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The Last A': O Último Anis
#16
Olá, pessoal.

Muito obrigado por estarem acompanhando a fic. Até me impressionei pois já faz quase um mês que não posto nada (problemas com TCC aqui) e os views continuam aumentando. 

Estão mesmo curtindo a fic? Fiquem a vontade para se expressarem.



Capítulo 5 - Atrito

Pátio do colégio, 12:45

- SEU IRRESPONSÁVEL! PORQUE FOI AGIR ASSIM COM ELE?


Disse Kazu, mostrando bastante irritação. Ele acaba de um lado para o outro, puxando ar, quase

como se estivesse desesperado. Jason, sem entender, diz:

- Porque está gritando comigo?

- Porque? Você ainda me pergunta porque? Você acabou de destratar o Kuon.

- Mereço uma medalha ou coisa assim?

- ESTOU FALANDO SÉRIO, JASON!

- Vai continuar gritando?

Kazu realmente mostrava preocupação com algo, detalhe que Jason percebeu no mesmo instante.

- O que o preocupa, Kazu? Só coloquei aquele "péla" no lugar dele...

- Esse é o problema.

- Qual?

- Você não o conhece...

- Nem ele a mim. Estamos quites.

- PORQUE VOCÊ ACHA QUE TUDO ISSO É UMA BRINCADEIRA DAQUELAS QUE TINHA NA

CAPITAL? AQUI NÃO É TOKYO!

- Sério, melhor parar de gritar comigo, tudo bem? Já está me irritando...

Kazu, num momento de reflexão, tons ativa mais ar e se senta em um dos bancos do pátio. Já um

pouco mais calmo e sendo observado por Jason, diz:

- Senta... Vou te explicar algumas coisas...

- Finalmente voltou a ser racional.

- Não... Não... Escuta... Não explodi a toa... Eu realmente estou preocupado com você.

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- Olha, muitas coisas estranhas vem acontecendo comigo desde que voltei pra cá. Essa de você

explodir assim do nada foi a última. Uma explicação seria muito bom.

- Jason, Kuon é o líder da escola.

- Então tem dessas frescuras aqui?

- Não é frescura. Ele sim tem um certo poder sobre os alunos, e até mesmo em alguns docentes.

- E daí? Culpa são das idéias que sugerem influência do mané...

Jason, por um breve momento, se surpreendeu ao olhar para Kazu. Seu semblante estava mais

sério que de costume.

- Hakiro pensava do mesmo jeito. Bem, seu amigo e Kuon tinham atritos um com o outro por esse

mesmo problema. Hakiro liderava nosso time de basquete, que é nosso orgulho no colégio. E

Kuon... Bem... Ele também era do time.

- Então eles jogavam no mesmo time.

- Sim mas... Kuon sempre foi de ter orgulho, de ser sempre o líder em tudo que se engajava a

fazer. Ele não aceitava em terem Hakiro como o líder do time. Seu amigo jogava muito... Mais que

Kuon, que também é um monstro na quadra.

- Natural do meu brother.

E olhando Jason nos olhos, Kazu diz:

- Jason... Kuon o fez sair do time.

- O que? Como assim?

- Como disse, a influência de Kuon é grande sobre os alunos. Ele criou um "anti-hype" contra seu

amigo e... Hakiro não suportou a pressão de praticamente toda o colégio.

- Miserável... Filho da...

- Mas seu amigo não aceitou isso. Mas verdade ele lutou... Em um jogo antes de ser sacado do

time ele fez milagres, coisa que nunca havíamos visto. Ele jogou como um profissional. Estava um

nível muito acima. Todo o colégio o ovacionou, e Kuon somente observava... Bem, no dia seguinte

veio a notícia e seu amigo passou a ser uma peça fora. Ele surtou, não aceitou essa condição,

golpeou Kuon no rosto querendo o mesmo tentou dialogar com ele... E seu amigo correu para a

floresta... Já era tarde da noite e... O resto Kuon já te explicou.



Jason estava perplexo. Era visível que não conseguia acreditar o que havia acontecido. E no

mesmo instante, ele diz:

- Sério, eu conheço esse cara a uma hora e já o odeio.

- Jason, eu entendo bem como se sente, mas as coisas são assim aqui. Simplesmente o esqueça.

- Kazu... Antes foi a Haruka, agora Kuon... Porque eles me chamaram de "humano"?

- Bem, é... Kuon e sua irmã se acham superiores aos outros... Eles vivem dizendo isso...

- Hum... Bem, acho que terei de dar mais dor de cabeça a eles. Kuon está na quadra, não?

- Sim, mas porq...

Jason nem espera que Kazu complete mais uma palavra e segue em direção ao ginásio. Kazu,

sem entender, perguntava o que ele iria fazer, mas o jovem somente ignorava as súplicas de Kazu.

Já no ginásio, era possível ver Kuon junto aos outros integrantes do time, conversando sobre

treinamentos. Jason entra na quadra e o interrompe, dizendo:

- E aí, vacilão? Vim pra fazer parte do time.

Kuon, mostrando descontentamento com a atitude de Jason, diz:

- Sinto informar que não tenho intenção de incluí-lo ao time.

- E porquê? Algo contra mim?

- Temos a equipe definida já. Sinto muito. Poderia se retirar?

- Ah sim... Claro... agora vai tentar me expulsar daqui, sei... Então vou fazer uma outra proposta.

- A que se refere?

- Daqui a algumas semanas teremos o torneio poliesportivo de Etofuru, não é?

- Exato. E nosso colégio será o campeão.

- Concordo, mané. Mas você não vai levantar o troféu de campeão.

- E porque diz isso? Vai torcer contra o próprio colégio?

- De forma alguma. Aliás, eu que irei.



Kuon junto com todo seu time começaram a rir de Jason, e diz:

- Hahaha... Definitivamente você é uma pessoa muito interessante. E como irá fazer isso, já que

não fará parte do time?


Jasonn, cruzando os braços, diz:

- Irei criar um time. Iremos competir também.

- Como é? Você perdeu mesmo a noção do ridículo...

- Não... O colégio pode ter dois times. Eu conheço bem as regras dessa competição, e creio que

você também saiba, não é líder?


Kuon ficou mudo por alguns instantes, ainda ouvindo de Jason:

- Eu irei falar com o diretor sobre o segundo time agora. Não há nada que impeça isso. Então

melhor tratar de treinar bastante, péla saco. Porque eu vou passar por sobre você com tudo, sem

pena. E você deve saber que se dois times da mesma escola participarem, um cai nas semifinais...


Jason lhe dá as costas, sendo seguido por Kazu, que estava confuso com tudo que estava

acontecendo. E lá ficou Kuon, imóvel, olhando para Jason enquanto o jovem deixava a quadra. Seu olhar dava a entender que não estava satisfeito, talvez até incomodado com a possível situação.


Já no lado de fora, Jason sorria, com Kazu falando:

- Você ficou louco? Será que nada que eu te disse o fez mudar de ideia?

- Hehe... Você viu só a cara dele?

- Jason, é imprudente da sua parte fazer isso.

- Vou fazer isso pelo Hakiro. Esse mané do Kuon vai se f*der comigo.

- Não faça nada. Siga com sua vida! Não vale a pena fazer isso.

- Relaxa, Kazu. Não sei porque tanta preocupação. Até parece que ele é um tipo de deus ou coisa

assim. Eu sei lidar com líderes. Vou pôr o Kuon no lugar dele.

- Jason, esqueça disso...



- Kazu, eu quero me divertir antes de mais nada. E eu não vou fazer nada errado. Por isso fica na

boa aí... E isso vai ser pelo Hakiro.


Depois da breve conversa, os dois voltam a sala para o restante da aula.


Casa de Jason, 20:00.

A noite transcorria sem problemas, com o clima calmo e sem nuvens. Já havia passado o período

de frente fria da região de Etofuru. Jason estava em seu quarto ouvindo música, quando seu

celular toca.

- Alô?

- Oi, Jason. Sou a veterinária. Teria como vir aqui agora?

- Sim, claro. Mas aconteceu algo com o bichano?

- Não não... É só pra conversar mesmo.

- Tudo bem. Estou indo.

- Até.

Ele se apronta e segue em direção a porta, quando sua prima o avista e diz:

- Ei, onde está indo?

- Tô indo lá ver o gato. Quer vir também?

- Sim. Espera eu pegar meu celular.

Cada da veterinária, 20:20.

Já em seu interior, a moça começa a falar.

- Onde vocês encontraram este animal mesmo?

Jason toma a palavra.

- Perto da praia, dentro de um tonel. Porque?



- Não tinha nenhuma identificação?

- Não. Porque?

- Bem, de fato é um felino, mas há algo estranho...

A prima de Jason estava tão curtidas quanto o jovem, dizendo:

- O que tem de estranho?

- Seu organismo... Bem, difícil explicar pra vocês de uma forma científica, mas digamos que ele

tem uma musculatura diferente dos demais felinos que examinei até hoje.

Jason mostrava-se preocupado com a situação.

- Mas e aí?

- Eu não poderei ficar com ele aqui. Terei de sair para um congresso na Austrália.

- Mas como vamos cuidar dele?

- Podem ser acalmar. Ele está bem.

- Mas desde que nós o trouxemos aqui ele não acordou.

- Eu sei... Mas alguns tipos de felinos meio que "hibernam". Algum tipo de trauma ou estresse esse

animal passou pra ficar nesse estado. No momento ele está dormindo.

- Mas como iremos cuidar dele?

- Eu irei instruí-los. Não tem mistério...

Mas durante a explicação da veterinária, e surpreendendo Jason, o jovem começa a sentir algo.

-"Hã? Mas... Essa pressão... Essa pressão mas minha cabeça... Igual aquela da escola... Essa

dor... Está insuportável... Eu... Eu... Não vou aguentar..."

E o rapaz vai ao chão, desmaiando aos pés de sua prima e da veterinária. As duas logo começam

a acudí-lo, com sua prima segurando sua cabeça, enquanto a veterinária tentava acordá-lo.



Jason, embora desacordado, continuava a pensar, e em suas mente refletia:

- Eu... Eu estou... Eu... Eu não sei... Mas o que...

E uma voz estridente ecoa em sua mente, dizendo:

- Você vai superá-los... Tem minha palavra...

Jason estava ainda mais confuso que antes. Estava assustado e preocupado com o que acabara

de ouvir.

- Quem... Quem é você?

- Eu o procurei todo esse tempo... e... eu o encontrei...

- QUEM É VOCÊ?

- Seu ressonante... e irei protegê-lo.


Continua


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#17
Fala pessoal

Desculpa pelo hiato gigante que a fic tomou. Tive muitos problemas esses meses e não consegui mesmo fazer a história andar. Mas estou de volta e tentarei ser mais frequente nas postagens.

Sem delongas, mais um cap.

Capitulo 6 – Novas amizades... ou algo assim.

- JASON, ACORDE!
 
Era a voz de Iahiko, que clamava por seu primo, ainda deitado no chão. O jovem lentamente abria seus olhos, retomando a consciência.
- Eu... o que houve? – Perguntava, ainda um pouco tonto
- Você desmaiou do nada, Jason. – Disse a veterinária, acudindo o rapaz, ajudando-o a se levantar.
- Senti uma pressão na cabeça... não sei bem o que houve... *Mas o que foi isso? Alguém falou comigo... me chamando... falando que era meu... ressonante... mas quem fez isso comigo? Ou eu estou ficando louco? Melhor não deixar isso transparente pra elas, senão terei mais problemas...*
- Seria melhor ir ao hospital.
- Não é necessário. Eu estou bem... – Dizia, se levantando.
- É necessário sim! Desde aquele dia que você teve o acidente lá em casa que você não anda normal. – Dizia Iamiko, colocando-se a frente de Jason, o pressionando.
- Eu estou bem e você não tem nada que se meter na minha vida. Agora vamos, devemos levar o felino pra casa como ela disse.

A veterinária, ainda mostrando preocupação em seu olhar, trata então de preparar o animal para que os dois pudessem levá-lo de forma segura e confortável. Era possível perceber que, embora estivesse dormindo, estava visivelmente bem de saúde. Juntamente com sua prima, Jason agradece aos serviços da veterinária e segue caminho a sua casa.
 
Durante o caminho, Jason começa a conversar com Iamiko.
- Iamiko, quanto ao que aconteceu comigo hoje, gostaria que não contasse pra sua mãe.
- Como não devo falar isso? Você não está bem. Aquele acidente está te trazendo prob lemas na cabeça. Precisa levar a sério e ir ao hospital.
- Eu não quero preocupar sua mãe com isso. Minha tia tem me ajudado muito nesse retorno aqui e não quero alarmá-la. Eu estou bem acredite.
- Sei... Você é um irresponsável. Deveria ir ao hospital. Eu vou contar sim...
- Iamiko, façamos assim: se eu me sentir mal, eu mesmo vou sozinho ao hospital. Eu te aviso antes pra você avisar a sua mãe, tudo bem assim?
- Muito bem... não quero ouvir reclamações depois, hein.
-Tudo bem... vamos, abra a porta de casa... *Ainda bem que minha prima sempre foi flexível comigo. Devo uma a ela depois dessa...*
 
E entram na residência. A noite transcorre sem problemas.
 
Colegio de Etofuru, 12:30 pm.
Jason, assim como Kazu, estavam no ginásio. O jovem estava fazendo auditoria com alguns alunos que se interessaram por formar um segundo time de basquete do colégio. Não eram muitos, e no semblante de Jason, o resultado não parecia dos melhores. Com um tablet em mãos, perguntava sobre cada um dos interessados com Kazu.
- E esse aqui?
- Ele é o Hito Katsumo, ele é um ala. Foi preterido por Hiroshi Nobuo, que está até hoje no time da escola.
- Mas ele não ficou nem na reserva?
- Kuon não foi com a cara dele...
- Opa, já gostei dele. Está na equipe.
- Mas você nem o viu jogar. Como pode aceitá-lo assim?
- Ah é? Peraí que vou te mostrar.
 
Logo Jason vai até o rapaz e pergunta.
- Ei, você é Hito, não?
- Sim, e valeu por ter me chamado.
- Tudo bem, cara; Vi aqui que você é ala.
- Sou sim.
- Beleza, mas tenho uma pergunta.
- E qual seria, chefe?
- Kuon... o que tem a dizer dele?
- O QUE EU TENHO A DIZER DELE? É um desgraçado sem consideração com ninguem, que gosta de se gabar por tudo que faz na escolha. Eu o odeio pela sua arrogância e prepotência.
- E você está aqui pra jogar basquete, não?
- Sim, mas o que tem a ver?
- Vamos enfrentá-lo no intercolegial,e você está no time.
- Sério? Muito obrigado. Vou adorar tirar aquele sorriso debochado do Kuon! Sangue nos olhos!
- Isso aí. Continue nesse espírito.
 
Logo jason retorna para ao lado de Kazu, que diz:
- jason, você está criando problemas antes de tudo acontecer...
- Você viu que o cara tá animado, não? Por isso ele está no time...
- Mas pareve que todo mundo quer entrar no time por vingança. E ainda faltam mais três jogadores. Como vai...
- Relaxe, vamos encontrar.
 
O dia passa. Antes de mais nada, vale informar que, com a iminência dos jogos, a escola estava mobilizada para os festejos de abertura, assim como o treinamento das demais atividades esportivas. Já eram por volta de 16:40 da tarde, quando era possível ver a desolação de Jason. Kazu estava  seu lado, mexendo no tablet, enquanto Jason estava sentado, com a cabeça apoiada em seu braço. Kazu, para quebra o gelo, diz:
- Agora nota-se que Kuon soube escolher bem os jogadores que tem. Tirando Hito, ninguém quis enfrentar o time do Kuon.
- São um bando de frouxos... E eles eram bons, mas o temor deles por Kuon é algo humilhante...
- Não os culpe, Jason. Só não querem se meter com o Kuon pra não serem mais humilhados ainda...
- E eu pensei que você estava no meu lado...
- Eh... bem... só estou sendo realista, e não é um pensamento meu e sim deles.
- Tô ligado, mas mesmo assim... Nunca pensei que iria voltar pra Etofuru e encontar esse lugar neste estado.
- Como assim?
- As pessoas nesse colégio... não todas, mas percebi que a galera daqui está sem brio, não tem vibração, emoção alguma. Muitos aqui parecem estar acomodados. Não, não é o mesmo lugar que antes e isso me incomoda...
 
E ao fundo, por trás dos dois, surge alguém, que ja vinha dizendo:
- Finalmente alguém que pensa aqui sem ser um alienado.
 
Jasom se viram e avistam um jovem alto, com cabelos verdes e quase ma mesma altura que Jason, que diz:
- Valeu aí, camarada. Mas quem é você?
- Eh... me chamo Hitao Katsumo, mas podem me chamar de Sumo.
- Espera, mas esse é o mes...
- Sim, sou irmão do Hito. Eles me disseram que vocês estavam selecionando jogadores para o time de basquete. Então, estou aqui. Sou Ala-Pivô e, a exemplo do meu irmãozinho, eu odeio o Kuon.
- Família unida, causa ganha. Está no time! Mas Kazu, você conhecia ele?
- Eh... bem... tenho muito conhecimento dos alunos daqui, mas não conheço todos;
- Ah tudo bem. Só estou te provocando, hehehe. E Hitao, uma pergunta: você conhece outros alunos interessados?
- Bem, conheço sim, mas eles já saíram.
- Precisamos de um armador e um ala-armador pra fechar a equipe.
- Mas não teremos reserva?
- Teremos, mas preciso de um time titu... mas quem é essa?
 
Logo as palavras de Jason cessam, dando lugar ao seu olhar filho para alguém que andara ao redor. Logo Kazu e Hitao também olham: Jason estava impressionado com uma bela jovem que passava próximo a eles, a qual tinha cabelos cinza, com olhos cor-de-mel, trajando um uniforme de estudante tradicional, Tinha como adorno uma pequena tiara no formato de um lobo. Jason não conseguia parar de olha-la, sendo pressionado por Hitao.
- Nossa, você saiu de órbita mesmo, hein.
 
Kazu, a olhando, diz:
- Eu nunca vi essa garota por aqui antes.
- Muitos alunos se transferiram pra cá esse ano. Uns dois colégios da região fecharam as portas depois dos incidentes da floresta Etofuru. Então acho que ela pode ter vindo de um desses...
- Verdade...
 
E esse breve momento, Jason quebra o silêncio, dizendo:
- Eu... eu nunca vi uma garota tão linda como ela em toda miha vida. Preciso conhecê-la...
 
E sem nem ao menos dar tempo para Kazu se expressar, já que Jason partiu em direção a jovem que passara. Kazu, preocupado, diz:
- jason, mas e o time? Estávamos combinando com o Hitao...
- Bem, amanhã aqui ao meio dia, e traga seus amigos que jogam basquete, ok?

Jason logo corre em direção a garota. Kazu volta suas atenções a Hitao, e diz:
- Prazer em conhecer. Você também foi transferido?
- Sim. Aqui quem estudava desde o primeiro ano era meu irmão. Eu estava em outra cidade daqui de Etofuru, mas ao norte. Meu pai veio pra cá esse ano.
- Entendo. Vai mesmo entrar na equipe, não?
- Sim, eu gosto de basquete.
- Mas como conheceu o Kuon?
- Meu irmão sempre fala desse mané. Então eu vou ajudá-lo a ir a forra.
- Devo lembrar que ele não é o único que joga bem na equipe do colégio.
- Eu sei, meu irmão fez parte daquele time no primeiro ano. Mas algo aconteceu. Eu também quero saber o que houve, e talvez o próprio Kuon me diga.
- Eh... se quiser eu lhe conto.
- Hã? Você sabe?
- Sim. Bem, vamos andando que no caminho eu lhe conto. É uma longa história...
 

Voltando ao corredor...

Jason estava as pressas, entrando em um corredor próximo, escuro, por já estar se aproximando a noite. Logo Jason avista aquela mesma jovem, bebendo água em um dos bebedouros naquele corredor escuro. Jason então se aproxima da jovem, e diz:
- Olá, como vai?
 
E é prontamente ignorado por ela que, terminado de ber água, continuou sua camin hada pelo corredor, já quase chegando ao fim do corredor, que dava caminho o pátio principal, Jason mais uma vez  achama.
- Ei, peraí... eu quero falar com você...
 
A jovem ao ouví-lo, para a sua frente e o olha nos olhos. Jason mo mesmo instante muda de semblante, indo de animado a surpreso, talvez até mesmo assustado. A jovem então diz, com uma voz sussurante:
- O que quer comigo?
- Queria conhecer você... Prazer, me chamo Jason e...
 
E como mágica, a jovem aparece bem próxima a Jason, tocando-lhe no peito. Ela, mantendo a mesma foz sussurrante, diz:
- Todos nós temos nossos sonhos... nossos desejos... nossas provações... todo dia, toda hora, todo momento. Eu então lhe peço para... para não querer me conhecer ou... ou ser meu amigo...
 
Jason estava confuso, não entendendo bem a atitude da bela jovem. No entando, Jason insistiu em tentar conversar.
- Bem, você está certa, mas só estou a cumprimentando. Não vejo nada demais nisso.
- Você é um tolo...
- Porque? Só estou querendo te conhecer. Estudamos no mesmo colégio e nunca te vi aqui. E devo lhe dizer que você é linda.
 
A jovem não expressava praticamente nenhuma emoção em seu semblante, sempre fechado, apesar de sua beleza esconder esse lado tenebroso de sua reação ao flerte. Então, surpreendendo ainda mais Jason, ela diz:
- Caso insista, provavelmente algo irá acontecer... e talvez se arrependa pelo resto de sua vida...
- Mas... mas o que poderia acontecer?
 
Logo, de forma inexplicável, uma intensa ventania toma o corredor. Jason tinha dificuldades até de manter o equilíbrio do corpo. A garota, colocando as duas mãos em cada lado do ombro de Jason, diz:
- De eu... me apaixonar por você... me relacionar com você de uma forma mais intensa... e talvez até mais íntima... e possivelmente algo iria acontecer e e eu o mataria... 

Jason mal conseguia raciocinar, tamanha confusão que se encontrara no momento. A garota, continuando a falar, diz:
- E eu me chamo Lupa...
 
Continua.


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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#18
Olá pessoal.

Tive problemas pra postar a fic, mas já arrumei aqui.

Estão curtindo a história? Podem ficar a vontade para comentarem. E a partir desse cap é que as coisas irão mudar e muito na vida de Jason.


Capítulo 7 O começo de tudo.
Naquele mesmo corredor estava Jason, sentado ao chão, observando Lupa caminhar lentamente até o pátio e saindo pelo portão do colégio sozinha. Ele, ainda assustado, levanta-se e, cambaleando pelo corredor, volta para o ginásio. Porém, ao avistar o lugar, percebe que  Kazu e Hitao já não se encontravam por lá. O rapaz, agora com um semblante mostrando certa irritação, diz:
- Há definitivamente algo de muito estranho por aqui. Aquele cachorro, depois a irmã do pela que esqueci até o nome dela, agora essa garota... Podem ser coincidências... Eu realmente preciso falar com o Kazu!
 
Ele então começa  a procurar por seu amigo, até que o avista, ao fundo de um corredor próximo do ginásio, conversando com Hitao, que já se despedira do rapaz. Assim que Kazu acena de volta é surpreendido por Jason, assustando-o.
- Que foi, cara? Que aconteceu?
- Precisamos conversar. Agora!
-Tudo bem, mas porque está tão assustado?
- Não estou assustado. Podemos ir para um lugar mais calmo? Já está quase na hora da saída e quero conversar um assunto sério com você.
- Tudo Bem...
 
Kazu o leva para um lugar próximo ao refeitório do colégio. Era o único lugar que já não se avistara ninguém, nem mesmo o corpo docente responsavel pelo lugar. Kazu se apóia em uma parede, com Jason em pé a sua frente. E sem perda de tempo, jason o pergunta:
- Kazu, você acredita em seres com poderes especiais?
- Você está dizendo como nos mangás?
- Pode ser... Kazu, vou abrir o jogo com você. Há muitas coisas estranhas acontecendo por aqui. Deesde que eu retornei a Etofuru não tenho mais paz.
- Bem, estamos num dos pontos mais isolados do Japão, pra não dizer do mundo. Qualquer coisa fora do comum por aqui já pode ser tradado como algo estranho. Ainda mais você que a tempos não aparecia por aqui, então nada mais lógico que...
- NÃO BRINQUE COMIGO! – Diz Jason, mostrando muita irritação.
- Porque está gritando comigo? – Dizia Kazu, mostrando tranquilidade diante a explosão de Jason.
- Me poupe dessa conversa fiada. Eu estou falando sério.
- Mas o que você quer tratar? Diga.
- Que tem um cachorro do demônio que solta raios que visita minha casa todo dia.
- Hã? Como é?
- E eu quase todo dia sinto muitas dores na cabeça, sempre quando alguém me chama, sei lá...
- Jason, na boa... acho que você precisa mesmo procurar um médico. Iamiko me disse que você passou mal ontem...
- Aquela monstrinho... falei pra ela não dizer nada...
- Relaxa, tudo bem? Ela só falou isso pra mim.
- Mesmo assim. Mas Kazu, não creio que essas coisas tenham acontecido por fruto da minha cabeça. Eu sei o que eu vi...
- Cara, o que você diz não faz sentido. Pense bem... raciocine. Não faz sentido. Você está com problemas, e precisa ir ao médico.
- Olha, de tanto dizerem isso já estou até pensando na possibilidade...
- Hehe... relaxa, cara. Fica tranquilo. Mas você deveria fazer uma consulta só pra ver se está tudo bem.
- Bem, irei amanhã sim. Mas só porque você não me chamou de louco nem nada disso...
- Tudo bem. Então, preciso ir. Tenho coisas a fazer aqui na escola ainda. Vou planejar com a galera do clube interno sobre o intercolegial.
- Tudo bem. Até amanhã.
- Até.
 
Jason então, depois de se despedir do amigo, segue em direção ao portão, com destino a sua casa. Kazu, porém, como havia dito, ficara na escola, seguindo em direção ao ginásio. Em seu celular, ele manda uma mensagem, escrevendo:
“Me encontre atrás do ginásio.
 
Passado alguns minutos, Kazu aguardava sentado a pessoa. Eis que de forma inesperada, uma voz é ouvida no ambiente.
- Kazu, a que devo o convite?
 
Era Kuon, que se sentava a seu lado em seguida. Kazu, com um semblante fechado, diz:
- Temos problemas...
- Problemas? Não é de seu feitio dizer isso. Qual seria?
- Jason...
- Entendo... o garoto arrogante que me apresentou esses dias, não?
- Sim...
- Bem, qual é o problema?
- Ele faz muitas perguntas...
- Bem, quanto a isso você consegue resolver...
- Não... dessa vez teve intervenção de fora.
- Quem?
- Eu não sei quem, mas aconteceu... e vai acontecer outra vez. Jason está confuso. A qualquer momento pode...
- Não precisa explicar mais.
 
Kuon se levanta, surpreendendo kazu, que diz:
- O que vai fazer?
- Hora da limpeza.
- Mas Kuon... tem certeza? Não creio que ele mereça...
- Ele merece sim. Mas não pense que é por algo pessoal.
- Isso não precisa acabar assim.
- Quer por tudo a perder, Kazu? Quer comprometer todo nosso esforço? Está decidido. Irei falar com Shizuka. A partir de agora são meus assuntos, Kazu. Amanhã nos falamos.
 
E o jovem continua seu caminho, em direção ao prédio do colégio. Kazu, mostrando estar desolado, refletia:
- *Eu realmente acreditava que não seria preciso fazer isso, mas... por tudo a perder, como Kuon disse... é muito arriscado. Sinto muito, meu amigo...*
 
Casa de Jason, 11:00 pm.
A noite estava tranquila como de costume. Como quase todo dia nessa época do ano em Etofuru, ao fim do dia tempo sempre nublado, com alguns relampejos ao horizonte, iluminando um pouco o céu. Jason estava em seu quarto, estudando. Ao lado de sua mesa se encontrava o felino, adormecido desde então. Ao terminar de ler seu livro, Jason se levanta e vai até o gato, alisando a sua pelugem de leve, dizendo:
- Logo você vai melhorar, bichano. Durma bem.
 
Segue até sua cama e se deita, deixando somente um abajur iluminando seu quarto. Porém, assim que iria se virar, eis que seu celular vibra sobre a mesa, indicando que havia recebido uma mensagem. Imediatamente o rapaz pega seu telefone, a fim de visualizar a mensagem, que dizia:
“O espero para conversar na floresta de Etofuru.
Kuon
 
Jason havia arregalado os olhos tamanho foi sua surpresa. Kuon, naquela hora da noite, o chamando para conversar, e ainda por cima na Floresta. No mesmo instante ele respondeu a mensagem, escrevendo:
¨Mas poque a essa hora? Está maluco?
 
E não demora muito e vem a resposta:
“No aguardo
 
Jason não sabia ao certo o que fazer. Porém o fato de sua tia e prima estarem dormindo o fizeram pensar em ir.
- *Eu não sei o que ele está querendo, mas se está me chamando pra conversar agora deve ser algo sobre o time. Sim, deve ser isso mesmo. Aquele péla... Mas não tem volta. Bem, vou lá ver o que o mané quer, mas esse tá ferrado na min ha mão...*
 
O rapaz então coloca seu casaco e deixa sua casa, em direção a floresta. Caminhava sozinho pelas ruas vazias do bairro. Não demora muito e toma um ônibus.
 
Floresta de Etofuru, 12:10 am.
Jason, já a frente a entrada do lugar, começa a adentrar o locar. Embora estivesse de noite, o lugar estava bem iluminado, pelo menos na grande área principal, e é nela que Jason se senta em um dos bancos, esperando por Kuon. Logo uma mensagem chega no celular de Jason:
“Já chegou a floresta?
 
Jason responde:
“Sim, estou te esperando
Com a resposta:
“Eu que o estou esperando. Estou ao lado da fenda Kimiko.
 
Jason mostra estranhamento ao ler a mensagem.
- Espera... esse lugar eu me lembro. É praticamente no meio da floresta... Mas poque lá?
 
Jason, mesmo estando com um pé atrás, se levanta e segue até o local citado. Como era um lugar mais distante na floresta, a escuridão imperava o lugar, com jason sendo obrigado a usar a lanterna de seu celular para iluminar o caminho. Estava frio e ventando, e a noite torna-se úmida, pois uma leve névoa era percebida. O rapaz continua a caminhava, mesmo com o ambiente não tão propício a isso.
 
Quando estava quase chegando ao lugar, até porque estava uma placa logo a frente indicando o local, Jason ouve um barulho. Logo olha para os lados e, ao longe, percebe um vulto familiar. Era o canino, e Jason logo tratou de sair da trilha e adentrar a mata.
 
Caminhando por alguns minutos, se abrigando próximos a árvores baixas, tentava em vão se esconder do canino. Digo em vão pois assim que chegara a um campo mais aberto, eis que surge a sua frente aquele mesmo canino que o rapaz tanto temia. Imóvel, o cachorro somente observava o rapaz, que diz:
- Então... vai ficar só olhando? Eu te quebro todo se tentar fazer algo a mim!
 
E com a sua voz estrondosa, o canino diz:
- Sinto o cheio da ama em você todo... Eu sei que a irrita, a trata mal... e isso eu não irei permitir...
- Tô pouco me importando com o que você diz. E então.. VAI ME ATACAR OU EU QUE DEVO COMEÇAR?
- Humano tolo... insolente... Não passa de um verme...
- DANE-SE!
 
Jason já corria em direção ao canino que, ao ouvir um ruído, corre para dentro da mata, deixando Jason alí, em forma de luta. O rapaz estava ainda mais confuso, e diz:
- Mas o que está acontecendo? Ele fugiu...
 
E por trás de Jason é ouvida uma voz.
- Finalmente nos encontramos...
 
Era Kuon, sendo subitamente interrompido por Jason.
- Cara, precisamos sair daqui! Tem um cachorro que solta raios na floresta. O que diziam era verdade. Esse cão que está trazendo todo esse problema a cidade. Vamos, precisamos sair daqui e chamar as autoridades.
 
Kuon estava imóvel, somente fitando Jason nos olhos incessantemente. Kuon, com toda calma, diz:
- Isso não vai ser necessário...
- O que, como assim? Estou dizendo que...
- Nada disso importa, Jason. Talvez você tenha visto um Anis.
- Anis? O que é isso?
- Se o que você diz é verdade, aquele cão que você viu é um anis. Um animal que foi vítima de uma experiência do governo. Com toda a pesquisa empregada, desenvolveram habilidades especiais. Mas no se trata somente de terem recebido superpoderes,  só foram acelerados seus genes evolutivos.
- MAS QUE P*RRA É ESSA QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO?~
 
Kuon, andando até o campo aberto, com sua cabeça baixa, diz:
- Jason... Pobre Jason... A sua ignorância lhe é uma dádiva. Por três dias lhe vi como uma pessoa interessante e guardei até um pouco de respeito por você. Desde aquela primeira conversa que tivemos nutri uma rivalidade com você também... mas infelizmente essa noite tudo acaba...
- Do que está falando?
 
Logo, da direção da fenda, aparece Shizuka, ainda trajando seu uniforme escolar. Jason fica ainda mais assutado.
- Kuon, o que sua irmã está fazendo aqui? Estamos em perigo. PARA COM ESSE PAPO E VAMOS SAIR DAQUI!
- Não, Jason... Eu sinto muito por isso...
 
Kuon, com um rápido movimento, segura o braço de Jason, que imediatamente fica paralisado. Seu corpo estava completamente travado ao simples encostar de Kuon. Jason não conseguia nem mesmo falar. Shuzuka se aproximava, enquanto Kuon dizia:
- Vou permitir que saiba de tudo antes do que iremos fazer... me ouça bem, tudo isso que está acontecendo não é obra da sua loucura. Eu, Shizuka e até mesmo Kazu... todos somos anis. Temos poderes concedidos pelos experimentos do governo. Não somos humanos. Somos animais. Alguns de nós não foi colocado a imagem humana, continuando com sua aparência feral.
 
Shizuka, já ao lado dos dois, diz:
- Kuon, o quanto quer que apague?
- Apague tudo... deixe-o somente com o pouco que uma mente conseguir pra se alimentar, fazer necessidades e afins...
- Muito bem...
 
Shizuka começa a emanar uma pequena iluminação em suas mãos, levando-as até a cabeça de Jason. Kuon, interrompendo-a, diz:
- Espere Shizuka. Eu prometi contar tudo a ele. Como respeito a sua pessoa...
 
E Kuon continua a explicação:
- Eu tenho o biocontrole. Posso controlar qualquer organismo orgânico como quiser, tanto que atrofiei todos seus músculos. Quanto a minha irmã... bem, ainda estamos descobrindo seus poderes, mas um ela está para usá-lo em você...
 
Kuon enfim sinaliza com o balançar de sua cabeça para que sua irmã continue. Ela encosta ambas as mãos na cabeça de Jason, começando a apagar sua mente. Jason expressava seu desespero em seu olhar, e começava a lacrimejar. Tentava em vão a se soltar, coisa que era percebida por Kuon.
- É inútil, Jason. Aceite esse fim, da forma mais justa possível...
 
Porém Shizuka começa a sentir algo. Um incômodo era visto ao continuar o procedimento.
-*Hum... estranho.. Nunca havia sentido antes. É como se sua mente estivesse blindada... estou conseguindo mas... há algo que está me incomodando...*
 
Kuon percebia que Jason havia perdido até mesmo sua força de se manter em pé. Shizuka, ao vê-lo daquela forma, diz:
- Pronto... tudo que me pediu já está feito.
- Muito bem...
 
O rapaz estava desacordado. Kuon o deita ao chão, pegando seu celular, fazendo uma ligação em seguida.
- É a polícia? Estava passando perto da floresta Etofuru e vi um jovem entrar. Fiquei preocupado e liguei pra vocês. Venham rápido.
 
Shizuka, tão tranquila quanto seu irmão, diz:
- Vamos embora? Estou cansada.
- Sim. Já terminamos. Foi mais tranquilo que da última vez...
- Não que me preocupe com ele, mas devemos deixá-lo aqui?
- Sim. Não temos mais nada a fazer agora. Deixemos com a polícia.
 
Mas antes de ir, Kuon olha para jason, lhe dizendo a seguir:
- Eu sinto muito. Com total certeza teria sido uma experiência única ter de jocar contra você, mas para sua infelicidade isso precisou acontecer. Tenha uma boa vida.
 
E seguem em direção ao interior da floresta, deixando alí Jason, deitado e desacordado.
 
Horas depois...
Hospital de Etofuru, 04:35 am
 
A tia de Jason, junto com sua prima, estavam na sala de espera do hospital, aos prantos. Logo um senhor, aparentando ter uns 45 anos, entra no local, chamando por sua tia:
- Senhora Hawoen?
- Sim, sou eu...
- Prazer, me chamo Hansen Hakiro. Sou o detetive que...
 
Iamiko, percebendo que era, logo tratou de falar com sua mãe:
- Mãe.. ele é o pai do Hakiro!
- Sim, sou. Estou aqui pra tratar sobre seu sobrinho.
- O que fizeram com ele?
- Eu não sei. O que os médicos disseram?
- Ele... ele não acorda... os médicos disseram que é cedo pra dar uma resposta concreta. Seu corpo, tudo dele está funcionando e agindo bem aos remédios, mas seu cérebro...
- O que tem?
 
A tia de Jason cai mais uma vez em prantos, mostrando toda sua desolação e desespero.
- Eles disseram que... não encontraram muita atividade... ele vai vegetar... ele vai vegetar...
- NÃO DIGA ISSO, MÃE! ELE VAI SAIR DESSA! ELE É FORTE E... ELE VAI SAIR DESSA!
 
Iamiko logo corre para fora da sala, saindo do hospital. Sua tia e o detetive continuavam por lá.
 
Na UTI do hospital...
Jason estava entubado e sendo alvo de todo monitoramento possível. A sala estava escura, o que tornava o ambiente ainda mais desolador. Mas algo de anormal acontece em sua mente...
Jason se imaginava em um espaço totalmente branco. Alí sozinho, estava incapacitado até mesmo de falar em seus pensamentos. Caminhava sem rumo, tropeçando no vazio, mostrando dificuldade em se levantar. Porém, ao horizonte consegue perceber o vulto de duas pessoas, que se pareciam com seus pais. Tenta correr, mas tropeça novamente. Mas não desiste e se levanta, tentando correr. Ainda impossibilitado de falar, tentava forçar seu grito para chamá-los, mas nada era ecoado. Até que, pelo cansaço, vai ao chão, de joelhos, com as duas mãos apoiadas.
Eis que a sua frente aparece uma sombra no formato de um felino, que lhe diz:
- Eu vi o que lhe fizeram... eu tentei lhe ajudar no momento, mais meus poderes não estão totalmente restabelecidos... Eu lhe devo minha vida, humano... eu sou seu ressonante e você... o meu.
 
Logo uma densa energia começa a emanar do corpo do vulto, indo em direção a cabeça de Jason. Esse mesmo felino diz:
- Enquanto estiver vivo, eu irei sempre protegê-lo, custe o que custar... e como agradecimento por tudo... concedo-o  todas as suas lembranças...
 
Rapidamente toda a memória de Jason retornava para dentro de sua cabeça. Todos seus momentos, tudo que havia passado na vida é ilustrado a sua frente, retornando a sua mente. Logo o jovem toma forças e começa a correr em direção a seus pais, alcançando-os.
 
E assim o feito, eis que Jason acorda na cama do hospital, com um olhar mostrando irritação. E, pensando, diz:
- *Eu lembro de tudo...*
 
Continua.


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
Responder
#19
Olá pessoal. Tudo bem? Estão curtindo a fic? Aguardo resposta, ok? XD

Bem, e chegou fim ao hiato. Mais um capítulo abaixo.

Divirtam-se.

CAPÍTULO 8 - Explicando o inexplicável
Hospital de Etofuru, 05:00
Jason acordara depois de tudo aquilo que aconteceu em sua mente. Seu olhar mostrava irritação, já tentanto encaixar as peças de tudo que estava acontecendo, mas muitas coisas ainda estavam soltas. Tentava raciocinar mas percebia que lhe faltava muitas informações.
- *Hum... eu... eu lembro de tudo mas... Há coisas que não fazem entido... até mesmo esse devaneio todo que passei... seria mesmo real ou... Não, era real, o que aconteceu comigo naquela floresta é tão real quanto o que aconteceu na minha mente... Aquele felino... eu aposto que tem ligação com aquele gato que eu achei... Isso se eu estiver com habilidades iguais ao Sherlock Holmes ou eu estou mesmo ficando maluco...*
Olhava ao redor, percebendo que estava sozinho, numa sala um pouco escura porem bem aparelhada. Havia agulhas injetadas em seu braço direito, alimentando-o com soro e ao lado da cama um frequencímetro. Jason então tentou se levantar, mas em vão, pois estava fraco. Passou então a chamar, mesmo que baixo, por alguém. E eis que lentamente a porta de seu quato abre, entrando ao recinto uma enfermeira, que ao olhar para o rapaz,se surpreende, dizendo:
- Nossa! Você acordou! Doutor... Doutor... Ele acordou...

Saía da sala, correndo até onde estavam o médico, o Sr Hansen e Azika e Iamiko, até então cabisbaixas preocupadas com Jason. O medico, ao ouvir as exaltações da enfermeira logo se apressa até o leito. Iamiko e sua mãe tentam acompanhá-lo, porém o Sr Hansen as impedem, colocando-se na frente da porta. Azika, desesperada, diz:
- SAIA DA FRENTE! PRECISAMOS VER JASON!

Mas o policial não se movia, acenando com a cabeça em sinal de reprovação.
- Sinto muito, mas não posso deixá-las entrar sem que o médico autorize a entrada. Vocês estão nervosas e apreensivas, eu compreendo. Meu filho passou por algo parecido, mas sejam racionais. Vocês podem piorar as coisas para Jason entrando dessa forma. Não sabemos como ele está de fato, só sabemos que ele acordou. Por favor, entendam, pode ser prejudicial a ele. 
As palavras de Hansen pesaram e as duas entenderam, se acalmando em seguida. Hansen aguardava à porta.

Horas depois...
Hospital de Etofuru, 09:00 am.
Jason estava ainda deitado, conversando com o doutor, até que a enfermeira traz a seu quarto sua tia e Iamiko, sendo seguidas por Sr Hansen, que etrara no quarto mas ficou distante das duas. Azika, vendo seu sobrinho sóbrio novamente, diz:
- Você quer nos matar de susto... Mas ainda bem que está bem.
- Sim... estou, e obrigado por ter ficado até agora aqui...
- Claro que ficaria aqui. Sua mãe faria o mesmo...
- Ela está sempre comigo, tia...
- Eu entendo, Jason...
Iamiko, sem eprder tempo, diz:
- E então, quando vai sair dessa cama e continuar essa suas loucuras?
- Não sei... mas acho que já estou melhor, já estou vendo monstros...
- VOCÊ PARA COM ESSA PALHAÇADA DE ME CHAMAR DE MONS...

Sua mãe logo a repreende.
- IAMIKO, FALE BAIXO! ESTAMOS EM UM HOSPITAL!
- Oh... desculpa... desculpa mesmo... Mas você viu que ele me cham...
- Eu sei, mas você que começou dessa vez!

Sr hansen, até então calado, observando o reencontro da família, vai até o doutor, lhe perguntando:
- Bem, poderia me dizer como ele está?
- Bem, eu não sei ao certo... Ele chegou aqui catatônico. Pacientes assim dificilmente recobram a consciência em uma noite. Pior, poderia ficar com sequelas graves ou, numa forma terrível, nem retornarem mais.
- Isso foi como meu filho, não?
- Pode-se dizer que sim, Sr Hariko. Mas o caso desse paciente é diferente. Não nos sintomas iniciais, mas na forma que ele se recuperou.
- Como assim?
- Sr Hakiro, Jason terá alta hoje.
- O que? Como assim? 
- Eu entendo que seu estado assim que chegou ao hospital era desolador, mas agora... Agora ele esbanja saúde. Não há justificativa alguma de mantê-lo aqui além dessa tarde.
- Mas doutor, os riscos...
- Não há risco. Tirando o fato de não poder se movimentar, coisa essa que aconteceu pelos medicamentos, ele está em perfeitas condições de receber alta.
- Mas... o senhor não fará exames preventivos? Esse rapaz sofreu um trauma tremendo e o senhor irá liberá-lo?
- Eu fiz todos os exames nessas ultimas quatro horas. Está tudo normal. Urina, sangue, saliva... Fiz testes cognitivos, de memória... ele apresentou normalidade na maioria. A única coisa que o impede de sair daqui agora é que os efeitos dos medicamentos não cessaram.
- Eu posso falar com ele normalmente então?
- Claro. Sem problemas.

Sr Hansen pede então apalavra a família de Jason.
- Bem... eu posso conversar com Jason?
Azika logo toma a palavra.
- O senhor está certo disso? Ele acabou de se recuperar.
- Eu sei, mas eu pedi recomendações ao doutor. Ele não vê problemas. Além do mais, precisamos saber o que aconteceu na floresta.
- Eu entendo o senhor. 

Hansen então se aproxima de Jason, que no mesmo instante o reconhece. Pensatico, reflete no mesmo momento.
- *Ele é o pai de Hakiro... eu lembro dele perfeitamente... Bem, ele não tem nada com isso, nem Hakiro... eu sei quem devo conversar, mas ele como policial fará perguntas...*

Hansen então começa a falar com Jason;
- Rapaz, que bom que se recuperou. Também fiquei procupado com você. Hakiro passou por algo parecido, sabe?
- Eu entendo, senhor. E sinto muito por Hakiro. Ele era meu mekhor amigo aqui em Yutsuka... Eu sinto muita falta da companhia dele... de como jogávamos basquete... sinto mesmo falta do meu amigo... Mas ele estando com sapude e feliz, já me deixa mais tranquilo.
- Sim... e muito obrigado pela sua consideração. Vocês foram criados juntos praticamente. Irei dizer  a Hakiro o que aconteceu com você. Ele vai gostar de saber que está bem.
- Sim, diga a ele.
- Bem, Jason... poderia me dizer o que foi fazer na floresta de Yutsuka naquela hora da noite? Não é normal um rapaz da sua idade andar por aí tarde na noite, ainda mais sabendo dos acontecimentos recentes por lá...

Jason imediatamente fechou mudou de semblante, ficando sério. 
- *Qual seria a melhor resposta? Hum... ah sim...* Bem, haverá os jogos do intercolegial. Eu e meus amigos estamos formando um time B de basquete para disputarmos a cometição. Precisava treinar. Então fui correr um pouco.
- Mas você nem estava trajado para isso.
- *Droga... ah, já sei...* Eu esqueci minha mochila em casa. 
- Mas como pôde esquecer isso?
- Força do hábito. Em Tókyo eu já ficava com o uniforme do Gym o tempo todo de noite. Praticava uma corrida toda vez que voltava pra casa.
- Entendi. Mas o que de fato aocnteceu com você por lá?
- Eu não sei... Estava passeando e do nada senti uma dor forte na cabeça. Acordei aqui.
- Você não viu nada de anormal por lá?
- *Ele deve estar me analisando. Preciso ser o mais natural possível.* Não, nada. Porque pergunta isso?
- Porque meu filho sofreu o mesmo que você e foi encontrado ferido dentro de um buraco. Você foi encontrado próximo a onde Hakiro estava. 

Jason ficou atônito. As palavras de Hansen pareciam ferí-lo por dentro, cauisando-lhe um al estar tremento. Jason estava escondendo tudo que havia acontecido, mas parecia lutar para não passar essa informação.
- *Não posso mesmo dizer nada até conversar com uma certa pessoa...*

Hansen percebeu o silêncio de Jason, pois o jovem mostrava um olhar mais compenetrado que de costume.
- Jason?
- Eh... sim... diga.
- Você sabe de mais alguma coisa que aconteceu noite passada? Entenda, eu investigando essas anormalidades que acontecem naquela floresta a tempos e qualquer informação é primordial para a resolução desse caso. Me diga, algo mais aconteceu ontem e você ainda não me disse?
- Não, senhor. Eu senti uma forte dor de cabeça e só me lembro de ter acorddo aqui. Eu havia sentido uma forte dor antes até. pergunte a Iamiko.

Hansen logo olha para a jovem, que confirma sinalizando com a cabeça. O Policial então diz:
- Muito bem então, Jason... Mas quero que saiba que toda ajuda é importante. Caso se lembre de algo estranho, qualquer coisa, seja lá em qual momento do dia, quero que me avise, entendeu?
- Tudo bem, Senhor.

Hasen esboça um pequeno sorriso e se retira lentamente da sala, colocando seu chapéu. Jason, ao avistá-lo quase sair pela porta, diz:
- Senhor Hansen.
- Sim?
- Manda um forte abraço ao Hakiro.
- Pode deixar, paraz. Cuide-se...

E o tempo passa...
Hospital de Etofuru, 17:00 pm.
Já passdo os efeitos dos medicmentos, Jason, junto a Azika e Iamiko, deixavam o hospital. Já dentro do carro de sua tia, já ja estava a caminho de casa, Jason diz a Iamiko:
- Iamiko, poderia me emprestar seu celular?
- Sim, claro... mas pra quem irá ligar?
- Pra um amigo. Posso?
- Claro, tome.

Logo ele tenta procurar na agenda se sua prima a tal pessoa, mas em vão.
- Iamiko, você sabe o número do Kazu?
- Sei... na verdade o nome dele aí está  como "Representante K".
- "Representante K"?
- Sim. "K" de Kazu, retardado...

Logo Jason liga. Não demora muito e é atendido.
- "Olá, Iamiko. E como está o Jason"

Jason, mostrando um olhar mais sério e mostrando irritação, diz:
- Estou muito bem, Kazu.

Um silêncio absoluto é perceptível por Jason, que continuava.
- "Aparece lá em casa depois do colégio pra gente poder conversar, está bem? Até mais tarde, camarada..."

Casa de Jason, 19:00 pm.
Jason entrara em seu quarto, indo rapidamente até onde estava o felino. Adormecido como sempre, o rapaz ajeita o travesseio onde estava apoiada  acebça do felino, ajeitando também seu dorso. Ao encostar no animal, Jason percebe algo familiar, no que diz respeito a um sentimento que havia sentido mais cedo no hospital.
- *Eu espero muito que você se reucpere logo, pra eu poder tirar a dúvida..."

Não demora muito e sua prima bate a porta. Jason permite que ela entre. Iamiko diz:
- Jason, Kazu está aqui na sala. Quer que eu chame ele pra vir aqui?
- Sim, claro.

Ela então retorna, mas antes, ainda no corredor, fala a Jason.
- Kazu está um pouco estranho.
- Estranho como assim?
- Eu não sei porque, mas percebi que estava um pouco nervoso. Sua mão estava até suada.
- Coisas do Kazu. Chame-o, está bem?
- Tudo bem.

Passam-se alguns minutos e Kazu entra no quarto de Jason, que estava sentado em sua cama, mexendo em seu celular. Kazu estava pálido e visivelmente mostrava nervosismo em seu olhar, como se esrivesse temendo por algo. Jason, olhando-o nos olhos, diz:
- Entre... e feche bem a porta.

Jason em seguida liga seu som, passando a ouvir o som de sua banda de rock favorita.
- O Dream Theater irá tocar em Tókyo amanhã, sabia? Gostaria de estar lá...

Kazu continuava mudo, ainda maostrando nervosismo. Jason continuava.
- A música dessa banda é algo que sempre me fez relaxar e ficar ligado ao mesmo tempo. É incrível o quanto eles sabem tocar seus instrumentos com tanta sincronia e habilidade. Tento fazer o mesmo no basquete. Claro, vencer as partidas e não em fazer música com a bola, hehe...

Kazu não se mostrava confortável com Jason. O rapaz, percebendo a forma com que Kazu permanecia, diz:
- Vai, sente-se alí na poltrona. Vou parar de fazer rodeios...

Kazu, ainda completamente desconfortável, se senta onde Jason havia indicado. Sem perder mais tempo, Jason, diz:
- Kuon mandou algum algum aviso quando você informou a ele que eu estava bem no telefone mais cedo?
- Jason, eu...
- RESPONDA!

Kazu engoliu seco assim que Jason o indagou com raiva.
- Jason, as coisas não são como você imagina...
- Não senhor... eu sei exatamente o que está acontecendo. Tudo faz pelo menos o mínimo de sentido. Vocês fizeram isso com todas aquelas pessoas, não?
- Do que está falando?
- NÃO SEJA COVARDE! Diga logo sobre tudo. Eu sei exatamente o que Kuon me disse... Nossa, até a Shizuka está envolvida nisso tudo. Ela tentou me matar ontem... Cara, eu criei confiança em você do mesmo jeito que teria com o Hakiro. E pensar que Kuon deve ter feito isso com meu amigo... VOCÊS SÃO MONSTROS! 
- Jason, eu não sei o que dizer pra te explicar...
- Comece a explicar então.
- Acho melhor você não querer saber...
- Porque não? Vai tentar me matar também?
- Jason, eu nunca tentaria fazer isso. O que pensa que eu sou?
- UM MONSTRO TANTO QUANTO KUON E SHIZUKA! 
- Jason, eu... eu... não sei mesmo como contar a você...
- Sério, camarada... eu já estou muito p*to com tudo isso. Eu estou quase te esmurrando... eu nunca fiquei tão irritado como estou na minha vida. Estou mesmo me segurando aqui, e não sei por quanto tempo. Então, abra a p*rra da sua boca e COMECE A FALAR A M*RDA TODA!

Era evidente que Kazu estava em uma situação crítica. O jovem, que incessantemente era observado nos olhos por Jason, não conseguia mais se conter. Logo, Kazu começa a falar.
- Jason, irei lhe contar de forma breve, para que não perca tempo com detalhes idiotas... Aliás, é uma história idiota e eu não me orgulho de fazer parte.
- Muito bem... Prossiga.
- Tudo que eu lhe disser aqui deve ficar somente entre nós, tudo bem?
- Ok, adiante.
- Peço-lhe por favor que...
- FALA LOGO, P*RRA!
- Mu... muito bem. Jason, eu sou um Anis.
- E o que seria isso?
- Jason, eu não sou um humano.
- Hum.. deixa eu ver... uma boca, dois ouvidos, dois braços, duas pernas, fala... Só vejo um humano.
- Estou falando sério, Jason...
- Nas últimas horas eu vi muita coisa estranha...Faça um pequeno esforço pra poder provar e vou acreditar. Kuon e Shizuka me provaram isso. Só falta você.

Kazu se aproxima de Jason e, forçando seus olhos, ele faz com que os mesmos mudem de cor e forma, parecendo olhos de gato. Logo orelhas felinas aparecem sobre sua cabeça e detrás de seu corpo serpenteava duas caudas felinas. Jason logo se afasta, visivelmente assustado, mas de forma tímida. Kuon, ao vê-lo se afastar, logo volta ao normal. Jason diz:
- Muito bem... Você não é humano. Me convenceu... O que vocês querem com a gente?
- Queremos somente viver. Viver em paz.
- Que bela paz Kuon e Shizuka me mostraram, p*rra...
- Viemos pra essa cidade pois aqui é de fato o lugar mais tranquilo do Japão. As pessoas aqui são mesmo integradas a natureza, a respeutando-a e vivendo em harmonia. Não lhes faltam nada. Nós só queremos viver em paz, e livrar qualquer dúvida de nos descobrirem. Kuon é o Anis mais carismático de nos trazer essa paz. Por isso ele sempre está  a par de tudo que aocntece. Eu o ajudo nisso a fim de manter pessoas como você longe de problemas e de não influenciar o colégio com ideias diferentes da dele.
- Então vocês fazem bully com pessoas como eu? E vocês querem paz assim? Vá a m*rda, cara!
- Não, Jason... Existem forças maiores.
- Que forças?
- Se nos descobrirem, todos aqui poderão ter problemas. Kuon e eu somente escondemos e evitamos qualquer ameaça a essa paz.
- Cara, o critério de "paz" que vocês tem é despresível. Vocês querem calar quem pensa diferente que Kuon e o encara, não é?
- Mais ou menos isso.
- E você, qual sua opinião?
- Como assim?
- Sua opinião, c***lho! De que isso é certo.
- Não... eu sei que não é certo. Mas precisamos nos preservar... para o nosso bem e para bem dos humanos.
- Para o nosso bem? Veja só o que vocês fizeram com o Hakiro! ELE ESTÁ EM UMA CADEIRA DE RODAS PARA O RESTO DA VIDA!
- Foi um acidente terrível, e me sinto muito mal pelo que aconteceu...
- SE SENTE MAL? VÁ A M*RDA, SEU MONSTRO!

Jason parte em direção a Kazu, que se levanta. Jason o segura pela camisa, falando em seguida:
- VOCÊS TIRARAM A PAZ DO MEU AMIGO, SEU TRASTE! VOCÊS TIRARAM A PAZ DAS PESSOAS DESSA CIDADE...
- Não era nossa intenção...
- Não era? Fazerem o que querem pra esconderem isso... não é comportamento de quem quer viver na sociedade... ÍSSO É DOUTRINAÇÃO! É QUASE COMO ESCRAVIDÃO! Vocês querem viver entre os humanos, mas vocês acabaram fazendo o que os piores humanos fizeram em toda a nossa história... 

Após as palavras de Jason, Kazu não suporta  apressão e começa a chorar. Jason, olhando-o nos olhos, diz:
- Porque está chorando, Kazu?
- Eu... eu não queria causar todo esse mal... passamos por muitas situações até chegarmos nessa cidade... O medo, a angústia, a dúvida de que encontraríamos algum lugar seguro... sempre tivemos um lugar naqulio que cremos... um oasis...
- Que lugar é esse?
- Riviera.
- Riviera, a terra prometida? A cidade mitológica?
- Sim... Riviera é essa cidade... Passamos por muitas provações até a encontramos... Eu sinto muito por tudo, pelas pessoas dessa cidade, pelo seu amigo... e por você.

Jason solta Kazu, num breve momento de racionalidade do rapaz. Kazu, ainda em prantos, conrunava.
- Éramos inocentes quando chegamos... precisamos estudar muito para nos integrarmos aos costumes... prendemos a ser um humano... ou próximo disso.
- Kazu...
- Me perdoe ao o que fizemos ao seu amigo... foi o mais grave que chegamos... Nós só estávamos nos protegendo...
- Kazu, vocês cometeram um crime. As pessoas precisam pagar quando cometem esse tipo de coisa.
- Eu sei, mas... não somos humanos. Se nos expormos, sofreremos mais do que qualquer ser vivo desse planeta. Eu lhe peço, Jason... por favor, não nos exponha. Não sei o que acontecerá amanhã, mas só estamos tentando viver. E como disse, há forças maiores... nós somos os que mantêm as coisas na sua normalidade. Eu sinto muito por seu amigo, mas entenda, só estávamos nos protegendo... Mas se mesmo assim você quiser nos entregar, acho que nós fizemos por merecer... Faça o que tem que fazer.

Jason calou-se naquele instante. A situação era grave e sua escolha poderia mudar toda a cidade. Ainda que não acreditassem que Kazu e os outros não eram humanos, no mínimo haveria uma investigação, já que o pai de Hakiro está buscando respostas por tudo que vem acontecendo pela cidade naquela floresta. Ele caminhava para próximo de Kazu, olhando-o mais uma vez nos olhos do Anis recém apresentado, e diz:
- Eu... eu consigo ver sinceridade nas suas palavras.
- Jason...
- Eu dificilmente irei perdoar vocês pelo que fizeram ao Hakiro, mas eu iria me torturar pelo resto da minha vida se eu trouxesse dor a qualquer ser vivo dessa terra. Entregar vocês não vai me trazer paz a mim, não vai trazer a vida normal de meu amigo... e tampouco irá fazer justiça. Eu não sei o quanto vocês sofreram, por onde passaram e pelo que tiveram que fazer para chegarem aqui, mas eu creio que a dor de terem feito mal a alguém deve ter feito de suas vidas um sofrimento sem igual. Pois bem... eu manterei sob segredo isso tudo, por enquanto...

Kazu, já recuperado de seus pranto, abraça Jason, e diz:
- Muito obrigado...
- Não me agradeça... agradeça a Hariko.

Continua...


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
Responder
#20
Olá pessoal.

Desculpe pelo alarme falso de capítulo novo. Só entrei pra avisar que em breve (mais precisamente nesse final de semana) postarei um novo capítulo a saga de Jason e mais informações sobre os Anis.

Estão livres pra perguntarem o que quiserem.

Obrigado.


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
Responder
#21
Bem, como prometido, um novo Capítulo. Espero que curtam.

Capítulo 9 - Inimizades amistosas e algo mais.

Colégio de aplicação de Yutsuka, 07:00 am.
A primeira aula já estava quase começando. Ao fundo da sala estava Kazu conversando com outros alunos, formando um grupo. Não demora muito e Jason entra na sala, sendo chamado por Kazu em seguida.
Jason, chega aí.

Logo o jovem se aproxima, se sentando junto ao grupo.
- Fala aí, galera. Tudo de boa?
- Kazu logo diz:
- Estávamos conversando sobre o professor. Ele está atrasado.
- Bem, já foram a diretoria saber o que houve?
- Ainda não, mas ele sempre vem.
- Mesmo assim, pois…

E antes de Jason completar, um dos alunos diz:
- É que o Kazu está interessado nele!

Jason logo arregalados seus olhos, não entendendo muito bem essa história.
- O que? Como assim?
- Ora, ele tá afim do tiozinho, haha.
- Kazu, mas que estória é essa?

Kazu, olhando para Jason, diz:
- Bem, eu estava interessado em você, mas…
- MAS O QUE????

O grito inesperado de Jason chama a atenção de todos os alunos na sala, sendo contido pelos amigos e do próprio Kazu, que estavam rindo do jovem.
- Calma, Jason. É zuera. Não tenho interesse em machos. Hehe, você caiu direitinho.

Imediatamente, Jason fica vermelho de vergonha, mas logo um sorriso assistente em seu rosto. No fim, entra na brincadeira.
- Seus v**dos! P**ra… vai ter volta!

E todos continuavam rindo, desta vez acompanhado por Jason. Posso alguns minutos de conversa, logo o professor entra na sala, dando início a aula. Mas antes de os alunos tomarem seus lugares, Jason vai até Kazu e o pergunta, falando baixo:
- Avisou a ele, não?
- Sim, Jason.
- Bom saber…
- Tem certeza que quer conversar com ele?
- Me surpreende ele querer conversar comigo…

A aula transcorre normalmente.

Pátio do colégio, 12:00 pm.
Jason e Kazu caminhavam pelo pátio, conversando.
-Jason,  por favor que não faça nenhuma besteira.
-Eu não vou fazer nada, Kazu. Mas eu vou falar muita coisa…
-Jason…
-Escuta, Kazu. Você precisa entender que a vítima aqui fui eu. Não quero confusão mas não vou me calar, seja lá o que vocês passaram até chegarem aqui.
- Eu entendo, mas não exagere.

Os dois jovens caminhavam em direção aos fundos do ginásio. Por ser um lugar distante, não havia outros alunos próximo ao lugar. Essa talvez seja a ideia de Kazu: não levantar suspeitas nessa “reunião” improvisada. Mas era visível o desconforto de Kazu no momento, tendo em vista que o mesmo não parava de olhar para Jason, que mostrava em seu semblante uma irritação tremenda.

Chegando ao lugar, sentado em um banco de praça, estava Kuon, que ouvia música em seu celular usando fones de ouvido. Jason estava a sua frente, que diz:
- E aí, Kuon…

Kuon, do mesmo jeito calmo e educado, diz:
- Olá, Jason… Talvez nem precise perguntar se está bem, pra eu sei a resposta…
- Exatamente.
- Sabe, isso é algo que gosto dos humanos.
- O que seria? Ira? Filha da p*tagem?
- Não. Música. Realmente isso acalma a alma. Nos deixam relaxados, tranquilos, sóbrios…
- Não seja ridículo Kuon. Levante-se…

Kuon logo se levanta, ficando olho a olho com Jason. - Ele, sem desviar o olhar, diz:
- Não me dá satisfação alguma vê-lo aqui, de pé, são. Digo isso pois sou sincero.
- Nossa, isso é bem louvável de sua parte, Kuon. Acredito também que gostaria que eu estivesse vegetando em uma cama pelo resto da vida, não é?
- Não precisava ser tão dramático.
- Ora, talvez sim talvez não.
- Só em você esquecer tudo já me deixaria muito feliz. Entretanto, vocês sempre me surpreendem. Vocês humanos São imprevisíveis, sempre querem fazer o que querem, mesmo que isso lhes traga tristeza, dor, frustração…
- F*da-se.
- … e são mal educados.
- Obrigado pelo elogio. Vou guardar com muito carinho. Só amor…
- Insolente, como sempre.
- Ao menos não sou um monstro.

Kazu estava ainda mais desconfortável, tremendo pelo pior.
- “Kuon vai matá-lo se continuarem a trocarem farpas como estão fazendo. Justin não tem noção alguma do que ele pode fazer. Preciso intervir.”

Kazu então coloca-se entre os dois e diz:
- Vocês dois, nós estamos aqui pra conversar. Não comecem mais uma guerra. Kuon, acho que você precisa fazer algo, e sabe muito bem o que é.

Kuon, olhando para Kazu, respira fundo e volta a mostrar aquele mesmo rosto calmo e tranquilo. Vira para Jason, estendendo-lhe a mão, dizendo:
- Peço a ti formalmente minhas desculpas pela forma que o tratei e pelo que eu tentei lhe fazer naquele dia. Sinto muitíssimo por tudo o mal que tenha trazido a sua pessoa. Digo isso também em nome de minha irmã.

Jason, sem perder tempo, aperta sua mão com força, enquanto olhava fixamente nos olhos de Kuon. E diz:
- Eu aceito as desculpas.

Kazu, mesmo diante o entendimento entre os dois, ainda não estava tranquilo, pra após a aceitação de Jason, os dois não largavam a mão um do outro, e era perceptível que a tensão entre Jason e Kuon aumentava ainda mais. Kazu, percebendo disso, logo trata de apaziguar a situação.
- Bem, bem… agora que se entenderam, vamos conversar. Tratem de se tranquilizarem. Esqueçamos o passado. Vamos trilhar o futuro…

Jason e Kuon soltam suas mãos, mas Jason vira a Kazu e diz:
- Kazu, eu entendi o que você dizer. Mas entenda, eu não vou esquecer do que aconteceu. Mesmo os pedidos de desculpas sinceros de Kuon não muda o fato que vocês não são humanos.

Kuon não perdeu tempo, dizendo:
- Jason está certo. Nada vai mudar esse fato. E você, Jason… Kazu me disse que não irá nos delatar. Porque faz isso, mesmo diante de tudo que o fizemos?
- Eu não quero causar ainda mais problemas. Eu voltei pra essa cidade para encontrar paz. Não quero atrito. Só que não gosto de injustiças.
- Hum… então é um justiceiro…
- Pelo contrário. Eu não sou lá um defensor ferrenho e fracassado de justiça. Não existe justiça perfeita…
- Entendo. Então é mais sábio que imaginava…

Jason, com um pouco de irritação em seu rosto, diz:
- Só que c*zões como você eu não suporto, só isso. Você fez aquilo com o Hamiko, ou vai negar?
- Hum… continua insolente, mas sinto pelo seu amigo. Ele havia chegado longe demais…

Jason não suporta e explode:
- LONGE DEMAIS? EU CONHEÇO HAMIKO MELHOR QUE VOCÊ, SEU FILHO DA P*TA!

Kazu logo interveio para impedir que Jason fizesse alguma besteira:
- Jason, se acalme! Sinto muito pelo Hamiko, mas não há nada que possamos fazer.
- Porque está defendendo ele, Kazu?
- Não o estou defendendo. Só quero dizer que não existe nada que possamos fazer para conversar tudo. Sério, eu e Kuon não conseguimos viver direito pelo que aconteceu.
- COMO ASSIM? VOCÊS ESTÃO VIVENDO NORMALMENTE DIANTE DISSO TUDO QUE ACONTECEU!

Kuon se aproxima de Jason, já com lágrimas nos olhos, mesmo que ainda se visse o mesmo semblante calmo.
- Jason, é com muita dor que vivo com esse fardo. O peso de ter feito o que fiz quase me fez tirar a própria vida. Eu não me orgulho de ter feito o que fiz. Mais uma vez, peço-lhe as mais sinceras desculpas. Mesmo diante tudo isso, nos cuidamos do seu amigo da melhor forma possível. Por respeito a ele e a de seus genitores.

Kazu reforça.
- Desde que tudo aconteceu, nós o ajudamos sempre. Ele é feliz. Não como antes, mas diante suas limitações, ele está feliz. Eu sinto muito.

Jason estava nervoso, mas mais contido. Iria esboçar uma palavra, mas recuou em seguida. Olhando-os, diz:
- O que irão fazer daqui pra frente?

Kazu toma a palavra.
- Somente viver, Jason. Não sabemos o que vai acontecer, mas veremos onde vai acabar.
- Muito bem. A partir de hoje, nada dessas coisas que vocês faziam vai acontecer mais. O que quer que seja, será. Não quero problemas. E continuem a ajudar Hamiko.

Kuon, quieto até então, diz:
- Concordo. Conte conosco, Jason.

Jason então despede-se dos dois e segue em direção ao pátio. Porém, antes que virasse na esquina do pátio, Kuon diz:
-A propósito, creio que, diante as circunstâncias, irá desistir da ideia do time B do colégio, não? Será uma sábia decisão sua…

Jason imediatamente retorna ante Kuon, dizendo:
- Isso nunca passou pela minha cabeça. Não vou somente tornar um time como vou te vencer em quadra, seu péla!
- Hum… então acha mesmo que terá chances? Eu imaginava que você tendo conhecimento da minha natureza, iria recuar pra evitar problemas…
- Engano seu. Como eu disse, eu vou vencer você em quadra, seja você humano ou não.
- Muito bem… Eu, a exemplo de você, quero evitar problemas. Tenho uma ideia: que tal um jogo amistoso entre seu time conta o meu?
- Sabe, essa é de longe a melhor ideia que eu ouvi desde que voltei pra essa cidade.
- Muito bem. Então estamos combinados? Irei falar com o professor para liberar o ginásio. Que tal no sábado?
- Perfeito. Até lá já conseguirem ter treinado a equipe. - - Nos vemos lá. E prepare-se, péla.
- Já estamos.

Ambos apertam as mãos, agora de um jeito mais leve e descontraído. Era muito visível a animação de Jason em seu rosto. Depois de combinarem o jogo, Jason retorna para o pátio, restando Kuon e Kazu, que fiz:
- Porque fez isso, Kuon?
- Ele é insolente, mas tem coragem. Eu quero ver até onde vai sua ambição.
- Kuon, você disse que não quer problemas…
- Por isso mesmo. Nesse jogo ele irá ver a diferença entre um humano e um Anis. Cuide de seu amigo, Kazu.
- Kuon, não faça nada estúpido.
- Kazu, é só um jogo. Pessoas se divertem com o esporte. Espero que Jason se divirta também…
- Mas Kuon, você sabe que…
- Que ele não tem chances, não? Isso sem dúvidas. Mas seu amigo é teimoso, insistente… bem, darei a ele o que ele quer. Expô-lo a isso o fará ter mais juízo.

Minutos depois...
Colegio de Aplicação de Yutsuka, 13:00 pm.
Além de Jason e Kazu, havia a terceira turma do terceiro ano. E lá estuda Hitao Katsumo, porém todos o chamava de Sumo. A aula em sua sala transcorria sem problemas. Ele estava sentado em sua carteira, terminando um dos trabalhos o qual o professor de biologia havia aplicado. E, ao fim, o professor diz:
Bem, para quem terminou, formem duplas pra o próximo trabalho exige mais de um aluno.
Sumo já havia terminado e, por isso, pediu permissão ao professor para ir ao banheiro, saindo da sala e seguindo até o banheiro. No retorno, tem a ideia de ir até o bebedouro antes de voltar a sala. E assim que iria chegar até lá, eis que ao mesmo tempo avista aquela garota a qual se apresentou a Jason: Lupa. Ela, ao perceber a intenção de Sumo em beber água, fica parada, somente o observando. Ele, sem graça, diz:
- Eh… se quiser pode ir primeiro. Eu espero.

Ela, quieta e muda, se aproxima do bebedouro e começa a beber água por um breve momento. Só terminar, olha para o rapaz, voltando depois a caminhar para o corretor. Sumo, para quebrar o clima, fiz:
- Eh… espera, por favor… posso lhe fazer uma pergunta?

Lupa então lhe dá atenção, continuando quieta, o esperando dizer. Ele diz:
- Você fica sempre sentada lá no fundo da classe e mal fala. A galera daqui é amistosa. Não precisa ser tão tímida assim.
Ela então se aproxima de Sumo e diz:
- É melhor assim… para o bem… de todos…
- Você se chama Lupa, não?
- Sim…
- Bem, Lupa… todo mundo tem curiosidade de saber de onde você veio e outras coisas…
- Isso não interessa a elas… Mais alguma coisa?
- Eh… não. Tudo bem. Desculpe te incomodar.

Enfim, Lupa volta a caminhar em direção a sala. Sumo então começa a beber água, pensativo.
- “Ela é bem diferente mesmo. Desde sua aparência até sua voz… ela é linda… mas, não sei… Senti algo diferente ao falar com ela…”

Ao terminar, retorna a classe. Mas para surpresa de Sumo, muitos alunos já haviam formado duplas.
Esse pessoal não perdeu tempo mesmo, putz…
Ele vai até um dos colegas de classe, mas houve negativa, pra muitos, a exemplo de Sumo, foram ao banheiro mas antes de sair da sala haviam combinado duplas.
- "Dei mole… deveria ter pensado nisso."

Mas, ao fundo, percebendo bem, estava Lupa, desacompanhada. Ele então segue até próximo da jovem, e diz:
- Lupa, posso fazer dupla com você?

Ela, olhando para o caderno, parecia ignorar o rapaz, mas diz:
- Isso é realmente necessário?
- Sim… o professor exigiu isso é todo mundo aqui já tá com dupla forma. Só faltou a gente mesmo.
- Muito bem…

Os alunos deveriam fazer uma pesquisa sobre o sistema digestivo e marcar os órgãos responsáveis. Sumo então diz:
- Lupa, deixa que eu desenho. Você fica com a parte escrita, tudo bem?
- Tudo bem…

Passam-se alguns minutos e Lupa, sem levantar a cabeça, contribuído a olhar síntese seu caderno, diz:
- Terminei de escrever…

Sumo, se apressando, diz:
- Péra, tô quase terminando… putz, você escreveu muito rápido.

E finalmente o jovem termina. Ele, orgulhoso, diz:
- Pronto! Terminei.
- Que bom…
- Aqui, veja só… ficou bom?

Ele coloca o desenho sobre o caderno de Lupa, que a princípio ignora totalmente o trabalho. Mas em somente olhar por um instante, Lupa fica pasma, e lentamente seu rosto fica levemente rosado. Não demora muito e, assustando e surpreendendo a todos, ela começa a rir descontroladamente, chegando até mesmo a chorar de tanto rir.
- HAHAHAHA! O que é isso? HAHAHAHA! O que está acontecendo comigo?!? HAHAHAHAHA! Eu não consigo parar de fazer isso! HAHAHAHAHAHAHAHAHA!

O professor logo pergunta:
- O que houve aí atrás? Sumo, o que aconteceu?
- Ela… eu… bem, ela está rindo do meu desenho… eu acho.

Lupa continuava rindo sem parar e, com dificuldade, diz:
- HAHAHAHA! Estou rindo?!? Isso é estar rindo? HAHAHAHAHAHAHA! Me ajuda a parar, por favor! HAHAHAHAHAHAHA! Eu não estou aguentando mais...

Sumo parecia ser o único que havia percebido que era sério a situação. Ele logo tratou de pegar o desenho de Lupa e, com ela ainda rindo, a abraçou com força. Todos os alunos estavam até assustados, se acalmando conforme Lupa era contida pelo rapaz, cessando aos poucos sua risada, até se acalmar. A jovem estava vermelha, quase sem ar. Percebendo isso, Sumo a levanta, segurando-a no colo e a levando até a enfermaria.

Enfermaria do Colégio de Aplicação de Yutsuka, 17:00 pm.
Lupa estava repousando em uma cama da enfermaria. Sumo ficou ao seu lado o tempo todo, esperando-a acordar. Não demora muito e a jovem abre seus olhos lentamente, olhando para Sumo, que diz:
- Olha ela aí… acordou finalmente.
- Onde… onde eu estou?
- Está na enfermaria. Você eu tanto que desmaiou.
- Eu… desmaiei?
- Sim. Mas você está bem. A enfermeira disse que você só ficou com falta de ar. O cérebro desliga, aí você apagou.
- Mas… porque isso aconteceu?
- Você riu, e muito… e riu do meu desenho.
- Seu desenho?
- Sim. Mas me diga, porque você riu do meu desenho?
- Eu… eu nem sei o que aconteceu comigo… O que fiz é… estar rindo?
- Sim, mas Lupa, porque a surpresa?
- Estar rindo… eu nunca fiz isso…
- Como assim?
- Aquela sensação… eu não conseguia parar… era uma sensação prazerosa e… era como que eu estivesse livre e…
- Feliz, é isso?
- Sim… eu nunca havia sentido nada assim…
- Sério mesmo que você quer dizer que nunca riu antes? Você é diferente mesmo.
- Diferente? Como assim?
- Bem, você toda é diferente. Mas isso é bom. Você é linda, e ver você rindo, embora tenha me assustado um pouco, foi bom.
- Porque diz isso?
- Porque você tem um lindo sorriso. Ficou ainda mais bonita sorrindo.

Ela, virando um pouco o rosto para o lado, diz:
- Me… me perdoe…
- Ueh, porque?
- Por estar rindo do seu… desenho…
- Relaxa, Lupa. Eu só queria saber porque você riu do meu desenho.
- Você… você desenha muito mal... Assim que percebi isso... senti algo aqui dentro e fiz o estar rindo...
- Sério? Pensei que tinha feito certo o desenho. Me dediquei bastante e levou muito tempo. Estava tão ruim assim?
- O intestino parecia… um… lápis… e o esôfago parecia um… grão de feijão…
- Nossa… preciso mesmo fazer um curso então…
- Precisa sim…
- Hahahaha. Você é bem sincera.

Lupa, virando seu rosto na direção do jovem, o olha nos olhos, com um semblante mais tranquilo e, desta fez, mais amistoso que de costume. Ela então diz:
- Me… perdoe…
- Ora, pelo quê dessa vez?
- Por ser… sincera… Talvez tenha ficado magoado comigo…
- Relaxa. Eu não levo essas coisas a sério. E sim, eu desenho mal, hehe…
- E obrigada…
- Pelo quê?
- Por ter me ajudado… estou eternamente grata a você…
- Que isso, Lupa… tá tudo bem…
- Eu preciso retribuir…
- Que nada, Lupa… amig…

Sumo não pôde nem ao menos terminar a frase. Lupa havia se sentado a cama e, usando uma das mãos, puxou o rosto do rapaz até próximo ao seu e o beijou na boca de forma intensa…

Continua...


“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”
                                                                          William Somerset Maugham
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