter caído fora sem dizer “tchau” pra ninguém. Mas, sobre Majesti, permaneceu o mistério.


Todavia, ninguém estava a fim de resolver mistérios. Feridas precisariam ser curadas, Marcus Sadol precisaria passar por uma reabilitação psicológica, Aisha precisará passar por uma recuperação total, e Paloma e Hir’Ranni, assim como Marina, se recobrar de diversos ferimentos.


No total, passaram um mês em Tabax. Apenas Paloma voltou. Segundo a própria, Aisha foi designada “Agente especial” da Haijmazoo, no mesmo posto de Marcus Sadol e Dr. Gezeit.

Finalmente, um novo dia...
 
Próximo Capítulo: -Atratividade Involuntária Extrema
Kurt Schtauffen e sua esposa, Fox, acompanhados de seu pequeno filho, Mateus (Os Peludos de Chann’Dar), enfrentaram uma tempestade misteriosa e de repente estão à frente da Pousada do Haras. Fox, outrora fã da outrora adolescente Mare-Anne, “melhor animadora de torcida de Ur”, socializa-se fácil com a potranca, mas quem chama atenção mesmo é o pequeno Mateus, disputado pelas potrancas praticamente a tapa.



Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
[Imagem: writer__s_stamp_by_themasterneko-d3d718g.gif][Imagem: brony__stamp_by_blizzykai-d3kvtne.png][Imagem: monster_musume_cerea_stamp_by_venasari-d97gxns.png][Imagem: Gurren_Lagann_Stamp_by_BLUE_F0X.gif][Imagem: my_rosario_vampire_inner_moka_stamp_by_a...6ki62a.png]
[Imagem: CAP.jpg]
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#4
Atratividade Involuntária Extrema
 
Está perto da hora do almoço, quando um rosto familiar aparece na pousada. A Chann’dariana Fox Redd Schtauffen.

(Fox)—Com... Com licença...


(Paloma)—Que é isso! Chega aí, Fox! Você é da casa!


(Mare-Anne)—OIEEEEE !!! Por onde andou, sumida?


(Fox)—Eu... Eu sei que não vamos conseguir voltar pra nossa época na Terra – Se bem que me é mais um alívio do que uma preocupação – Então...


(Mare-Anne)—JÁ SEI! Você vai trabalhar com a gente!


(Fox)—Er... Não. Eu e o Kurt estaremos em busca de uma casa por aqui perto, então gostaríamos de nos hospedar.


(Mare-Anne)—Ahn, que peninha... Mas assim mesmo, você não vai escapar da minha sede de fofocas sobre Chann’dar. Como eram as coisas lá em Belle Chatte, como você conheceu o Kurt, e o principal: Quero saber como rayos vocês vieram parar aqui em Cerro Azul!


(Paloma)—Foi a Marina e o Sadol quem acharam ela, então não tenho nenhum detalhe. Mas me disseram que vocês dois têm uma criança, né?


(Fox)—É... Fiquei sabendo que estava grávida quando já estava na nave, rumo à Terra. E o Kurt se disfarçou de Furre para viajar comigo! O Mateus está com o Kurt, eles devem estar por aqui logo.


(Mare-Anne)—Um quarto-família, por conta da casa. Acho que o Sal não vai se importar. Mas escuta, por que o fato de você não poder voltar mais para o teu tempo é “mais um alívio do que uma preocupação”?


E Fox começou a dar os detalhes sobre quando chegaram na Terra. Após o entusiasmo inicial, começaram os problemas. Com menos habitantes, a Terra foi dividida em cidades-estado, e cada habitante tinha uma generosa porção de terras, e não estava disposto a dividir suas terras com uma banda de extraterrestres peludos. Apesar de Kurt estar no meio deles (Servindo, inclusive, de porta-voz), os humanos da Terra desconfiavam que a Exora tinha sido abordada e capturada no Espaço. E começaram os conflitos. Para os Furres, o único lugar possível onde lhes foi permitido ficar foi o arquipélago do Japão, àquela época totalmente desabitado e reduzido a várias ilhas esparsas, dado a terremotos e tsunamis. Ainda assim, várias cidades-estados que antes formavam a China olhavam aquele assentamento com desconfiança, e várias sanções e vetos foram aplicados contra os Furres. Antes de Kurt, Fox e a criança aparecerem na região de Cerro Azul, haviam rumores de guerra. Uma tempestade de neve os trouxe a Cerro Azul, fazendo-os estranhar, já que estava muito frio havia instantes atrás e, de repente, estava um calor de rachar.


Mare-Anne contou, da parte dela, os pormenores de sua vida desde pouco antes de parar em Cerro Azul, alguns desnecessários, como os pormenores do relacionamento dela com Risarto, outros fundamentais, como a situação em Ur e o que estava acontecendo no resto de Chann’dar. Por incrível que poderia parecer, Fox conhecia Fehx Garou: Era um colega de escola na infância. Subitamente o clima começou a ficar pesado, até que de repente um chamado quebra o gelo.


Um humano, em roupas igualmente puídas, e um híbrido humano/vulpino aparentando ter oito anos de idade aparecem na porta. Fox muda o astral novamente, apresentando alegremente sua família.


(Fox)—Este é o meu marido, Kurt Schtauffen, e este é o nosso filho, Mateus.


(Kurt)—Oi.


(Mateus)—Vocês são Furres também?


(Mare-Anne)—Só euzinha, gracinha! Eu sou de Ur, e você?


(Mateus)—Eu nasci na Exora.


(Mare-Anne)—É sério?


Subitamente, Mare-Anne pega um pufe, senta nele e coloca o pequeno híbrido sobre seu colo.


(Mare-Anne)—Me conta mais...


E Mateus foi falando o pouco que sabia, com Mare-Anne fazendo cada vez mais perguntas, ignorando completamente Fox e Kurt.


(Kurt)—De novo...


(Fox)—De novo o quê, querido?


(Kurt)—Pra onde eu levo o Mateus, ele é cercado de mulheres...


Não demorou muito, Paloma e as outras estavam ao redor de Mare-Anne e Mateus. Sal estranhou a situação.


(Sal)—Ué... Ah, bom dia, Fox. E o senhor deve ser o Kurt, não? Onde está o filho de vocês?


Fox aponta o amontoado de éguas ao redor do pufe.


(Kurt)—Vai acontecer de novo...


(Sal)—O que vai acontecer?


(Kurt)—Espera só... Não sei que mel passaram no Mateus, o moleque tem só oito anos!


Subitamente, Paloma, em sua forma quadrúpede, arranca com Mateus sobre seu dorso, gerando revolta das outras equinas.


(Paloma)—Vamos cavalgar pelo bairro, garotão! Segure firme!


(Mateus)—ÊÊÊÊ!!!


(Fox)—MATEUS!


(Sal)—Não se preocupe, Fox. Paloma é excessivamente responsável. Ela não vai deixar o filho de vocês se machucar.


(Ariadne)—Acho bom mesmo! Onde já se viu, roubar o Mateus só pra ela?


(Sal)—A... Ariadne?


(Kurt)—Não disse? Já começou. Toda vez que as mulheres chegam perto do Mateus, elas tornam-se obcecadas por ele. Muitas vezes, tentaram tirá-lo de nós quando estávamos na nossa Terra, e até mesmo a égua que contatamos queria levá-lo para a base dela. Por incrível que pareça, os homens não são afetados.


Subitamente aparece Fünf, com Mateus no colo.


(Fünf)—Olha só quem eu encontrei cavalgando perigosamente no dorso de uma irresponsável! Hum... (Olhando pra Fox) É teu filho?


(Fox)—Sim, é.


(Fünf)—Ele emite uma aura muito peculiar, que eu só tinha visto em experimentos com metaenergia. Vou precisar estudá-lo.


Por trás, aparece Manuara, puxando Mateus para si.


(Manuara)—Nem pense nisso! Ele é muito fofo pra ficar sendo estudado por criaturas estranhas como você!


De sopetão, aparece Paloma. Furiosa.


(Paloma)—FÜNF, SUA DESGRAÇADA! QUE HISTÓRIA É ESSA DE INTERROMPER MINHA ATIVIDADE COM O MATEUS?


(Fünf)—Você estava perto do limite da cidade, pegando o rumo daquele portal que liga Terra a Tabax.


(Ariadne)—EEEI !!! Você havia dito que só iria cavalgar pelo bairro!!!


Manuara, tensa, iria apertar os ombros de Mateus, mas ele já não estava mais lá. Estava de volta ao pufe, no colo de Hir’Ranni.


(Hir’Ranni)—Voshê... Diferente.


(Mateus)—É que o meu pai é um humano.


(Hir’Ranni)—Naum, eu quis dizer... Voshê projeta energia diferente...


(Manuara)—HIR’RANNI !!! Eu te dei autorização pra pegar o Mateus?


Hir’Ranni se levanta, enquanto Manuara anda apressada para pegar o híbrido, mas ao estender sua mão, é segura por Hir’Ranni com força.


(Hir’Ranni)—M’nuara naum pensanu direito...


(Manuara)—Me larga, sua aborígene idiot--


--TABEF!


(Hir’Ranni)—Acorda!


Atônitos, todos olham para a mão de Hir’Ranni, que tinha ido violentamente contra a cara de Manuara.


(Hir’Ranni)—Voshê naum shtá pensanu direito! Nenyuma di voshês!


Manuara ia retribuir o tapa, mas pegou apenas o ar: Hir’Ranni desviou do tapa com facilidade. Com isso, levou outro tapa, bem na base da orelha direita, o que deixou Manuara com os ouvidos zunindo por alguns segundos.


(Ariadne)—Hir... Hir’Ranni !!! Por que está estapeando a Manuara?


(Hir’Ranni)—M’nuara precisa acordar.


(Paloma)—É de tapas que a potrada precisa para acordar pra vida? He, he, he, heee... ‘XÁ COMIGO!


(Sal)—Sr. Kurt... O que você fez para conseguir tirar esse torpor das mulheres que estavam atrás do Mateus?


(Kurt)—Passei por muito perrengue, mas a potra dos três dedos está certa. É na base do tapa.


Ao redor do pufe, o caos. Manuara e Paloma estapeando-se mutuamente, como que descontando na outra as suas frustrações. Fünf e Mare-Anne alternando-se nos tapas, preocupadas se os tapas dados foram muito fortes.


(Zanmera)—Sal, tudo bem se eu--


--TABEF!


Hir’Ranni, mais uma vez.


(Zanmera)—Dar... Na... Dininha...?


Enquanto isso, Sal teve uma ideia: Cobriu Mateus com um lençol, deixando buracos apenas para os olhos. Com isso, a histeria parou – E também os tapas.


(Mateus)—Por que eu tô fantasiado de fantasma?


(Sal)—É uma brincadeira que a gente tá fazendo. Te dou um pacote de bolacha recheada depois.


(Mateus)—Tá bom!


Atônitos, Kurt e Fox se indagam sobre como é que não tinham pensado nisso antes.  E Zanmera se lembrou de uma coisa.


(Zanmera)—Em Tabax, certos ooza nascem com uma coisa chamada Atratividade Involuntária Extrema. Quem possui tal característica costuma ser irresistível para o sexo oposto. Não sabemos a causa, não possui sintoma visível, além dos efeitos que nós vimos aqui na Pousada e, por não sabermos a causa, também não sabemos a cura... Bom, até o Sal vir com a ideia do lençol. Um detalhe interessante é que os pais não são afetados.


(Fox)—Isso lá é verdade. Eu amo o meu filho, mas não fico parecendo uma tiete, ou uma sequestradora.


As outras potrancas engolem em seco. Em 2035, há casos de sequestros de crianças, e os suspeitos de tais atos são perseguidos e linchados em praça pública por hordas de revoltados que agem antes de pensar. Ser chamada de sequestradora é como ser chamada de bruxa na Idade Média.


Zanmera foi buscar na Rede Numerada Tabaxi dados sobre a AIE, e métodos para controlá-la. Para isso, ela precisou da ajudinha de Manuara, que abriu um portal para Tabax. Zanmera é natural de Napigai, coincidentemente a última cidade onde Manuara trabalhou, como informatriz. Aproveitou para ir à sua casa de família, e fez lá a pesquisa, pedindo para Manuara buscá-la em três dias.


Os outros dias correram tumultuados, uma vez que o jovem Mateus estava começando a recusar usar o lençol para se cobrir. “Perdeu a graça!”, dizia. Dado a isso, mais confusão, e mais tapas. Pra piorar, algumas clientes antigas e outras conhecidas resolveram reaparecer na Pousada, por motivos que Sal desconhecia totalmente. E, lógico, elas também acabaram encantadas com o meio-furre.


(Minnara)—Aaaah, que moleque fofo!!! Quero levá-lo pra mim!!!


(Francisca)—Glória a Deus, este pequeno é um ungido! Ele precisa ser batizado na minha igreja!


(Yukio)—Ele é muito novo pra ter seu cérebro lavado com aquelas porcarias que você chama de religião! Dá licença!


(Francisca)—Ah, quer brigar?


(Yukio)—Só se for agora!


(Minnara)—Cês duas que se matem, enquanto isso eu fico com ele!


(Menara)—Será que o Yago cogita uma adoção?...


(Marina)—Paloma, o Sadol pediu para eu te perguntar se AI, QUE PEQUERRUCHO MAIS LINDOOO!!!


(Aisha)—Paloma, o Dr. Gezeit pediu para eu te perguntar também sobre... Paloma... Vamos fugir com ele, o que acha?


--TABEF-TABEF!


(Paloma)—ACORDEM, AS DUAS!!!


(Rosinha do iê-iê)—Oi, garotinho! Fala pra vovó, do que você mais gosta? Quer um real?


(Poliana)—Ai que fofo!!! Preciso mostrá-lo pro Luizinho!


(Sal)—Daqui a pouco, até a Madame Girassol tá aparecendo aqui.


(Allie)—A Yukio tá aqui? Oi, garotinho, quer dar uma voltinha na minha moto?


(Yukio)—ALEXANDRA!!! Você nunca deixou ninguém ir na garupa da tua moto!!! Por que isso agora?


(Allie)—Pergunto eu, por que você tá lutando com essa negona? E sai fora, que o moleque é meu.


(Shaila)—Oi, o Resi...  Ah, foda-se o Resiarto, eu quero esse garotinho pra mim!


--TABEF-TABEF-TABEF-TABEF-TABEF-TABEF-
TABEF-TABEF...

(Paloma)—Minha mão vai cair desse jeito!


(Sal)—Como você não tá mais sob o efeito da AIE?


(Paloma)—Eu bloqueei alguns receptores no meu cérebro, e falei pra Marina fazer o mesmo. Mas na velhinha eu não vou bater, não.


(Sal)—Sem crise, ela não oferece perigo. Por enquanto, ela tá enchendo ele de doces.


(Fox)—Ele tá agindo como um ímã e trazendo cada vez mais fêmeas pra cá! (Chuif!) O que eu faço?


E a Madame Girassol não apareceu, mas até Paenii, Tarnoga e Majesti apareceram e deram trabalho quando bateram os olhos no pequeno e desejado Mateus. Após Paloma explicar o que estava acontecendo, Aisha Dalla, Yukio, Francisca, Allie e Majesti se concentraram como puderam para sua força de vontade não sucumbir ante à Atratividade Involuntária Extrema. Cada uma tinha seus meios para obter esse nível de concentração. Fünf e Manuara, usando de metaenergias, e Hir’Ranni, com sua força de vontade inabalável, também estavam protegidas contra o encanto irresistível do pequeno meio-raposo. Tarnoga resolveu vendar seus olhos, uma vez que pode se guiar pelo chifre. Já as outras tiveram que ser trancadas em quartos até passar o efeito.


No quarto de Mare-Anne, onde, além dela, estavam Ariadne, Menara e Minnara, fofocas, entrecortadas por comentários a respeito do Mateus. Menara, possuidora de algum treino mental graças à sua sifu, indagou-se do por que ela querer adotar o garoto.


(Mare-Anne)—Ufa, libre das influências daquele chico! Mas que fazem aqui vocês três?


(Menara)—Tive a ideia de fazer um passeio só para as damas da família, sem os machos se intrometerem.


(Minnara)—Ou seja, compras de montão e Clube das Mulheres. Quer dizer, menos a ‘Chica, aquela lá não sai da igreja! A propósito, cadê ela?


(Ariadne)—Deve estar tomando um banho depois do vale-tudo com aquela humana loira. As duas brigam forte, hein?


(Menara)—Quem é ela? Possui uma boa técnica, pelo pouco que pude vê-las lutando...


(Mare-Anne)—Yukio Honshi. Mercenária. Ou seja, militar de aluguel.


No quarto de Ariadne estavam Poliana Prado, Shaila Benavides e Rosinha do iê-iê. O quarto estava um pouco bagunçado dado ao fato de que Ariadne dorme com Sal, agora.


(Rosinha do iê-iê)—O que eu tava fazendo, meu bom Deus?


(Poliana)—Eu também quero saber, por que eu fiquei obcecada com aquele meio-raposo!


(Shaila)—Ai, que vergonha... E ai, minha cara, aquele tabefe daquela cavalona machorra doeu feito o cão!... Mas eu também fiquei descontrolada... A propósito, onde tá a Zanmera?


Paloma entra na sala, de repente.


(Paloma)—A Zanmera foi pra Tabax pesquisar uma forma de neutralizar a Atratividade Involuntária Extrema que emana do menino-raposo. E foi mal pelo tapa, mas só assim pra vocês acordarem.


(Poliana)—Atratividade Involuntária Extrema? Isso tem a ver com o que a gente...


(Paloma)—Exato. Tem a ver com vocês quererem levar o moleque embora.


Na recepção, Mateus pergunta da “Vovó Rosinha”, querendo mais doce e dinheiro. Fox e Kurt desconversam.


Nisso, Manuara se lembrou de ir buscar Zanmera. A ooza retorna com novidades, trazendo uma pulseira de um metal avermelhado, de aspecto desconhecido.


(Zanmera)—Não me pergunte quem me deu isto. Eu estava na rua, e a criatura me deu esta pulseira, dizendo que isso resolveria o problema da Atratividade Involuntária Extrema.


(Manuara)—Minha concentração tá começando a falhar, já... Daqui a pouco, vou acabar atacando o menino de novo!


(Sal)—Dá aqui. Como se coloca isso?


(Zanmera)—Eu acho que é como um relógio de pulso.


(Sal)—Eu levo pra Sra. Fox.


A pulseira foi entregue a Fox, que a colocou em Mateus como presente de aniversário da Rosinha do iê-iê. Lógico, o garotinho adorou a novidade e disse que nunca mais tiraria a pulseira. Logo depois, foi feito o teste, com Zanmera chegando perto dele, e os efeitos da AIE tinham desaparecido.


As outras foram notificadas e libertaram as que não tinham capacidade de resistir ao charme involuntário de Mateus. Ele continuava encantador para elas todas, mas já não despertava mais o impulso irracional de levá-lo embora. Zanmera estranhou aquela pletora de fêmeas das mais diversas espécies na Pousada. Paloma e Marina religaram os receptores desligados de seus cérebros, Tarnoga tirou a venda dos olhos, e as demais puderam relaxar.


Foi combinado com Rosinha do iê-iê que ela diria que o presente foi dela, pra dar felicidade. Ela ainda deu mais um pacote de salgadinhos e mais R$ 10 pro Mateus, antes de ir embora pra ensaiar com a banda. Allie e Yukio foram relaxar no ofurô, junto com as Nabre. As cinco vão passar a noite na Pousada. Poliana está a caminho de Londres, mas preferiu passar uma noite na Pousada do Haras antes de pegar o avião. Ela também estava intrigada com a Ariadne. Tarnoga e Paenii voltaram para Klismara após pegarem uns utensílios velhos que podem ser muito valiosos lá. Shaila resolveu escrever um bilhete e pedir para alguém entregar para o Resiarto, e logo depois, foi-se embora. Mare-Anne estava por perto, e poderia achar ruim uma conversa direta. Marina voltou para a Haijmazoo, após ouvir a resposta de Paloma a ser entregue para Marcus Sadol. Em compensação, Aisha Dalla resolveu passar a noite com sua companheira. Majesti desapareceu depois de uma ventarola gelada inexplicável. Sal fechou mais cedo a Pousada, pois estava cansado demais. Kurt, Fox e Mateus passariam mais esta noite por conta da casa. Kurt e Fox estavam aliviados, pelo fato da pulseira bloquear o aparente magnetismo que desencadeava a Atração Involuntária Extrema.


Ninguém ousou perguntar a Zanmera quem entregou a ela aquela pulseira, mas a resposta estava um tanto óbvia. Hir’Ranni já estava dormindo. Manuara e Fünf detectaram metaenergias na pulseira de Mateus, mas resolveram se calar diante do fato, para não tornar as coisas mais tensas. Cada uma foi para seu quarto dormir, também. Depois das Nabre e das Honshi, Ariadne, Mare-Anne e Zanmera também foram relaxar no ofurô e depois foram dormir. Sal, apagando as luzes da Pousada, foi o último a se deitar, ganhando um abraço afetuoso de Ariadne.


No quarto de Paloma, todavia, havia uma pendenga para se resolver.


Uma frente fria tomou conta de Cerro Azul, deixando preocupados os carambolicultores: A fruta não se desenvolve no frio. Sob um edredon, duas pessoas conversavam, abraçadas.


(Aisha)—E então?


(Paloma)—Decido amanhã. Amanhã é outro dia...


Próximo capítulo: "Quero ser mãe!"
Aproveitando o afloramento da paixão entre Sal e Ariadne, Paloma e Aisha Dalla resolvem assumir um relacionamento que mantinham em segredo durante 18 anos. Então, Aisha pergunta sobre a fertilidade de Paloma, que se lembra do ocorrido em Klismara, e resolve ir a Tabax com Aisha, Sadol, Marina e Dr. Gezeit, a fim de ser mãe pela primeira vez. Hir’Ranni e Manuara os acompanham: Hir’Ranni precisa ajudar a sua mãe, e Manuara está preocupada com o fato de a semente dentro de Paloma pertencer a um Nobre Poran de Klismara.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#5
“Quero ser mãe!”
 
Uma frente fria tomou conta de Cerro Azul, deixando preocupados os carambolicultores: A fruta não se desenvolve no frio. Sob um edredon, duas pessoas conversavam, abraçadas.

(Aisha)—Já se decidiu?


(Paloma)—Já. Sei que não terei outra oportunidade, dado o meu gênio que você conhece tão bem. Tenho que aproveitar o estrago feito e ir até o fim. Eu espero que Hir’Ranni entenda...


(Aisha)—Se ela se sente mesmo tua filha, ela vai adorar. Há quanto tempo você foi inseminada, mesmo?


(Paloma)—Tenho só mais uma semana e cinco horas. Eu não sei como vai ser. E tem outra equina que precisa saber dessa decisão...


(Aisha)—(Uaaah...) Vamos ver isso com calma amanhã... Menina, Tabax é uma loucura! Não sei como o Sadol conseguiu se virar naquele lugar!


(Paloma)—Como você, ele tem alguém que o ajuda em tudo.


(Aisha)—Marina, né? Uma pena que ela não possa gerar um filhote híbrido com o Sadol. Ela me disse que Sadol está cogitando adotar uma criança... Como se chama mesmo a espécie?


(Paloma)—Ooza. Provavelmente, ooza Heïn.


(Aisha)—É, esse nome mesmo. Raín, Hoîn... Ô nomezinho difícil de pronunciar! Mas você não me disse quem foi o sortudo que teve a honra de depositar sua semente...


(Paloma)—Pfft... Um pau-no-cu. Um regente de um feudo do mundo da Manuara. Mais propriamente, o pai dela. Se eu não tivesse alterada por causa daquele tablete maldito, eu teria moído ele na porrada!


(Aisha)—Doeu? Afinal, você ainda era...


(Paloma)—Nem senti direito. Pra mim, parecia que eu tava sendo examinada por uma sonda, daquelas usadas para uteroscopia.


E o papo seguiu por toda a madrugada, intercalado por beijos e juras de amor malucas. Quando o dia amanheceu, antes da Pousada ser aberta, houve uma reunião, na qual Paloma explicou a situação.


(Paloma)—Decidi que vou gerar a semente armazenada dentro de mim. Não haverá outra oportunidade na minha vida. Aisha está de acordo.


(Hir’Ranni)—Hir’Ranni vai ganyar irmonjinyu?
Aya aya aya aya aya!!!! Possu dar nomi? Em Baatom, irman mais velyu dar nomi irman mais novu!

(Paloma)—Claro que pode, você é minha filha ou não é?


(Manuara)—Estou surpresa de a semente do meu pai ainda estar ativa no teu organismo!


(Paloma)—Ariadne não te explicou?


E Paloma explicou, novamente, por que a “semente” do rei Manur ainda estava viva dentro de Paloma, depois de quase um ano.


(Zanmera)—Milagres da ciência...


(Fünf)—Na verdade, há várias espécies animais que fazem isso. Os cientistas que criaram os Hippomorfos com certeza usaram um código genético já disponível responsável por essa função, mas modificado para suportar mais tempo. Er... Dr. Gezeit me emprestou um livro sobre os Hippomorfos.


(Zanmera)—Ainda assim, milagres da ciência...


(Ariadne)—E como você faz, para, sabe... A coisa entrar no negócio?


(Paloma)—Dou um comando mental, e a câmara pré-ventral empurra o esperma diretamente ao útero, enquanto que os ovários empurram um óvulo.


(Sal)—Taí uma função que seria boa para as humanas... A maioria das gravidezes humanas acontece sem planejamento.


(Mare-Anne)—Mas ainda fico sorpresa em saber que Paloma é... Bem... Eu tinha uma leve suspeita, pelo jeito “machona” dela, mas...


(Aisha)—EI !!! A dominadora sou eu, sabia?


(Paloma)—Mas tem dias que você gosta de inverter os papéis. Vai mentir?


(Aisha)—Só 5% do tempo total. E você é péssima massagista, me machuca toda!


(Paloma)—Eu iria te apresentar um excelente massagista, mas...


Paloma aponta Ariadne, que estava com cara de amigo nenhum.


(Aisha)—Que tem ela?


(Paloma)—Vamos dizer que ela passou a requerer exclusividade do serviço prestado por ele. Mas olha, eu chegava a dormir de relaxada!


(Zanmera)—Quando não gozava, né?


(Paloma)—EU NÃO GOZAVA !!!


(Zanmera)—Nããão, só gemia feito a Ariadne quanto tá no créu com o Sal.


(Ariadne)—EI !!!


(Sal)—Puta que pariu, Zanmera! Não tem como ser mais discreta nesses comentários venenosos?


Mais alguns minutos de conversa e a pousada abriu, com Paloma fazendo menos esforço que o de costume. Ela precisava se concentrar para fazer o esperma, armazenado dentro dela, encontrar um óvulo. Ao fim da tarde, deu a notícia.


(Paloma)—Estou oficialmente grávida.


Vibração e abraços de todos os lados.


(Aisha)—Já comuniquei o “Trio Parada Dura”. Dr. Gezeit recomendou a você, Paloma, ficar em Tabax durante o período de gestação, para ele poder fazer o acompanhamento médico apropriado. Marina não cabe em si de exaltação, e Sadol está surpreso, em especial ao fato do esperma quase passar do prazo de validade.


(Manuara)—Quero reportes semanais. Preciso de um passe livre para a Haijmazoo de Hazradurak para poder fazer visitas semanais. Essa criança será meu irmão, também.


(Hir’Ranni)—Queru ficá pertu P’loma!


(Aisha)—Uma coisa de cada vez! Primeiro, o “Trio Parada Dura” virá até aqui para dar as felicitações e prover o transporte até Tabax. Com certeza, trará a substituta para ocupar o lugar de Paloma, mas se Hir’Ranni for junto, terão que ser duas. Vou ligar pra eles de novo...


Mas antes que fosse feita uma ligação, a Porta Estelar da Pousada do Haras é aberta, trazendo o trio em questão.


(Marina)—PARABÉÉÉÉÉNS!!! FINALMEEEENTE!!!


(M. Sadol)—Quem diria que finalmente a Paloma iria tomar essa decisão?


(Dr. Gezeit)—Sou contrra usar o Porta Estelar parra fir até aqui, mas todos os fans estavon ocupadas em uma misson. Meus parrabéns, 3647-HF-50!


(Paloma)—Odeio quando me chama pelo número de série, Doutor!


(Dr. Gezeit)—Ya, ya, son só meus caprrichos.
Felhos lembrranças de quando eu erra a cientista mais respeitado de todo Tarbanna. Sua alimentaçon prrecisa ser mudada imediatamente! Já prrovidenciei os tabletes parra Hippomorfas gestantes, e podemos ir parra Tabax a qualquer momenta.

(Zanmera)—Aproveitando... Quanto tempo leva a gestação de uma Hippomorfa?


(Dr. Gezeit)—Ainda non fiz a cálculo. Os perríodos de rotaçon e trranslaçon de Tarbanna son totalmente diferrentes de Tabax e da Terra. Mas costumafa ser o mesma tempo das pôneis comuns.


(Sal)—Ou seja, de 10 a 11 meses daqui da Terra...


(Ariadne)—Nossa, a Paloma vai ficar fora um bocado de tempo...


(Zanmera)—E Hir’Ranni também! Nada tira da cabeça daquela indiazinha de ficar junto da mãe até nascer seu... Irmãozinho.


(Paloma)—Não se preocupem, Sal, meninas. Caso seja necessária uma ajuda na Pousada, vocês poderão pedir ajuda para alguns contatos da Haijmazoo.


(Sal)—A prudência me aconselha a pedir quanto menos ajuda da Haijmazoo, melhor. Sem ofensas, para os três.


(M. Sadol)—De boas. Eu também não morro de amores por aquele lugar.


(Marina)—São circunstâncias. Assim que acharmos a localização do Projeto Grifo, cairemos fora antes deles perceberem.


(Dr. Gezeit)—Sou trratado como uma subalterno, non sei como me deixon fabrricar as tabletes.


E o papo continua. Manuara some por umas horas, reaparecendo depois, comunicando que Rei Manur deseja vê-la. Um portal maior se abre por trás de Manuara, e uma comitiva com vinte Nobres Porans escoltando Rei Manur aparece na pousada, para deleite dos clientes que estavam lá, pensando se tratar de um show para entretê-los.


(Rei Manur)—Senhorita...


(Paloma)—EI! “Senhorita”? Se bobear, eu posso ser até mais velha que vossa majestade!


Alguns Porans não gostam da resposta atravessada de Paloma, e bufam em desaprovação.


(Rei Manur)—Bom, como ia dizer... Vou querer que minha filha, Manuara, me traga reportes semanais da tua situação e estado de saúde. Esta criança sendo gerada em teu ventre me é muito importante. Pelo menos, Manuara estará me servindo para alguma coisa...


Desta vez, foi a vez de Paloma bufar.


(Paloma)—Escuta aqui, ô da realeza... Tua filha é muito gente fina – Apesar das frescuras dela – e nos é muito útil aqui. Agora, se está pensando em pegar esta minha criança para ser alguma coisa lá na tua terra da fantasia, pode tirar o cavalinho da chuva, porque eu, como futura MÃE deste bebê, não vou deixar!


(Rei Manur)—Creio que poderemos chegar a algum acordo... Algum dia.


(Paloma)—Espere deitado, porque sentado tu vai se cansar!


(Maranno)—Não desrespeite o lorde de Paryatu, sua plebeia!


(Paloma)—Calaboca, seu viadinho! Tua irmã falou que, da fruta que ela gosta, tu chupa até o caroço! Se bobear, eu sou mais MACHO que você!


(Manuara)—CAAALMA, calma, Paloma, Maranno, papai... Vamos ter calma nós!


(Rei Manur)—Cuide bem deste bebê, senhora Paloma... Um dia, precisarei dele, para fazer o que meus dois filhos incompetentes não foram capazes. Posso esperar o tempo que for preciso. E creia, senhora, sou muito persistente.


(Paloma)—Vai sonhando, ô da coroa... Esta minha criança que está aqui (Massageia o ventre) não vai sair de perto de mim, mas é nunca! E eu tenho minha mulher e minha filha para me ajudarem a defendê-la de qualquer gracinha que tu ou os teus pôneis coloridinhos tentarem pra cima de mim ou do meu bebê.


Nesse momento, Aisha e Hir’Ranni estralam os dedos de suas mãos, numa atitude evidentemente intimidadora.


(Aisha)—Acho que essa conversa já está boa de se encerrar... Não é?


(Sal)—Nada de brigas aqui. Isso vale pra vocês (Aponta Paloma, Aisha e Hir’Ranni), e para vocês também (Aponta para Rei Manur e sua comitiva)! Isto é uma pousada e eu tenho meu trabalho aqui!


Todos olham estranhados para Sal.


(Sal)—E tem mais, se forem resolver essa pendenga na base da socoterapia, melhor fazerem isso em outro lugar!


(Paloma)—Tá virando macho agora, Sal? Não se preocupe, eu não sou de dar o primeiro golpe. Mas não posso responder por mim caso eu seja atacada por qualquer um desses... Frufrus.


(Maranno)—Humpf! Plebeia ingrata, tua sorte é carregar o filho de meu pai em teu ventre! Nós esperaremos. Manuara nos trará reportes regulares acerca do teu estado de saúde e do da criança sendo gerada.


(Manuara)—Virei a Ministra do Leva-e-Traz, agora?...


Sem darem quaisquer respostas, Rei Manur e sua comitiva abrem portais que os levam de volta para Klismara. Os clientes presentes aplaudem a “performance”, pensando se tratar de algum show. Sal teve que convencer Fünf e Manuara a fazerem alguns truques para atender os clientes que pediam “bis”, querendo ver novamente aquela cena toda.


Amanhece, e uma festa surpresa é arranjada.


(Paloma)—Já encomendei o bolo. Ariadne?


(Ariadne)—Estou superexcitada! Não apronto uma dessas há tempos!


(Aisha)—É bom fazer uma festa de vez em quando. Isso me era desconhecido em Tarbanna.


(Manuara)—Já avisei quem poderia aparecer. Marina ajudou com os convidados extras. Por incrível que possa, parecer, ela e Sadol ficaram animados. Até o velho resolveu entrar no esquema!


(Dr. Gezeit)—Quem focê estar chamando de felha?


Nisso, aparece Fünf do nada.


(Fünf)—Fui até Tabax contatar os Nabre e passei a caminho daqui e chamei as irmãs Honshi. Resiarto está trazendo mais alguns convidados.


A porta da frente da Pousada tinha uma placa, escrito: “Fechado para evento particular”. Enquanto isso, um humano e uma equina estavam conversando no centro de Cerro Azul, enquanto faziam compras.


(Sal)—Engraçado você ter se oferecido para me ajudar com as compras, Zanmera. Geralmente, você fica na recepção.


(Zanmera)—Hoje eu quis variar um pouco. Afinal, ainda estou no meu TCC sobre interações entre os ooza e os suywan, portanto qualquer observação é válida. Mas você não achou o comportamento das garotas um tanto... Estranho?


(Sal)—E por que Marina, Sadol e Dr. Gezeit estavam lá? Tá certo, Paloma ainda está na Pousada, mas...


(Zanmera)—De qualquer forma, parecia que iriam ter um evento especial para hoje à noite.


(Sal)—Por isso você tá me embromando?


(Zanmera)—Na verdade, a gente ainda não achou as benditas das lichias que Ariadne requisitou para a torta!


(Sal)—(Torta de lichia?... Isso está cada vez mais estranho...)


E passaram o dia inteiro, entre centro e bairros, em todos os mercados, quitandas, hortifrutis, até mesmo a quitanda do seo Mulkalla e a tenda do Pepe foram consultadas atrás de lichias, mas nada. Tiveram que pegar um coletivo para a cidade vizinha de Mocó Preto, onde havia um japonês que vendia lichias. Sal e Zanmera voltaram com dois quilos de lichias cada.


Quando chegaram, a Pousada do Haras estava totalmente apagada. Já era noite. A porta estava aberta. Zanmera estava apreensiva, e Sal também, mas não eram pelos mesmos motivos. Desesperada, Zanmera tateou as paredes da Pousada e acendeu a luz.


(Todos)—SURPREEESAAAA!!! PARABÉNS, ZANMERA!!!


(Zanmera)—O... O quê?


(Marina)—Hoje é 22 de julho de 2036, o equivalente à data tabaxi do dia 10 do oitavo mês de 1048, ou seja, a data do teu aniversário.


(Zanmera)—P... P-pelo Grande...


(Shaila)—PARABÉNS, ZANUCA!!! Muitas felicidades, sua louca!!!


(Zanmera)—Sh... Shaila... Até você...?


(Shaila)—Como assim, “até eu”? Uma cambada que te conhece apareceu aqui para comer um bolo e te dar uns tapinhas nas costas, olha só!


Um giro lento de cabeça e Zanmera reconhece Epona, Teodoro e Humarto Kabro Silva, Resiarto, Alexandra, Kimberly e Yukio Honshi, Hisarto, Francisca e Pablo Maia Nabre, Yago, Menara e Minnara Valls Nabre, Kurt, Fox e Mateus Schtauffen, Luiz Castro, Ênio, Poliana e Ênio Garcia Prado Júnior, e até quem não tinha nada a ver com Zanmera, mas tinha ajudado (Ou atrapalhado) um pouco na Pousada do Haras, como Tarnoga e Paenii Tan’Dyjar, Majesti Herodblossons, Senow Menow, Thomas Wulfe, Korain Eldofar, Pästa Gramma (Ao lado de seus pais Khumarto e Mästhiga), Rosinha do iê-iê e sua banda. Só Tyr’Ranni e Exor não foram achados.


(Zanmera)—Mas eu... Eu estava suspeitando de que teria uma festa de aniversário, mas eu achava... Que era dele! (Aponta Sal)


(Mare-Anne)—Ele te enganó direitinho!


(Ariadne)—Estamos também aproveitando e fazendo a festa de despedida da Paloma e da Hir’Ranni, até nascer a criança.


(Paloma)—Já tô até com as malas prontas!


E a festa seguiu-se, com divisão do bolo – Que era grande, por sinal – e contagem dos presentes. Zanmera ganhou badulaques diversos, bijuterias e jóias. Kurt, Fox, Mateus, Paenii e Tarnoga saíram antes do fim da festa, e respectivamente, um a um foram saindo, até sobrarem o staff da Pousada do Haras, Marina, Aisha, Sadol e Dr. Gezeit. Uma van já estava de prontidão.


(Manuara)—Bem... Creio que agora vou ficar um bom tempo sem ver essa tua cara de turrona.


(Paloma)—Hah... E eu, vou tirar umas férias de ver essa tua feição de princesa.


(Manuara)—Te cuida. E cuida da Hir’Ranni.


(Paloma)—Você também. E vocês todos, também!


A van partiu, deixando um rastro ralo de poeira, rumo ao funtoporto mais próximo. Manuara tinha uma sensação estranha.


Uma sensação estranha acerca do ser que agora crescia dentro do ventre de Paloma.


Era meia noite, quando a van partiu rumo a Tabax.


(Zanmera)—Agora, é um novo dia...


Próximo capítulo: “Ninguém”
Um funto se manifesta no espaço, e a nave que levava Exor Hoxa e sua companheira Tyr’Ranni (Systema: Caçadores de Cabeças) vai parar... Sim, na Pousada do Haras! E, enquanto Exor tenta consertar a nave, que teve vários sistemas danificados durante a travessia, Tyr’Ranni, que possui melhores conhecimentos de mecânica,  fica de “hóspede”.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#6
“Ninguém”
 
Cerro Azul nunca teve um dia tão frio como aquele. Faltou agasalho para as potrancas. Por sorte, Hir’Ranni não estava na pousada – Tinha ido pra Tabax com Paloma e Aisha – senão estaria sofrendo. Manuara tinha partido cedo para ir atrás de Paenii e ver se ao menos ela poderia substituir Hir’Ranni. Fox foi procurada pra dar uma mão, mas ainda não se sabia o novo endereço dela. A equipe da Pousada do Haras estava de mãos atadas, e teria que se virar com apenas Sal e cinco equinas (Fünf resolveu ajudar)

Um portal cintilante se abre. Manuara, cara de enterro.

(Manuara)—Paenii está doente, e Tarnoga está cuidando dela em uma ilha deserta, que não pertence ao Coletivo Dyjar.

(Zanmera)—Nenhum dos contatos que apareceu no Resgate está disponível. Os números dos comunicadores e telefones simplesmente não respondem. Liguei até pra Yukio, mas ela está treinando uma milícia separatista nos EUA.

(Sal)—Nem pra Marina chamar alguém da turma que vocês falaram lá, das dimensões onde vocês foram...

(Mare-Anne)—Marina disse que seria só em caso além de vida ou morte, o que não é o caso. Ainda bien que Fünf veio nos dar uma mão... Fünf?

(Fünf)—Sinto... Uma perturbação metaenergética... Algo vai acontecer!


Espaço. Perto da órbita de Yi Tang, ano 2083.


Uma nave em forma de ponta-de-flecha, em tons dourados e prateados, severamente avariada, tenta tresloucadamente fugir de três naves de combate. Dentro da nave, duas figuras que já foram vistas antes, mais um daqueles casais de humano e equina.

Exor Tass Hoxa e Tyr’Ranni Yamashita.

(Exor)—Nós vamos morrer, e a culpa é tua!

(Tyr’Ranni)—Não acredito que você vai me culpar por um acidente!

(Exor)—Dar um tiro em cheio na cabeça de um alto oficial tropard de Yi Tang é por acaso um acidente?

(Tyr’Ranni)—Quem foi mesmo que se esqueceu de trocar a munição real por munição de nocaute, mesmo? Se estivesse com a munição certa, ele só teria apagado e nós o teríamos levado vivinho para Samara! Teríamos cinco milhões de Créditos-Hora pra gozar a vida, e não a Divisão dos Recondicionados de Yi Tang na nossa cola!

(Exor)—E agora, eles estão nos cercando!

(Tyr’Ranni)—Vá para os asteróides, ninguém! Eles vão perder mais tempo tentando se desviar das pedras do que atirando em nós! E feliz ano novo, né?

(Exor)—Vou ter um Feliz Ano Novo quando estivermos livres desses porras!... Ei, o que é aquilo?

(Tyr’Ranni)—Aquilo o quê?

(Exor)—Aquele aro... Enorme... Não te lembra alguma coisa?

Uma formação circular, que parecia ter um brilho próprio. Tyr’Ranni já tinha visto algo parecido. Mas não tão grande. Nem no espaço. Subitamente, o espaço dentro do aro começa a brilhar. Os instintos equinos de Tyr’Ranni falaram mais alto e ela empurrou Exor pra fora dos comandos, jogando a nave naquele brilho.

Um tiro acertou o aro, fechando-o e comprometendo parte da propulsão. Mas tanto Exor quanto Tyr’Ranni sabiam que não estavam mais onde estavam antes.


Espaço. Perto da órbita de Júpiter, ano 2037.


(Exor)—Onde estamos?

(Tyr’Ranni)—Bem longe de Yi Tang e dos seus tropards, isso é o que interessa. Estamos um pouco longe da estrela mais próxima, a Zona de Habitabilidade deve estar pra lá. Se houver um planeta, podemos consertar a nave.

(Exor)—Feliz Ano Novo, égua doida.

(Tyr’Ranni)—Feliz Ano Novo, ninguém.


Pousada do Haras.


Um grupo de malucos ativistas contra a exploração dos ooza estava hospedado na pousada, interrogando as equinas a todo momento se elas estavam sendo bem-tratadas por aquele capitalista opressor, como se referiam a Sal.

(Manuara)—É a 38ª vez que digo a vocês, SIM, estamos muito contentes trabalhando aqui. Se não quiséssemos ficar aqui, teríamos ido embora a qualquer instante!  E por favor, parem de chamar o Sal de “capitalista opressor”, isso nos desagrada!

(Ativista)—Mas vocês recebem 13º? Adicional de férias? Têm direito a licença-maternidade?

(Zanmera)—Agora que você tocou no assunto, uma das nossas companheiras foi para Tabax para ter uma criança. Todas suas despesas estão sendo cobertas. E que cara é essa? Estava querendo ver se tínhamos alguma reclamação para fazerem uma denúncia?

(Ativista)—Ela tava de quantos meses?

(Mare-Anne)—Dois dias. A filha dela, que também trabalha aqui, foi fazer companhia a ela em Tabax.

Na cozinha, tinha equina reclamando, mas era de outra coisa.

(Ariadne)—Fiquei muito, MUITO chateada quando esses malucos disseram que você estava me assediando sexualmente! Agora nem namorar a gente pode mais?

(Sal)—Pelo visto, não enquanto eles estiverem aqui. E eles estão hospedados para uma conferência de uma semana... Bom, espero que pelo menos eles PAGUEM, né?

(Ariadne)—(Bufa) Fico imaginando se Paloma ainda estivesse aqui...

(Sal)—Eles teriam sido escorraçados na terceira vez que perguntassem sobre as condições de trabalho daqui. Vamos ter que aguentar...

(Fünf)—Será que esses ativistas pelos direitos dos ooza não sabem quando estão... Enchendo os pacová? Hora que eu começar a usar de metaenergias para...

(Sal)—Melhor não. Temos que aguentar esse pessoal o resto da semana. Se quisermos ganhar alguma grana.

(Mare-Anne)—Ainda bem que Hir’Ranni não está aqui. Ela acabaria sendo vítima de lavagem cerebral, de tanta abobrinha que eles falam!

E, enquanto Sal e as equinas amargavam essa semana sob vigilância constante dos ativistas contra a exploração dos ooza, a nave de Tyr’Ranni e Exor finalmente chegava perto da órbita da Terra, uma semana depois.

(Tyr’Ranni)—Olha, que planetinha bonito...

(Exor)—Já tava na hora, o combustível está quase no fim. Que planeta será esse? Bom, vamos analisar... Tyr’Ranni? Que geringonça é esta?

(Tyr’Ranni)—Pode ser intuição idiota, mas vamos ver se achamos alguma frequência cerebral conhecida...

Ligando a máquina, bips foram confirmados.

(Tyr’Ranni)—OLHA! Travando nas coordenadas...

(Exor)—TYR’RANNIIII !!!

E a nave mergulha fundo no planeta.

Na Pousada do Haras, Sal estava aliviado por ter recebido as diárias daqueles ativistas chatos. Fünf sente novamente uma perturbação.

(Fünf)—Esta foi forte!... Algo está vindo!...

A Chann’dariana nota um brilho no céu.

(Mare-Anne)—Olha, um cometa! Um cometa em pleno dia! Peraí... Esse cometa... Está... Vindo... Pra... Cá?... AAAAAAAAAHHHHHH !!!

Correndo pra dentro da Pousada, Mare-Anne grita, enquanto se vê um clarão e se ouve um estrondo a alguns metros do quintal dos fundos, onde ainda era pastagem do haras. O estrondo balança toda a Pousada, assustando a todos os presentes.

(Fünf)—“Algo” veio...

Muita fumaça saía do ponto de impacto. Uma vala tinha se aberto, de 10 metros de largura por 200 de comprimento. Dentro dela, uma estrutura carcomida, em forma de ponta-de-lança. Fünf invoca uma metaenergia ancestral, que pega água de um lago e joga contra a estrutura, fazendo subir uma nuvem de vapor d’água.

(Manuara)—Já não vi essa estrutura antes?...

Antes que a pergunta fosse respondida, um pedaço retangular salta da estrutura, parando perto de Mare-Anne. Da abertura, sai uma égua cinzenta.

(Tyr’Ranni)—Aaaah, SABIA que conhecia este lugar! Ei, ninguém, olha onde fomos parar!

(Manuara)—Tyr...

(Zanmera)—‘Ranni...

(Tyr’Ranni)—Oooi, cadê a festa de boas-vindas? Cadê a forçuda? Tô devendo uma queda de braço com ela.
Do fundo da vala, uma voz masculina grita desesperada:

(Exor)—VOCÊ FUDEU COM A MINHA NAVE, SUA BARRANQUEIRA!!! E AGORA?!?

(Tyr’Ranni)—Pelo menos foi a nave, e não nós dois! Queria o quê, ficar à deriva no espaço?

(Sal)—Vocês são aqueles da terra da Hir’Ranni, não são? O que fazem aqui? E como vieram parar aqui DE NAVE E TUDO?!?

(Tyr’Ranni)—Ih, ninguém, looonga história... Posso contar depois de uma cerveja?

(Sal)—“Nin... Guém”?

(Manuara)—Do japonês, Ningen, significa “humano”. Exor pode explicar a história toda e levar um croque.

Com a ajuda de Mare-Anne e Zanmera, Exor consegue subir a vala. Explica a história de Tyr’Ranni, por que ela chama os humanos de “ninguém”, e acabou levando mais um croque da própria, que odeia que falem do passado dela. Também explicou que, enquanto eles estavam sendo perseguidos por forças militares de um planeta, eles atravessaram um portal no espaço e foram parar perto de um planeta enorme e alaranjado, que Sal apontou ser Júpiter.

(Exor)—Então é verdade, os antigos Terráqueos nomeavam os planetas com nomes de deuses...

(Sal)—Como é na linha espaço-tempo de vocês?

(Exor)—Depende de quem toma posse. Por exemplo, os americanos deram o nome a seu planeta de Colombo, em homenagem a Cristóvão Colombo. Os brasileiros, que lideravam a América do Sul, chamaram o planeta deles de Cabrália, por causa de Pedro Álvares Cabral.

(Ariadne)—Cabrália...

(Manuara)—Será que há uma conexão?

(Exor)—Os russos deram a seu planeta o nome de Samara. Por incrível que pareça, é o planeta mais “agitado” nas tretas entre os Godma e os Mikhala.

(Tyr’Ranni)—Os Godma e os Mikhala são impérios inimigos entre si. Os Plejares, que são mercadores interestelares e diplomatas, nos indicaram para os Godma, que nos deram cinco planetas em cinco sistemas solares diferentes. Desde então, a Confederação Terráquea tem lutado contra o Império Mikhala.

(Exor)—Os europeus deram a seu planeta o nome de Marcopolo, em homenagem a Marco Polo, navegador italiano. Já os chineses deram a seu planeta o nome de Yi Tang, outro navegador.

(Tyr’Ranni)—Além destes cinco, há outros planetas “descobertos” pela Confederação Terráquea, como Baatom, que é meu mundo natal...

(Exor)—E o tão falado “Planeta das Viúvas”, que era uma espécie de gulag dos Mikhala, para onde eram mandadas as viúvas de Mikhala mortos em ação, ou coisa assim. Os boatos são muitos, e não dá pra separar o joio do trigo.

(Sal)—Bom, o que vocês sabem fazer em um hotel, ou uma pousada?

(Tyr’Ranni)—Dormir.

(Exor)—Nós faremos o possível para pagar o nosso abrigo até podermos voltar...

(Tyr’Ranni)—Ei, ninguém, quem disse que eu quero voltar praquela muvuca? A gente pode descolar excelentes recompensas por aqui, com as técnicas que nós sabemos e o povo daqui não conhece.

(Zanmera)—Esqueçam. Aqui não existe esse ofício de caçadores de recompensas. Se quiserem trabalhar aqui, poderão ficar até consertarem a nave.

(Tyr’Ranni)—Ai, pelo visto nossa estadia será longa... Vou tomar um banho, estou há pelo menos uma semana sem banho!

(Ariadne, tapando o focinho)—Nota-se...

Tyr’Ranni arrasta Exor de volta até a nave, onde pegam suas roupas e alguns acessórios esquisitos. Logo depois, estão no banheiro, tomando banho juntos.

(Exor)—Tem certeza que você quer mesmo ficar aqui?

(Tyr’Ranni)—Se quiser consertar a nave, fica por tua conta. Tava levando uma vida bem pacífica com o meu otosan até você aparecer com aquele troço que matou ele.

(Exor)—Aquele “troço” não teria matado o teu otosan se você não tivesse liberado as travas dele e reativado-o. E minha esposa ainda estaria viva se eu não tivesse perdido tempo atrás de outro Rozar, o que levou cerca de um mês.

(Tyr’Ranni)—Não, não estaria. Ouvi a conversinha deles enquanto você conversava com o chefão. Eles já tinham matado ela quando te deram a missão de capturar esse tal de Rozar, e iriam te matar usando os lasers da nave se você não tivesse acionado o mecanismo de auto-destruição daquele troço, mandando aqueles bakas pro vinagre.

Exor fica amuado, pensando no quanto foi feito de besta.

(Tyr’Ranni)—Meu otosan sempre me dizia: “Nunca confie em um mafioso de Colombo. Os mafiosos dos outros planetas até têm um pouco de honra, mas os de Colombo, não.” Ele pertenceu à Máfia de Yi Tang, ele sabia do assunto. Por que você acha que ele se isolou em um planeta praticamente deserto, disfarçado de mecânico de espaçonaves? Ele sabia demais sobre a Máfia de Colombo, e estava sendo caçado. Como aquele planetinha ficava bem longe da área de atuação de Colombo, ele estava seguro.

(Exor)—Não tão seguro, pelo visto, uma vez que eles conheciam aquele planeta, escolhendo-o para fazer a transação.

(Tyr’Ranni)—Tá, vamos esquecer o passado. O que nos reserva é o futuro, e eu não tô a fim de voltar para a nossa época, para encarar mafiosos, tropards, caçadores de recompensa rivais, recompensas bem-armadas, Godmas, Mikhalas, e o Diabo-a-4. Gostei da pousada, ninguém vai vir atrás da gente querendo nossas cabeças, estamos cercados de gente legal, podemos ter uma vida tranquila e, quem sabe...

(Exor)—Quem sabe o quê, égua?

(Tyr’Ranni)—Quem sabe, a gente não tenta uma hibridização... Que acha?

Hora do jantar. Uma mesa farta, cheia de amigos, bem diferente das comidas-rápidas e da solidão a dois às quais Exor e Tyr’Ranni estavam acostumados. Vários assuntos eram debatidos simultaneamente, inclusive o estado da nave e sua possível recuperação.  Exor e Tyr’Ranni tinham decidido ficar na pousada, ocupando os lugares que eram de Paloma e Hir’Ranni. A noite na cidade estava agitada, pois era dia de São João, então tinha festa junina, estouro de rojão, forró, dança de quadrilha, comidas e bebidas típicas...

(Tyr’Ranni)—ADOREEEEEI esse tal de “quentão”! Muito melhor que as gororobas servidas lá em Samara!

(Exor)—Esse, então, é o tal do “chocolate quente” que se falava nas antigas estórias da Terra. Este gosto é... Bem peculiar.

(Sal)—É que o povo aqui adiciona canela e leite no chocolate. Agora, fala pra Tyr’Ranni maneirar no quentão, senão ela vai ficar bêbada.

(Exor)—Aquilo é alcoólico?... EI, TYR’RANNI !!!

(Tyr’Ranni)—Amanhaum é... (Hic!) Ooooutro djiiiaaaa!...

Próximo capítulo: “Ela” voltou
Enquanto Ariadne e Mare-Anne estão em Tabax, a versão humana da Ariadne reaparece, o que cria uma saia-justa e um clima muito estranho na pousada, que Tyr’Ranni e Exor estranham, por nunca terem encontrado ela antes. Chegou a hora do acerto de contas!


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#7
“Ela” voltou

Ariadne e Mare-Anne tinham ido a Tabax levar alguns pertences da Paloma, e aproveitar para conhecer a terra dos ooza, já que a única vez que estiveram lá tinha sido na base da Haijmazoo, em Hazradurak. Desta vez, iriam conhecer Onadar, a capital de Rippata, país com maioria de ungulados, sendo Onadar uma metrópole cosmopolita com maioria de equinos.

Com isso, a Pousada do Haras, sem quatro membros (Hir’Ranni foi junto com Paloma) e com adição de Tyr’Ranni e Exor, estava operando com poucos quartos ocupados.

É quando aparece uma SUV na frente da Pousada, último tipo, que não deixa de ser notada pela ooza residente.

(Zanmera)—Ulha, cliente VIP na área! Tá tudo arrumado aqui?

(Sal)—Graças ao Exor, porque, se depender da Tyr’Ranni...

(Exor)—Ela sempre foi preguiçosa, mesmo. Só se mexe quando tem dinheiro em jogo. Nossa, minhas costas estão doloridas.

(Sal)—Vamos atender o cliente, depois eu chamo o Resiarto pra fazer uma massagem. Ficar arqueado naquela nave é osso, não?

(Exor)—E olha que a mecânica é a Tyr’Ranni, não eu! Tô indo pra cozinha.

Manuara estava se dirigindo à recepção para receber o cliente quando ela para, atônita, deixando cair a travessa no chão. Sal vai correndo atender.

(Sal)—Que foi, Manuara? Você tá pálida!

(Manuara)—Não... Não acredito... Que você...

(Zanmera)—Você teve a pachorra de voltar aqui?

Sal olha pro lado e um turbilhão invade sua mente. Ele conhecia a figura à sua frente.

Não só ele, como as outras equinas.

Uma mulher. Uma humana.

Ariadne Assunção Prado.

(Sal)—O que faz aqui?

(Ariadne)—Estou de férias. E eu queria rever você.

(Sal)—Depois daquilo... Você ainda vem me falar isso?

(Ariadne)—Por que, não posso?

(Zanmera)—E cadê o suywan cabelo-de-fogo, veio junto?

(Ariadne)—Fala do Kyle?... Terminamos.

(Sal)—Belê. Zanmera, prepare o quarto que ela quiser. Eu vou ajudar o Exor na cozinha.

Sal vira-se rumo a cozinha e dá passos largos sem olhar pra trás.

(Ariadne)—Ele tá bravo?

(Zanmera)—Se você estivesse namorando uma pessoa e recebesse uma carta na qual a dita pessoa te comunica que te trocou por outra, o que você faria? Não espere tratamento VIP como da outra vez, mocinha, você caiu e muito no conceito de todos aqui. Os preços são os mesmos. Escolha o quarto que eu ajudo com as malas.

Nisso, aparece Tyr’Ranni.

(Tyr’Ranni)—Konnichiwa, senhorita. Precisa de ajuda com as malas?

(Ariadne)—Er... Quem é você?

(Tyr’Ranni)—Tyr’Ranni, ex-caçadora de recompensas, mecânica e faz-tudo daqui. Eu e meu ninguém estamos trabalhando aqui, agora.

(Ariadne)—Nin... Ninguém? Como assim?

(Tyr’Ranni)—Datte, eu disse ninguém, assim como você.

(Ariadne)—Como assim, você tá dizendo que eu sou uma ninguém?!

(Zanmera)—Ela tá usando termos em japonês. Ningen significa “humano”.

A Ariadne humana escolhe seu quarto, Tyr’Ranni a ajuda com as malas. O mesmo quarto onde ela se hospedou antes. Mas ela sentia um clima gélido.

(Ariadne)—Er... Onde estão as outras?

(Manuara)—Paloma está grávida, e foi se tratar em um hospital de Tabax. Hir’Ranni está fazendo-lhe companhia. Mare-Anne e tua versão equina estão cumprindo umas tarefas, também em Tabax, capaz de voltarem em uma semana. A propósito...

(Ariadne)—Fale.

(Manuara)—A tua versão equina é a namorada dele agora, portanto, nem tente qualquer gracinha.

Enquanto isso, Zanmera explicava para Tyr’Ranni o rolo por trás do gelo.

(Tyr’Ranni)—Brincou! Ex-namorada?

(Zanmera)—Foi pro estrangeiro e trocou ele por um suywan cabelo-de-fogo.

(Tyr’Ranni)—Matte! O que é esse tal de suywan?

(Zanmera)—Humano, ela trocou o Sal por um humano estrangeiro!

(Tyr’Ranni)—Isso já rende uma novela!...

Nisso, aparece Sal, com uma travessa de comida, seguido por Exor, com uma panela.

(Sal)—Não vai ter novela nenhuma, Tyr’Ranni. Passado é passado.

(Exor)—Tyr’Ranni, pare com a importunação.  É hora da janta, agora.

Ariadne aparece, vestida pra matar, e puxa uma cadeira.

(Exor)—Uau, ela é uma gata! Não acredito que ela é uma versão alternativa daquela potra!

Ariadne olha pra Exor, com um olhar fatal. Tyr’Ranni franze a testa.

(Sal)—Vou jantar na cozinha, esqueci o shoyu.

E, pegando seu prato, Sal se dirige à cozinha sem olhar pra trás. Tyr’Ranni senta-se onde Sal estava e abraça Exor ostensivamente.

(Tyr’Ranni)—Exor, querido, que truque novo você vai usar na cama hoje?

(Exor)—C... C-cama? Olha os modos, Tyr’Ranni!

Do nada, como se sempre estivesse estado ali, Fünf.

(Fünf)—Ora... Eis que a barranqueira está de volta.

(Ariadne)—De... De onde você veio? E por que “barranqueira”?

(Fünf)—Nem queira saber. Para ambas as perguntas.

(Zanmera)—A Fünf é a Fünf. Desisti de querer saber como ela aparece do nada e some do nada.

O olhar cortante da Fünf deixa Ariadne desconcertada, e ela come só metade da refeição, voltando para o seu quarto.

(Fünf)—Maneira estranha de dizer “Este macho tem dona”, Tyr’Ranni.

(Tyr’Ranni)—Sabe como é, eu só conheço o Exor neste mundo, e pelo visto, tá meio que na cara, ela estava a fim de afanar o meu ninguém. Não vou deixar nenhuma jorou roubar o que já tá reservado pra mim.

(Exor)—Deixe de ser tonta, Tyr’Ranni, eu não sou nenhum papa-anjo!

(Tyr’Ranni)—É, mas vamos evitar o “vai que”.

(Zanmera)—Até porque ela não é nenhum bebê, tem 23 anos na cara.

(Exor)—Hã?... Isso é quanto em anos de Samara?

(Fünf)—115 anos. Samara orbita uma anã vermelha, não?

(Exor)—Anã laranja. Então, são precisos cinco anos de Samara para se ter um ano da Terra...

(Zanmera)—Como você sabe disso?

(Fünf)—Peguei as cartas orbitais depois daquela viagenzinha pra Baatom, atrás de um presente de aniversário para Hir’Ranni. Por sorte, tinha uma versão em inglês, mas o inglês daquele mundo, pelo amor de Almathea, era quase incompreensível!

(Exor)—O inglês padrão da Confederação Terráquea é o falado em Samara, que é o mais parecido com o inglês terráqueo. Acredite, as outras versões de inglês são ainda piores. O inglês de Marcopolo até parece outro idioma!

Enquanto isso, Sal estava exercitando-se com halteres de mão, pois quase tinha deslocado um dos ombros, e foi constatado que o tônus muscular dos braços estava fraco. A academia estava vazia, ninguém o incomodaria. Até agora.

(Ariadne)—Onde está o Sal?

(Manuara)—Por que quer saber?

(Ariadne)—Eu vou treinar Dança do Ventre, e não quero ser interrompida.

Nisso, Zanmera, cheia de querer plantar as tretas, pula à frente e solta a bomba:

(Zanmera)—Deve ter ido ao banco. Se quiser, pode treinar na academia.

Sem dizer uma palavra, Ariadne se dirige à academia, vestida “a caráter” para dançar a Dança do Ventre, com um aparelho de rádio em mãos.

(Manuara)—O Sal tá lá, sua lesa! O que você está tramando?

(Zanmera)—Eu quero ver TRETA!

Falando em treta, duas potrancas chegaram mais cedo de suas tarefas em Tabax. Mare-Anne e Ariadne, a Equina.

(Tyr’Ranni)—Taihen...

(Fünf)—Manuara, qual é a palavra que os suywan usam quando algo vai dar errado?

(Manuara)—“Vish”.

(Ariadne E)—Nossa, que caras são essas? Parece que viram um fantasma!

(Manuara)—O que houve lá em Tabax, para que vocês voltassem tão cedo?

(Mare-Anne)—Fomos para uma cidade chamada Swar... Chuar...

(Fünf)—Schwarzak?

(Mare-Anne)—ISSO! E, de repente, começamos a sermos assediadas por carnívoros, e achamos melhor voltarmos pra cá. Por sorte, estávamos perto de um tal “5º Departamento Corretivo”, e a Srta. Coffee...

(Ariadne E)—KOHII, Mare-Anne! Melitta Kohii!

(Mare-Anne)—ISSO! (De novo...) E ela nos escoltou para o tal do  Autam-Dea que nos trouxe pra cá. Mas no caminho, passamos pelo Museu Kasshir Tathai, que contou a história do cara que era um contato daquela Haij-sei-lá-o-quê, e das coisas que ele fez. Adivinhe quem nós achamos lá?

(Fünf)—Os Nabre?

(Mare-Anne)—ISSO três!

(Ariadne E)—Alguma novidade?

(Manuara)—Quer a ruim, ou a terrível?

(Ariadne E)—(Bufa) Dê o teu pior.

(Manuara)—“Ela” voltou. E não, não falo de Paloma nem de Hir’Ranni.

Nisso, um Sal irritado e pisando duro vem até a recepção.

(Sal)—Qualquer coisa, eu estou em Tabax, no lugar mais distante possível.

(Ariadne E)—Que foi, querido?

(Sal)—Te dou uma pratada de jiló com quiabo se adivinhar quem está aqui...

(Ariadne E)—Não me diga que... !!!

Nisso, a OUTRA Ariadne, ainda em suas vestes de dança do ventre, aparece.

(Ariadne H)—Ora, se não é a “oficial”...

(Ariadne E)—O que raios faz aqui? Cansou daquele humano dos pelos vermelhos e tá querendo recuperar o que perdeu?

(Ariadne H)—E se eu te disser que sim, o que você vai fazer?

(Mare-Anne)—O que ela vai fazer, eu não sei, agora, o que EU vou fazer... (Estrala dedos)

(Manuara)—Mare-Anne, esqueça. Não vale o tempo nem a energia desprendida. Além do mais, mesmo o Sal não está suportando a presença dela aqui.

(Zanmera)—Por que chamou a tua versão equina de “oficial”, moça? Por acaso, você se considera a “alternativa”?

Nisso, Fünf e Sal estão trocando ideias.

(Fünf)—Por que raios você não expulsa essa nojenta de uma vez?

(Sal)—Um, precisamos de dinheiro. Dois, o Luiz Castro Prado é tio DELA, não da nossa Ariadne, e se eu hostilizá-la, ele pode descontar na nossa Ariadne. E três, eu tenho que provar pras duas Ariadnes que não quero mais nada com a humana, e meu coração pertence à equina.

(Fünf)—Assim que se fala! Mas como fica esse impasse?

A recepção parecia que explodiria a qualquer momento. Num ímpeto, Sal abraça a Ariadne equina e a beija.

(Ariadne H)—Deve estar muito desesperado para beijar uma potra... Vai, admita, você tem saudades de mim, e não dá o braço a torcer.

(Mare-Anne)—Oy, chica que não tem setocômetro, hein?

(Ariadne E)—O meu beijo, ao menos, é sincero. Ao contrário de você, eu nunca vou trocá-lo por qualquer boa-pinta que apareça.

(Ariadne H)—Tá, finjo que acredito. Mas ao menos vocês dois já...

E segue-se uma lista extensa de manobras e fetiches sexuais que Sal havia feito quando namorava a Ariadne humana. Não só a Ariadne equina, mas as outras equinas – Inclusive Mare-Anne – e Sal ficaram corados de vergonha! Ariadne, a equina, olhou para Sal, lágrimas nos olhos.

(Ariadne E)—Você e ela... Fizeram... Tudo isso?...

(Mare-Anne)—(Minha Santa Epona, preciso ver se o Resiarto sabe fazer dessas coisas!)

(Tyr’Ranni)—Hentai...!

(Zanmera)—Que foi, Sal? Não fez com a equina o que tinha feito com essa aí?

(Manuara)—Caramba, isso o Roger nunca fez!

(Fünf)—Não sabia que você era chegado nesses tipos de coisas, Sal...

(Sal)—Passado é passado, senhorita. E um copo quebrado não volta ao seu estado normal, mesmo que se reúnam todos os cacos. Aprenda isso de uma vez: Eu sou o tipo de homem que só se dispensa UMA VEZ. E obrigado por me lembrar, quando a MINHA Dininha quiser, eu porei em prática tudo o que você listou.

Nisso, a cara da Ariadne Equina fica mais vermelha que a bandeira da China. A resposta é imediata:

--TABEF!

(Ariadne E)—TARADO!!!

(Manuara)—(Nãããão, sua lesa!!!)

(Ariadne H)—Diga, Sal... Eu já te dei um tapa desses na cara?

(Sal)—Não é um tapa que vai mudar minha opinião sobre ela... Nem minha opinião sobre VOCÊ.

E Sal sai para fora, pisando duro. O clima está meio tenso. Logo mais, na academia, Ariadne (A humana) ainda está treinando dança do ventre, quando Tyr’Ranni  aparece.

(Ariadne H)—Que foi, quer deixar sua desaprovação também?

(Tyr’Ranni)—Quem, eu?  O que vocês tiveram não é da minha conta, mas me diga, você está interessada no ninguém de novo?

(Ariadne H)—Fala do Sal? E se eu estiver, como você vai reagir?

(Tyr’Ranni)—Olha, a titia aqui pode te dar umas dicas. Macho não gosta de fêmea que fica no pé dele. Falo por experiência própria. Eu não fico atrás do Exor o tempo todo, eu espero ele sentir falta de mim e ver como sou importante pra ele. Por que não tenta maneirar no assédio ao ninguém e ficar um pouco mais próxima das meninas?

(Ariadne H)—E como eu faria isso, gênio?

A Hipponita presta atenção nas roupas da Ariadne Humana. Exor tinha falado alguma coisa sobre a Dança do Ventre, e seu significado.

(Tyr’Ranni)—Falando em gênio, que lembra as Mil e Uma Noites, que lembra Odalisca... Que tal você me ensinar esse balança-bunda?

(Ariadne H)—“Balança-bunda”?... AH, tá falando da Dança do Ventre?

Não demorou muito, e a versão humana da namorada de Sal estava ensinando à ex-caçadora de recompensas os macetes da milenar dança do Oriente Médio. Logo, foi inquirida pelas outras equinas.

(Manuara)—Por que você tá dançando com ela?

(Tyr’Ranni)—Quero aprender, não posso? E aposto que se fosse a Ariadne-potranca fazendo esses rebolados, o ninguém de vocês iria ficar doidão. E outra, tô cagando e andando pras tretas de vocês, minha função é atender bem os clientes, certo? A Ariadne-ninguém é uma cliente, certo? Não estou fazendo mais que minha função.

(Zanmera)—Nisso ela está certa, Manuara. É mais fácil pra ELA aguentar essazinha aí do que pra NÓS.

Na noite seguinte, Mare-Anne já estava inclusa na turma da dança do ventre, além de umas três clientes que estavam de passagem a caminho do Rio de Janeiro. Sal fazia o possível para não travar contato visual com a Ariadne-humana, mas a Ariadne-equina ainda não tinha ido falar com ele.

Não que ela não soubesse do que sua contraparte humana estava aprontando.

(Ariadne E)—Eu comecei a fazer dança do ventre quando tinha 15 anos. Só parei depois que eu vim pra cá. Se o Sal gosta desse tipo de dança, eu posso dançar pra ele, praquelazinha saber que aquele macho tem dona.

(Zanmera)—Tome, a Mare-Anne emprestou para você. Espero que goste de branco com detalhes pretos.

Minutos depois, Ariadne, a equina, estava a caráter. E foi armado um concurso improvisado de dança do ventre com alguns clientes e o Sal servindo de jurados.

(Sal)—Por que eu?

(Tyr’Ranni)—Porque a “tua” Dininha quer que você a veja dançando. E olha, o balança-bunda dela, na minha opinião, é melhor que o da versão ninguém, hein?

(Manuara)—Teu voto nem vai ser grande coisa, é só pra você deixar claro praquela humaninha que teu coração já tem dona.

E uma música que fez bastante sucesso no Oriente Médio em 2008 começou a tocar, as duas Ariadnes dançando ao mesmo tempo. Vez por outra, uma das duas se insinuava para Sal, que mantinha um olhar sério. Ariadne, a humana, não acreditava no remelexo que Ariadne, a equina, tinha. Subitamente, um “empurrãoziho despretensioso” faz a Ariadne equina cair.

(Ariadne H)—Que foi, já tá caindo de bêbada?

Junto com ela, caiu a paciência dela, e a Ariadne da Terra Paralela resolveu partir para as “vias de fato”!

(Fünf)—VISH!...

E foi um puxa-cabelo, puxa-crina, tapa de lá, tapa de cá, rasga-roupa... Até que Tyr’Ranni, Manuara e Mare-Anne separassem as duas, elas estavam praticamente nuas. Pra piorar, subitamente aparece Luis Castro Prado, que tinha vindo trazer o laptop novo da sua sobrinha...

A versão humana, tentando se cobrir onde não dava, desabou-se a chorar, acusando a versão equina de tê-la agredido durante uma exibição de dança do ventre. Manuara correu com uma manta, mas já era tarde demais para desfazer o mal-entendido.

(Luis Castro)—Creio que foi uma decisão infeliz você ter vindo pra cá, Dininha.  E creio que foi uma decisão infeliz ter voltado a travar contato com essa gente.

(Ariadne E)—Peraí, foi ela quem começou!

(Luis Castro)—Quem é você, mesmo? Ah, a equina que fingia parecer com alguém da minha família. Não se preocupe, ela não vai mais incomodar nenhum de vocês. Esta espelunca não é digna de nossa presença. Vamos, Dininha!

(Ariadne E)—Mas... Mas eu... Tio...

O humano olha forte para a versão equina de Ariadne.

(Luis Castro)—Eu não sou teu tio. Nunca fui.

Ariadne, a Humana, entra em sua SUV, e Luis Castro, em sua camionete, e ambos cantam pneus. Ariadne, a equina, se ajoelha e chora, inconsolável.  Sal tenta ir para abraçá-la, mas é interrompido por Zanmera.

(Zanmera)—Há certos momentos na vida em que pessoas precisam ficar um pouco sozinhas. Este é um desses momentos. Amanhã vocês conversam, tá?

O clima estava pesado. Os clientes já tinham ido dormir. Só restou a Sal fechar a porta da Pousada do Haras.

Amanhã seria outro dia...
 
Próximo capítulo: Um Adeus não dito
Resiarto é avisado por sua irmã, Epona e seu cunhado, Teodoro (Não Estranhe!), da morte de sua ex-namorada, Shaila. Condoídos da dor insuportável que toma o garanhão de assalto, eles comparecem ao enterro, onde notam algo incomum.


__________________________________________________

(Esqueci de colocar no capítulo anterior...)

Citação:Ficha Técnica

Tyr’Ranni Yamashita

Raça: Nihirrun (Hipponita, para os Terráqueos) [Equanthropus Baatomensis]

Origem: Tribo das Montanhas, Baatom

Profissão: Mecânica de espaçonaves

Altura/Peso/Idade aparente: 2,02m/125Kg/25 anos

Personalidade: Folgada, espaçosa, malandra, brigona

Peculiaridade: Chama os humanos de “ninguém” (Na verdade, “nin-gen” [], devido ao humano que a adotou ser de descendência japonesa); linha temporal diferente (mesma de Hir’Ranni).

Resumo: Tyr’Ranni, apesar do nome parecido, não possui nenhum parentesco com Hir’Ranni, embora também seja uma Hipponita de Baatom. Ela vem da Tribo das Montanhas, tribo inimiga da de Hir’Ranni, mas foi adotada por um humano ainda na infância, portanto não faz distinção de tribos. Ao contrário de Hir’Ranni, Tyr’Ranni é extrovertida, abusada, brigona e não economiza nos palavrões. E também é excelente mecânica de espaçonaves. E muito folgada!


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#8
Um Adeus não Dito

“A Bruxa voa de rodo.” – Ditado Furre de Ur, Chann’Dar
 
Caía uma chuva torrencial em Cerro Azul, como se quisesse se purificar das energias emanadas do reencontro da semana passada entre as duas Ariadnes. Houve muita lavação de roupa suja, e tretas malignas estiveram no ar. Ariadne, a Equina, agora estava “só”: Ariadne, a Humana, mexeu seus pauzinhos para Luiz Carlos e toda a Família Prado olharem-na como a vilã da história, e desde então, ela nunca mais recebeu qualquer comunicado dos Prado. Mesmo telefonemas não eram mais atendidos.

Mare-Anne odeia dias de chuva. Dias de chuva, apesar de raros em Ur, o país mais seco de Chann’Dar, eram sempre carregados de más notícias. Os Furres de Ur tinham um ditado específico: “A Bruxa voa de rodo”. Ela sentia algo angustiante, uma sensação de atmosfera pesada. Resiarto estava do seu lado, conferindo uns vídeos que chegavam a ele pelo aplicativo de mensagens em seu celular, quando ouve um toque alto, assustando Mare-Anne.

(Resiarto)—Calma, esse toque eu coloquei para saber quando é a minha irmã que tá chamando. Não é nada de mais.

(Mare-Anne)—Eu... Eu estou tendo um mau pressentimento.

(Resiarto)—Ah, vocês, Chann’darianos e sua implicação com a chuva. Deve ser algo que eu esqueci de devolver pra ela (Atende) Fala, o que eu esqueci desta vez? Hã?... Não... Não não não não... Brincadeira tem hora, Epona!!!

(Epona, no telefone)—Eu também gostaria que fosse brincadeira, ‘Siarto. Estamos te esperando em Birigui. Até.

Resiarto deixa cair o telefone. Lágrimas e soluços dominam sua face equina. Assustada, Mare-Anne demanda pela razão do sofrimento estampado em seu semblante, que aperta ainda mais a angústia dentro dela.

(Mare-Anne)—Resiarto, o que foi? Hein?!?

(Resiarto)—S... S-Shaila...

(Mare-Anne)—O que tem a Shaila, cavalo? ME FALA!

(Resiarto)—Ela morreu.

Um grito acorda Sal e as equinas da Pousada. Afoitos, correm ao quarto de Mare-Anne, encontrando ambos ajoelhados, abraçados, soluçando copiosamente.

(Ariadne)—O que houve, Mare-Anne?...

(Mare-Anne)—ARIADNEEE!!! ME ABRAÇA, POR FAVOR!!! (Chuif!...) A... A Shaila... O Resiarto... Telefonema... Ela... Ela...

Abraçada a Ariadne, Mare-Anne não consegue terminar sua frase. Não é preciso, uma vez que o semblante de Manuara muda para um tom sombrio depois de ela ter lido as mentes de ambos.

(Manuara)—Sal, lembra da Shaila?

(Zanmera)—Shaila? O que tem ela?...

(Manuara)—Morreu.

Outro grito desesperado. Zanmera era colega de faculdade de Shaila.

(Sal)—Buda!... Mas o que foi?

(Manuara)—Não sei, não foi dito para o Resiarto. Mas já sei a localização. Fica a uns 20 Km de onde eu fui parar na minha primeira viagem por portais para a Terra.

Subitamente, uma onda de eletricidade estática invade o ambiente, e uma discussão é ouvida do lado de fora. A porta dos fundos é aberta, com Paloma tentando entrar, apesar dos esforços de Marina, Marcus Sadol e Aisha Dalla.

(Paloma)—Desculpe a demora, mas fiquei meio “presa” no caminho pra cá... A Haijmazoo me informou, e eu vou... Me larguem, vocês três!!!

Alheios ao furdunço, Manuara se agacha e olha fundo nos olhos de Resiarto.

(Manuara)—Você ainda a amava, né? A Shaila...

Mudo, Resiarto apenas responde com um leve aceno de cabeça.

(Manuara)—Eu sei como é... Não poder falar o que se queria falar, para quem a gente tinha esse nível de afeto... Ao menos, você só soube da notícia; eu VI o meu amado morrer na minha frente.

(Resiarto)—Eu... Eu só queria me desculpar apropriadamente... Mas agora...

(Marina)—Você ainda está sob observação médica, Paloma! Como parente de sangue tua, eu peço que VOLTE!

(Paloma)—Volto depois. Primeiro, vamos honrar alguém que nos ajudou enquanto estávamos resgatando a Aisha!

O volume abdominal já era perceptível, e o biométrico ventro-dorsal tinha sido retirado por questões de segurança. Sem ele, Paloma não pode assumir a forma quadrúpede. Por sorte, Kurt tinha conseguido uma van para trabalhar com fretes, e se ofereceu a levar o povo para Birigui.

Sal, Ariadne, Exor, Tyr’Ranni e Fünf ficaram na pousada, enquanto que Manuara, Resiarto, Mare-Anne, Zanmera, Paloma, Marina, Sadol, Aisha, Hir’Ranni, Kurt e Fox foram para Birigui. Primeiramente, Manuara abriu um portal que levava à cidade de Glicério, mais de 400 Km longe de Cerro Azul. Pelo portal, passou a van, praticamente lotada, que depois, seguiu seu curso normalmente.

Glicério foi onde Manuara apareceu pela primeira vez na Terra, já se vão mais de 40 anos. Foi onde ela conheceu Roger pela primeira vez, ambos ainda adolescentes. A dor de Resiarto agora era também a dor dela.

(Tyr’Ranni)—Olha, e eu nem vi a buchuda entrando! Tava na nave, er... Fazendo uma “terapia de casal” mais o meu ninguém.

(Ariadne)—Poupe-me dos detalhes, por favor! Não estamos no clima.

(Tyr’Ranni)—Olha, a outra você era bem mais chata. Mas por que a comoção?

(Sal)—Shaila Benavides era colega de faculdade de Zanmera e Resiarto. E, quando fomos resgatar Aisha Dalla em Tarbanna e precisamos de substitutos para ajudar na pousada, Shaila se prontificou, apesar do rancor que ela tinha de Resiarto.

(Exor)—Uhum. O que houve com ela?

(Fünf)—Morreu.

(Exor)—Santa Vesta!... Vou acender uma vela para São Caronte para que o barco dele leve-a para um bom lugar...

No universo de Exor, Tyr’Ranni e Hir’Ranni, a Igreja Católica começou a perder adeptos para o neopaganismo, que estava ressurgindo com força. Para evitar conflitos e mesmo sua própria extinção, a Igreja Católica iniciou desesperadamente um processo de sincretismo com os cultos neopagãos, transformando os deuses dos cultos neopagãos em santos aceitos no cânone católico. A manobra foi bem-sucedida, e o neopaganismo foi absorvido pela Igreja Católica, que agora permitia que mulheres também exercessem o sacerdócio. Para cada planeta da Confederação Terráquea, a Igreja Católica mantém um Papa. Em Samara, a autoridade máxima da Igreja Católica é a Papisa Maria I, primeira Papisa da História.

Glicério, mais de 400 Km de Cerro Azul.

(Manuara)—Estamos em Glicério. Qual é o caminho pra Birigui?

(Resiarto)—É... É só... Seguir... As placas...

(Paloma)—Vixe, o cara tá mal mesmo! Parece que ele ainda amava a tal da Shaila.

(Mare-Anne)—Eu SEI que ele ainda amava ela, tá? Se isso não tivesse acontecido, eu iria fazê-lo esquecê-la, pouco a pouco. Mas... Mas a chuva, como sempre, me traz desastre...

Kurt, na direção da van, acha a placa que indica pra que lado é Birigui, e segue pela rodovia. Não demora meia hora, aparece uma potranca com uma placa escrito “RESIARTO” na beira da estrada. Kurt para. Trata-se de Epona, que vai mostrar o caminho até onde Shaila está sendo velada.

Um abraço caloroso e cheio de lágrimas tenta, inutilmente, confortar Resiarto. Mare-Anne é apresentada como a “nova namorada” dele.

(Epona)—Ele vai precisar de todo o amor que você puder dar para ele, viu? Não me decepcione. E, principalmente, não estranhe os “avanços” dele.

Mare-Anne ri de modo amargo, abraçando Resiarto e ganhando outro abraço dele em troca. Epona entra na van, agora totalmente cheia, e dita o caminho para Kurt. Poucos minutos depois, o Velório Municipal está à vista de Kurt. Muitos carros, vans e camionetes nos arredores, Kurt demora cerca de 45 minutos para encontrar um lugar para estacionar. Muita gente, e muitos ooza também. Shaila estudava na UNIP, e tinha muitos amigos, era muito conhecida. E pra piorar pro lado de Resiarto, a família Benavides era uma das mais ricas de Birigui. Talvez, uma das mais ricas da região de Araçatuba.

Para evitar complicações, Epona combinou com Manuara, Mare-Anne, Paloma, Marina e Hir’Ranni que, se perguntadas da origem, dizerem que eram parentes de Zanmera. Resiarto, ao aproximar-se do caixão, foi bombardeado de olhares atravessados e hostis. Uma mão imperiosa em seu peito deteve sua marcha.

Cláudio Benavides, pai de Shaila.

(Cláudio)—Até onde eu sei, você não foi convidado para este velório... Seu bicho!

O Sangue de Paloma começou a ferver. O de Mare-Anne também. No entanto, a atitude partiu de Zanmera. Um tapa forte no braço de Cláudio e uma encarada feroz.

(Zanmera)—Quem que é “bicho” aqui, Sr. Benavides?

Um assovio é ouvido atrás de Cláudio. Subitamente, seguranças bem-vestidos e bem armados se posicionam, causando um princípio de tumulto no lugar.

(Zanmera)—Nem no velório da própria filha você deixa de trazer esses gorilas, né?

(Cláudio)—Saia daqui, você e esse pangaré, se não quiserem que a coisa fique ruim pra vocês.

Os seguranças tomam a posição de tiro velado. Paloma conhece muito bem aquela posição. Não pensou nem uma vez, e já nocauteou um deles com um soco de 250 Kgf na cara. Ao verem a pistola escorregando da mão do segurança, a gritaria é geral entre os convidados. Epona e Teodoro protegem o caixão como podem. Os demais tomam posição de tiro ostensivo, piorando ainda mais o terror.

Cláudio Benavides é deputado federal, dos mais impopulares e criticados por seus projetos de lei retrógrados e radicais. Não à toa, vive cercado de seguranças (Quatro fixos e um satélite) para protegê-lo de qualquer ameaça.

Manuara alterou as probabilidades, fazendo as armas dos outros quatro seguranças emperrarem. Marina, Paloma, Sadol e Aisha terminaram o serviço, levando os seguranças a nocaute. Armas apreendidas, seguranças amarrados, agora era hora do acerto de contas.

Não demorou muito, e desta vez, quem estava lá era a polícia militar. Os seguranças foram presos, e as armas, confiscadas, após um breve reporte de Sadol e Aisha a respeito da situação e uma breve checada nas fichas criminais dos seguranças – Todas elas, mais sujas que pau de galinheiro. No total, duas horas foram gastas para o velório voltar ao normal – Já sem a presença de Cláudio, que ainda estava se explicando na delegacia.

Em frente ao corpo frio e inanimado de Shaila, a expressão serena da morte, Resiarto suspira pesado, deixando as lágrimas caírem e molharem o véu que a cobria.

(Resiarto)—Por quê?... (Chuif) Por que você tinha que partir agora?... Por que você foi embora sem ao menos aceitar o meu pedido de desculpas?... (Chuif!)

Nisso, Teodoro se aproxima.

(Teodoro)—Você não soube do que a Shaila morreu?

(Epona)—Ah!... Eu me esqueci de contar pra ele!...

(Resiarto)—Do que foi, minha irmã? ME DIGA! FOI POR ALGO QUE EU FIZ?!?

Epona meneia negativamente a cabeça, pondo placidamente a mão esquerda sobre o ombro direito de seu irmão.

(Teodoro)—Você não teve nada a ver com a morte dela, ‘Siarto. Já o pai dela...

(Epona)—‘Doro, não!

(Teodoro)—Ele tem que saber, ‘Pon. Ou isso, ou ele vai ficar carregando a culpa pela morte dela sem merecer!

(Resiarto)—O QUE TEM O PAI DELA?!?

(Teodoro)—A Shaila estava na Favela do Pintinho, fazendo o que ela mais gostava: Prestando assistência social. Por uma terrível coincidência, o pai dela estava num condomínio em frente, e o carro dele foi alvo de bombas de merda. Lógico, os autores do protesto fugiram e entraram na favela.

(Epona)—E os seguranças foram atrás, e entraram atirando a esmo. Um dos manifestantes entrou na casa do Velho Chico, a quem ela presta uma assistência médica e dá uma cesta básica. Bom, o manifestante em questão era o neto do Velho Chico, que morava na casa vizinha.

(Teodoro)—E um dos seguranças viu ele entrando lá, e já meteu o pé na porta, dando tiro pra todo lado. Matou o Velho, o neto dele, a dona Queca, que estava cozinhando pro Velho... E a Shaila.

Resiarto treme. E bufa. E rosna. Teodoro e Epona sentem como se tivessem acabado de acionar uma bomba-relógio.

(Mare-Anne)—E o que o pai dela fez com o segurança?...

(Epona)—Ele estava aqui fazendo a segurança dele. Do pouco que eu pude ouvir das conversas, ele transferiu a culpa da morte de sua filha para os moradores da favela.

A favela ficava em Birigui, mesmo, quase na fronteira com Araçatuba. A mobilização policial era grande. Tão logo Sadol, Marina, Paloma e Aisha ficaram sabendo do ocorrido, trataram de mexer seus pauzinhos. Os policiais não estavam sozinhos, estavam acompanhados de máquinas de demolição: O plano era botar a favela abaixo!

Os policiais já estavam fazendo pressão, batendo os cacetetes nos escudos, usando máscaras e municiando lançadores de granadas de gás lacrimogênio. O pai de Shaila também estava lá, a uma distância segura.

(Cláudio)—Minha filha morreu porque ela tinha empatia por esses vermes! Vou riscar essa favela do mapa, e quem estiver dentro dela, também!

Ladeando-o, os mesmos seguranças, inclusive o que deu o tiro mortal na ex-namorada de Resiarto.

Subitamente, vans. Todas pretas, deixando um silvo inconfundível de um motor a turbina. Os seguranças disparam contra as vans, só pra perceberem que elas são blindadas.

De dentro delas, vários ooza, portanto estranhas máscaras, vestidos de preto, armados de forma muito mais ostensiva que os seguranças, e em muito maior número. Um lobo aponta seu rifle para Cláudio.

(Lobo)—PARADO! HAIJMAZOO!

Sem ter o que fazer, Cláudio levanta as mãos para cima. Seus seguranças já foram rendidos e desarmados.

(Lobo)—QUAL DELES?

(Cláudio)—Quê?

(Lobo)—QUAL DELES DEU O TIRO QUE MATOU A TUA FILHA?

(Cláudio)—A culpa foi daqueles malditos favelados!

(Lobo)—Não vai falar, né? Teriamantyi, da’an suywan sakae!

Cinco tiros foram dados. Os cinco seguranças estavam mortos.

(Lobo)—Problema 1 resolvido.

(Cláudio)—O que vocês fizeram?!? Por que vocês estão aqui?!?

(Lobo)—Não te interessa saber.

(Cláudio)—E que diabo você vai fazer comigo, agora?

(Lobo)—Eu? Nada...

Subitamente, aparece Resiarto, suas mãos enormes abraçando o pescoço de Cláudio com firmeza.

(Lobo)—Mas este cavalo aqui gostava muito da tua filha e não ficou nada contente em saber que você deixou o assassino dela passar impune. Teriamantyi, byombu syurae!

E um biombo, tirado não se sabe de onde, é armado, tampando a visão da cena dantesca que se desenrolava. Resiarto, ódio nos olhos, nunca havia usado sua força para isso. Mas estava com tanta raiva, com tanto ódio, do pai de Shaila ser o que ele era, fazer o que ele fez, sendo responsável direto pela morte de sua própria filha, a quem ele ainda amava muito, que sua mente estava nublada, impedindo qualquer raciocínio. Quando se deu por si, Cláudio estava morto, as carnes do pescoço esmagadas, os ossos aparentes, faltando pouco para ter sua cabeça arrancada, os olhos saltados pra fora das órbitas, sangue nas mãos e no chão.

(Resiarto)—Me perdoa, Shaila... Mais uma vez, eu fiz merda...

O capitão da polícia recebeu uma chamada inesperada e, após a ligação, ordenou a retirada de todos os policiais. Nenhum gás foi solto, nenhuma bala foi disparada, nenhum barraco foi derrubado. A favela do Pintinho estava fora de perigo.

Os agentes da Haijmazoo foram rápidos em recolher os seis corpos, o biombo, limparem o recinto – Inclusive as mãos de Resiarto – e se retirarem como se nunca houvessem estado ali. Amanheceu, e o enterro seguiu como o esperado, com os parentes estranhando a ausência de Cláudio. A última flor, um hibisco amarelo, a flor preferida de Shaila, foi depositada sobre o caixão antes de a sepultura ser selada. Não demoraria muito, estavam de volta a Cerro Azul. Resiarto, ainda inconsolável, e com o peso de uma morte sobre as suas costas, é amparado por Marina.

(Marina)—Não fique assim, você fez o que era certo. Aquele crápula teve o que merecia.

Mare-Anne abraça Resiarto, beijando de leve sua face. Resiarto retribui o abraço e o beijo, mas não consegue impedir as lágrimas de cair. De volta à Pousada do Haras, Mare-Anne perguntou a Resiarto se ele queria que ela fosse dormir com ele, na tulha. Resiarto declinou com educação, dizendo que queria passar um pouco de tempo sozinho.

Mal Resiarto entrou em sua tulha, a porta foi fechada misteriosamente. Um homem em um longo robe marrom encapuzado, o fitava.

(Resiarto)—Quem... Quem é você?

(Encapuzado)—Não precisa saber quem eu sou. Você parece que tem um assunto inacabado, não?

(Resiarto)—Não é da tua conta!

(Encapuzado)—E se eu te disser que você pode dar um último adeus à tua ex-namorada?

(Resiarto)—COMO?

O encapuzado tem em sua mão esquerda um dispositivo igual ao que carrega no pulso direito.

(Encapuzado)—Eu venho direto das Umbres, do mundo dos Mortos. E posso fazer você ir para lá por tempo suficiente para você tentar conseguir o perdão dela. Ela está fazendo muito alvoroço na Depressão do Rancor, onde ficam as almas com rancores guardados. Tudo que ela diz é teu nome. Por isso, estou aqui.

(Resiarto)—Depressão... Do Rancor?

O cavalo estende a mão direita rumo ao encapuzado, que põe sobre ela o dispositivo que estava em sua mão esquerda. O encapuzado dá as instruções básicas de operação do dispositivo, e ensina como chegar até onde ela está.

Determinado, Resiarto fecha todas as portas e janelas de sua tulha, e apaga todas as luzes. O encapuzado já tinha desaparecido. Encaixa o misterioso dispositivo em seu pulso direito, aperta o botão vermelho e, em seguida, o botão verde.

E, subitamente, Resiarto também desaparece.

Na Pousada do Haras, Mare-Anne dorme, abraçada a um enorme urso de pelúcia que ganhou de Resiarto. Paloma, Marina, Sadol e Aisha retornam, pela Porta Estelar, a Tabax. Tinham que dar o reporte das atividades da Haijmazoo em Birigui no dia anterior. Hir’Ranni tinha ficado, a pedido de Paloma. Kurt e Fox retornam para sua casa, Fünf desaparece misteriosamente. Como sempre. Como todos os clientes já tinham ido para seus quartos, Sal fechou a porta da Pousada do Haras, e também foi dormir, levando Ariadne consigo. Só Zanmera estava sem sono, e resolveu fazer a vigília na pousada. Suas lágrimas caem sobre a tela de um tablet, que continha a foto dela, abraçada a Shaila, naquela época ainda namorada de Resiarto, foto tirada na faculdade. A ooza chora em silêncio, enquanto em seus fones de ouvido toca a melodia escolhida como tema das duas, quando estudavam juntas: “Borbulhas de Amor”, de Fagner.

(Zanmera)—( ♫ Quem me dera... [Chuif!] ser um... Peixe... ♫ )  

Amanhã seria outro dia.

Próximo capítulo: -Última Chance de dizer Adeus
(Aventura-solo de Resiarto)
Um estranho pacote é entregue a Resiarto, contendo um tipo de pulseira eletrônica. No papel que vem no envelope, está escrito que, com ela, Resiarto terá a chance de dizer a Shaila tudo aquilo que não pôde. Quando Resiarto segue as instruções contidas no papel, ele é catapultado, ainda encarnado, para a Depressão do Rancor, uma das Umbres mais cruéis que se tem notícia na Dimensão Espiritual. Conseguirá Resiarto dizer o último Adeus, antes de ser descoberto pelos Agentes da Luz como um dos Invasores das Umbres?


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#9
Última Chance de dizer Adeus
(Aventura-Solo de Resiarto)

Resiarto acorda. Está tonto. Olha ao redor e vê uma bruma constante e fedorenta que invade suas narinas. Um misto de batatas podres e carne azeda. Várias vozes ao longe, umas de lamúria, outras de ira, outras de desespero.

À sua frente, o Encapuzado que o trouxe a este lugar. Seu rosto, sempre invisível, e sua túnica, marrom-avermelhada como terra tingida de sangue. Em comum, um dispositivo estranho no pulso direito.

(Resiarto)—Onde estou?...

(Encapuzado)—Você está numa das Umbres mais lamentáveis dos Mundos Espirituais.

(Resiarto)—“Umbres”?

(Encapuzado)—Você está no Mundo dos Mortos, agora. Me siga, e faça apenas o que eu disser.

Ainda atordoado pelo odor acre em seu nariz, Resiarto segue o Encapuzado, pelos caminhos tortuosos e erodidos da Umbre onde se localizam. Vê pessoas – Ou algo parecido com pessoas – sendo torturadas, e soltando uivos de partir o coração mais pétreo. Por instinto Resiarto tenta ir até onde a tortura ocorre, mas foram várias as vezes as quais o Encapuzado precisou chamar sua atenção.

(Encapuzado)—Aqui, é onde as pessoas pagam o preço das merdas que fizeram em suas vidas! Não se atreva a interromper o trabalho deles, ou os Agentes da Luz logo virão à tua caça!

(Resiarto)—Agentes da Luz?...

(Encapuzado)—São vigias, responsáveis por manter o que está lá fora... Lá fora. Nós, os Intrusos das Umbres, somos a principal “ameaça” que eles combatem. Nós transitamos entre o mundo dos Encarnados e o mundo dos Desencarnados levando informações, mensagens e tecnologias de um lado para o outro. E lógico, os responsáveis pela guarda das Umbres não gostaram muito disso. Daí, eles criaram a força dos Agentes da Luz. Se eles te encontrarem, a primeira coisa que tentarão fazer será destruir o dispositivo em seu pulso. Isso te jogará de volta para o Mundo dos Encarnados, mas você pode ficar com sequelas pro resto da vida. E, ainda por cima, enfrentar uma punição severa ao chegar aqui.

(Resiarto)—E você, é o quê?

(Encapuzado)—Eu sou um Desencarnado. Aqui é o meu habitat natural. Morri há muitos séculos atrás, pelas mãos da Igreja, acusado de bruxaria. Desde então, vago por este mundo, ajudando os necessitados. Um dia, me mostraram os Sincronizadores de Vibrações, e pela primeira vez, eu pude voltar ao Mundo dos Encarnados novamente, e... Como estava mudado! Então, eu vago de um mundo a outro, servindo de leva-e-traz entre os mundos. Os lamentos da tal “Shaila” evidenciaram um “serviço inacabado”.

(Resiarto)—Inacabado?

(Encapuzado)—A princípio, eu pensei em levá-la de volta para o Mundo dos Encarnados pra que você conversasse com ela, mas lá, onde ela está, ela não tem um minuto de sossego. Os outros Rancorosos a assediam dia e noite, sem parar.

(Resiarto)—Ran... Rancorosos?

(Encapuzado)—Espíritos que morreram com rancor de alguém. Shaila, agora, é uma Rancorosa, mas creio que se você fazê-la te perdoar e pedir por ajuda, os Emissários da Luz poderão levá-la para livrá-la de seu sofrimento.

(Resiarto)—Não seriam “Agentes da Luz”?

(Encapuzado)—Não, estes são Emissários. São almas que vêm resgatar outras almas arrependidas que buscam por ajuda. Mas o problema é que Shaila, no momento, nem está arrependida, nem está pedindo ajuda. Falta ela terminar sua missão, falta ela acertar as contas com você. Foi por isso que eu te trouxe pra cá.

Subitamente, ambos estão à beira de um precipício.

(Encapuzado)—A Depressão do Rancor fica no fundo deste precipício. É só seguir reto pra baixo, nesta descida leve. Eu só posso te trazer até aqui. Preste atenção no Sincronizador de Vibrações. Está brilhando uma luz verde, certo?

(Resiarto)—Certo.

(Encapuzado)—Então, está tudo bem. Mas preste atenção nesta luz vermelha. Se ela piscar, é porque um Agente da Luz está por perto. Você terá que se esconder, até a luz vermelha parar de piscar! Se você for detectado, aperte o botão verde, para voltar em segurança ao local onde estava antes, no mundo dos Encarnados. Eles não poderão te seguir lá. Entendeu?

(Resiarto)—Er... Sim.

(Encapuzado)—Quando a luz verde começar a piscar, é porque a bateria está acabando. Aperte o botão verde pra retornar, ou ficará preso neste mundo até conseguir recarregar o dispositivo – O que é impossível aqui na Umbre – ou até ter seu Sincronizador retirado de você, o que vai dar merda. Não se preocupe, vai ter um aviso sonoro, e você terá um minuto cravado pra retornar. Entendeu?

(Resiarto)—Hã... Sim.

(Encapuzado)—Se uma alma perguntar, diga que morreu de Morte Súbita, ou que não sabia que morreu. Tem muito “caguete” nesta Umbre. Siga reto pra baixo. Nós nos despedimos aqui.

E, tão logo Resiarto dá o primeiro passo rumo à Depressão do Rancor, o Encapuzado desaparece. A luz é cada vez mais tênue, mas pouco a pouco, Resiarto se acostuma com o breu crescente. Passam-se horas e horas caminhando em total solidão, tendo apenas pedras e pedriscos como paisagem, e nenhuma luz vermelha para Resiarto se preocupar.

Subitamente, uma voz é ouvida ao longe.

“—Mare-Anne?... Mare-Anne?...”

Estranhado, Resiarto sai de seu curso – Afinal, era só seguir pra baixo, mesmo – e encontra um lobo, com sua jaqueta suja de sangue, e cheio de buracos.

(Resiarto)—EI! Você conhece Mare-Anne de onde?

(Lobo)—Alguém?... Quem é você?... Cadê todo mundo?... Por que minhas feridas não doem mais?...

(Resiarto)—Acho que é porque você tá meio... Morto.

(Lobo)—Morto, eu? Fenris me livre! Se eu estivesse morto, eu não estaria me mexendo, e... Espera, você TAMBÉM conhece Mare-Anne?

(Resiarto)—Lógico, eu sou o NAMORADO dela! E você, de onde a conhece?

(Lobo)—Namorado?... Ah, você é o tal do Resiarto?... Ela me falava muito de você, com lágrimas nos olhos... Lá em Chann’dar... Meu nome é... Melhor, era... Fehx Garou. Me diga, ela está bem?

(Resiarto)—Ah, sim, está. A terra dela foi libertada, e tudo o mais.

(Fehx)—SÉRIO?!? Eponápolis está livre?!? Então, eles conseguiram! Eu... Estou tão aliviado...! E você, morreu também?

(Resiarto)—Eu? Ah não, eu estou aqui a uma missão temporária. Tem algo a ver com uma amiga minha que morreu com algo inacabado, e esses lances.

Subitamente, uma luz começa a brilhar dentro de Fehx.

(Fehx)—Acho que agora eu não tenho mais medo... Resiarto, pode mandar um recado meu pra Mare-Anne?

(Resiarto)—Claro!...

(Fehx)—Diga a ela que “O soldado triste” parabeniza o sucesso dela... E que deseja que ela mantenha aquele sorriso contagiante... Você passa esse recado?...

(Resiarto)—Passo sim.

A luz vermelha pisca no Sincronizador de Vibrações. Resiarto se esconde debaixo de um monte de lixo. Emissários da Luz, um humano e um ooza lupino, chegam, vestidos de branco, Limpam as feridas de Fehx, e o levam para as alturas, até sumirem da vista de Resiarto, até apagar a luz vermelha.

Resiarto está sozinho de novo. E segue seu caminho, novamente. O cheiro acre do lixo impregna suas narinas, mas de certa forma, ele já estava se acostumando. Subitamente, um cheiro forte de sangue invade o ambiente. Dois equinos, um macho maduro e uma fêmea jovem, tremem abraçados, enquanto sombras os assediam. Resiarto vai a seu socorro.

Ao perceberem a presença de Resiarto, as sombras debandam, deixando os três a sós.

(Cavalo)—POR FAVOR, NÃO NOS COMA!!!

(Resiarto)—Comer? Ei, eu sou um Heïn! Sou namma como vocês!

(Cavalo)—Oh!... Desculpe. Eu sou Tolido Ari, e esta é minha filha, Adne. Nós... Bem...

(Resiarto)—Foram comidos em Tabax?

(Adne)—Fomos!... Foi horrível!... (Chuif!)

(Resiarto)—Tá tudo bem, agora. As sombras foram embora.

(Tolido)—Oh, mas elas sempre voltam... Sempre voltam... E sempre nos comem, pouco a pouco... Sentiu o cheiro de sangue?

(Resiarto)—Senti.

(Adne)—Minha prima Ayté está em perigo! Ela é mais velha que eu, mas é muito pequena, não tem condições de se defender!

(Resiarto)—Ayté... Ari?... Ah, a Bucky? Ela se casou com um suywan e se mudou pra uma cidade no mundo suywan!

(Tolido)—Ah, de uma esquisita como a Ayté, podia se esperar qualquer coisa, mesmo... Mas que bom que ela está segura... Eu fico mais aliviado, de saber que ela não será comida de nenhum kusha doente...

(Adne)—Eu também... Pode dar um recado pra ela?

(Resiarto)—Posso!

(Adne)—Há muito tempo ela não tem notícias da gente. Diga que morremos em... Um acidente!  E fomos enterrados como indigentes em Napigai! A ‘Né quem mandou o recado, ela sabe quem é!

Uma luz começa a emanar de dentro de ambos, e Resiarto procura um canto escuro pra se esconder. Novamente, um par de Emissários da Luz, desta vez uma humana e um equino, que vão em sua assistência, e os conduzem até onde a vista alcança.

Mais uma vez, Resiarto estava sozinho em sua longa marcha para o fundo. Percebe que está chegando a um lugar mais movimentado, cheio de “almas” de todo tipo.Subitamente, surge em meio às brumas algo que causa total estranheza em Resiarto:

Um boteco.

Resiarto adentra o boteco, tomando cuidado para esconder o Sincronizador de Vibrações. Um touro de grandes aspas o recepciona.

(Touro)—Bem vindo! Veio pra ficar, ou tá só de passagem?

(Resiarto)—Na verdade, tô precisando ajudar uma colega minha que está na Depressão do Rancor.

(Touro)—Não me diga que você...

Nisso, um iguana se levanta da mesa onde estava sentado.

(Iguana)—É um daqueles Intrusos das Umbres?

(Resiarto)—Errr...

(Iguana)—Aqui não é lugar seguro pra ooza vivo feito você. Depressão do Rancor, você disse? Segue esse descidão, reto. Foi lá onde eu achei o Kramsun.

(Touro)—Na verdade, foi meio que a Makhilla quem o achou...

Resiarto toma uma água, pois estava ficando com a boca seca, já. E continua seu caminho, antes que seja visto por esse tal Kramsun. Alguns de seus colegas deram-se muito mal encontrando um lobo com esse nome em Schwarzak. Um deles, inclusive, foi morto.

A determinado trecho do caminho, ele torna-se bruscamente íngreme. Parado à beira da descida íngreme, um Humano de barba roxa. Vestindo um sobretudo puído, e com uma plaquinha escrito “informações” pendurada no pescoço.

(Humano)—Precisa de alguma informação, garanhão?

(Resiarto)—Er, sim. Se eu descer ali, estou indo para a Depressão do Rancor?

(Humano)—Sim, está. E não, não recomendo. Os Rancorosos não gostam de companhia.

(Resiarto)—Eu tenho... Assuntos inacabados. Se eu não der meu último adeus pra ela, eu ficarei com esse peso na cabeça pro resto da vida!

O humano suspira, ciente de que não vai convencer o cavalo a voltar atrás. Se apresenta como Roger, ex-marido de Manuara. Resiarto diz que Manuara está trabalhando na Pousada do Haras, e Roger pede pra dar um recado.

(Roger)—Diga a ela que ela sempre será minha Blazemare. Ela saberá do que estou falando.

A essa altura, era recado demais para uma cabeça só. Resiarto diz que passará o recado e segue o caminho apontado por Roger. A escuridão começa a afetar até mesmo a capacidade equina de enxergar no escuro. No caminho, encontra um sem-número de falecidos querendo dar seus recados para o mundo dos vivos, e após saltar uma fossa ainda mais malcheirosa, eis que está na parte mais funda da Umbre, a Depressão do Rancor. Gritos e pragas eram ouvidos a todo tempo. E ocasionais empurrões eram dados em Resiarto. O garanhão começou a seguir um cheiro especial, que se destacava, mesmo em meio àquela carniça toda. Mais uns 2 quilômetros e, encostada em um pedregulho, encolhida, ouvindo ofensas de todo canto, lá estava Shaila.

(Resiarto)—SHAILAAA!!!

Os Rancorosos tentaram interferir, mas Resiarto perdeu a paciência e já foi afastando os espíritos pros lados, empurrando, e às vezes dando uns socos e uns coices. Como a massa que envolvia Resiarto era a mesma massa dos desencarnados, eles eram severamente afastados.

(Shaila)—Eu não acredito que você se matou por minha causa, seu idiota!!!

(Resiarto)—Não, eu não me matei!

(Shaila)—Então, por que raios você está aqui? Na Depressão do Rancor?!?

(Resiarto)—Porque eu quero levar um papo sério com você, agora. Na real.

Rosnando, Shaila suspira, ainda ouvindo as pragas dos Rancorosos. Resiarto pega a mão dela e puxa pra junto de si, pegando-a no colo. Com Shaila no colo, Resiarto abre caminho entre os Rancorosos e pula de volta o abismo fedorento As pragas e xingamentos tinham cessado. O garanhão coloca Shaila de volta no chão, se ajoelha perante ela e a fita com firmeza.

(Resiarto)—Olhe nos meus olhos. Eu quero te pedir desculpas.

(Shaila)—Tá, cê pediu. Desculpas aceitas, agora posso voltar pro meu buraco?

(Resiarto)—Você não aceitou minhas desculpas. O que foi que tá acontecendo?

(Shaila)—Eu vi o meu pai. E os seguranças dele. Eles estavam sendo arrastados para uma coisa ainda pior que a Depressão do Rancor. Quem matou ele, você sabe?

(Resiarto)—Bem... Se eu te contar, você não vai ficar brava?

(Shaila)—Eu já tô ficando brava com essa enrolação...

(Resiarto)—Bom... Fui eu. Eu estrangulei até quase arrancar o pescoço dele fora. Ele estava usando a tua morte como desculpa para destruir a favela do Pintinho. Os seguranças dele foram mortos pela polícia... Só não sei que tipo de polícia era...

(Shaila)—Sabe, meu pai sempre me odiou. E sempre me ameaçou de interromper os meus trabalhos sociais, que eu tanto amava, ou de cortar a minha faculdade se eu continuasse com você. Ele odiava os ooza. Bom, pelo visto ele vai ter contas a acertar... E a favela?

(Resiarto)—Não se preocupe, parece que alguém interferiu e a polícia de lá não vai mais desalojar o povo lá.

(Shaila)—Você não imagina... (Chuif!) o peso que estou tirando do meu peito, agora, com esse alívio... (Chuif!) Pode mandar um recado?

(Resiarto)—Só se você pedir ajuda para os caras lá da luz. Eu quero que você se recupere e... Quem sabe, reencarne perto de mim...

(Shaila)—Então tá... Diga pra Mare-Anne que eu aprovo totalmente a felicidade de vocês dois. Ela parece ser do tipo de garota que gosta de caras assim como você, hehehe...

(Resiarto)—Um abraço, então?

Com um ar renovado, e completamente emocionada, Shaila abraça seu ex-namorado, pedindo em seu coração para sair daquele lugar de trevas. Findo o abraço, finalmente Resiarto dá seu recado.

(Resiarto)—Foi muito bom o tempo em que estivemos juntos. Mas eu creio que isso é um adeus.

Cutucando o focinho de Resiarto, Shaila brinca.

(Shaila)—Não é um “adeus”... É um “até logo”.

Subitamente, a aura de Shaila começa a brilhar. Uma luz intermitente, acompanhada de um aviso sonoro, chama a atenção de Resiarto, mas ele não presta atenção. É quando ele vê dois focos de luz vindo em sua direção que ele presta atenção no Sincronizador de vibrações, e percebe que ele está apagado.

(Resiarto)—Ah, merda. Meu Sincronizador! Acabou a bateria!

(Shaila)—O que isso quer dizer?...

(Resiarto)—Não se preocupe comigo, eu fico bem e...

Nisso, duas formas espirituais muito iluminadas, um humano e uma leoa, se aproximam de ambos.

(Leoa)—Recebemos teu pedido de ajuda, Shaila! Vamos cuidar de você.

A leoa e o humano mudam os trajes de Shaila, e ela ganha um semblante mais iluminado.

(Resiarto)—Se cuida, Shaila!

(Humano)—Vá na frente, irmã. Tenho uma dúvida pra tirar aqui, ainda.

E a leoa leva Shaila para as alturas, furando as nuvens que cobrem a Umbre.

(Humano)—Eu sou Cecil, Emissário da Luz. Teu rastro coincide com a frequência em que espíritos atormentados por suas mortes tristes estarem aliviados por uma notícia boa. Pelo visto, você não é “daqui”, certo? A julgar pelo dispositivo no teu pulso...

(Resiarto)—Só vim aqui pra dizer um adeus pra uma pessoa que eu amava... Os outros encontros foram coincidência, só isso. Então, o senhor sabe consertar isso? Tem como recarregar a bateria, ou coisa assim?

(Cecil)—Ah, sim, tem sim... É simples, me deixe pegar isto...

E, assim que o Sincronizador de Vibrações deixa de tocar a pele de Resiarto, ele é catapultado pra fora do Mundo dos Mortos!

(Resiarto)—MASOQUÊÊ--***

(Cecil)—Isto fica comigo. Um Intruso das Umbres a menos.



Mundo dos Vivos

Resiarto é materializado violentamente rumo à sua cama, de modo que chega a quebrá-la. É madrugada, mas um galo meio adiantado já cantava o nascer do dia em Cerro Azul.

(Resiarto)—Ai, minha cabeça... E o pior é que eu não tenho nenhuma aspirina...

Nisso, o Encapuzado aparece, como se sempre tivesse estado ali.

(Encapuzado)—Estou surpreso de você não ter recebido nenhuma sequela do retorno brusco ao Mundo dos Vivos.

Mas as palavras do Encapuzado vão para o vento, pois Resiarto, mesmo com uma dor de cabeça terrível, caiu imediatamente no sono, dormindo em cima da cama quebrada.

Desvanecendo-se lentamente, o Encapuzado parece sorrir debaixo daquele capuz pesado que não deixa a ninguém ver sua face.

(Encapuzado)—Durma bem, Resiarto. Você teve uma semana cheia lá no Mundo dos Mortos. Descanse bem, porque... Amanhã é um novo dia.

Próximo capítulo: -Tamanho não é documento
(Participações especiais: Don e Bucky [Pequenina Dançarina] )
Bucky quer um quarto, mas lhe é recusado por pensarem que ela é uma criança (Tem 24 anos, na verdade), dado o seu tamanho de 1,30m. Logo depois, chega Don, que esclarece a situação. Hir’Ranni, considerada nanica por sua tribo, se sente uma giganta perto de Bucky, e tenta desenvolver melhor sua auto-estima.



Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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