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The Last A': O Último Anis
#1
Olá pessoal

Antes de mais nada, quero agradecer a todos do fórum, desde os administradores aos usuários, sejam estes veteranos ou novatos, por todos esses anos. Passei por alguns problemas pessoais e financeiros mas agora as coisas estão se ajeitando. 

Hoje, em agradecimento pelos 11 anos de fórum, irei começar mais uma fic e esta farei para encerrar de vez a saga “Anis” e eu planejo terminar desta vez) .

Mesmo assim, por saber que houve algumas mudanças no fórum, não há mais os meus últimos contos. Porém eu irei disponibilizar o arquivo original em .doc para quem quiser ler. Só aviso que eu não editei nem nada. Ou seja, haverá muitos erros de acentuação, pontuação (principalmente essa) nos primeiros capítulos, então já estejam avisados.

Bem, mais uns vez, obrigado pela atenção.

Obs: como na primeira fic, esse conto me baseei em um outro sonho que tive. Por isso me motivei a voltara escrever.


Prólogo

Tokyo, 9:45 pm / Ano 2002

Carros trafegavam pelas ruas estreitas e barulhentas da cidade. Pessoas caminhavam pelas calçadas, voltando para casa depois de um dia cheio. O clima mostrava-se instável, com ventos fracos e ar fresco. Com o céu nublado e com relampejos que anunciavam uma precipitação futura. 
Era um apartamento comum, daqueles pequenos, onde vivia uma família comum. Ali viviam a família Hawoen, que se estabeleceram no Japão depois de se conhecerem no exterior. Falkner Hawoen nasceu na Coréia e sua esposa, Christina Hawoen, nasceu nos Estados Unidos, apesar de ter descendência japonesa por parte de pai. Os dois se conheceram durante um congresso de medicina, e desde então estreitaram o relacionamento até se casarem no início dos anos 90. Pouco tempo depois tiveram um filho. O batizaram como Jason Hawoen, em homenagem ao pai de Christina. 

Antes de se consolidarem em Tokyo, viveram por 8 anos em Etofuru, uma ilha de propriedade Japão-Rússia ao norte do país. Foi lá que o jovem cresceu. Mesmo com os constantes pedidos de ficar, seus pais teriam de ir para a capital de qualquer maneira, a fim de adquirirem crescimento profissional. 

Porém muita coisa aconteceu desde então...

Durante aquela mesma noite, durante o jantar, a família estava sentada a mesa, e conversavam. Falkner diz:
- Diga-me Christina, como foi a reunião de ontem? Não consegui chegar a tempo pois a clínica estava cheia.
 E sua esposa diz:
- Não perdeu muita coisa. Toda vez que Yoshida falava algo sobre o projeto, um de seus assessores interrompia e não o deixava continuar. Diziam ser de caráter particular. Muito estranho...
- Ah mas isso é muito comum deles. Por isso que Yoshida não os suporta.
- Sim, eu sei. Todo mundo não gosta deles, mas são os únicos que tem conhecimento daquele tipo de projeto.

E interrompendo a conversa, Jason duz:
- É sério mesmo que vocês vão ficar tratando de negócios a mesa?

E seu pai toma a palavra.
- Relaxe, Jay. É somente uma conversa informal, hehe.
- Informal, sei... Desde que viemos pra cá faz alguns anos vocês sempre ficam com essa informal. Estou ligado no macete de vocês.
- Então me diga, como foi na escola hoje?
- Finalmente uma conversa real... Bem, estou tentando entrar no time de basquete.
- É verdade? Seria muito bom. 
- Sim. Eu também teria mais chances caso vá para a faculdade.
- Sim, é verdade. Mas o que falta para que entre?
- O capitão do time me recomendar ao treinador.
- Mas Jay, isso não seria trabalho para o técnico?
- Seria, caso não houvesse panela naquela droga de time. Eles são muito fechados e não aceitam gente de fora sem aceitação do capitão. É um código de ética deles. Besteira...
- Paciência. Isso é política. Vá se acostumando...
- Eu sei, mas é um saco...
- Bem, você vai conseguir.
- Obrigado, pai.

Terminado o jantar, Jason, já em seu quarto, lia um livro. Sua mãe, percebendo, diz:
-Ainda acordado, às? Já está tarde.
-Vou terminar esse capítulo e já vou dormir. 
-Muito bem então. Até amanhã.

Mas assim que sua mãe iria sair do quarto, ele a chama.
- Mãe...
- O que? Quer que te conte uma história?
- Já passei dessa idade, não acha?
- Sim. Só estou brincando com você. O que houve?
- Eu estou lendo agora pra poder ficar calmo pra amanhã.
- E o que te preocupa? O time?
- Sim... Isso é muito importante pra mim.
- Você tem tudo a ver com meu pai...
- Como assim?
- Ele amava basquete. Só falava disso. 
- Legal!
- Mas o que te preocupa? Acha que não pode?
- Eu sempre leio pra conseguir as coisas, mas desta vez é algo além das minhas capacidades...
- Meu às... Tudo vai dar certo. Você sempre consegue. 
- Eu sei, mas... Fazer isso tudo e sozinho...
- Você nunca estará sozinho. Estaremos sempre com você, seja como for, onde for e com quem for. Sempre estaremos com você, fazendo a força de três pessoas em uma! Você sabe disso, não? Me diz a frase que te ensinamos! Vai!
- Preciso mesmo? 
- Sim!
- No maior dos problemas, estaremos sempre juntos. Somos três, somos Hawoen!
- Isso! Não se sente melhor?
- É um pouco vergonhoso, mas sim... Me sinto melhor. 

Logo seu pai aparece a porta, dizendo:
- Que vergonhoso que nada, rapaz. Amanhã você vai entrar para o time. Está escrito. Estaremos lá para te apoiar.
-Obrigado a todos.

Continua...


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#2
Mil perdões pela falta de formatação. Estou postando pelo celular. Mais tarde irei editar.

Segunda parte do prólogo.

Continuando...

Colegio de aplicação de Tokyo
7:00 pm / 2006

“Hoje é meu dia... Aliás, hoje é mais um dia.

Esperei muito por esse momento é lutei contra todos sem nem pensar em desistir. Nas verdade eu nem conheço o que seria desistir. Nunca me passou pela cabeça ter de fazer algo tão covarde. Hoje irei disputar a final do torneio de verão de Tokyo, e iremos vencer. Não menosprezo o time adversário, tampouco subestima-los. Mas eu estou na quadra e nela sou eu que dito as regras. A primeira é se eu passar é cesta. A segunda, se eu passar a bola, meu companheiro de equipe vai encestar, pois eu o colocarei na boa. E a terceira, se levarmos uma cesta eles levarão dez... “

Este é Jason Hawoen, um jovem de 16 anos, de alta estatura, com pele morena e cabelo curto. Depois de entrar para o time da escola, conseguiu de fato, anos depois, de fazer parte do time do colégio de aplicação de Tokyo. Era uma agremiação das mais conceituadas, principalmente por futuros atletas. Após seu sucesso na escola, foi convidado a ingressar ao grêmio.

Desnecessário dizer que se tornou um dos melhores jogadores de nível estudantil e até mesmo alguns clubes já estavam de olho em seu talento.

A grande final transcorreu exatamente como ele já vislumbrava. Tudo foi dentro dos conformes, com seu time tomando conta do jogo desde o início. Apesar da diferença no placar, de escore 104 a 76, houve muito respeito por parte do time vencedor e principalmente por Jason, este que em nenhum momento facilitou nenhuma jogada, tendo desempenho em 100% do que poderia oferecer. Essa era sua especialidade: ele se entregava em quadra, jogando em praticamente todas as posições. O respeito era mútuo. Nem mesmo seus adversários o tinham como inimigo e sim como um rival a ser batido. Muitos diziam que continuavam a jogar basquete motivados a um dia poder derrotar Jason em quadra.

Ao fim do jogo, pois times se cumprimentaram, e após a merecida comemoração do time do colégio de aplicação. Todos comemoravam, mas Jason mostrava-se diferente dos demais. Embora ninguém o critique por seu desempenho em quadra, já fazia alguns meses que o jovem não sorria, mesmo em triunfos como esse.  Ao fim dos festejos, todos se teriam, testando somente Jason. Já agasalhado devidamente, com o uniforme do time, conta a quadra, que já estava somente com iluminação pela metade. 

Se dirige até o centro da quadra e, pensativo, fica ali imóvel. Logo ruídos de passos são ouvidos. Uma jovem, usando uniforme escolar, com curtos cabelos de cor preto, se aproxima do rapaz, e diz:
- O que faz aqui, Jay? Já está bem tarde.

Mas Jason fica mudo, sem nem ao menos olhar para a jovem, que insiste:
- Você não aparenta estar contente pela vitória.
- Não tente me agradar, Reika.
- Ah finalmente acordou. Já estava ficando preocupada.
- Com o que? 
- Bem, nos já...
- Você desistiu, lembra? 
- Sim, mas... Eu nunca esqueci você.
- Você teve sua chance. 
- Então é assim? As coisas não funcionam como deveriam e você desiste de mim assim?
- Quem desistiu de tudo foi você, não eu.
- Então porque não arruma as coisas?
- Arrumar o que?
- Porque não volta pra mim?
- Reika, não entendo você. A todo instante você tenta jogar toda a responsabilidade para mim e na verdade a perdedora aqui é você. Me explique sua lógica.
- Você não quer voltar pra mim, é isso?
- Entenda bem: como posso pensar em voltar quando eu nunca quis desfazer nosso namoro? Você desistiu, eu respeitei sua escolha. Não vou dizer que aceitei sem sentir nada, mas eu não fiz nada errado. Sempre estive com você, sempre te dei o que quis. Mas quem perdeu não foi eu...
- Muito bem... Está bem... Está bem... 
- E eu sei porque está aqui. E não há nada que possa fazer para me impedir.
- Você sabe que não tem de fazer isso... Pense em todos...
- E em mim? Eu não posso pensar? Eu devo mesmo me importar com as pessoas a minha volta mais do que a mim mesmo? Não, Reika... Não estou sendo egoísta. No momento você está.
- Não diga isso!
- Digo sim. Durante todos esses anos que estive aqui todos foram praticamente uma família pra mim, mas eu preciso mesmo andar com minhas próprias pernas. Todos vocês me ajudaram de uns forma que nunca na vida poderei nem pagar a metade. Mas mesmo assim, seria egoísmo seu pedir para que fique.
- Mas.. 
- Quero ser feliz, nada mais. Quero sair de toda essa bagunça e levar minha vida tranquila. 
- Mas sua carreira como...
- Como jogador? Gosto muito de basquete mas não posso me resumir a ser somente um jogador. É um mundo de muita gente que só te abraça quando você tem talento...
- Mas você tem!
- Por quanto tempo? Nada é pra sempre. Tudo muda com o tempo... 
- Mas Jay...
- Eu não vou desistir dos meus sonhos.

Reika respira fundo, evitando a fala. Logo, olhando para o lado, diz:
- Quando eles se foram, você mudou um pouco...
- Eles nunca se foram.
- Jay... Falo sério...
- Eu também. Porque brincaria com isso? 
- Não sente falta deles?
- Como posso sentir falta de algo que nunca perdi?
- Hum... Vamos sentir..  Digo, vou sentir sua falta. Etofuro é o seu destino, não?
- Sim. Como disse, vou voltar minhas origens e construir minha vida por lá...
- E quer mesmo fazer isso tudo sozinho?
- Eu nunca estou sozinho...

Continua...


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#3
Olá pessoal

Em breve postarei a terceira parte do prólogo da fic. Abaixo os docs das outras fics.

Anuon 9999 (mil perdões pelos erros de pontuação): http://museu.furrybrasil.com.br/forum/vi...=90&t=6028

Son of Anis (incompleta): http://museu.furrybrasil.com.br/forum/vi...45&start=0


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#4
Olá pessoal.

Hoje termino a terceira parte do prólogo e na sexta irei postar o primeiro capítulo. 


Continuando...

Apartamento de Jason, 9:00 am.

Tudo já estava devidamente arrumado. Já aprontando as últimas malas, Jason recebe a visita de seu tio, que diz:
- Jason, sem querer criticar sua escolha, mas não seria mais prudente terminar o ensino médio aqui em Tokyo? Já tem amizade por aqui e...
- Não. Essa mudança vai me ajudar.
- Como assim?
- Não tenho intensão alguma de voltar, tio. Guardo um carinho muito grande por todos vocês, mas não por essa cidade.
- Jason, você não teve culpa de...
- Não me interessa falar disso outra vez.
- Eu sei, mas...
- Eu entendo sua sentimentos, tio. Mas eu realmente estou focado na minha viagem.
- Já avisou a todos em Etofuro? 
- Sim. Já conversei com minha tia. 
- E o que ela disse?
- Bem, ela não esperava com isso, mas disse que poderia ir sem problemas.
- Você sabe que Azika iria te ajudar, seja pra o que for.
- Sim. A única coisa que me vai me incomodar é a monstrinho, mas fazer o que...
- Hehe. Está faltando da Iamiko, não? Vocês brigavam muito quando crianças.
- Não vai mudar muito. Eu ainda não gosto dela. Sempre falando besteira e me irritando.
- Mas ela é sua prima. Não faça nenhuma besteira, raia rapaz.
- Vou tentar.

Ao fim da conversa, Jason aprontava a última mala. Seu tio o aguardava, esperando-o em seu carro. Depois de alguns minutos, o jovem adentra ao veículo e coloca seu sinto. Seu tio, parecendo incomodado com algo, e diz:
- Não vai se despedir?
- Bem, vou fazer isso no aeroporto.
- Não. Me referia a sua casa.
- E porque?
- Não preciso nem responder, não acha?
- Tio, já superei tudo isso. Não sou de ficar bancando o sentimental pra tudo. Estou ciente de tudo e é melhor que esse assunto acabe aqui, tudo bem?
- Tudo bem, Jason. Eu entendo.

Já no aeroporto, Jason e seu tio esperavam no saguão de embarque. Lá conversavam.
- Bem, Jason, está sabendo que assim que chegar por lá você vai precisar tomar vacinas, não? Houve um surto de doenças lá nos últimos anos. E quando chegar aí colégio, não esqueça de levar o documento de transferência. Lá também impuseram um toque de recolher as dez horas da noite para todos os jovens.
- E porque isso?
- Bem, pelo que Azika disse, houve uma onda de acontecimentos fora do comum, e geralmente aconteciam a esta hora mais ou menos. As autoridades colocaram então essa regra e somente adultos poderiam transitar pela cidade. Mas mesmo assim, pelo que sua tia disse, aconteceu certas coisas com adultos também.
- De que tipo?
- Muitas pessoas foram parar no hospital com perda de memória. E algumas, além desse detalhe, sofreram agressões. Então respeite tudo isso, está bem?
- Tudo bem. Se está acontecendo isso, nada mais justo que levar a sério.
- Exatamente.

 Eis que enfim é notificado pelo auto falante do aeroporto o vôo para Etofuro, aí qual Jason aguardava. Já na plataforma de embarque, o tio de Jason duz:
- Bem, é aqui que nos despedimos. Quero lhe desejar o melhor para você, que tenha sucesso em tudo que almejar e que tenha juízo. Esse mundo está louco. Tem muita gente que vai querer fazer coisas ruins com você, mas existirá sempre aqueles que estarão a seu lado até o fim, querendo o seu bem. Apóie-se nas reais amizades e tudo vai dar certo. Foi um orgulho cuidar de você depois da perda deles...
- Obrigado por tudo, tio. E eu nunca estou sozinho.

E enfim embarca ao avião, com destino a Etofuro.

Continua.


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#5
Olá pessoal. Podem comentar a vontade, tudo bem?



Capítulo 1 – Mudança de ares, mais uma vez.


Sul de Etofuru, 11:50 am

O vôo transcorreu sem problemas para Jason, e ao sair do avião e respirar o ar, Jason aparenta sentir alívio.
- Ah... finalmente de volta pra casa.

Caminha em direção ao saguão do aeroporto, onde a sua espera estava sua tia, Azika Hawoen,a qual segurava uma placa com seu nome. Ela, ao avistá-lo, grita de forma amistosa:
- JAY! AQUI!

Ele logo se aproxima e é recebido por um forte abraço de sua tia, que diz:
- Como é bom te ver. Como você cresceu!
- Obrigado, tia. Como você está?
- Estou muito bem. E você, como está? Como foi de viagem?
- Estou muito bem, ainda mais por ter voltado pra casa. A viagem foi rápida. Dormi o tempo todo...
- É um pouco longe mesmo. Dá tempo pra descascar bastante.
- Sim.
- Bem, vamos andando pois sua prima ficou em casa preparando o almoço.
- Ah e como vai a monstrinho?
- Ela vai bem... mas não chame ela sim!
- Eu sou sincero. Ela é monstrinho.
- Percebi que certas coisas não mudam nunca...
- Hehe.

Pois dois seguem então para o estacionamento do aeroporto, chegando ao carro da tia de Jason. Lá, já com suas malas colocadas na mala do carro, partem para a cada de Azika. 

Ao contrário da movimentada Tokyo, a pequena cidade de Yutsuka, no interior do Japão, em uma de suas ilhas, Etofuru, era cercada de muito verde. Florestas e mata densa poderiam ser vistas por todos os lados, em contraste com a estrada bem sinalizada e com pavimentação de excelente qualidade. O ar era limpo e o ambiente era calmo e ordeiro. Jason observava tudo isso, mostrando satisfação em seu rosto de enfim ter voltado a sua cidade natal.

Passados alguns minutos de viagem, logo eles chegam até a cada de sua tia. Prontamente, Jason retira sua bagagem do carro, com a ajuda de sua tia, e adentram a casa, que tinha sua fachada como as demais casas japonesas interioranas. Lá, um delicioso aroma era sentido no ambiente, evidenciando que o almoço estava pronto. Jason diz:
- Era isso que eu estava sentindo falta!

E eis que de uma das portas de correr surge uma bela jovem, com cabelos ruivos e longos, presos com uma presilha na ponta, olhos castanhos e trajando um kimono de karatê. Era Iamiko, que mostrava em seu rosto um leve sorriso amistoso. Jason, ao vê-la, fiz:
- Oi monstrinho. Você cresceu e ficou mais monstrinho ainda.

E imediatamente após a provocação de Jason, a jovem muda seu semblante para algo quase próximo a de um predador que estava prestes a atacar sua presa, e foi exatamente isso que Iamiko fez. Correndo ensandecida contra Jason, ela diz: 
- EU VOU ENCHER TANTO SUA CARA DE SOCO QUE NENHUM CIRURGIÃO PLÁSTICO VAI DAR JEITO!

E quando estava prestes a desferir um soco, logo sua mãe a interrompe e diz:
- Iamiko, pare agora!

Antes de atingir Jason ela consegue evitar o choque, e diz:
- Mãe, você ouviu do que ele me chamou? Eu deveria encher ele de porrada!
- Seu primo acabou de chegar depois de uma longa viagem e é assim que você o recebe?
- Não quero saber. Se ele veio de tão longe pra me provocar é melhor que volte então. Eu vou quebrar todos os dentes dele!
- Não, você não vai fazer nada.
- Mas mãe...
- Não vou falar de novo. E continuar já sabe. E Jason, trate sua prima como ela merece.

Jason, com um sorriso no rosto, diz:
- Então, hehe..  eu fiz isso, hehehe.

Iamiko quase explodiu depois dessa.
- OLHA AÍ! ESTÁ VENDO? ELE MERECE UMA PORR...
- JASON, TRARE BEM SUA PRIMA!
- Tudo bem. Desculpa, prima. 

Ela, já mais contida, mas longe de estar calma, diz:
- Ah vai se ferrar, seu babaca. O almoço está servido, seu peste...

Depois da conturbada boas vindas, todos se sentam a mesa e se deliciam com o almoço. Logo sua tia começa a conversar.
- Está gostando, Jason.
- Fazia tempo que não comia ajudo tão bom desde que minha mãe fazia minha comida.
- Eh... sua mãe me ensinou muito quando éramos jovens. Passei para a Iamiko seus ensinamentos.
- Pelo visto sim. A monst... digo, a Iamiko cozinha bem.

Iamiko, visivelmente envergonhada, tentava disfarçar, mostrando em seu rosto certa irritação.
- Não quero elogios, tudo bem? Só quero respeito, seu peste.

Sua tia volta a falar.
- Me diga Jason: amanhã você já começa a estudar no colégio daqui, não?
- Sim, porque?
- Eu pensei que iria terminar seus estudos em Tokyo. Na verdade o ensino por lá deve ser melhor.
- Não acho. Nada troca minha casa. Aqui é meu lugar, meu lar. E estou louco pra encontrar meu melhor amigo.
- Está falando do Hakiro?
- Sim. Eu não consegui mais falar com ele já faz 2 anos. O ruim é que ele mora longe daqui agora, não?

Iamiko, até então calada, diz:
- Eu soube que ele s sofreu um acidente.

No mesmo instante Jason se assusta é diz:
- O QUE? COMO ASSIM, IAMIKO? O QUE ACONTECEU COM ELE?
- Ei... Calma. Ele está bem agora, eu acho.
- O que aconteceu com o Hakiro? 
- Eu... eu não sei ao certo. Disseram que ele sofreu algum acidente na floresta Sakura-mashi. Ficou internado mas depois se recuperou.
- Eu preciso falar com ele...

Sua tia tenta o tranquilizar
- Jason, acalme-se. Hakiro está bem.
- Mas eu quero falar com ele, saber como está...
- Eu entendo. Se quiser pode usar nosso telefone.
- Não. Eu vou na casa dele agora.
- Hoje você não vai conseguir.
- Porque não?
- Ontem tivemos fortes chuvas na região. A ponte central foi interditada por segurança. Irão libera-las somente amanhã.
- Que droga. Bem, vou ligar para ele então. Não estou gostando dessa situação...

Logo ele vai até o telefone da casa e liga para seu amigo, sem sucesso. Depois de várias tentativas, a frustração em seguida o domina.
- Que desgraça! 

Sua tia, preocupada, duz.
- O que houve?
- Só dá sinal de ocupado. 
- Deve ter sido por causa da chuva de ontem. Muitas árvores caíram em fiações. Eles devem estar sem telefone por isso...
- Sim, eu entendo. Mas ainda assim, essa situação só me deixou ainda mais preocupado.

Iamiko toma a palavra.
- Ele deve ir para o colégio amanhã. Não sei porque está tão preocupado assim. Já avisei que ele está bem.
- Não pedi sua opinião, monst... digo, Iamiko. 
- Oh que educação a sua, hein. Ah vai pastar, seu peste!

Logo a seguir, terminado o almoço e já mais calmo, Jason se dirige então até seu quarto e, arrumando suas coisas, diz:
- Está do jeito que deixei faz oito anos. Boas lembranças...

Mas, para sua surpresa, na porta, que estava entre aberta, eis que surge a fronte de um animal. Jason no mesmo instante ser assustou pois aquela face não expressava amistosidade. Ele o fitava, imóvel, até que continua seu caminho e ignora o jovem. Jason, por sua vez, correu até a porta a fim de ver o suposto animal que o observava, sem sucesso. Ele diz:
- Mas o que era aquilo? Azika não me disse que tinha cachorro na casa.

Andando pelo corredor, ele chama pelas duas, mas sem resposta.
- IAMIKO! AZIKA! Droga ... onde elas estão... O que diabos era aquilo?

 Andando pelo corredor da casa, passou a procurá-lo, até que chegou no jardim, bem arborizado e com mata um pouco densa mas bem aparada. Já se passaram das quatro horas da tarde e nuvens carregadas já começavam a se acumular, e sons trovejantes já podiam ser ouvidos ao longe. Jason continuou a caminhar, ainda curioso por saber o que de fato o observava. O tempo passou a ficar ainda mais instável, já com uma forte ventania dominando o jardim. Jason continuava a procurar, mesmo sabendo da iminente chuva que perigava cair na cidade. Ao fim, chegou a árvore central, e ao fundo da casa, avisou entre a mata densa e tremulante aquela mesma fronte que antes o observava. O jovem então pôde ver que se tratava de fato de um cachorro, de porte grande, quase como um lobo. Já mais tranquilo, Jason diz:
- Ufa. Era mesmo um cachorro. Por um momento pensei que... ah deixa pra lá. 

Ele então retornava para casa quando, para sua surpresa, uma voz estridente e ameaçadora e ouvida, dizendo:
- Deixe essa moradia o quanto antes!

Jason imediatamente se vira e, de forma impressionante, um raio cai sobre a árvore central. Seu corpo, com o golpe à árvore, é arremessado para dentro da mata densa, caindo de costas ao chão. Quase desacordado, ele diz:
- O que houve... quem é... 

Logo a chuva começa a cair.

Continua...


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
Responder
#6
Posta mais por favor.
Estou muito curioso.


4Paredes  Tongue
Responder
#7
(05-24-2016, 11:42 AM)4Paredes Escreveu: Posta mais por favor.
Estou muito curioso.

Olá

Sexta feira, ao longo do dia, irei postar o segundo capítulo.

Obrigado por acompanhar a fic.


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#8
Olá pessoal. Desculpe a demora. Estou dia de cada, então foi mal se não formatei o texto.

La vai mais um capítulo.

Capítulo 2 – (Re)Começando no colégio.

Hospital da cidade, 10:00 pm
Já era noite. A tia de Jason e sua prima esperavam ao lado do quarto onde o jovem estava repousando. Não demora muito e Jason começa a recobrar a consciência. Ao acordar, ele diz:
- Ah... o que aconteceu?

Logo a médica que acompanhava seu estado diz:
- Calma, Jason. Está tudo bem.
- Quem é você?
- Sou a médica que cuidou de você.
- Cuidou de mim? O que houve?
- Você foi atingido pela eletrostática de um raio. É normal as pessoas sentirem formigamento e desorientação quando sofrem esse tipo de acidente. Só que o seu foi tão intenso que o fez desmaiar.
- Mas e como estou?
- Está tudo bem. Todos os exames estão com tudo sem problemas. Só foi um susto.
- E minha tia? Ela está aqui?
- Sim. Irei chamá -las.


Logo as duas entram no quarto onde Jason repousava. Sua tia, já mais tranquila, diz:
- Jason! Encontramos você desmaiado lá no jardim... Que belo susto nos deu, hein. Ainda bem que está bem...
- Eu... eu estou bem. Mas tudo foi muito estranho... apareceu um cachorro e...
- Hã? Cachorro? Do que está falando?
- Tinha um cachorro na casa e ele foi o culpado de eu estar aqui.

Iamiko, distante e visivelmente constrangida, diz:
- Eu o adotei.

Sua mãe, surpresa, diz:
- Como assim, Iamiko?
- Já faz quase um ano. Eu o encontrei ferido na floresta e cuidei dele.
- Eu te avisei que não podemos ter animais de estimação!
- Eu sei, mas eu não o trouxe pra casa. Eu o cuidava longe, no mesmo lugar onde o encontrei. Só que ele me seguiu e as vezes ele aparece no jardim. Mas eu prometo que nunca o deixei entrar em casa e ele nunca fez isso antes.

Jason, mostrando irritação, diz:
-  Tem mais coisas estranhas nessa história... Ele também sabe falar, não é?
- O que?
- Não se faça de idiota, monstrinho. Aquele cachorro sabe falar!
- JASON, VOCÊ FICOU LOUCO?
- RESPONDA A PERGUNTA!
- É CLARO QUE NÃO! COMO UM CACHORRO PODERIA FALAR?

Logo sua tia toma a palavra, já irritada com a discussão dos dois:
- Parem com isso, agora! Jason, com certeza você deve estar delirando. A médica mesmo nos avisou que muitas pessoas podem sofrer alucinações e até mesmo delírios querendo se recebe descarga elétrica como aquela.

Jason, atônito, reflete um pouco e, já se acalmando, diz:
- Sim... é verdade... me desculpe, Iamiko.
- O que? Você me pedindo desculpas? Nossa, vai acabar o mundo depois dessa...

Sua mãe logo chama sua atenção.
- Iamiko, sem deboche. Ele ainda não se recuperou totalmente.
- Tudo bem, mãe. Mas já dá pra perceber que ele não está bem.

Não demora muito e a médica entra no quarto.
- Bem, você está liberado para ir, rapaz. Todos os seus exames normais.

A sua tia logo interveio:
- Ele falou delírios ainda a pouco. Isso é normal?
- Bem, ele tomou uma pequena descarga elétrica, e teve sorte de ter sido leve, então isso é normal. É só tomar esses medicamentos preventivos e manter cautela na alimentação e sem maiores problemas.
- Tudo bem.

Jason, até então calado, diz:
- Vamos então. Não gosto de estar em hospitais...

Depois de receber alta, troca suas roupas e se encontra com sua tia e Iamiko, já o esperando no carro.

Casa de Jason, 11:30 pm
Naquela noite fria e chuvosa, Jason estava deitado em sua cama, ouvindo música. Visivelmente confuso e pensativo, refletia sobre o ocorrido:
- “Aquilo foi mesmo real ou eu realmente fiquei confuso com aquele raio? Aquela voz... era real demais... “

Não demora muito e o sono o domina, adormecendo o jovem, que possa a dormir.

A segue, assim como a chuva, que caia fraca, porém com fortes ventos e trovoadas.

No dia seguinte...
Jason, assim como Iamiko, já devidamente trajados com seus uniformes colegiais, esperam pelo coletivo que os levarão ao colégio. Ela diz:
- Vê ser não paga mico na sala, calouro.
- Calouro? Quem está no terceiro ano aqui sou eu, ok? Desculpa, tá?
- Isso não quer dizer nada. Você é novo por lá. Vão tirar com sua cara...
- Eles não me conhecem...

Colégio de Aplicação de Yutsuka – 8:00 am
Apesar de ser uma cidade interiorana, Yutsuka tinha um colégio com modernas instalações, e seu tamanho era considerável, com sete prédios interligados entre si, cada um com seu setor específico: hall central, onde ficavam as instalações do corpo docente da instituição e a entrada principal de alunos; Os Quatro Pavilhões, onde ficavam as salas de aula, assim como o grêmio estudantil e os clubes; O ginásio, este sendo a maior dos prédios; e por último a cantina.

Depois de alguns minutos de viagem, o ônibus chega ao colégio. Mas assim que Jason desce do ônibus, todos os alunos que já se encontravam no hall aguardando a entrada ser liberada, olham para o jovem. No mesmo instante, Iamiko diz:
- Tá vendo? Eles vão te comer vivo, valentão.

Jason, com um sorriso no rosto, diz:
- Que nada. Isso vai ser muito interessante.

Ele, sem fazer questão de ser discreto, diz gritando:
- FALA AÍ SEU BANDO DE VIRGENS! CHEGUEI PRA CHUTAR BUNDA DE MANÉS!

Iamiko mal conseguia caminhar tamanha seu constrangimento. A vergonha a consumos de tal forma que tentava acelerar o passo, sendo impedido por Jason, que diz:
- E muito prazer. Me chamo Jason Hawoen e é um prazer conhecer todos vocês.

Todos os alunos somente o observava, onde algumas garotas cochichavam sobre o jovem ao fundo do pátio, e alguns garotos o olhavam com indiferença. A primeira impressão era de uma guerra de egos, e Jason já havia mostrado seu cartão de visitas. A todos que o fitavam, ele simplesmente dizia:
- Bom dia pra você também, “péla”.

Iamiko, já recuperada, diz:
- Seu maluco! Teste de se portar bem.
- Relaxa. Se alguém tentar te azucrinar fala comigo.
- Ninguém aqui faz essas coisas comigo. Não dou confiança e as pessoas me respeitam. E os meninos me temem.
- E porque?
- Continue a me chamar de monstrinho e saberá.
- Bem, onde ficaa sala 11B?
- O terceiro ano fica no quarto andar. Lá você acha a sala.
- Obrigado, priminha.
- Não começa...

Jason então segue até o andar indicado por sua prima. Ao chegar ao lugar certo, o jovem enfim encontra a sala. Mas à porta estava um garoto, o olhando. O mesmo diz:
- Você se chama Jason , não?
- Sim. Como sabe?
- O colégio todo sabe seu nome. Curte ser o falador, não é?

Jason, depois das palavras do garoto, simplesmente o ignora e adentra a sala. O garoto, surpreso,o acompanha, indo até sua mesa. O professor, ao ver Jason, diz:
- Olá. É o aluno transferido, não?
- Sim. Pediram para lhe entregar esse papel.
- Ah sim. O requerimento. Bom, eu me chamo professor Rayabusa. Prazer.

E se virando pista a turma, o professor diz:
- Bom dia a todos. Este é Jason Hawoen. Ele é um aluno transferido de Tokyo e vai curar conosco. Por favor o saúdem.

Os alunos seguem o protocolo e o reverenciam. Logo Jason é convidado a ser sentar em uma das mesas. Logo se acomoda em uma próxima a janela, onde havia uma bela vista do pátio, este com muitas árvores e bancos como de uma praça.

A aula transcorre tranquilamente.

Intervalo, 11:45 am
Jason deixa a sala, sozinho. Apressadamente segue em direção ao pátio principal, onde, ao crur o corredor que dá acesso ao local de destino, é impedido pelo mesmo garoto que havia conversado antes. Ele, mostrando descontentamento, diz:
- O que quer, mané? Um autógrafo?
- Hehe... não. Eu só quero conversar mesmo. A proposito, me chamo Tetsuo Kazumaru, mas pode me chamar de Kazu somente.
- Você poderia me dar licença? Eu estou mesmo com pressa.
- Oh me desculpe. Mas posso ajudar em algo?
- Já que perguntou, conhece alguém chamado Koji Hakiro?
- Sim, conheço.

Jason, surpreso, volta suas atenções ao rapaz, e diz:
- Por favor onde o encontro?
- Bem, ele está no segundo ano, mas já deve estar na cantina. Vamos, te levo lá. Aproveito e como alguma coisa.
- Muito bem, me leve até lá.

Não demora muito e chegam a cantina, que já estava cheia de alunos. Jason e Kazu logo passam a procurar pelo amigo de Jason. Kazu diz:
- Bem, ele costuma ficar naquela parte. Aquela ao lado do guichê. Espere, olha ele lá sentado.
- Sim. Obrigado. Finamente.

Jason logo se dirige as pressas até onde seu amigo estava, desviando dos outros alunos que ali estavam e ao se aproximar de seu amigo, seu olhar era de estranheza. Imóvel e quase surtando, diz:
- Hakiro, é você?

O jovem estava sentado à uma cadeira de rodas. Passa a olhar Jason e diz:
- Oi, você me conhece?
- Claro que sim. Sou eu, Jason. Eu voltei de Tokyo ontem. Tentei contato com você mas por causa da chuva não consegui. Mas Hakiro,o que aconteceu com você?
- Desculpe mas não me lembro de você. Mas verdade, eu não me lembro de muita coisa...
- Mas Hakiro, somos amigos desde criança. Como assim não ser lembra de mim?

Kazu, encontrando Jason depois de pegar um sanduíche, se aproxima dos dois é iz:
- Ah conseguiu encontrá-lo. E aí, Hakiro. Tudo bem?
- Tudo, Kazu... seu nome é Kazu, não?
- Sim, sou.
Jason mal conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ele, ainda confuso e transtornado com a situação, diz:
- Hakiro, o que aconteceu?
- O que?
- Com você. Me diga... Iamiko me disse que você sofreu um acidente e...
- Iamiko? Ela é a garota carateca, não? Eu gosto dela.
- Hakiro, está me ouvindo bem? Eu perguntei sobre você.
- Eu não sei. Não sei mesmo.
- E o acidente?

Hakiro, visivelmente alterado, começava a movimentar seu dorso para um lado para outro, dizendo:
- Eu não sei... eu não sei... eu não sei...
- Hakiro! O que...

Logo Kazu intervém, puxando Jason para longe de Hakiro, dizendo:
- Cara, qual é a sua? Tá louco? Deixa o Hakiro em paz!
- Eu não consigo aceitar essa situação.
- Qual?
- Hakiro sempre me ligava, sempre se preocupou comigo. Até mesmo quando eles... até quando passei por situações ruins ele sempre me ajudava e me consolava. Eu simplesmente não aceito isso. Ele sempre me vencia na corrida, na natação, e até mesmo no basquete. Tive que treinar muito para um dia o vencer.
- Ah então é isso.
- Queria ao menos saber o que aconteceu...

Kazu, mudando seu semblante, este mais sério, diz;
- Ele sofreu mesmo um acidente.
- Você sabe o que houve?
- Mais ou menos
- Me diga, por favor!
- Não sei muito mas... soube que ele estava transitando pela floresta da cidade numa noite dessas e o encontraram caído quase morto. No fim, ficou no hospital por um tempo e quando voltou dizem que ele não era mais o mesmo...

Jason estava ainda mais atônito depois das palavras de Kazu. Seu olhar estava perdido, procuração explicação para o ocorrido, mas em vão. A situação que seu amigo de infância estava era até então um fato que o incomodava e muito. Kazu comia seu sanduíche enquanto tentava tranquilizar Jason, dizendo:
- Cara, seu amigo pode estar nesse estado mas ele hoje está bem.
- Não, ele não está bem...
- Só que é necessário alguns cuidados. Eu te livrei de uma, sabia?
- Como assim? Do ique está faltando?
- Todos nos fomos alertados pela direção da escola sobre se portar com o Hakiro. E uma dessas coisas é não lhe fazer perguntas que ele não sabe responder. Tirando isso, esse vai ficar bem. Então, eu te peço que não o incomode com perguntas como as que estava fazendo. Tudo bem?
- Eu... eu entendo mas... Hakiro... Cara, isso é muito tenso...
- Bem, quer mudar de assunto ?
- Serio, Kazu... eu realmente não quero conversar agora...
- Mas...
- Por favor. Eu te agradeço por ter me ajudado. Prometo conversas com você, mas hoje não.
- Eu entendo.

E quando Jason se vira para voltar para o pátio do colégio, não consegue evitar o choque contra uma estudante. Ele acidentalmente esbarra seu braço na bandeja da jovem, sujando seu uniforme e seu broche, que tinha a forma de uma borboleta. Ele, visivelmente atabalhoado, tenta ser desculpar.
- Olha, me desculpe. Eu...

E do nada Jason parecia paralisado. Era como estivesse o tempo parado ao seu redor, assim como seu corpo. Ele, pensativo, fiz:
-“Mas o que é isso? Me sinto estranho, como se estivesse sendo enforcado. Eu não consigo respirar direto. O que é essa sensação? Eu... eu estou quase desmaiando... essa pressão em meu peito... o que é isso?”

O tempo para Jason ativa-se novamente, com os estudantes olhando para o que havia ocorrido. A jovem estava a sua frente, o olhando nos olhos. Ela tinha cabelos curtos de cor azul, com olhos de cor vermelha e pele levemente pálida. Ela, com uma voz suave, diz:
- Hoje você vai morrer, humano.

Continua.


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#9
E agora?
O q vai acontecer com ele e com o amigo cadeirante?

Confira mais no próximo episódio
XD

Cara sua história é muito boa, to muito viciado, esperando ansiosamente o próximo capitulo.


4Paredes  Tongue
Responder
#10
Olá pessoal. Mais um capítulo. E desculpem a demora. Dia corrido.

Mil perdões pela postagem sem formatação. Parei do celular as pressas.

Capítulo 3 – Injúria 

Jason, ao ouvir as palavras da bela jovem, se surpreende. Ela, fitando-o nos olhos, parecia mesmo querer cometer tal ato. Ligeiramente, Kazu, até então acompanhando o ocorrido, se coloca entre os dois, colocando suas mãos aos pontos da garota, dizendo:
- Calma, Shizuka. Foi somente um acidente.

Ela, ainda mostrando a mesma calma em seu rosto mas mantendo suas intenções, diz:
- Isso pouco importa. Eu vou matá-lo...
- Não, calma. Não fale essas coisas.
- Saia da frente, Kazu.

Mas foi somente Kazu dar um passo para o lado que Shizuka logo muda seu olhar e semblante, se surpreendo com o que acabara de acontecer a sua frente. Jason estava de joelhos, de cabeça abaixada frente a jovem. Ele diz:
- Me perdoe por tê-la sujado. Não era minha intenção.

Ela, já percebendo que todos no salão os estavam observando, diz:
- Vocês humanos não sabem a dádiva que receberam. Muito bem, aceito suas desculpas...

Ela então deixa o lugar, ignorando totalmente a sujeira em sua roupa, seguindo para a saída. Kazu, visivelmente impressionado, diz:
- Você realmente é imprevisível. Meus parabéns. Sério mesmo.
- Garotas como ela gostam disso. Eu entendi isso nas palavras dela.
- Não... sério, falando bem sério, você se livrou de um baita problema.
- Porque diz isso? E porque ela me chamou como “humano”? Por acaso ela é uma daquelas extremistas protetoras dos animais?
- Jason, recomendo que esqueça tudo isso.
- Mas porq... Ah deixa pra lá... mas isso é no mínimo estranho...
- Somente esqueça. Vamos, o último turno de aula vai começar.

Logo os dois colegas regressam para sua sala de aula. Kazu, antes mais espirituoso, pensava, enquanto caminhava até sua mesa.
- “Só espero que ela não conte para... não, é melhor nem pensar nisso. Ele se saiu bem lá no refeitório, mas foi por pouco...”

Horas depois
Colégio de aplicação, 6:00 pm
Já havia terminado mais um dia de aula. Kazu e Jason caminhavam pelos corredores conversando. Kazu diz:
- E aí, gostou do seu primeiro dia?
- Na verdade não.
- E porque?
- Não aceito o fato do Hakiro estar nessa situação.
- Olha, eu entendo perfeitamente os seus motivos mas ele está bem. Claro, dentro de suas limitações, mas mesmo assim o que aconteceu já foi. Todos ficaram sentidos com isso, acredite.
- Eu havia feito uma promessa... Nós iríamos jogar uma partida única valendo a supremacia no basquete... e não poderei cumprir...

Já em frente ao colégio, Jason se despede de Kazu, que diz:
- Valeu, cara. Amanhã nós falamos. E desencana, tudo bem? Está tudo bem.

Logo depois de Kazu se despedir, Iamiko aparece, se aproximando de seu primo. Ela diz:
- E aí, mandachuva. Conseguiu sobreviver.
- Iamiko, você sabia, não é?
- Sabia de que?
- Que Hakiro está usando cadeira de rodas e com problemas. Porque você não me disse antes?
- Ora, seja lá como estivesse, ele não deixaria de ser seu amigo, não? Falou com ele?
- Falei com ele sim. Ele não se lembra de mim.
- O que? Como assim?
- Tentei conversar com ele mas... sabe, vamos pra casa? Não quero mesmo falar sobre isso...
- Mas ele é seu melhor amigo. Como é que...
- Eu sei... mas sério, não quero mesmo falar sobre isso agora. Um dia desses eu vou na casa dele pra conversar com os pais deles. Sei lá, posso ajudar em algo...
- Tudo bem. Você quem sabe...

Ao término da conversa, os dois tomam um ônibus a fim de voltarem para casa.

A noite segue tranquila, onde o céu mais uma vez encontrava-se nublado mas sem perspectiva de chuva, apesar da baixa temperatura. Jason e Iamiko conversavam quando o ônibus para, surpreendendo a todos dentro do coletivo. O motorista, visivelmente irritado, diz:
- Atenção a todos. Infelizmente não poderei seguir com esse ônibus. Já chamei via rádio para que venha outro. Por favor aguardem decreto do ônibus pois em breve virá outro para pegar a todos.

Jason não perde tempo e diz:
- Iamiko, estamos perto de casa. Vamos andando.
- Mas seu maluco, tem pelo menos uns sessenta metros pra chegar.
- Você vai morrer então, não? Depois não quer que te chame de monstrinho...
- Eu vou é quebrar a sua cara feia se continuar, ok?

Os dois desembarcam do ônibus e seguem a pé. A distância realmente não era muita, mas aquela parte da cidade já era mais escura e quase desabitada aí longo da estrada. Uma mata densa ilustrava o ambiente quase inóspito.

Jason e Iamiko continuavam seu caminho até a jovem dizer:
- E essa sua ideia de fazer isso... Não sei onde eu estava com a cabeça por lhe dar ouvidos...
- Está com medo?
- Eu não. Mas estou com frio...

Porém a conversa é interrompida por Jason que, ao avistar algo, diz:
- Olhe... o que é aquilo alí na água?

A região onde se encontrava a cidade era semi costeira, onde uma parte do continente era banhada pelo oceano asiático, e era próximo a uma praia onde Jason avistou algo. Ele imediatamente corre até o local, com Iamiko o acompanhando, de longe.

O objeto se tratava de uma espécie de cápsula de metal, e uma tampa de vidro, aparentemente lacrada, apesar da cápsula estar amassada. Jason, preocupado, diz:
- Mas o que é isso? E como chegou até aqui?

Iamiko diz:
- Jason, melhor não mexer nisso. Sabe-se lá de onde veio...

Jason, ao utilizar a lanterna de seu celular logo percebe que há algo dentro da cápsula. Surpreso, ele diz:
- Iamiko, tem algo são dentro...
-O que? Mas como?
- É... É um gato... eu acho.
- UM GATO?
- Sim. Me ajude a abrir isso.

Após incessantes tentativas, finalmente conseguem abrí-la. Era de fato um felino com pelugem cinza, porém Jason percebeu que o felino não estava acordado, e nem mesmo depois de apalpá-lo o mesmo não acordou. O jovem, percebendo algo errado, diz:
- Iamiko, ele não está acordando. Não estou gostando disso. Rápido... sabe onde tem algum veterinário por aqui?
- Eu... eu...
- Rápido, Iamiko! Pense!
- Calma... espera. Eu sei onde. A nossa vizinha está fazendo faculdade de medicina veterinária. Ela deve ajudar.
- Rápido, vamos até lá.

As pressas, Iamiko guia Jason, que levava em seus braços o felino, este ainda desacordado. Por alguns metros mais, eles finalmente chegam até a casa da moça, e Iamiko logo trata de chamá-la. Assim que os avista, a mulher diz:
- Iamiko, o que ouve?
- Achamos esse gato lá perto da margem. Ele não está acordando.
- Hã? Rápido, tragam-lo para dentro.

Jason o coloca sobre a mesa da sala da mulher, que apressadamente pega seu estetoscópio e seus utensílios clínicos. Examina o felino, levando o instrumento para sobre seu dorso. Ela, ao ouvir, se desespera e diz:
- Ele está com pulsação fraca. Rápido, me dêem a maleta, está ao lado da estante.

Ela rapidamente pega uma seringa e uma ampola, a fim de ajudar o felino. Ela o aplica e em seguida volta a ouvir seu dorso.
- Hum... acho que funcionou.

Jason, preocupado, diz:
- O que houve, e o que você deu a ele?
- Adrenalina, mas...
- Mas o que?
- A dose que eu apliquei normalmente faria qualquer felino desse porte ficar de pé. Mas eu somente percebi que ao menos seus batimentos estão próximos dois normais...
- Então aplica outra.
- Não funciona dessa forma. Se eu aplicar outra vez ele pode sofrer uma overdose. Hum... muito estranho...

Apesar da aparente melhora do felino por parte da mulher, ela toma o gato em seus braços e o leva até um pequeno cerco, improvisando um leito. Ela, tomando todos os cuidados, duz:
- Eu no momento não poderei fazer muito. Por hoje, é melhor que o deixe aqui repousando... Mas vou ser sincera com vocês dois: eu não sei mesmo se poderei de fato ajudar. Não temos nenhum hospital de animais aqui na cidade e mais de duas horas nos separam da cidade próxima daqui que teria mais estrutura. Bem, vou ficar de olho nele está noite.

Jason, olhando para Iamiko, percebeu que as coisas não estavam boas e se reservou.
- Tudo bem... eu entendo. E muito obrigado.

Logo os dois deixam a casa e seguem para a moradia deles, que ficava a dois quarteirões de onde estavam.

Casa de Jason, 11:00 pm

Jason estava em seu quarto, lendo um dos livros do colégio. Por um momento, ele interrompeu sua leitura, refletindo um pouco sobre seu dia conturbado no colégio.
-" Tss... Hakiro... aquela garota... esse gato... e... aquele cachorro... As coisas estão um pouco estranhas aqui desde a última vez que morei nessa cidade... Eu adoro este lugar... passei por bons momentos com eles aqui... Mas, muita coisa mudou aqui..."

Jason fecha seu livro e se prepara para dormir. Porém, ao se virar para ajustar o abajur de seu quarto, todas as luzes da casa se apagam e, para surpresa de Jason, um vulto salta da janela para o ponto mais escuro de seu quarto. O jovem, surpreendido com o fatol, levanta-se da cama, já em estado defensivo, e diz:
- Eu sei que há alguém aí... apareça!
E eis que das sombras surge aquele suposto cachorro que Jason havia visto naquela noite chuvosa. O jovem, ainda mais surpreso, diz:
- Ah então é você outra vez. O que quer comigo?

O cachorro lentamente começava a caminhar para encontro a Jason, que diz:
- O que quer comigo? Quer um osso o u coisa do tipo?

E, parando em frente ao jovem, o cachorro diz, com aquela mesma voz estridente e ameaçadora:
- Eu estou aqui para por um fim em sua petulância. Você fede a problemas.

Jason parecia não acreditar no que estava acontecendo. O canino de fato estava falando com ele, que continuava a falar:
- Aquela humana é a única coisa que me resta nessa vida. Nenhum ser enquanto eu viver irá ferí-la, tampouco desrespeitá-la.

Logo vários raios conheçam a ser expelidos pelo canino, se chocando contra as paredes do quarto de Jason. O canino, ainda mais ameaçador, diz:
- Lhe permitirei lutar por sua vida. Le dou uma pequena vantagem para fugir. Corra, fuga... tente se for capaz.

Jason estava confuso. Na verdade não conseguia raciocinar de forma devida. Continuava a fitar o canino, e nem mesmo frente ao iminente embate, prostrou-se a encará-lo, olhando-o nos olhos. Jason estava mostrando-se determinado a continuar alí, e diz:
- Eu não sei o que está acontecendo, mas eu nunca fugi dos meus problemas. Se pensa que irei fugir está muito enganado.
- Quer dizer que vai mesmo me encarar? Não me faça rir, humano...
- DANE-SE!

E Jason corre em direção ao canino.

Continua...


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
Responder
#11
Olá, pessoal.

Entrei pra avisar que estou com um pouco atarefado aqui e talvez até segunda feira irei postar um novo capítulo. Peço desculpas pelo atraso.

Aproveitando, eu gostaria de saber se estão gostando da fic. Quero poder agradar a todos, então todo coment é importante.

Valeu. Até.


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
Responder
#12
Esta muito bom. Deveriamos construir uma comunidade furry, como um condomínio onde pudéssemos andar de fantasias e ninguém nos olharia feio. Estes humanos nao sabem o quanto somos fortes de espirito, pois eles seguem uma regra apenas que é cada um por sí.
Responder
#13
(06-13-2016, 01:06 PM)raposa de fogo Escreveu: Esta muito bom. Deveriamos construir uma comunidade furry, como um condomínio onde pudéssemos andar de fantasias e ninguém nos olharia feio. Estes humanos nao sabem o quanto somos fortes de espirito, pois eles seguem uma regra apenas que é cada um por sí.

Concordo em parte


4Paredes  Tongue
Responder
#14
Olá pessoal, boa noite.

Peço mil desculpas por ter dado uma sumida. Estou reorganizando meu tcc da faculdade, então fiquei mesmo sem tempo para postar mais capítulos. Mas eu não irei abandonar a história. Peço por favor que aguardem que em breve postarei mais um cap.

Obrigado pela atenção.


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#15
Pronto, galera. O hiato acabou.

Espero que gostem do cap.

Capítulo 4 - Prazer em conhecer... ou não?
Jason estava mesmo disposto a golpear o canino, que nada fazia a não ser observar seu movimento ofensivo. Ele, então, indaga:
- Muito bom... Você não teme a morte... Mas ela virá... mão agora, mas... Em breve...
E um imenso clarão emana do canino, iluminando todo o quarto, cegando totalmente Jason que, surpreso, protege seus olhos:
- Mas o que está acontecendo? Ahhh...

E de forma inesperada, Jason acorda em sua cama, com um grito:
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Imediatamente sua tia e prima aparecem em seu quarto, todas assustadas. Iamiko diz:
- Tá maluco, seu demente? O que houve?

Jason olhava atônito para as duas, tentando raciocinar o que de fato havia ocorrido.
- "Então... foi um pesadelo... ou não. Se eu insistir que não foi um pesadelo na certa vão falar que estou com algum problema é vai se preocupar e fatalmente terei de voltar ao hospital... Bem, então vamos...". Eh... Bem... tive um pesadelo horrível. Pensei que meu quarto estava sendo atacado por raios e tal... Mas agora estou bem, não se preocupem. E desculpem por isso.

Sua tia, já mais aliviada, diz:
- Ufa. Ainda bem. As vezes acontece mesmo...
- Mas mãe, esse demente tá agindo estranho. Melhor levar ele ao médico.
- Calma, Iamiko. Esse tipo de coisa costuma acontecer. Jason está se adaptando ainda...

Com Jason sentado a cama, as duas deixam seu quarto. O jovem, reflexivo, pensa:
- "Fato... Aquilo não foi um pesadelo..."

Colégio de Aplicação de Yutsuka – 12:00 am
Durante o intervalo, Jason caminhava em direção ao ginásio. Estava ocorrendo um jogo amistoso entre as equipes de basquete de Yutsuka contra a equipe de uma cidade vizinha. Logo o jovem encontra Kazu, que estava sentado em uma das cadeiras da arquibancada ginásio. Ele se aproxima e se senta ao lado do rapaz.
- Olá Kazu.
- E aí, tudo bem?
- Mais ou menos...
- O que houve?
- Kazu, a quanto tempo você muda seu na cidade?
- Hum... Fazem uns três anos, porque?
- Tenho alguns perguntas a fazer...
- E seriam?
- Soube que aconteceu certas coisas na floresta. O que sabe sobre?
- Bem, dizem que houve um tipo de virose por lá... mas faz tempo.
- Isso tem a ver com.o que aconteceu a Hakiro?
- Não... bem, soube somente que ele sofreu um acidente. Ele estava machucado quando o encontraram. 
- Então ele lutou...
- Hã? Como disse?
- Esqueça. Ele foi feito por algum tipo específico de dano?
- Hã? Como assim?
- Algum ferimento gerado por raios, luz, sei lá...
- Não sei de nada disso, mas porque você está me perguntando isso?
- Por nada... Estou somente investigando.
- Investigando o que?
- Desconfio que Hakiro foi atacado por alguém... ou alguma coisa.
- O que? Mas... como assim? E porque pensa isso? Já investigaram até, não houve nada disso. Pelo que soube, a polícia investigou por mais de um mês.
- Podem estar errados... 
- Manera nisso, Jason. Seu amigo está bem. 
- Eu não aceito a condução dele. Ele merecia mais, muito mais nessa vida. Eu vou investigar até onde conseguir... 
- Bem, mudando de assunto... Lembra da Haruka?
- Quem?
- Aquela garota que você esbarrou na cant...
- Ah sim. Sei. O que tem?
- O irmão dela ficou sabendo o que aconteceu.
- E daí?

Kazu, mudando completamente seu semblante, diz:
- Fique longe dele.
- Porque?
- Problemas... 
- Aí você acha que eu sou de fugir de problemas... Não me conhece direito, Kazu.
- Falo sério. Não se meta com ele. Peça novamente desculpas e o esqueça.
- E porque eu deveria pedir desculpas novamente? Eu me desculpei com a irmã dele, então já fiz minha parte.
- Você não o conhece...
- Tô pouco me importando com isso. Nem conheço o mané e já acho ele um "péla saco"...

E surpreendendo Kazu, duas mãos aparecem sobre os ombros de Jason, Que fica sem ação. Jason se vira rapidamente a fim de olhar quem era. Com um sorriso suspeito no rosto, era um jovem com cabelo longos de cor azul, com olhos da mesma cor e com estatura alta, trajando o uniforme escolar como os demais. Jason logo retira as mãos do traseiras do seu ombro e diz:
- Tu deve estar me estranhando, né cara? Não pertenso a essa turma, tá sabendo? Nada contra, mas comigo você não vai conseguir nada.

O rapaz, ainda com as mãos suspensas, diz:
- Então você é o Jason. Esperava alguém mais educado.
- Vá a m*rda com isso! Tu vir sim do nada é ser educado? E como me conhece?

Kazu ainda estava atônito, fora de si. Observava a conversa dos dois daquela mesma forma. O rapaz de cabelos azuis diz:
- Muito bem Kazu... Diga a ele quem eu sou... E eu sei que você quer fazer isso.

Jason, ficando ainda mais irritado, diz:
- Deixa o Kazu fora disso. O lance aqui é entre eu e você!

Kazu, com o semblante mais baixo, segura no braço de Jason e diz:
- Jason, ele é Kuon. Ele... é o irmão... de Haruka... E pare de agir assim...
- Ah então esse é aquele que você disse que era problema, é?

Kuon, olhando para Kazu, diz:
- Kazu e sua mania de querer ajudar a todos. Pelo visto Jason não vai te dar ouvidos... Infelizmente.

Jason estava ainda mais irritado. Era possível ver isso em seus olhos.
- Qual é a sua, cara? Já estou de saco cheio desse seu jeito de falar, sabia?
- Prazer em conhecê-lo. Me chamo Kuon Haruka.
- Mas pode ter certeza que eu não posso dizer o mesmo. 

Kazu, mostrando estar irritado com as palavras de Jason, diz:
- JASON, PARE DE AGIR ASSIM!
Kuon, mostrando a mesma calma de antes, diz:
- Quer que eu conte como seu amigo ficou daquela forma?
- Hã? Você sabe?
- Sei sim...
- Muito bem... Tem minha atenção agora. Fale.
- Ele não passava de um curioso que não soube ser segurar. Nossa avisamos para que não entrasse naquela floresta, mas ele sempre foi cabeça dura...

Jason, ao ouvir as palavras de Kuon, estava quase explodindo de tanta raiva que sentia. Ele iria partir para cima de Kuon, mas Kazu o impede e o segura. Jason diz:
- Kazu, me largue. Eu vou esfolar esse desgraçado!
- Pare com isso, Jason. Não faça nada que vá se arrepender depois.
- Ele que vai se arrepender por ter falado assim do Hakiro!

Kuon continuava dizendo:
- Seu amigo foi o principal culpado. Nós avisamos... Ele foi naquela floresta sozinho e... simplesmente surtou. Ficou batendo a cabeça contra uma árvore e depois se jogou em um buraco. 

Jason estava transtornado. Kazu mal conseguia segurá-lo:
- Jason, controle-se! Todos estão olhando pra nós!
- MENTIRA! HAKIRO NUNCA FARIA ISSO! ALGUMA COISA ACONTECEU ALÉM DISSO!

Kuon termina seu relato:
- Eu estava lá. Eu vi seu amigo surtar, do nada. A polícia investigou. Seu amigo foi mais uma vítima da Virose Maldita. Aquela área estava isolada de noite e ele a invadiu, mesmo sabendo disso. Seu amigo foi imprudente, e pagou caro por isso. Aceite esse fato.

Jason, refletindo com o pouco de consciência que tinha no momento, pergunta a Kazu:
- É verdade, Kazu?
- Sim... Queria poupá-lo disso.
- Deveria ter me contado...
- Isso não importa mais. Mas mesmo assim peço desculpas...

Kazu, percebendo que Jason estava mais calmo, o solta. Kuon, se aproximando do rapaz, diz:
- Sinto muito pelo seu amigo.
- Eu não quero falar com você...
- Mas eu quero... Eu ainda não terminei.
- Não me importo.
- Não se importa... Hum... Sua educação é um exemplo, sabia?
- Vá a m*rda!

Kuon se aproxima lentamente de Jason e, fitando-o nos olhos, diz, com uma voz ameaçadora:
- Seu comportamento não poderia ser mais insuportável... Mas irei relevar pela minha irmã. Ela me disse o que você fez... E eu vim agradecê-lo pelo que fez... Mas você é um problema... 

Jason sentia-se como daquela última vez com a irmã de Kuon.
- "Essa sensação outra vez... Ele está falando sério... Eu... Eu não sei o que dizer... Eu não... Essa sensação... Me incomoda..."

Kuon continuava, já com um semblante ainda mais ameaçador que sua voz:
- Fique longe dela. Caso desobedeça, você vai lamentar muito com o que vai acontecer com você, humano...

Continua


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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