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Fur And Skin - Pequenina Dançarina
#1
Citação:Mais um arco da Série Fur And Skin. Este conta a estória de um relacionamento estranho e conturbado entre um humano e uma ooza que possui alguns problemas com sua altura - Pouca altura.
No entanto, apesar do tamanho, Bucky é muito geniosa e por não ter papas na língua, vai garantir bastante confusão a la Sessão da Tarde, em uma São Paulo que está descobrindo Tabax porque, um dia ou outro, isso iria acontecer.
Bucky foi inspirada em uma pônei shetland desenhada no livro "How to draw Furries", cujo PDF eu baixei pra ver se um dia aprendo a desenhar.
Como eu adiantei bastante a estória, então resolvi republicá-la aqui.
Espero que gostem.

NOTA: <Diálogo em tabaxi>

Fur And Skin – Pequenina Dançarina

Bucky! Bucky!
Bucky!

O vozerio, de vozes humanas, é direcionado a uma pequena figura. Uma ooza equina, com roupas folgadas, pelagem cinzenta, crina e cauda castanhas, e movimentos muito precisos para alguém de seu tamanho.


Boate La Macchina, São Paulo, 2 horas da madrugada. Campeonato de dança Freestep, categoria feminina individual.


Bucky
é a única ooza participando do campeonato, e seus passos atrevidos e ousados surpreendem os juízes. Apesar de seu tamanho diminuto para sua raça (1,30m), ela é uma jovem pós-adolescente (23 anos), e sua leveza aliada à sua força natural da raça, permite manobras impossíveis de serem feitas mesmo por um homem não- treinado!

Três minutos de música depois, só se ouve o nome de Bucky sendo gritado à plena voz. Seu codinome foi dado devido à pequena incluir coices (Bucks, em inglês) em suas danças, verdadeiros chutes altos, dignos de artistas marciais.


Hora das notas. Tensão no ar. Sua concorrente direta também fez uma excelente dança, mas não chamou tanta atenção quanto aquela tampinha, como ela se referia à pequena ooza. Está preocupada, afinal, tinha sido campeã três vezes seguidas, e ganharia um “por fora” se conseguisse o quarto título.


Mas, foi quando levantaram as cinco placas, quatro com nota 9.9 e uma com nota 9.85, que ela viu seu prêmio bater asas e voar.

Pela primeira vez, desde que haviam começado os contatos entre Terra e Tabax, uma tabaxi é campeã de dança no La Macchina!
A jaqueta que sua concorrente carregava foi jogada no chão, a derrotada pisando duro para fora, sendo acompanhada de duas amigas suas. Suas intenções são claras: Dar uma lição naquela filha de uma égua, como ela passou a chamar Bucky.

Encontrou-se com a sua panelinha: uma turba de jovens bebendo sua vodka e escutando seu rap, sossegados. “Moe”, o líder da gangue, inquiriu sua colega.


(Moe)—E aí, Kate? Cadê o troféu?


(Kate)—Pfff... Aqueles juízes de merda... Resolveram dar o prêmio para uma forasteira!


(Moe)—Ah... Sério? Quem é?


(Kate)—É fácil de ver: Uma pequenina, com corpo de 12 anos e cara de potra.


(Moe)—P...P-potra?


Seu braço-direito, Jack, explica.


(Jack)—Uma ooza, de Tabax. Aquele povo meio-bicho, que tá vindo dar umas bandas por cá.


Uma onda de risadas invadiu o ambiente. Com certeza, Kate ficou irritadíssima!


(Kate)—PAREM DE RIR!!! AQUELA TAMPINHA ME HUMILHOU NA FRENTE DE TODA A BOATE!!!


(Moe)—(Eeeehhh...) Tá, e o que você quer que eu faça?


(Kate)—O que acha? Tá difícil de explicar?


(Moe)—Tá, já entendi. Você quer que a gente dê um “corretivo” nela, é isso?


(Jack)—Mas, Kate... Ela é baixinha, você pode dar um “corretivo” nela sozinha, não pode?


(Moe)—Jack... Não questione. A Kate quer, a Kate tem. Covardia é, porque você mesma disse, Kate, ela tem corpo de menina de 12 anos. Mas se você quer, então vamos dar um “corretivo” nela!


(Jack)—Você fala isso porque é pra você que ela abre as pernas, né? Não fosse pela alegria da cabeça de baixo, você usaria mais a cabeça de cima!


(Moe)—Olha como fala comigo, Jack!


(Kate)—Jack, fica na tua!


(Jack)—Eu tô fora. Se os outros quiserem, podem ir.


(Moe)—Tu é um covarde mesmo, Jack! Pete, Jo, vem comigo! Mas sem “brinquedos”... Vamos maneirar por causa do tamanho.


(Kate)—Aquela barranqueirinha vai ver só!...


Enquanto isso, ainda na boate...Bucky tomava mais um HiFi ao lado de suas colegas de raça, Thoá e Risara.


(Thoá)—<Viu só a cara daquela suywan convencida, achando que tinha ganho a parada, quando viu o troféu nas mãos da Bucky?>


(Risara)—<Ficou uma fera! Cuidado, hein, Bucky! Essa raça é traiçoeira até os ossos!>


(Bucky)—<Como se eu fosse ter medo de uma suywan irritada, bah! Eu danço em cima dela e das colegas dela!>


(Risara)—<Não brinca com isso, Bucky! Nós estamos fora de nosso ambiente natural, a Força Corretiva daqui não vai poder nos ajudar!>


(Thoá)—<Oi? A Bucky se garante,Risara! Nós não, que somos moças frágeis e sensíveis, mas a Bucky sempre foi durona! Não à toa, os suywan deram esse apelido pra ela!>


A boate está fechando. Já são quatro da manhã, e os frequentadores já estão indo embora para suas casas. Um tanto altas devido à bebida, Thoá e Risara andam abraçadas e meio trôpegas, com Bucky atrás delas, empurrando-as. Risara está com o troféu que Bucky ganhou, fazendo gracinhas com ele. Do lado de fora, Kate e seus comparsas as esperam.


(Kate)—A lá! Aquelas três cascudas! Vamos dar um cacete nelas até sangrarem pelos olhos!


(Moe)—Segura tua onda, Kate! Você tinha dito dar um corretivo apenas na pequena! Foi ela quem te humilhou, não as outras duas! Eu sozinho dou conta da pequenina. Pete, Jo, vocês dêem um jeito pras amigas dela não ajudarem. Não vai ser tão difícil, dá pra ver daqui que elas estão de fogo!


(Jo)—Pode “dar uma pressão” nelas?


(Moe)—Como queira, seu tarado... Deixa apenas elas entrarem numa quebrada... Kate, não dá bandeira! Vamos seguir elas a uma distância...


Dito e feito, desconhecedoras dos caminhos do lugar que são, as três potrancas entraram em uma quebrada escura. Moe, Kate, Pete e Jo seguiram e entraram logo atrás.


(Thoá)—<Me diga que não... Mas eu acho que estamos sendo seguidas...>


A pequenina, única sóbria do trio, usa sua visão de quase 360 graus, natural para sua espécie. E, apesar da desvantagem numérica, ainda provoca.


(Bucky)—<Que foi, sua fracassada? Veio atrás de mim para me apresentar teu macho e seus coleguinhas?>


(Risara)—<É aquela derrotada! E veio atrás de encrenca!>


(Thoá)—<Bucky, são machos! Eu... Eu acho que a gente devia correr!>


(Bucky)—<Então correm vocês duas, porque eu vou sapatear em cima dela e dos machos dela!>


(Thoá)—<Mas... Mas são machos! E maiores que você!>


(Risara)—<(Thoá, quem não é maior que a Bucky?)>


(Bucky)—<E daí?> (Já visivelmente irritada) <Eu bato nos quatro e ainda dou uma conferida, pra ver se esses machos valem a pena! CORREM, SUAS BARRANQUEIRAS!>


Contrariadas e meio trôpegas, Thoá e Risara correm.


(Pete)—A lá, elas estão fugindo!


(Moe)—Deixa irem embora.


(Jo)—Mas e a nossa pressão?


(Kate)—DEPOIS VOCÊS VÃO ATRÁS DELAS, EU QUERO QUE DEEM UM JEITO NESSA VADIAZINHA!!!


(Bucky)—“Va-di-a-zi-nha”...
<Oferecida, né? Eu mostro a vocês!>

(Jo)—Que idioma louco é esse que ela tá falando?


(Moe)—Blablablá de imigrante. PAU NELA!

(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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[Imagem: CAP.jpg]
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#2
(Continuando...)

(Moe)—Blablablá de imigrante. PAU NELA!

E lá foram os três ao ataque. Bucky, já tendo uma visão geral do ambiente, pulou com tudo para a direita, metendo os cascos na parede e subindo mais alto, deixando os três no vácuo.


Moe teve os reflexos fortes para não cair, ao contrário de Pete e Jo, que se esborracharam no chão. Todavia, foi o primeiro a ganhar um coice aéreo na cara. Parou no meio das latas de lixo. Pete e Jo, ainda se levantando da queda anterior, levaram coices na cara que, dada a musculatura compacta e explosiva de Bucky, os jogaram mais meio metro pra trás. Moe, já recuperado, e irritado pela petulância da ooza em lhe bater, procura qualquer coisa no chão. Acha um pequeno caibro. Kate ataca Bucky usando uma corrente, mas Bucky agarra a corrente e começa uma disputa aparentemente injusta de cabo-de-guerra. Moe avança com o caibro, Bucky abaixa para não ser pêga em um golpe horizontal, e tira a força do cabo-de-guerra pra ser puxada com tudo por Kate e sair de perto de Moe.


Bucky
cai em cima de Kate, mas a humana é mais fria e já junta as mãos no couro da equina, tentando deixa-la indefesa. Moe, Pete e Jo, pedaços de pau em mãos, avançam lentamente, enquanto Kate entra em luta corporal com Bucky. Apesar de baixinha, a equina é forte, e a humana tem dificuldade em segurá-la.

Tanto barulho não passaria despercebido, apesar do horário.


“—Ei, Don, que muvuca é aquela?”


(Don)—Coisa boa não é. E ouvi a voz do Moe, com certeza, estão batendo em alguém. Vamos ver.


Don, um latino de seus 30 anos, é líder de uma gangue que rivaliza com a gangue de Moe e Kate. Junto dele, Zan (Filho de chineses) e Pezão (Um cearense que calça 48) estavam passeando. Tinham ido até a La Macchina, mas saíram antes das finais do concurso de dança.


Don, Zan e Pezão adentraram a quebrada. Bucky estava lutando contra Kate, que tentava lhe enforcar com a corrente, enquanto Moe, apesar de relutante, chutava a equina.


(Don)—EI, COVARDÃO! Batendo em criança, agora?!?


(Moe)—Não é da tua conta!


Nesse momento de guarda baixa, Bucky pisou o pé de Kate e se livrou das correntes, mas não antes de dar uma generosa joelhada entre as pernas de Moe, fazendo-o cair de joelhos.


Pete e Jo tentaram agarrá-la, mas aí a gangue de Don interveio fisicamente. Moe, sabendo que a luta seria perdida, tratou de se retirar, arrastando sua namorada que ainda mancava do pisão de Bucky. Não demorou muito, Pete e Jo notaram que estavam em desvantagem e também bateram em retirada.


Dando gritos de “Covardes!”, Zan, Don e Pezão comemoraram mais uma briga ganha. Foi quando notaram que Bucky ainda estava lá.


(Zan)—E agora?


(Pezão)—Arriégua, é uma menina-potra! Daqueles que passam na TV!


(Don)—Você tá livre. Vai, pode ir.


Sinalizando caminho aberto, Don gesticula para que Bucky saia daquela quebrada.


(Zan)—Sem querer ser chato, mas... Eu acho que ela se perdeu dos pais dela.


(Don)—Será?


(Pezão)—E eu acho que ela não entende o que a gente fala.


(Zan)—Mas você pode falar na língua dela, né?


(Don)—Fazer o quê... Tive que aprender esse bendito idioma pra gente poder ter a ajuda daqueles...


(Pezão)—Vá lá falar com ela, deve estar assustada.


Don, aproximando-se lentamente em direção a Bucky, mãos levantadas, tenta puxar uma conversa.


Bucky
está tensa, respirando com dificuldade, e aquele ambiente escuro não ajuda na focalização.

(Don)—<Você... Você está bem?>


Bucky
se assusta: “Um suywan que fala no idioma toukan?

(Don)—<Tudo bem... Você está entre amigos.>


Emocionalmente abalada por causa da briga onde quase viu a cara da morte, Bucky se joga nos braços abertos de Don, soluçando, embora tentasse continuando parecer forte.


(Bucky)—<Aquela maldita, queria mesmo me matar por causa de um concurso de dança idiota!... Não aceita perder, e não tem coragem pra me encarar sozinha, chamou os machos dela pra me pegar, aqueles...!!!>


(Don)—<EI! Você é a Bucky?> (Para Zan e Pezão) É a Bucky, malucos!


(Zan)—Bucky? A dançarina?...


(Pezão)—Tava muito parruda pra ser uma menina...


(Don)—<Então você ganhou da Kate? Não é qualquer uma que ganha da Kate num concurso de dança! Er... Acho que não fomos apresentados, foi tudo muito... Rápido... Hehe... Eu sou o Don.>


(Bucky)—<Prazer... Então, vocês sabem quem eu sou?>


(Don)—<Como não saber? Você foi a única tabaxi inscrita no concurso de dança!> Mas na tela, você parecia... Maior.


O quarteto sai da quebrada. O céu está mais claro devido à proximidade da alvorada.


(Bucky)—<Estou toda suja por causa dessa briga!>


(Don)—<Estou indo pra minha casa, agora. Se quiser se recompor, pra depois tomar teu rumo... Pode ficar lá.>


(Zan)—Ei, Don, pra onde tá levando ela?


(Don)—Pra casa. E não vão pensar besteira!


(Pezão)—Ixi, agora sim que eu pensei! Olha o tamaínho dela, acho que ela não--


(Don)—Calaboca, Pezão!


(Bucky)—<Por que está gritando com eles?>


(Don)—<Porque eles estão pensando descabeçagens só porque eu te chamei pra ir pra minha casa.>


(Bucky)—<Machos... Todos iguais!>


(Don)—<Todos?>


(Bucky)—<Todos. Até que me provem o contrário.>


Don reconhece uma indireta quando ouve uma, e sabe que a melhor defesa contra esse tipo de indiretas é ficar calado. Dito e feito, não disse uma só palavra até chegar ao edifício onde mora.


 

Levando uma pônei pra casa

(Don)—<É aqui onde eu moro. Não sei se tem desse tipo de construções lá em Tabax...>


(Bucky)—<Vocês empilham suas casas umas sobre as outras. Muito ooza pra pouco espaço. Eu li bastante sobre vocês antes de vir pra São Paulo.>


(Don)—<Então... Vamos.>


(Bucky)—<Hã... Não seria melhor deixar pra outra hora?>


(Don)—<Que foi... Tem medo de altura? Não se preocupe, basta não encostar no parapeito.>


Bucky
olha pra cima, e não consegue disfarçar seu desconforto.

(Don)—<Não se preocupe, eu moro no segundo andar.>


A pequena ooza nitre, aliviada. Convencida, segue Don até seu apartamento. Nunca tinha subido em um elevador antes, por isso estranhou quando entrou e, ao sair, estava em outro lugar.


Curiosa, Bucky vê Don ir em direção a uma das portas, e abri-la: Está em casa. Resolve segui-lo, afinal, precisa MESMO de um banho.


A visão do apartamento de Don é a visão do puro caos: Roupas, objetos e diversas traquitanas espalhados pela casa, poeira se acumulando, comida velha na pia, junk-food por todo lado e a TV ligada para ninguém assistir.


(Bucky)—<Deixe-me adivinhar... Não tem uma fêmea morando aqui.>


(Don)—<Como percebeu?>


(Bucky)—<Intuição feminina... Esta casa parece um chiqueiro! Onde se toma banho aqui?>


(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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[Imagem: CAP.jpg]
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#3
A sua história é fantastica me prendeu e não consegui parar de ler parabéns.
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#4
(Continuando...)

(Bucky)—<Intuição feminina... Esta casa parece um chiqueiro! Onde se toma banho aqui?>

(Don)—<Porta branca. Vai ter um vaso sanitário e um Box. Entre no Box e use o chuveiro.>

(Bucky)—<Certo...>

E a pequenina começou a se despir lá mesmo onde estava! Don, num relance, viu a cena e protestou.

(Don)—EI!

(Bucky)—<Que foi, agora?>

(Don)—<Por que você está tirando sua roupa aqui?>

(Bucky)—<Ué... Pra ir tomar banho!... Que foi, nunca viu uma fêmea nua antes?>

(Don)—<Da tua raça, nunca. Do teu tamanho, nunca. E fêmeas neste planeta não tiram a roupa na frente de machos, a menos que estejam a fim de...>

(Bucky)—<A fim de...?>

(Don)—<O-olha, na nossa cultura, a gente tira a roupa lá dentro do banheiro, com a porta fechada, pra ninguém ver!>

O rubor na face de Don era evidente. Bucky achou engraçado ver um macho desconcertado ante a nudez de alguém. Juntou suas roupas e foi pro banheiro, fingindo irritação.

(Bucky)—<Cada coisa que me aparece... Vou te falar, se você estivesse em uma praia de Tabax, você estaria perdido!>

(Don)—<MAS AQUI NÃO É TABAX!!!>

(Bucky, já no banheiro)—<Não grita que eu não sou surda!!!>

A pequena potranca acomodou suas roupas sujas do lado de fora do Box. Olhou as duas torneiras, cada uma com uma letra. Em Tabax, usa-se uma alavanca para liberar a água. Levou sua mão direita onde tinha a torneira com a letra “Q”. Girou de uma vez.

(Bucky)—<AAAAAAAARRRRRGHHHH!!!! QUENTE, QUENTE, QUENTE, QUEEEEENNNTEEEEEEEEE!!!>

(Don, da sala)—<GIRA A OUTRA!!!>

Bucky girou a outra torneira, com a letra “F” nela, e a temperatura caiu, ficando mais agradável. Fechou parcialmente a torneira “Q”, deixando a água ideal para ela poder se banhar. Só que os ooza não usam esponja de banho, eles usam um tipo de sabonete líquido. E a alturinha da pônei não a permitia alcançar o frasco de shampoo que ela julga ser sabonete líquido.

(Bucky)—<Suywan...>

(Don)—<Fala.>

(Bucky)—<Não alcanço o sabão!>

(Don)—<Tem um banquinho aí, sobe nele que você alcança. Minha irmã usa ele pra pegar o shampoo e o condicionador.>

(Bucky)—<Você tem uma irmã?>

(Don)—<Ela mora com os meus pais, mas uma vez por mês ela baixa aqui pra me torrar o saco.>

Enquanto Don explicava sobre sua irmã, Bucky colocava o banquinho citado na posição para subir em cima.

(Bucky)—<Ela é baixinha, assim como eu?>

(Don)—<Na verdade, ela tem d-->

--CATABLOF!!!

(Don)—Bucky?...Bucky?I?

Bucky havia escorregado do banquinho e caído no chão, batendo a cabeça numa das paredes do banheiro. O silêncio gelou o sangue de Don.

(Don)—BUCKY!!!

Abrindo a porta do banheiro, que Bucky não havia trancado (Porque não sabia que era pra trancar), Don invade o Box e vê Bucky caída, inconsciente!

(Don)—Bucky!!! Bucky!!! Fala comigo, porra!!! Cê tá bem?!?

Na mão esquerda dela, um frasco de shampoo, que tinha aberto devido à queda, e espalhava o produto pelo corpo molhado da pequena equina.

Olhando a cabeça de Bucky, Don vê um senhor galo, e um filete de sangue saindo dele.

(Don)—Bucky... Putaquepariu, ACORDA!

E Don sacode o corpo de Bucky, sem efeito. Tenta ver se o coração está batendo, levando a mão direita ao peito da pônei.

--TABEF!!!

(Bucky)—<Bem que me falaram que os machos suywan são meio tarados!... Aiii, minha cabeça...>

Sentado no chão, a marca da mão com os cinco dedos na cara, Don reclama.

(Don)—<Valeu pela “consideração”... E o idiota aqui achando que você tinha morrido...>

Indiferente a isso, Bucky espalha shampoo pelo corpo e esfrega com as mãos.

(Bucky)—<Parece que você mudou de idéia quanto à nudez, uma vez que ainda está aí, sentado, me vendo tomar meu banho... Tá gostando do que tá vendo?>

Completamente desconcertado, Don sai do Box e do banheiro, derrubando coisas pelo caminho. Bucky acha graça.

Após terminar o banho, Bucky, enrolada em uma toalha, questiona Don.

(Bucky)—<Ei, suywan, você disse que tem uma irmã do meu tamanho, né? Ela tem alguma roupa limpa aqui?>

(Don)—(Buff...) <Ela separou umas roupas velhas dela pra eu levar prum brechó, estão ao lado da minha cama, numa sacola branca. Escolha o que quiser e pode ficar com elas.>

(Bucky)—Ehre? <Legal da tua parte!>

A pônei vasculha a sacola, procurando por alguma roupa que ela ache legal (“Nenhuma roupa de baixo!...”, reclama consigo mesma), e resolve questionar Don novamente.

(Bucky)—<Ô suywan!>

(Don)—<Porra, pára de me chamar de suywan, caralho! Meu nome é Donaldo! Donaldo Vega! Me chama de “Don” que é melhor! Mas pára de me chamar de suywan!>

(Bucky)—<Ai, o suywan ficou bravinho!!! Ahahahaha... Como queira... Donaldo Vega. Só queria te perguntar se tua irmã não usa roupas de baixo, porque não acho nenhuma aqui!>

(Don)—<Nós não repassamos roupas de baixo usadas. É sujo! Quando uma roupa de baixo fica velha, nós jogamos fora.>

(Bucky)—<Costume fresco, esse de vocês... E escute, há quanto tempo você não tem uma namorada?>

(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#5
(Continuando...)

(Bucky)—<Costume fresco, esse de vocês... E escute, há quanto tempo você não tem uma namorada?>

(Don)—<Por que a pergunta?>


(Bucky)—<Porque teu quarto tá cheio de revistinhas e outras coisas que filhote não pode ver, e pra mim, isso é falta de fêmea.>


O humano, irritado, se dirige para o seu quarto, a passos duros.


(Don)—<Mas... Mas QUEM te deu autorização pra mexer onde não dev...


Novamente, Don vê Bucky sem roupas, escolhendo as que iria vestir.


(Bucky)—So’dya... <Isso aí na tua calça... É um Bananão Paulista,
[D1]  ou você tá gostando de me ver assim?>

Irritado, Don fecha a porta do quarto, esbravejando do lado de fora.


(Don)—<TROCA LOGO DE ROUPA, CARAJO!!!>


(Bucky)—<Ah, respondendo a tua pergunta... Eu não mexi em nada, tá tudo espalhado pelo chão, em cima da cama, sobre os móveis... Não tenho culpa se você é desleixado.>


Respirando fundo, Don confere dentro da calça, e vê que Bucky estava brincando com ele. “Deve ter se enganado”, pensa.


Passam-se mais alguns minutos, e Don ouve bater na porta.


(Bucky)—<Ei, Donaldo Vega... Você me aprisionou aqui no teu quarto das perversões, ou eu já posso sair? Não se preocupe, já estou vestida!>


Vagarosamente, Don abre a porta, desconfiado. Todavia, as roupas que Bucky escolheu...


(Bucky)—<Tua irmã é meio magrinha, não?>


Na parte de cima, um top de biquíni, e na parte de baixo, um short de cintura baixa. Ambos ficavam muito colados em Bucky, mal cobrindo seu corpo.


(Bucky)—<Esse era o único que tinha espaço para a minha cauda. Não gosto de cintura baixa, mas...>


(Don)—<Você está usando a parte de cima de uma roupa de praia.>


(Bucky)—<Então é verdade, vocês usam roupas quando vão à praia...>


(Don)—<Não achou nada mais decente para usar em vez de esse... Esse...>


Indiferente ao que Don falava, Bucky resolveu conhecer melhor o pequeno apartamento do seu anfitrião, praticamente morta de cansaço.


(Bucky)—<Onde tua irmã dorme?>


(Don)—<Eu armo o sofá-cama pra ela.>


(Bucky)—<O que vem a ser um “sofá-cama”?>


Palavras não seriam suficientes para explicar àquela baixinha o que era um sofá-cama. Então, Don resolveu mostrar na prática: Desdobrou o sofá-cama e estendeu um colchonete por cima.


(Bucky)—<Olha, que prático! Economiza bastante espaço! Acho que vou pedir para o meu tio comprar um desses e levar pra minha casa em Rippata.>


A pônei se deita, cobrindo-se com um edredom rosa comumente usado pela irmã de Don.


(Don)—<Bom, boa noite. Vou dormir, também.>


(Bucky)—Ayté Ari.


(Don)—Cuma?


(Bucky)—<Meu nome verdadeiro. Ayté Ari. Você me falou o teu nome inteiro, me vi no dever de falar o meu também. Mas pode continuar me chamando de Bucky. Don...>


(Don)—<Fala, meia-entrada.>


(Bucky)—<Valeu pela ajuda... Amanhã vou me encontrar com as minhas duas amigas desmioladas no Autam-Dea
[D2] . Você me diz como chegar lá?>

(Don)—<Amanhã, eu vejo isso aí.>


(Bucky)—<Só mais uma perguntinha...>


(Don)—<Fala...>


(Bucky)—<Você é gay? Além de ter mó cara de bich...>


Um travesseiro voa do quarto de Don direto na cabeça de Bucky, que não consegue esconder a gargalhada.


(Don)—<Se eu fosse um caipira... Você ia ver só!!!>


(Bucky)—<O que ser caipira tem a ver com ser gay ou não?>


Don não responde nada, só fecha a porta. Bucky se deita novamente, mas liga seu celular.


(Thoá)—<ONDE É QUE VOCÊ TÁ, SUA DESCABEÇADA?!?>


(Bucky)—<Na casa de um suywan, que me livrou de uma encrenca brava. Ele sabe até falar no nosso idioma!>


(Thoá)—<Um suywan?!? E como ele é?>


(Bucky)—<Quer ouvir primeiro o que te interessa ou o que interessa à Risara?>


(Thoá)—<O que me interessa primeiro!>


(Bucky)—Tan puyuu Si kon!
<Mas pela cara dele – E pelo estado da casa dele – me parece que ele nunca usou.>

(Thoá)—Tan puyuu?...<Quanto?... Conseguiu ver?>


(Bucky)—Mare.<Mas quando ele me viu em pêlo puro, deu pra ver o músculo másculo por baixo da veste. Os suywan não resistem a uma visão de um corpo sem panos.>


(Thoá)—<E por que você ficou em pêlo puro na frente de uma raça conhecida em toda Tabax por sua incontinência de libido, posso saber?


(Bucky)—<Eu estava trocando de roupas e falei algo que o irritou... Hihihi... Precisa ver a cara dele bravo!>


(Thoá)—<Eu quero ver é o puyuu dele, se vale a pena. Qualquer coisa, semana que vem eu já estou pronta...>


(Bucky)—<Te garanto, é maior que os Bananões Paulistas que você pega na feira e fala que é pra “fazer uma vitamina”...>


(Thoá)—<E-eu FAÇO vitaminas com elas! Olha, eu tô aqui no hotel, vou dormir, à noite a gente se fala...>


Era meio-dia quando Bucky acordou, com um som de liquidificador lhe atazanando os ouvidos. O excesso de claridade forçou os olhos de Bucky a ficarem fechados por mais alguns minutos. Logo depois, a claridade já estava aceitável, e Bucky saiu da cama, rumo à cozinha.


Mas quem estava lá não era Don.


--AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!!!


 

“É tua namorada?”

(Don)—(Uaaah...) Mas que gritaria é essa, logo de manh--


Uma garota de seus 10 anos e cabelos pintados de vermelho corre rumo a Don e abraça-o forte pela cintura.


(Don)—Sheila?


(Sheila)—MANO!!! Uma... Uma... Uma COISA entrou aqui no apê!!! Tá lá na cozinha!!!


(Don)—Larga da minha cintura, Sheila, aposto que até sei quem é...

(Continua...)



 [D1]“Bananão Paulista” é uma variedade de banana adaptada para o gosto dos ooza de Tabax. Tem esse nome por ter sido desenvolvido em São Paulo.

 [D2]“Autam-Dea” é o nome tabaxi para “Funtoporto”, ou seja, a instalação que abriga um portal que conecta a Terra a Tabax.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
[Imagem: writer__s_stamp_by_themasterneko-d3d718g.gif][Imagem: brony__stamp_by_blizzykai-d3kvtne.png][Imagem: monster_musume_cerea_stamp_by_venasari-d97gxns.png][Imagem: Gurren_Lagann_Stamp_by_BLUE_F0X.gif][Imagem: my_rosario_vampire_inner_moka_stamp_by_a...6ki62a.png]
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#6
(Continuando...)

(Don)—Larga da minha cintura, Sheila, aposto que até sei quem é...

Na cozinha, vasculhando a geladeira, Bucky acha uma maçã e começa a mascá-la.


(Bucky)—<É tua filha, essa sirene em forma de suywan?>


(Don)—<É minha irmã, Sheila.> Sheila, vem cá! Esta é uma colega minha, o nome dela é meio difícil de falar, mas pode chamá-la de Bucky.


Sheila, no entanto, ficava escondida atrás de Don, sem ter coragem de dar um passo à frente.


(Bucky)—<O que há com ela, até parece que ela nunca viu um ooza na vida!>


(Don)—<Muita boataria que os meus pais falam pra ela. Por que você acha que eu saí de casa?>


(Sheila)—Que idioma estranho é esse que vocês estão falando? E como você consegue se comunicar com ela tão facilmente? Quantos anos ela tem? Eu vi o sofá-cama desdobrado... Ela dormiu aqui?!? Os pais dela sabem disso?!?


(Don)—Uma pergunta de cada vez, Sheila!


(Sheila)—É tua namorada?


Nisso, Bucky se deslancha a rir!


(Don)—<Está rindo por quê?>


(Bucky)—Ahahahahahah, <essa parte eu entendi!> (Para Sheila) Caham... Naum. Eu naum namoradja Don.


(Sheila)—Ufa! Já pensou se o pai ou a mãe descobre que você é um pedófilo?


(Don)—CUMA?!?


(Sheila)—Tá certo que ela é mais “desenvolvida”, mas eu sou pouquinho mais alta que ela! Quantos anos ela deve ter, doze?


(Don)—<Bucky, qual é a tua idade? Minha irmã quer saber.>


(Bucky)—<Quantos anos você acha que eu tenho?>


(Don)—<Sei lá, uns 17?>


(Bucky)—<23.>


(Don)—Ela tem 23 anos, Sheila.


Sheila fica pasma. Não acredita que aquele cisco de ooza tenha 23 anos. Toma coragem e fica perto de Bucky, para comparar os tamanhos


(Bucky)—<É verdade, tua irmã é magra, mesmo. Quantos anos ela deve ter, doze?>


(Sheila)—O que você disse?


A pônei saca um livreto de seu bolso, folheia umas páginas, e tenta falar português.


(Bucky)—Você, anos quantos ter? Dowzi?


(Sheila)—Dez.


(Bucky)—Dez, dezdezdezdez... <Ah, dez! Tá grande pra idade que tem!>


Sheila olha o corpo de Bucky, vestido com suas roupas que iriam para o brechó. De fato, as curvas apontam que é uma adulta, mas ela ainda não conseguia compreender o por que do tamanho dela. Geralmente, equinos são altos.


(Bucky)—Você, cara de quem pergunta estar. Que é?


(Sheila)—Er... Por que você é tão... Baixinha?


(Bucky)—Bai-shi-nya?... Baishinya, baishinya... (Vasculha o dicionário) <Don, o que é “baishinya”?>


(Don)—<Uma ooza...> (Leva a palma da mão à altura da própria cabeça e vai baixando até encostar na cabeça de Bucky) <...Baixinha.>


(Bucky)—<Ah... Meus pais. Eram irmãos e não sabiam.>


(Don)—Genética. Os pais dela eram irmãos e não sabiam.


Seguiu-se uma conversa animada entre Sheila e Bucky, com Don servindo de interlocutor. Apesar da idade, Sheila tem ideias à frente de seu tempo, e não suporta a repressão de seus pais, por isso, de vez em quando passa um tempo na casa do seu irmão, aproveitando pra colocá-la em ordem.


Bucky
contou sua história, também. É difícil para alguém como ela arrumar um emprego, então ela resolveu aprender a dançar e participar de campeonatos de dança, vivendo disso. Suas amigas, Thoá e Risara, ganham uma parte do prêmio e em troca vasculham pela Rede Numerada tabaxi e pela Internet terráquea em busca de campeonatos de dança que tenham prêmios em dinheiro, e inscrevendo Bucky neles de acordo com a sua agenda. Ela planeja voltar a Tabax, pois há um campeonato milionário de dança em Ahan-Kahabo. Daqui a 15 dias.

No final, Sheila tratou de ensinar umas expressões em português para Bucky, incluindo o básico: Palavrões. Em retribuição, Bucky tratou de ajudar Sheila com a inglória tarefa de limpar o apartamento de Don, ao mesmo tempo que aprendia o nome das coisas no idioma dos suywan.


 

Thoá e Risara

Entardeceu, e Bucky se lembrou de reencontrar com Thoá e Risara no hotel onde elas estavam hospedadas. Despedindo-se de Sheila, Bucky e Don pegam um ônibus até as proximidades do hotel.


(Don)—<É uma pena, faz tempo que minha irmã não conversa tão animadamente. Isso quer dizer que você não vai voltar, né?>


(Bucky)—<Só se for uma coincidência. Mas não espere minha presença se houver qualquer outro campeonato nessa boate onde eu fui.>


(Don)—<A La Macchina?>


(Bucky)—<É, essa aí. Não tenho a menor vontade de ver a cara daquela suywan metida a dona do pedaço.>


(Don)—<Tá falando da Kate? Aquela é uma oferecida! Pra abrir as pernas pro Moe, tem que jogar o amor-próprio na lata do lixo!>


(Bucky)—<Olha, é o ponto!>


Don e Bucky descem, já vendo a fachada do Hotel Camarada, um hotel com temática comunista, atravessam a rua e Bucky liga para Thoá.


(Bucky)—<Thoá, estou no hotel. E trouxe o suywan pra você ver.>


Ouve-se um estardalhaço, e depois um barulho de passos descendo escadas na maior afobação.


Thoá e Risara chegam à recepção do hotel, agarrando Bucky e jogando-a pra cima (Bucky ODEIA isso!), em pleno clima de festa.


Thoá possui uma pelagem cinzenta-clara, quase branca, pendendo pro azul, crina e cauda brancas. Risara, por sua vez, é castanha com algumas manchas brancas, e suas partes sem pelos (Sim, os ooza possuem partes descobertas!) são rosadas como o rosto de uma polaca, contrastando com o tom ebâneo usual aos equinos. Risara é mais calma e reservada, enquanto que Thoá é frenética e explosiva (E bebe MUITO!). E, a respeito de machos, Risara escolhe pela personalidade, o que falam, como se comportam, enquanto Thoá vai direto ao assunto e gosta de machos que possuam um belo físico, ou pelo menos, um belo dote.


Don, quieto até então, observa a festa das três, e olha o seu relógio. Thoá nota Don e dispara:


(Thoá)—<É esse o teu novo namorado?>


(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#7
(Continuando...)

(Thoá)—<É esse o teu novo namorado?>

(Bucky)—<Namo...? Vá te yiffar, Thoá! Foi ele quem me ajudou a me livrar daquela gangue de babacas!>


(Thoá)—<Ao menos você...?>


(Bucky)—<Quê?... Não. Nem pense nisso!>


(Thoá)—<Ih, agora sim que eu pensei!>


(Bucky)—<Ele é um suywan! Por que raios eu yiffaria um suywan?>


(Thoá)—<Que foi, tá visando pureza racial, é?>


(Bucky)—<Hã?>


(Risara)—<O yiff interespécies tá na moda, Thoá quis dizer.>


Nisso, enquanto elas discutiam, Don deu meia-volta e estava prestes a atravessar a rua.


(Thoá)—<Ei! Queria te falar uma coisa.>


(Don)—<Fala!>


(Thoá)—<Não seja tão tímido, suywan, chega mais perto...>


Bufando, Don volta pra perto das três.


(Don)—<O que você quer?>


(Thoá)—<Quero te dar um abraço, por ter cuidado da nossa amiga...>


Inocentemente, Don abriu os braços, mas imediatamente Thoá desceu o braço direito e lascou uma conferida.


(Thoá)—<Nossa...>


(Bucky)—<THOÁ!>


(Thoá)—<Que foi, Bucky? Tá te incomodando? Nossa, parece que cresce ainda mais conforme vou esfregando...>


(Don)—<Se... Você... C-continuar... Com isso...>


(Thoá)—<Você vai fazer o quê... Suywan?>


Mais tarde, no quarto de hotel das três potrancas...


(Risara)—<Fico abismada de vocês não terem tido sequer um casinho...>


(Bucky)—<Você sabe que eu sou Heïn de família. Não sou uma oferecida... (Olha para a porta do quarto) Feito a Thoá.>


(Risara)—<Mas você parece mal, sabendo que teu salvador está no quarto com Thoá, e ambos com certeza devem estar yiffando.>


(Bucky)—<Machos... Todos iguais! Não podem ver uma oferecida com as ancas arrebitadas que já querem despejar sua semente nela!>


De repente, a porta se abre, com Don se vestindo. E Thoá, visivelmente insatisfeita.


(Thoá)—<Mas eu só queria provar um pouquinho...!>


(Don)—<Procure um macho que aceite essa loucura. Não é porque você pegou no meu bilau e levantou a tua cauda pra mim, que eu vou te “cobrir”. Tchau!>


(Bucky)—<O que houve agora?>


(Thoá)—<O que NÃO houve, você quis dizer... Aaaah, não é à toa que você não yiffou este suywan, ele é difícil de pegar!>


(Bucky)—<Vocês não...?>


Don já descia a escada, enquanto que uma Thoá envergonhada só conseguia menear a cabeça em negação.


(Risara)—<Me parece... Que nem todos os machos são iguais.>


(Bucky)—<Vamos embora... Já ficamos tempo demais nesta cidade.>


E assim, Don foi para um lado, e as potrancas foram para outro. Mas, queria o Grande que os caminhos deles se cruzassem, novamente.


Ruas de São Paulo.


(Don)—Zan! Pezão!


(Pezão)—Yaih, bixim? Que foi feito daquela minina-potra?


(Don)—Despachei! Tá junto com as dela, de volta pra Tabax. Nunca mais!


(Zan)—Por um lado, você parece aliviado, mas por outro...


(Don)—Como assim, “mas por outro”, Zan?


(Zan)—Tua fisionomia parece diferente. Como se tivesse... Perdido algo.


(Pezão)—Arriégua, num fala essas coisa pro Don que ele fica encafifado dispois!


(Don)—Encafifado com o quê, pezão?


(Pezão)—Ara, sabe, bixim! Que nem aquela vez que você e aquela japonesa--


(Don)—Pezão, já te disse pra nunca mais mencioná-la na minha frente!


(Pezão)—Aí! Viu só? Viu, viu, viu? Vai só, vai ficar ansim c’a minina-potra também!


(Zan)—Pezão... Sossega.


(Don)—Era o que eu ia falar. O que me contam de novo?


(Pezão)—O Moe e os capangas dele estão naquele bar que eu ti falei. Tão tirano uma com a cara da Kate, por causa da... sabe.


(Zan)—Me parece que os dois que estavam acompanhando o Moe e a Kate estão cobrando deles uma grana pra irem num puteiro, porque parece que haviam duas outras potrancas junto com a baixinha, que fugiram antes da briga começar. E o Moe havia jurado que eles poderiam estuprá-las enquanto a Kate batia na pequenina.


(Don)—É, a Bucky me apresentou elas. Uma delas, pervertida de marca maior, e a outra, mais sossegada.


(Zan)—Mas não é só isso... O Pedrinho me disse que parece que vai haver uma disputa pela liderança da gangue do Moe. Um tal de Jo quer assumir a liderança, e o local seria o shopping abandonado, e a disputa seria uma corrida de motos.


(Don)—Quem é esse Pedrinho, que sempre tem uma informação quente sobre a gangue do Moe?


(Zan)—Você pode contar comigo pra qualquer coisa, Don. Mas, infelizmente, não posso revelar os meus contatos. Se eles forem expostos, pode ser o fim pra eles.


(Don)—Que seja. Esse Pedrinho ao menos sabe a data?


(Zan)—Ficou de me passar a informação amanhã.


(Pezão)—O que tá pretendendo, Don?


(Don)—Não posso falar agora.Cadê o Vinny?



Enquanto isso, em Tabax...

Enquanto isso, Bucky e suas amigas atravessavam o funto e entravam em Tabax. De volta pra casa. Um boekau levou-as para a casa que as três mantêm juntas, onde são recolhidas as informações para os campeonatos de dança, e também é o lugar onde Bucky treina.


Acessando a Rede Numerada Tabaxi, Risara procura saber novidades sobre o campeonato que vai ter em Ahan-Kahabo. O lugar não é muito seguro para os Herbívoros, mas a inscrição já tinha sido feita – E paga, é entrar, dançar, ganhar e sair rápido. Mas, a nova informação pegou Risara de surpresa.


O grito de Risara atrapalhou Bucky e a fez cair de mau-jeito dado a uma manobra interrompida. Massageando as costas doloridas, Bucky cobra de Risara o motivo da histeria.


(Risara)—O... O campeonato... Era... Era...


(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#8
(Continuando...)

(Risara)—O... O campeonato... Era... Era...


(Thoá)—Fala logo, era o quê?


(Risara)—Era uma armadilha para pegar Herbívoros! A Oitava Força Corretiva de Ahan-Kahabo, com ajuda da Haijmazoo, desbaratou o esquema, que tinha algumas gangues dietistas como cérebro da trama... Prenderam os cabeças... Mas a inscrição... Puf!


(Bucky)—Você já tinha feito a inscrição... E era um golpe?


Risara só conseguia balançar a cabeça afirmativamente, os olhos tristes, as mãos no focinho, a cara enrubescida.


(Thoá)—Ou seja: Perdemos mil Rayts e por pouco não perdemos nossos pescocinhos. Eu tava desconfiando do preço da inscrição, mas nããããão, ninguém ouve a Thoá, né? Devia fazer você se oferecer, Risara, pra recuperar essa grana.


(Bucky)—Não seja dura com a Risara, Thoá. Você é outra que pensa com o útero em vez de com o cérebro. Não pense que eu esqueci os 2.500 Rayts do meu terceiro ligar em Unikakinu que você “guardou” tão bem que até se esqueceu onde guardou. Foi por causa disso, aliás, que eu deixei a parte das finanças pra Risara.


A pequena eqüina caminha até o ordenador onde Risara está conferindo as notícias.


(Bucky)—Larga mão de ver essa notícia. Passou, tá passado. Onde e quando é o próximo campeonato?


A eqüina castanha abre a agenda e confere as datas.


(Risara)—Me deixe ver... São Paulo de novo, daqui a duas semanas. IH! Ao lado do hotel onde nós ficamos!


(Thoá)—Como é?


(Risara)—O Hotel Camarada vai abrir um “pâbi”... Acho que é um tipo de bar... E na inauguração haverá um torneio de dança com... Bebida grátis.


(Thoá)—BUCKY!!! Não importa o valor da inscrição... Temos que estar lá. Se não for pelo torneio... Que seja pela bebida grátis!


(Risara)—O valor até que é barato, dá cerca de 20 Rayts por competidor, convertendo do valor local. E dá pra se fazer a inscrição pela Rede Numerada Tabaxi.


(Bucky)—Coiceia! Qual é o valor do prêmio?


(Risara)—Er... Convertendo do valor local... 500 Rayts
[D1] .

(Bucky)—Putz, que prêmio mixuruca... Parece nem valer a pena atravessar o funto e ir para Suywanda por 500 Rayts.


(Thoá)—Mas, Bucky... Bebida grátis... E aquele suywan difícil de pegar...


Imediatamente, Bucky pensa em Don, e no quanto ele foi gentil com ela. Suas orelhas se mexem para trás e para a frente, pensando


(Bucky)—Aff... Que seja. Coiceia, Risara, daqui a duas semanas estaremos em São Paulo.


A inscrição é feita, o valor é pago digitalmente, e cada uma das três volta à sua rotina.


 

Problemas

No dia seguinte, Zan conseguiu de seu contato, o Pedrinho, a data da disputa pela liderança da gangue. O local e o tipo de competição estavam acertados. Seria no shopping abandonado, uma corrida de motos estilo Mall Racing.


A Mall Racing não é uma modalidade de competição conhecida por sua tolerância a erros. Corre-se nos corredores, nas escadas rolantes paralisadas e no estacionamento, seguindo um traçado pré-determinado, com “olheiros” (Geralmente policiais corruptos ou delinqüentes de gangues aliadas) bem posicionados, cuja função é impedir que um dos competidores pegue um atalho – manobra ilegal nesse tipo de corrida. Uma manobra errada pode significar o fim da corrida – Ou mesmo da vida do competidor.


Alheio a isso, Don também tinha problemas para resolver. Na geração dele, as gangues antes eram uma forma de se montar sociedades à parte, com suas próprias regras, mas agora mudaram. As gangues agora são como um tipo de empresas informais, e suas atividades “de gangues” são usadas para disputa de território. Tanto a gangue de Don (Os Mortos) quando a de Moe (Yankees) atuam no mesmo nicho de mercado – Abastecimento de boates. Por isso, a presença das duas gangues em casas noturnas como a La Macchina é comum.


O problema de Don era que, depois que ele obteve a liderança numa gaiola de vale-tudo contra Gunther, o fundador da Os Mortos, a gangue passou a perder dinheiro. Gunther havia jurado vingança e, disse o próprio, “ela viria da pior forma”.


Don havia perdido o direito exclusivo de abastecer mais uma boate, enquanto que lutava quase inutilmente para amealhar novos clientes. Já era a sétima, desde a saída de Gunther. Neste exato momento, Don tentava argumentar com Adebaldo, o dono da NON, uma boate que consumia cerca da metade do estoque mensal que a Os Mortos vendia.


(Don)—Caralho, Adebaldo! Você reclamava que ninguém queria vender bebidas e consumíveis para a tua casa noturna, por causa da tua... Clientela peculiar. Fizemos uma proposta monstro de fornecimento para cinco anos, e de repente você chega rescindindo o contrato?!? Que foi, a PF bateu lá?


(Adebaldo)—Não, não, nós estamos em paz com os caras. Afinal, alguns deles – Da alta roda da PF, até – são frequentadores assíduos da NON, e só a NON tem o que eles querem, do jeito que eles querem.


(Don)—E qual é, então, a razão para a rescisão do contrato?!? Você sabe que não há proposta melhor que a nossa, não pelo mesmo preço!


(Adebaldo)—Pois foi o que me ofereceram. Um terço a mais de bebidas e consumíveis, por um terço a menos do preço praticado por vocês.


(Don)—Não acredito...!


(Adebaldo)—A menos que vocês possam fazer melhor, vou ser obrigado a rescindir com vocês e abrir contrato com eles.


(Don)—Não... Não podemos! Se fizer isso, eu quebro a empresa, e o pessoal aqui me mata!


(Adebaldo)—Então, resta a mim rescindir o contrato e pagar a taxa de rescisão. Sinto muito, mas embora vocês tenham produtos excelentes, vocês são praticamente uma tubaineira do interior. E eu recebi algo como uma proposta da Coca-Cola. É uma empresa grande, o volume é grande, os produtos são bons também, e eu vou fazer uma economia da ordem de 45% por cada encomenda.


O dono da misteriosa boate NON terminou por pagar a taxa de rescisão de contrato, quando recebeu a última pergunta de Don:


(Don)—Quem é o dono dessa distribuidora, afinal, que topou vender para uma casa noturna como a NON um volume um terço maior por um preço um terço menor?


(Adebaldo)—O cara disse que te conhecia. Um tal de Gunther... O cara se associou com uma fábrica grande, e conhece os clientes. Sabe, a Dark Bull?


“Claro”, pensou Don, “Só se associando diretamente com uma fábrica grande feito a Dark Bull para poder fazer esses preços a volumes maiores”. A vingança de Gunther estava sendo maligna. Enquanto Adebaldo ia embora, Don ficou matutando sobre como Gunther conseguiu abrir praticamente do zero uma distribuidora de bebidas e consumíveis e ao mesmo tempo associando-se com uma gigante das bebidas noturnas.


Zan, Pezão, Vinny, Natasha, Ambam e Metranca foram convocados para uma reunião de emergência. O G7 (A reunião dos seis supracitados com Don) se reunia em tempos de crise, e recentemente suas reuniões estavam incomodamente frequentes. Ambam, o mais velho da gangue Os Mortos, um dos fundadores ao lado de Gunther, frisou que, no tempo do Gunther, o G7 só se reuniu duas vezes para tratar de assuntos de crise. Sob a tutela de Don, já era a oitava reunião do G7 pra falar de crise, fora as reuniões curtas (G3 ou G4).


(Ambam)—Quando você chama nós seis, Don, pode crer que é problema. Qual é a má notícia da semana?


(Don)--*Aff...* Perdemos o contrato com a NON.


(Ambam)—Não foi uma perda terrível. Eu não me sentia bem, comerciando com aqueles... Pedófilos!


(Natasha)—Mas só a NON respondia por metade do nosso faturamento. Eu também não gosto da NON, nem de quem frequenta a NON, mas negócio era negócio. E que negócio era!


(Vinny)—Qual foi a razão desta vez?


(Don)—É o Gunther. Abriu concorrência e se associou com a Dark Bull. E negociou um contrato que nós não podemos fazer igual sem quebrar a firma.


(Ambam)—O que o Gunther ofereceu? Se bem que, com a Dark Bull por trás, ele pode oferecer qualquer coisa...


(Don)—Um terço a mais de volume por um terço a menos de custo.


(Metranca)—Yé... O Gunther não sabe brincar. E eu sei o que ele vai fazer, vai tomar todos os nossos clientes que foram negociados enquanto ele ainda chefiava aqui.


(Don)—Precisamos levantar novos clientes, fora da área de atuação que usávamos antes. Natasha, está sabendo de novas casas noturnas ou pubs sendo abertos por aí?


(Natasha)—Assinamos um contrato de uma noite com o Pub Camarada.

(Continua...)



 [D1]O “Rayt” é lastreado no ouro, cada Rayt vale 0,1g de ouro. Ou seja, cerca de R$ 13,90 (Valor de 21/06/16).


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#9
(Continuando...)

(Natasha)—Assinamos um contrato de uma noite com o Pub Camarada.

(Ambam)—“Pub Camarada”?


(Natasha)—Um boteco estiloso, ao lado do Hotel Camarada. Como se pode notar, é do mesmo dono. Este contrato, a gente não perde, a menos que o Gunther forneça tudo de graça!


(Metranca)—Não dá idéia, Natasha! As paredes escutam melhor que eu!


(Don)—Explique melhor, Natasha.


(Natasha)—Vai haver um concurso de dança, com bebida por conta do pub. Era pra ser uma excelente notícia, mas aí veio o Adebaldo rescindindo o contrato...


(Ambam)—Quando que vai ser esse concurso de dança? Precisamos agir antes que o Gunther da Dark Bull apareça e cague em cima de nosso contrato!


(Natasha)—Daqui a 13 dias.


(Ambam)—Zan, você e Natasha vão amanhã falar com o... O... Qual é o nome do dono?


(Natasha)—Vassilli Medvedov. Mas escuta, essa ordem não era pra vir do Don?


(Don)—Façam o que Ambam disse. É que eu estava distraído...


(Pezão)—Ixi, aposto minhas reservas de jabá com pimenta que eu sei no que – ou melhor, em QUEM – ele tava pensano...


(Don)—Na verdade...  Daqui a 13 dias também vai ser a data da disputa pela liderança da gangue do Moe, segundo as informações colhidas pelo Zan.


(Zan)—Pretende fazer algo para... Influenciar o resultado?


(Don)—Sem o Moe, aquela gangue já era. Ele mantém tudo coeso pela força da intimidação. A namorada dele, a Kate, é filha de um empresário casca-grossa de São Paulo, e ela tem o cartão de crédito sem limites, que ajuda a sustentar a firma deles. Sem o Moe, a Kate cai fora, e o resto da gangue, sem liderança nem suporte financeiro, vai desmoronar, e cada um vai prum lado. Daí...


(Natasha)—Daí, nós pegamos a clientela que era da gangue do Moe, e recuperamos o que perdemos com a rescisão do contrato da NON! Uma idéia de gênio!... Só que não.


(Pezão)—Arriégua! Pus’que não?


(Natasha)—Se o Jo assumir a liderança, a Kate troca de namorado, e com o suporte financeiro dela, o Jo terá a liderança que precisa. E o Moe pode se aliar ao Gunther para fazer com a sua atual gangue o que o Gunther está fazendo com a nossa.


(Zan)—Verdade. O Pedrinho me falou que o Moe tem se encontrado com o Gunther fora da cidade, para tratar de... Negócios.


(Don)—Então, vamos garantir para que essa aliança não ocorra.


(Vinny)—Contra você, ganhando ou perdendo, o Moe e o Gunther vão juntar forças. E se a gangue do Moe tiver o suporte da Dark Bull...


(Metranca)—A menos que... Ocorra algum... Acidente...


(Don)—Com os dois. Tem que ser com os dois. Metranca, o Sabote já saiu da cadeia?


(Metranca)—Vixi, o Sabote? Aquele cara não bate bem das idéias!


(Don)—Mas as idéias absurdas dele, por incrível que pareça, dão certo. O Gunther usou muitas idéias dele para “limpar o terreno” para a Os Mortos. Mas e aí, saiu ou não saiu?


(Metranca)—Vou perguntar hoje pra mãe dele.


(Don)—Temos 12 dias para tudo estar pronto. Os dois têm que capotar, e o único com coragem (e miolo mole) pra fazer isso é o Sabote.



O Torneio e o Desafio

Com isso, passaram-se os dias. E chegou a data dos dois eventos. A corrida aconteceria primeiro, pois com o som dos carros do lado de fora,ninguém notaria que estaria ocorrendo uma corrida pela liderança de uma gangue. E lógico, não chamaria a atenção da polícia. O vencedor teria seu galardão de líder da gangue Yankees recebido ou confirmado no Pub Camarada, onde ocorrerá o torneio de dança.


O Shopping Abandonado era um empreendimento milionário, concebido para ser o maior Shopping Center de todo o Brasil. O nome seria escolhido por sorteio, por isso,ninguém sabe o nome que seria dado a ele. Antes de inaugurar o projeto, foi descoberta uma série de irregularidades, das quais superfaturamento e lavagem de dinheiro eram o mais leve. Dono preso, shopping abandonado, uma mancha inacabada na selva de concreto e aço.


Moe e Jo, cada um com sua moto, ambos estavam preparados. Para a corrida que decidiria suas vidas. O percurso tinha sido definido: Sai da praça de alimentação, e percorre os corredores mais largos de cada andar, descendo as escadas rolantes, depois subindo as escadas rolantes até o último andar, passando pelo estacionamento com um traçado definido por barricadas, passando por todos os andares do estacionamento, percorrendo o pátio externo, entrando pelo pátio de cargas, subindo todos os andares, e chegando na praça de alimentação. O primeiro que chegar fica com a liderança, mantendo-a ou conquistando-a. O derrotado é obrigado a deixar a gangue.


Sabote também estava preparado. Havia obtido material muito “especial” de um contato seu na Bielorrússia, e instalado nos pontos indicados pelo Zan, via Pedrinho, onde os competidores iriam passar. Coisa que só o Sabote seria capaz de pensar. Estando tudo certo, ambos (Moe e Jo) morreriam em circunstâncias que pareceriam acidentes. Nenhum dos outros integrantes da Yankees tem capacidade para liderar uma gangue. Talvez a Kate, mas não é muito bem visto uma mulher liderar gangues, a menos que fossem gangues de mulheres. E, apesar dela ter a astúcia requerida para uma líder de gangue, falta-lhe a inteligência e a noção de estratégia. Além do que, ela gosta de dançar e, se fosse indicada como líder de gangue, seu passatempo estaria acabado.


(Moe)—Pete... A gente conseguiu algo a respeito do Pub Camarada?


(Pete)—“Os Mortos” chegaram primeiro. Nesses estabelecimentos alternativos, quem chega primeiro leva. Foi mal.


(Moe)—Cê sabe que o Jo vai sair da gangue, né? Ou vivo ou morto, mas vai sair. Já se despediu dele?


(Pete)—Eu não gosto de despedidas. Foi, foi. Se ele sair, um dia eu vejo ele por aí. Se ele morrer, um dia eu vou visitar a tumba dele. O mesmo pra você.


(Moe)—Fala como se eu fosse morrer... Há! Fui eu quem inventou o Mall Racing! E foi aqui mesmo! Conheço cada canto deste mausoléu! O Jo só veio aqui pra comer umas novinhas, umas três vezes. Nunca andou de moto aqui!


(Pete)—Não exagere na confiança.


(Moe)—Falaí, Pete. Você que é chegadão do Jo. Prefere ele vivo ou morto?


(Pete)—Isso, não sou eu que decido. O Jo é muito esquentado, eu me contentaria com uma peguete, paga por você, lógico.


(Moe)—Há... Depois dessa corrida, eu te levo na NON, o que acha? Por minha conta. Eu sei que você é chegado numa “carninha mais tenra”...


(Pete)—É pra eu torcer por você?...


Ambos riem, descontroladamente. Jo, do outro lado da linha, era pura concentração. Havia pego o percurso e estudado cada corredor, cada curva. Se Moe não trapacear, ele pode vencê-lo.


(Kate)—Ei... Relaxa... Tá muito tenso...


(Jo)—O que você quer? Teu macho é o Moe, sabia?


(Kate)—Mas, se ele perder... Ou coisa pior... Quem vai me confortar?...


A namorada de Moe lança um olhar sacana. Jo conhece aquele olhar. Se ele vencer Moe, levará não só a liderança da gangue Yankees, como também ficará com a Kate. Nunca mais precisará pagar pra fazer a alegria da “cabeça de baixo”. Jo ri por dentro. Ele tem um truque na manga pra varrer Moe pra fora da gangue... Ou do mapa.


As motos rugem. Ambas são velhas dois-tempos, de 200cc, transformadas em supermotards para correrem em ambientes mais lisos, como o shopping abandonado. Jo usa uma Agrale/Cagiva 30.0, branca, enquanto que Moe confia mais em uma mecânica mais conhecida, uma Yamaha DT 200, azul.


Jack dará a bandeirada de partida. Ele olha em cada um dos competidores – Que estão sem capacete, só para lembrar – e vê o desejo de morte em seus olhares. Os outros estão torcendo no fundo, cada um escolhendo seu partido, exceto por Pete e Kate, que permanecem em silêncio.


Moe já fez isso outras vezes. Três disputas de liderança, ganhou as três, com dois banimentos e uma morte. Até hoje Moe evita de passar pelo bairro do Bom Retiro, onde estão os quatro irmãos de Zeke, morto em uma armadilha armada previamente, segundo eles, porque Zeke tinha um plano de total reestruturação da gangue Yankees. Plano esse que desagradava Moe. No Bom Retiro, há quatro gangues, cada uma formada por parentes e amigos de Zeke, e liderada por um de seus irmãos. As gangues são chamadas em homenagem a Zeke, com os nomes de Z-1, Z-2, Z-3 e Z-4, e trocam informações entre si. Se Don soubesse disso, nem precisaria chamar o Sabote.


Jack levanta a bandeira verde. As motos roncam. Os gritos aumentam. A tensão fica maior.


A bandeira é abaixada, e as duas motos disparam pelos corredores do Shopping. Kate se retira para um lugar reservado. Pete vai para outro lado. Sabote, assistindo à largada de uma visão privilegiada, esfrega as mãos, cantando.


(Sabote)—
Dam, dam, daram... Dam, daram, daram, dam-dam...

(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#10
(Continuando...)

(Sabote)—Dam, dam, daram... Dam, daram, daram, dam-dam...

Logo depois, Zan recebe a notícia.


(Zan)—Reporte do Sabote: Jo está morto. Mas disse que não foi armadilha dele, foi armadilha do próprio Moe. O Moe, por sua vez, está gravemente ferido, essa sim, foi uma armadilha do Sabote. A suspeita é de que tenha quebrado o pescoço e ficado tetraplégico.


(Don)—BELEZA! Mande meus parabéns pro Sabote! Não disse que ia dar certo?


Minutos depois, Zan recebe outro telefonema.


 

Problemas, parte 2

(Zan)—É o Pedrinho. Localizaram o Sabote no meio da confusão. Pra não ser forçado a te entregar, ele... Se explodiu com o C4 que carregava consigo.


O clima fica pesado na sede da Os Mortos.


(Metranca)—Te disse, não te disse? O abestado não era bom dazidéia!


(Pezão)—A mãe dele não vai gostar de saber disso...


(Natasha)—Mais hora, menos hora, isso acabaria acontecendo. E agora, o que a gente fala pra mãe do Sabote?


(Don)—Qualquer merda. Que ele encontrou uma menina que era irmã de seu contato na Bielorrússia e foi morar com ela. Tá na cara que essa morte não vai ser noticiada, tampouco a morte do Jo ou o acidente do Moe. No máximo, vão limpar a sujeira, afinal, era treta de gangues.


Zan, no celular novamente. Com mais (más) notícias.


(Zan)—A mãe do Sabote tá vindo aí. O feladaputa deu pra ela o meu número, o endereço da nossa sede e deixou um bilhete dizendo que iria para uma missão suicida... Por ordem nossa.


(Don)—Não acredito!...


(Ambam)—Tá sabendo agora, Don, por que o Gunther hesitava ao máximo usar os serviços do Sabote?


Dona Veridiana não era mulher de enrolação. O que tinha na cabeça ela punha na garganta.


(Veridiana)—Seus filhos da PUTA!!! Vocês mandaram o meu filho se matar pra acabar com gangue rival!!! Eu já havia falado que queria o meu Cremildo longe dessa vida e de vocês, seus desgraçados!!!


(Natasha)—(Cremildo?...)


(Ambam)—(Por que você acha que o Sabote preferia que o chamassem pelo apelido?...)


(Veridiana)—FILHOS DA PUUUTAAA!!! EU QUERO O MEU CREMILDO DE VOOOLTAAA!!! CÊS VÃO VER, BANDO DE BANDIDOS!!! EU VOU TRAZER A PULIÇA, MEU EX-MARIDO TEM CONTATO NA FEDERAL!!! CÊS VÃO TUDA PRA CADEIA, BANDO DE VERMES!!! BANDO DE FILHOS DA PUTA!!!


(Don)—Alguém, cale essa dona?


(Ambam)—Don... Vai por mim, deixa ela falar à vontade.


Em Tabax, as potrancas se ajeitam.


(Thoá)—Pronta para arrasar na boate dos Camaradas?


(Risara)—Pub Camarada, Thoá! Não é uma boate, é um tipo de bar.


(Thoá)—Já tô com a garganta sequinha esperando ser regada com as bebidas de lá! Ouvi falar de uma tal de “vodka”, será que é boa?


(Bucky)—Ê, Thoá, só pensa em natra, hein? Então, Risara, o dinheiro para o Autam-dea já está separado?


(Risara)—Separado e contado. Thoá, você não esqueceu as borrachinhas como da outra vez, não é?


(Bucky)—Borrachinhas?!?O que vocês...?


(Risara)—Ué, vai que nós encontramos aquele suywan-difícil-de-pegar, assim, numa coincidência... E trate de levar umas também, nunca se sabe!


Thoá aparece na sala com um pacote de borrachinhas – Nome tabaxi para preservativos – e o coloca na mochila.


(Thoá)—Tava quase esquecendo...! Não se preocupem, a gente divide quando chegar em São Paulo. Eu fico com metade, e a outra metade vocês dividem.


(Bucky)—Thoá, você não muda mesmo, hein? Balada, natra e macho! Estaremos lá pelo campeonato, não se esqueçam. As duas!


Logo depois, saem as eqüinas rumo ao funtoporto, rumo a São Paulo. No meio do caminho, conversam trivialidades, e tanto Thoá quanto Risara começam a provocar e irritar Bucky, fazendo perguntas e falando besteiras a respeito de Don.


Don, por sua vez, estava com a cabeça fervendo por causa de dona Veridiana pranteando a perda de seu Cremildo, e fazendo mil e uma ofensas e ameaças. Até o cabeça-fria do Ambam já estava começando a perder a paciência. Quando, de repente, toca o celular de Veridiana.


(Veridiana)—Oi... (Chuif) H-hã? CREMILDO, SEU FIDUMAÉGUA!!! ONDE É QUE VOCÊ TÁ, SEU DESGRAÇA?!? (Chuif) E A TUA MÃE AQUI, ACHANDO QUE CÊ TAVA MORTO, SEU FELADAPUTA DOSINFERNO!!!


(Don)—O... O quê?...


(Veridiana)—Cê tá indo pra DONDE?!?Belorrússia? Mas vai fazer o quê lá?!? CASAR?!? E Tem mulé louca pra isso, é?!?... O-olha, tu nunca mais volte pra casa, tá entendido? TÁ ENTENDIDO?!? Porque eu briguei com os moços daqui colegas teus, e no final tô passando a maior vergonha por conta de brincadeira tua, seu PESTE!!! Vá viver com a tua Natasha, e misquece!!!


Atônito, Don ouve com os outros as toneladas de desculpas dadas por dona Veridiana, que se vai, num misto de dor, raiva, vergonha e alegria, falando sozinha, rindo e chorando ao mesmo tempo.


(Don)—Zan... Melhor me explicar o que aconteceu.


(Zan)—Nós demos sorte do Boca Preta conhecer o Sabote a ponto de imitar a voz dele. Daí, lembrei da desculpa que você tinha pedido pra dar, e pedi pro Boca Preta imitar a voz do Sabote, e falar tudo aquilo lá, que ele estava indo pra Bielorrússia se casar com uma tal de Natasha, e que aquele papo de missão suicida era tudo brincadeira. E demos sorte também da dona Veridiana não querer mais ver a cara dele.


(Don)—Tá, mas como o celular dela não detectou o número?


(Zan)—O Sabote só liga com chamada oculta, outro golpe de sorte. A mãe dele tava acostumada de saber que, se era chamada oculta, era o “Cremildo”. Posso te falar uma coisa, Don?


(Don)—Fale.


(Ambam)—Vai ter sorte assim na casa do carai!


(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#11
(Continuando...)

(Ambam)—Vai ter sorte assim na casa do carai!

(Zan)—Ambam e sua capacidade incrível de tirar as palavras da boca dos outros!


(Don)—Seja sorte, seja uma ajudinha lá de cima, o que importa é que a guaporonga se mandou e não vai ficar no nosso caminho. Voltemos ao planejamento. Zan, quanto temos para levar até o Pub Camarada?


(Natasha)—Que ideia foi aquela de usar o MEU NOME pra ilustrar a moça que iria casar com o Sabote?


(Zan)—O Boca Preta só conhece o teu nome, de nome feminino russo, ou o que quer que valha. Não o culpe. Não se preocupe, dona Veridiana nem sabe o teu nome. Don, temos quinze engradados de cerveja, quatro fardos de vodka, um engradado de 51, vários pacotes de “ice” de diversas marcas, e 50 fardos de energético. Como o Pub Camarada é pequeno, dá e sobra.


(Ambam)—Qualquer coisa, vou deixar uma van por perto com um baú de gelo e alguns fardos extras.


(Metranca)—Ihhh... Aquela van tá fazendo hora extra, daqui a pouco ela sai daqui direto pro Sucatão!


(Don)—Disse que uma Kombi era mais barata, mas tá difícil de me ouvir, né?


(Ambam)—Não podemos usar Kombis. São marca registrada dos Bigodes.


Os Bigodes são uma gangue que atua nos sistemas de proteção forçada, vigilância e “cobrança de dívidas” para terceiros. Não são muito apreciados, exceto na Região Norte de São Paulo. A marca registrada deles são as Kombis, geralmente com um bigode estilizado, pintado na frente, logo acima do para-choque. São rivais dos Maritchacas, e ambas as gangues são formadas principalmente por imigrantes latinos, notadamente paraguaios, bolivianos e mexicanos.


Apesar da desconfiança na van, foram com ela mesmo, não tinham tempo a perder. Chegaram adiantados ao Pub Camarada, tinham que “mostrar serviço” para poder conquistar o cliente. Descarregaram todas as bebidas, conferiram com o dono pra ver se não estava faltando (Ou sobrando) nada, e desta vez, a van não quebrou. Don resolveu ficar de prontidão, afinal não tinha nada pra fazer mesmo. Metranca, o mecânico da gangue, já estava de prontidão, também, o famoso “Vai que”. Caso falte bebida, Don serve do baú que está na van e, enquanto as bebidas sobressalentes são vendidas e consumidas, ele toca até a sede pra buscar mais. Mas, como o espaço é pequeno, crê que não será necessário.


Anoitece. Metranca volta do mercado com alguns lanches prontos. Os convidados pra festa e participantes do campeonato de dança já estão chegando. Entre eles...


 

Don e Bucky, mais uma vez

(Metranca)—Ô, Don, cê tinha falado de uma potranca baixinha que você salvou lá da gangue do Moe... Não é aquela ali?


Don virou o pescoço tão rápido que chegou a ter um torcicolo. Era ela, acompanhada de suas amigas.


(Bucky)—<Tratem de treinar o suywankan por aqui! Já conseguem falar algo?>


(Thoá)—<Só o básico.>


(Risara)—<Ou seja, palavrões, né?>


(Bucky)—<Não acredito que vocês não...!>


(Risara)—Por ela nada falo, por mim você de ver acabou.


(Bucky)—Teu vocabulário está bom, mas as palavras ainda estão sendo faladas na ordem toukan. 


(Thoá)—Caralho! <Você ficou fluente de repente!>


(Risara)—<Aquele suywan ali não é o teu namorado?>


(Bucky)—<Hã?>


Propositalmente, Risara apontava para o Metranca, na esperança de que Bucky apontasse para Don e dissesse “Não, é aquele ali!” e caísse na pegadinha. Mas Bucky era mais esperta e rebateu.


(Bucky)—<Nenhum dos dois.> (Para Don) E aí?


(Don)—Tá no campeonato? E, a propósito, teu português tá ótimo.


(Bucky)—E teria alg’outro motivo para eu vir aqui?


(Metranca)—Putz, é sério que ela é uma adulta? É mais baixinha que a tua irmã, Don!


(Don)—Este é o Metranca.


(Risara)—Prazer.


(Thoá)—Puta que pariu.


(Bucky)—<Thoá... Continue com o toukan, tá?>


Metranca ria descontroladamente com o “puta que pariu” tão espontâneo de Thoá. Don apenas meneava a cabeça.


(Risara)—Não liga. Thoá apenas palavrões aprendeu. Ainda fraco meu suywankan é, alguns erros perdoe.


(Metranca)—AHAHAHAHAHAAAA, ela tá falando igualzinho ao Yoda!!!


(Don)—Para de zueira, Metranca! E se fôssemos nós lá em Tabax?


(Risara)—<Foi como eu disse, outro dia...>


(Bucky)—<O quê?>


(Risara)—<Nem todos os machos são iguais...> 


(Don)—<Você precisa conhecer melhor a psicologia humana.>


(Thoá)—<Ai, o Don-Don fica tão yiffta quando fala em toukan!...>


(Bucky)—D... Don-Don?


(Thoá)—<Que foi, Bucky, não posso dar uma cantadinha que seja?>


(Don)—<Donaldo Vega, Donaldo! “Don-Don” é coisa de bebê!>


(Thoá)—♫ Don-Dooooon! ♫ Ahahahahaha...


Rindo, Thoá entra no Pub Camarada, seguida de Risara. Bucky meneia a cabeça.


(Bucky)—Essa Thoá... Adora provocar! Principalmente quando alguém se irrita com o que ela fala! Parece uma criança!


(Don)—Uma parece uma criança no físico, outra parece uma criança no mental. Acho que só a Risara se salva, né?


(Bucky)—Acho que é por isso que a Risara é minha amiga e de Thoá: Ela adora crianças! Thoá também, se sente à vontade no Haiva Dirka.
[D1] 

(Don)—E você?


(Bucky)—Eu O-DEI-O!


(Don)—Bem vinda ao clube.


Metranca está se entretendo, assistindo filme em AD.
[D2] 

(Don)—Você não vai confirmar sua participação no torneio?


(Bucky)—É mesmo, daqui a pouco essa porra tá começando e eu terei vindo aqui pra nada.


(Don)—Boa sorte.


(Bucky)—Sorte é para os fracos. (Pisca)


Atônito, Don observa Bucky entrando no Pub Camarada para confirmar sua participação no torneio de dança. Metranca, por sua vez, estava atento.


(Metranca)—Yééé... É impressão minha ou a Pequena Pônei tava te dando mole?


(Don)—N-não fala besteira, Metranca!


(Metranca)—Pensa que eu não vi a piscadela de zóio que ela te deu? Quantos anos tem aquela meia-entrada, doze?


(Don)—
Já te disse que ela é adulta! Nunca ouviu falar da Bucky?

(Metranca)—QUÊ! ESSA é a Bucky?!?... Na TV parecia maior... Cara, eu queria ver ela dançar ao vivo! Dizem que ela parece que voa quando dança!...


(Don)—Esquece, Metranca. Nossas prioridades são outras. Ficar aqui de guarda pro caso de o pessoal encher o rabo de vodka, e a bebida acabar antes do fim do torneio, pra reabastecer.


(Metranca)—Falando em “rabo”... Nunca achei que iria achar caudas de mulheres-bicho atraentes. Viu aquela azul-clara, como ela balançava a cauda?


(Don)—Vi.


O torneio começa. O espaço é apertado, mas Bucky estava acostumada com esse tipo de restrição – Lógico, o tamanho dela ajudava bastante – e não enfrentou tantos problemas, ao contrário de um que chegou a cair do palco. Bucky escolheu um repertório de House turco, Techno coreano e umas batidas eletrônicas obscuras de Tabax. Cada vez que ela ia dançar, escolhia uma música diferente e fazia uma coreografia diferente. Três categorias estavam em disputa, Individual Masculino, Individual Feminino e Dupla.


Como sempre, Bucky ganhou a Individual Feminino, recebendo o prêmio e R$ 5000 das mãos do dono do Pub Camarada. Cansada, resolveu assistir, em uma mesa, a final da categoria Dupla. Junto dela, suas amigas e cúmplices; Thoá, entornando mais um copo de bebida exótica feita com vodka, enquanto Risara preferia degustar um refrigerante em lata.


(Thoá)—<Pelo Grande! Essa tal de “vodka” é boa meeeeesmo!>

(Continua...)



 [D1]Creche tabaxi. Literalmente, “Curral de Crianças”

 [D2]“Archive Disc”, uma nova forma de armazenamento óptico que pode chegar a um terabyte de capacidade.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#12
(Continuando...)

(Thoá)—<Pelo Grande! Essa tal de “vodka” é boa meeeeesmo!>

(Risara)—<Este suco é estranho! Ele... Borbulha!>


(Thoá)—<Isso se chama hefrij,
[D1]  é bem comum por aqui, mas não existe em Tabax. Tem certeza que não quer algo mais... Forte?>

(Risara)—<Hoje não. Se aparecerem tarados de novo, como eu vou estar sóbria, vou sair correndo e te deixar pra trás.>


(Thoá)—<Bela amiga você é! E você, Bucky, não vai beber nada?>


Bucky
estava vendo a performance do casal dançando. Como eles se tocavam, se olhavam, se comunicavam sem palavras. A performance da dupla vencedora fez a pônei viajar na maionese com infinitas possibilidades.

(Thoá)—<Tá tudo bem?>


(Bucky)—<Quero começar a dançar em dupla!>


(As duas)—<HÃÃÃ?>


(Bucky)—<Foi o que vocês ouviram. Estou cansada de dançar sozinha! Preciso de alguém pra me incentivar a continuar dançando!>


(Thoá)—<Ficou viajando ao ver aquele casal vencedor dançando, é?>


(Risara)—<Nem eu consigo acompanhar teus passos, imagina a Thoá!>


(Thoá)—<Isso mes... Ei!>


(Bucky)—<Então, quando voltarmos, vou atrás de um parceiro pra dança!>


(Thoá)—<Pra dança, e só?... Ou também pra... “Outras coisas”?>  


(Risara)—<Vai ter de ser um cara do teu tamanho. E duvido que machinhos de 12 anos de idade queiram saber de dança hoje em dia... Um dançarino do teu tamanho, adulto... Vai ser difícil de achar.>


Enquanto isso, a grande maioria do público presente para assistir o torneio de dança já tinha ido embora, e só restavam os boêmios, que formarão a nova clientela do Pub Camarada. Don conversou com o Vassili, o dono do empreendimento, deixou mais dois fardinhos de vodka e um engradado de cerveja, e pegou o dinheiro combinado. Daí, resolveu fazer uma gracinha, e subiu no palco vazio pra ensaiar uns passos de dança.


(Thoá)—<A lá, o suywan difícil de pegar da Bucky!>


(Risara)—<Não é lá tão bonito... Se ele tivesse um focinho comprido, eu até pegava...>


O que as três potrancas viram foi algo inacreditável. Ao som de “The Diva Dance”, cantado por Inva Mula no filme “O Quinto Elemento”, Don protagonizou passos de dança que fizeram Thoá cuspir a vodka que estava bebendo. Na cara da Bucky.





O mais estranho é que Don estava dançando como se estivesse com uma parceira imaginária de altura reduzida. Os olhos de Bucky brilharam.


(Bucky)—(É como se ele estivesse... Dançando... Comigo!...)


Ao final da curta performance, pois a música era curta, Metranca foi saber do que se tratava.


(Don)—É que, minha irmã entrou numas aulas de dança, e como ela não tem um parceiro pra praticar, eu tenho que dançar com ela. Aí eu sofro, pois ela é pequena, e acabo dançando curvado ou meio acocorado, mas acabei aprendendo a dançar também.


(Metranca)—Yé... Dava até pra dançar com aquela potra lá que conversou com a gente.


(Don)—Pára, né? Até parece!


Na saída, a caminho da porta, passaram pela mesa das três potrancas, e iam passando reto, não fosse por Bucky puxar o braço de Don.


(Don)—Hã?


(Bucky)—Até que você dança bem, mesmo com uma parceira imaginária. Tá afim de ganhar uma grana?


(Thoá)--<Risara, o que a Bucky tá falando com esse suywan?>


(Risara)—<Tá falando muito rápido, não consigo entender direito, mas é algo sobre a dança dele...>


(Don)—Não entendi...


(Bucky)—Não sei se você sabe, mas eu ganhei a individual Feminina. Foi fácil. Mas eu quero novos desafios. Decidi que vou dançar em Dupla, agora. Quer ser meu parceiro?


(Don)—Não.


(Bucky)—A gente divide o prêmio na metade. E não é pouca coisa. Ganhei 500 Rayts – R$ 5 mil – hoje, e esse prêmio é dos menores que eu costumo levar. E o prêmio para Duplas é dobrado.


(Don)—Metranca, pode ir com a van. Eu vou pra casa.


(Metranca)—Tu vai entrar nesse baguio de dançar agora?


(Don)—Precisamos de dinheiro, não precisamos? Não aceitei ainda, mas... É uma possibilidade. Vou conversar direito com a senhorita Ayté Ari aqui e, dependendo da situação... O Ambam toma conta da parte que eu tomava.


(Metranca)—Véi... Se eu contar isso lá na Os Mortos, vão rir da tua cara até o ano que vem!


(Don)—É só uma conversa, não tá nada definido. Pode ir, fala que eu fui reto pra casa.


E Metranca foi. No meio do caminho a van quebrou de vez, e Metranca precisou chamar o guincho. Por sua vez, Don convidou as três para pousarem no apartamento dele.


(Bucky)—Aposto que está tão bagunçado quanto da última vez que eu fui lá.


(Thoá)—<É impressão minha... Ou você vai chamar o suywan pra ser teu parceiro de dança?>


(Bucky)—<Por que não? Ele está acostumado a dançar com a irmã dele, que é do meu tamanho. E a dança dele não foi nada ruim.>


(Risara)—Muito rigorosa Bucky é. Pra sofrer esteja preparado, suywan.


No apartamento de Don...


(Thoá)—<AAAAAAAARRRRRGHHHH!!!! QUENTE, QUENTE, QUENTE, QUEEEEENNNTEEEEEEEEE!!!>


(Don e Bucky, da sala)—<GIRA A OUTRA!!!>


Thoá acabava de ser apresentada ao sistema de água quente do apartamento de Don. Risara ria que não se agüentava.

Logo depois...

(Risara)—<O que vem a ser um “sofá-cama”?>


Bucky, que possui memória fotográfica, lembrou-se de como Don havia armado o sofá-cama pra ela, e fez o mesmo.


(Risara)—<Olha, que prático! Economiza bastante espaço! Acho que vou pedir para o meu pai comprar um desses e levar pra nossa casa em Rippata.>


(Bucky)—<Já falei com o meu tio, ele vai ter que comprar daqui porque em Tabax não se fabrica. Bom, é aqui que nós vamos dormir.>


(Thoá)—<Mas nós três cabemos aí?>


(Risara)—<Se você não ficar se espichando toda hora, creio que sim.>


Don apareceu com um cobertor verde e outro marrom. Estendeu para as três, Risara à esquerda, Thoá à direita e Bucky no meio. Mas Thoá havia comigo algumas porcarias da Terra, daí...


(Bucky)—Coff, cof!!! <Maldito seja o teu intestino, Thoá, sua peidorreira! Por tua causa perdi o meu sono!>


(Thoá, dormindo)—Nham, nham, Tan puyuu Si kon...


Tremendo de frio, Bucky não vê outra alternativa a não ser entrar no quarto de Don. Esgueira-se por baixo do edredom, e o corpo aquecido de Don logo faz a pônei cair no sono novamente.


 

“Já chegaram nesse nível de intimidade?”

Era meio-dia do dia seguinte quando um som de liquidificador força Thoá e Risara a acordarem. O excesso de claridade forçou os olhos delas a ficarem fechados por mais alguns minutos. Logo depois, a claridade já estava aceitável, e elas saíram da cama, rumo à cozinha.


Mas quem estava lá não era Don.


--AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!!!


Sheila, aterrorizada com a visão daquelas duas estranhas, corre pro quarto de Don.


(Sheila)—MANO!!! DUAS daquelas coisas da outra vez entraram aqui no apê!!! Vê se levanta, seu dorminhoco!!!... Hã?


Don acorda, instintivamente abraçado a Bucky, que dormia profundamente.


(Sheila)—Vocês dois... Já chegaram nesse nível de intimidade?...

(Continua...)



 [D1]Adaptação no idioma tabaxi da palavra “Refrige”, encurtamento de “Refrigerante”.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
[Imagem: writer__s_stamp_by_themasterneko-d3d718g.gif][Imagem: brony__stamp_by_blizzykai-d3kvtne.png][Imagem: monster_musume_cerea_stamp_by_venasari-d97gxns.png][Imagem: Gurren_Lagann_Stamp_by_BLUE_F0X.gif][Imagem: my_rosario_vampire_inner_moka_stamp_by_a...6ki62a.png]
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#13
(Continuando...)

(Sheila)—Vocês dois... Já chegaram nesse nível de intimidade?...

(Don)—Como assim, nós... (Olha pro lado) BUCKY?!?


(Bucky)—(Uaaaahh...) Ah, bom dia, Sheila.


(Don)—Bucky, que raios você estava fazendo deitada na minha cama?


(Sheila)—Mano, disfarça não, que com a Tomoko foi a mesma co--


(Don)—Não. Se. Fala. Mais. Naquela. Japa. Aqui! FUI CLARO?!?


(Sheila)—Ai, desculpa, ainda tão doendo os chifres, é?


Como resposta, voa um travesseiro na cara de Sheila. Risara e Thoá vão atrás do escândalo.


(Risara)—Muito escandalosa, menina é. Tua filha?


(Thoá)—Caralho...


(Don)--<Pfff... Não, Risara, ela não é minha filha, é minha irmã!>


(Bucky)—Sheila, essas são minhas duas amigas, a castanha é a Risara, e a quase branca é a Thoá.


(Sheila)—EEEITA!!! Ela tá falando português!!!


(Risara)—Do teu idioma, domínio fluente ela tem. Com ordem das palavras, ainda me atrapalho. Só palavrões, Thoá aprendeu.


(Sheila)—Hahahahaha... Tá parecendo o Mestre Yoda! “Com emoções, deve ter cuidado. Ao Lado Negro, elas levam.”


(Bucky)—Sheila, só vim dormir aqui porque a Thoá soltou uma senhora BUFA onde eu estava dormindo, e quando ela come repolho, que o Grande nos acuda! Não se preocupe, eu não maculei a pureza do teu irmãozinho, tá?


(Risara)—Muito pequena, Bucky é. Teu irmão, ela não agüenta.


(Thoá)—Tan puyuu Si kon!


(Bucky e Don)—Como é que é?!?


(Thoá)—<Menti?>


(Bucky)—<N-não... Mas eu já sou adulta...> E esse tipo de coisa não se fala na frente de crianças, Risara!


(Sheila)—O quê? Sexo? Dá um tempo, estamos no Século XXI! Tudo que vocês fazem, eu já sei da existência graças ao “Sertanejo Proibidão”!


(Don)—SertaNOJO, você quer dizer, né? Odeio esse tipo de música!


(Sheila)—É, mas quando a Tomoko baixava aqui, você ouvia sem--Ops...


(Don)—Você. Falou. Nela. De novo!


(Bucky)—Ex-namorada tua, Don? Essa “Tomoko”...


(Don)—Foi uma fase da minha vida que deve ser jogada no poço do esquecimento, debaixo de tudo. Não me faça mais perguntas a respeito disso, se quiser que eu seja teu parceiro de dança.


(Sheila)—OOOO QUÊÊÊÊ!!! Comigo, você fez o maior cu-doce para dançar, mas aceitou, de primeira, ser parceiro de dança dessa Pequena Pônei? Vai fazer o quê, depois? Pentear a crina dela e pôr lacinho na cauda?


Bucky
ria descontroladamente. Risara, ria discretamente, pois demorava pra pegar o sentido das frases, e Thoá ria só de olhar Bucky rindo, mesmo sem entender patavina do que ouvia.

(Don)—Vou falar com o síndico pra ver se podemos usar a quadra para praticarmos.


(Sheila)—Na-ah! O síndico ainda tá puto contigo porque você usou a quadra para aquela partida de paintball, cujas manchas estão até hoje no piso. Te falei, as bolinhas da África do Sul eram para marcação PERMANENTE, usadas para marcar ladrões! Mas NÃÃÃÃO, “elas eram as mais baratas”... Não sei COMO o síndico não te expulsou do prédio!


(Don)—Simples, eu tenho a escritura do apê. Comprei ele à vista depois de achar aquela grana ilegal do Gunther. Se o doido quiser me expulsar terá que pagar o valor integral do apê.


(Sheila)—A tua sorte é que ele é um muquirana.


(Bucky)—Quem é esse “Ganther”?


(Don)—Outra pedra no meu sapato...


E Don explicou para as quatro todo o rolo com o Gunther, que ele era o antigo chefe da gangue de Don, mas andou desonrando a gangue ao se envolver com “coisas pesadas”, e Don, querendo dar um fim nisso, desafiou-o em um octógono de Vale-Tudo. Venceu-o, assumiu a chefia e Gunther foi banido, mas agora voltou, aliado à Dark Bull e roubando seus clientes. Também explicou a Sheila o motivo de aceitar dançar com Bucky. Afinal, dinheiro extra nunca é demais.


(Sheila)—Sabia, tinha que ter grana na jogada! Mas e aí, vai abandonar a gangue?


(Don)—Não. Eu vou conciliar a gangue e a dança. Vou falar com o Ambam, ele pode tocar as coisas enquanto eu participo dos campeonatos.



Problemas, parte 3

Mas Don viu que as coisas não seriam assim tão simples.


(Ambam)—Don, vamos precisar pagar o guincho e o conserto da van que quebrou a caminho de cá.


(Don)—Pega do caixa.


(Ambam)—“Pega do caixa”, você diz. É só isso que você sabe dizer?... “Líder”. Se um certo líder de gangue não tivesse se engraçado com umas potrancas, o Metranca teria ajuda pra ver o que havia quebrado, ou poderia ficar de vigia enquanto o Metranca vinha pra cá, ou procurava um mecânico amigo nosso. Pra não perdermos a van, ele chamou o guincho, que desovou a van na oficina mais careira da Zona Oeste! E agora, estamos com mais de R$ 5000 em débito, e o caixa da gangue--


(Don)—E EU VOU TIRAR DE ONDE, DO MEU BOLSO?!?


(Ambam)—SERIA BOM!!!


Bucky
estava na porta de entrada, fazendo sala pra Natasha.

(Natasha)—Esse Don nunca aprende...


(Bucky)—É assim todo dia?


(Natasha)—Não. Mas tem se tornado cada vez mais freqüente, à medida que nossos clientes rescindem o contrato para assinarem um com o Gunther. Sinceridade, o Don não tem o menor tino pra ser chefe de gangue... Mas ele tinha o que os outros não tinham: Culhões pra desafiar o Gunther. O Ambam, apesar do tamanho, é um velho cansado. Don só não bate nele porque o respeita muito. Don sabe que Ambam possui melhores noções de liderança.


(Bucky)—Se é assim, por que o Don não passa de vez o comando pra esse Ambam?


(Natasha)—Não é tão simples, potra... (Olha pra discussão entre Don e Ambam) Um líder da nossa gangue não pode simplesmente “passar o cargo”, ele precisa ser desafiado e perder o desafio. E geralmente é o desafiado quem escolhe o desafio. E outra... O Don quer provar que pode fazer melhor que o Gunther, que pode ser melhor líder do que ele. Não sei se você sabe, temos uma gangue rival que disputa o mesmo mercado que nós. Don foi muito eficiente em mantê-los fora de nossa área de atuação. NISSO, Don é muito bom. Mas gangues, hoje em dia, não são como eram nos Anos 80... Hoje, temos a parte empresarial, que é o que sustenta a gangue e bota comida nas nossas mesas. E nessa parte, o Don ainda é um amador. Mas, por que Don te trouxe aqui, afinal?


(Bucky)—Ele será o meu parceiro de dança. Vou concorrer em Duplas, agora.


(Natasha)—E... Ele? E por acaso aquele desajeitado sabe dançar?


Nisso, chega Zan, também preocupado com a discussão entre Ambam e Don, que está ficando mais acalorada, com Metranca tentando esfriar os ânimos.


(Zan)—A irmã dele faz curso de dança, e ele é o parceiro de treino dela. Como as duas têm praticamente o mesmo tamanho...


Nisso, o celular de Zan toca, e ele se retira para atender. Logo depois, vai até a discussão.


(Ambam)—Eu tenho certeza absoluta que eu seria melhor líder do que você!!!


(Don)—Se é assim, por que não me desafia, então?!?


(Zan)—Desculpe interromper a conversa dos cavalheiros, mas temos um problema. O Pedrinho acabou de me ligar do hospital. O Moe vai sair andando de lá. Sabote se fudeu por nada, afinal das contas.


(Don)—Mas o cara... O cara não tinha partido a vértebra do pescoço?


(Zan)—Tinha... Mas, segundo o próprio Moe disse pra ele, em conversa particular, “alguém” pagou a restauração da medula espinhal com células-tronco... Acho que os cavalheiros sabem de “quem” se trata, né?


(Don e Ambam)—Gunther...


(Zan)—Exato. Agora, os cavalheiros poderiam chegar a um acordo, uma vez que temos um problema cinco mil vezes mais grave do que a van no conserto para resolver? Na minha opinião, Don... Você não tem o menor tino administrativo. Você conseguiu provar que era melhor que o Gunther ao derrotá-lo naquele octógono, pare de deixar tudo nas suas costas. Descentralizar é a palavra. Você sabe no que é bom. Você sabe no que o Ambam é melhor. Melhor vários líderes, cada um forte em sua especialidade, do que um só líder, bom em uma coisa mas fraco em outras.


(Don)—Tem razão, Zan. Ambam... Você se encarrega da administração da parte empresarial.


(Ambam)—Tem certeza disso?


(Don)—Tenho. Zan, você cuida da parte de informações. Pezão assume a área de enfrentamentos enquanto eu estiver fora...


(Ambam)—PERAÊ! Como assim, “enquanto eu estiver fora”?


(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#14
(Continuando...)

(Ambam)—PERAÊ! Como assim, “enquanto eu estiver fora”?

(Zan)—Don vai entrar no mundo dos concursos de dança. A grana é grande, e ele fará par com a Bucky.


(Metranca)—Não tinha falado disso ainda pra você, Ambam?


(Ambam)—Como sempre... Não.


(Don)—Fui nessa. Vou arrumar minhas tralhas, e se alguém ver o Gunther por aí, fala que eu mandei ele tomar bem no olho do buraco do cu dele. Vamos, Bucky?


(Bucky)—Tchau, ‘Natti, outro dia a gente continua o papo.


No meio do caminho até o apartamento de Don, ele puxa conversa.


(Don)—“Natti”? Cês já tão íntimas desse jeito?


(Bucky)—Os Ooza sempre gostam de encurtar os nomes de seres com quem se dão bem. Eu conversei bastante com a Natasha, enquanto vocês batiam boca por causa de uma van quebrada. E quem é esse tal de “Sabote”?


(Don)—Longa história... Não vale a pena contar...


(Bucky)—Da tua casa até a minha vai ser um longo percurso.


(Don)—Peraê, a gente vai ficar na TUA CASA?


(Bucky)—Vai, por esses três motivos: 1: Os próximos três concursos de dança serão em Tabax; 2: A tua casa não tem a MENOR condição de permitir a prática de dança, ainda mais de Duplas! E 3:...


(Don)—“3:...”?


(Bucky)—Eu conheci a tua casa, é justo que conheça a minha, também.


(Don)—Tá, mas antes, deixa eu pegar uns troços lá no meu apê, e passar a chave pra Sheila...


E, enquanto eles andavam, Don contou toda a história sobre Sabote e o desafio de liderança da gangue rival. No meio da conversa, Bucky interpela:


(Bucky)—Mas escute, ninguém viu o Sabote se explodir?


(Don)—Só o espião que conversa com o Zan.


(Bucky)—E você sabe quem é esse espião?


(Don)—Só sabemos que é um tal de “Pedrinho”. O Zan se recusa a dar maiores detalhes.


(Bucky)—Zan é aquele beiha de roupas estranhas que conversou comigo e com a ‘Natti?


(Don)—A gente chama de “asiático”, mas sim, é ele... Por quê?


(Bucky)—Estranho... O beiha é membro da sua gangue, mas possui informações sobre contatos que ele não compartilha com o resto da gangue? E o único que viu esse “Sabote” explodir foi justamente esse contato que ele se recusa a dar mais detalhes?


(Don)—Você desconfia de algo?


(Bucky)—É natural da minha raça... Equinos desconfiam de TUDO.


(Don)—Se VOCÊ desconfia, isso me dá uma incômoda razão pra desconfiar também. O Zan é acima de qualquer suspeita.


Chegando no apartamento, Don reuniu o necessário, incluindo suas reservas para serem trocadas por Rayts em Tabax, e no meio da arrumação, fez uma ligação.


 

Nada era como parecia ser

(Don)—Pezão, tá me ouvindo?... Ótimo, você ainda lembra do caderno de números de telefone do Gunther, não lembra? Se não me engano, ele está no almoxarifado, com os cadernos da contabilidade. Não, não precisa trazer nada. Vã até ele e me dê o número do Sabote. Por quê? Ah, a Bucky quer dar um nome novo pra uma dança, e achei que seria uma homenagem justa colocar o número de telefone dele. Não, ela só chama suas danças por números... É esse o número? Repete que eu tô anotando... Sim, DDD também. Valeu, Pezão! Ainda te devo um cozido de macaxeira com jerimum e carne de sol. Quando eu voltar de Tabax, a gente vê isso. Falou. Desligando. (Pra Bucky) Vamos cair fora JÁ!


Não demora muito, outra ligação, e Sheila recebe as chaves, com Don pedindo pra tomar conta do apê enquanto ele vai até Tabax. Ela xinga, reclama, mas aceita. Don e Bucky chamam um táxi e embarcam nele. Dentro do táxi, Don pega o celular de Bucky emprestado e liga para o número do Sabote.


Três chamadas, até que alguém atenda. Uma voz desagradavelmente familiar. Dona Veridiana.


(Veridiana)—ALÔ!


Don possui um certo talento para imitar vozes estereotipadas, e tenta imitar um senhor executivo.


(Don)—Boa noite, eu queria falar com o Sr. Cremildo...


Uma pausa. Logo depois, outra voz conhecida atende.


(Sabote)—Aqui é o Sabote. É comigo que o sinhô quer falar?


Com mais suspeitas, agora que o Sabote estava vivo, Don imita a voz de Gunther.


(Don)—Como foi?


(Sabote)—Moleza, chefe! Eles pensaram que eu morri, e devem estar batendo boca até agora. E a história do acidente do Moe, e sua recuperação, colocaram o terror na “Os Mortos”! O Zan é um demônio, mesmo...


De repente, toca o celular de Don, que desliga o celular de Bucky.


(Don)—Don na escuta!


(Natasha)—Você não vai acreditar em quem apareceu aqui!


(Don)—Quem, o Gunther?!?


(Natasha)—Não... É melhor voltar e ver com teus olhos!


Uma conversa rápida com o taxista, e ele fez um pequeno desvio até a sede da “Os Mortos”. Don desceu e pediu pro taxista esperar. Entrou.


Natasha, Ambam, Metranca, Pezão e Boca Preta estavam atônitos frente a uma pessoa que, segundo Zan – Que estava ausente – devia estar morta.


Jo.


(Don)—Então, a tua morte também foi uma notícia falsa?


(Ambam)—Peraê, esse é o Jo? Eu achava que era o Moe...


(Jo)—Eu perdi a corrida e fui expulso. Não houve explosão, nem nada do tipo. Pelo visto, Don, você já deve ter descoberto.


(Don)—Sim. Sabote está vivo, e Moe nunca fraturou o pescoço.


(Natasha)—VIVO?!?


(Pezão)—ARRIÉGUA!


(Jo)—Eu sei que temos nossas diferenças, mas... Gostaria de ser aceito nesta gangue.


(Ambam)—Uma coisa de cada vez! Aquela corrida naquele shopping abandonado foi normal?


(Jo)—Foi. Nenhuma explosão. O filho da puta do Moe conhecia melhor os atalhos do que eu e, por causa disso, eu perdi a corrida e fui expulso. Se tivesse havido qualquer explosão, a Polícia Federal estaria lá na mesma hora. E mais, eu vi o Sabote. Ele estava de fiscal de pista. Foi tudo armado.


(Metranca)—Então, o “Pedrinho”...


(Jo)—Ele existe de verdade. Era um espião do Gunther. Melhor, continua sendo. Nossa gangue o conhece pelo nome de Pete.


(Ambam)—Então, o Zan...


(Jo)—É outro espião do Gunther.


(Don)—Eu cuido disso. Jo... Infelizmente, se você entrar na gangue, o Zan saberá que nós sabemos que você está vivo.


(Jo)—Ora, acha que eu não sei? Mas quem disse que eu marcaria presença aqui? Eu também tenho meus contatos! E só vou me comunicar através de SMS. Preciso rápido do número de um de vocês, para poder colocar vocês em pé de igualdade com aqueles filhos da puta!


(Ambam)—Eu tenho um celular velho, que eu uso para casos de emergência. Anota aí o número...


(Natasha)—Como você sabe o tempo que vai ficar aqui sem o Zan descobrir?


(Jo)—Simples, o que o Zan está fazendo agora? Eu sei o quê. Toda semana, neste exato dia e hora, ele se reúne com seus verdadeiros aliados. Onde, nunca descobri. Faltam dez minutos para eu me mandar, então já estou indo. Mais uma coisa...


(Don)—Sim?


(Jo)—Ajam naturalmente. Deem informações falsas pra ele. Eu vou mandar as informações de meus contatos, de casa, via internet, para o Ambam.


O taxista buzina. Jo pega sua moto e sai vazado. Don volta para o táxi.


(Ambam)—Enquanto nosso “líder” vai dançar com a potranca, eu tomo conta das coisas aqui. E eu serei a ponte entre Jo e nós. Temos um traidor na “Os Mortos” e, felizmente, não é o Don. Vamos fingir que esta reunião não aconteceu.


(Os demais)—OK.


(Natasha)—Boa sorte, Don. Vai precisar!


Don acena, entra no táxi, e o veículo segue para o funtoporto de São Paulo, onde antes era o Templo de Salomão, pertencente à igreja-empresa mais suntuosa do Brasil, que foi fechada devido à sua associação com o crime organizado. Paga, com tristeza, o adicional ao taxista, pega suas malas, Bucky pega as dela, fazem o câmbio na sala de câmbio, carimbam os passaportes, entram no portal e, de repente, estão em Onadar, Rippata.


Em Tabax.


(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#15
(Continuando...)

 
Na Casa de Bucky

Don não podia deixar de notar as diferenças. A começar pela lua azulada que, tudo indicava, teria uma atmosfera. Os silvos dos veículos a turbina também eram novidade, assim como a grande variedade de espécies ooza – Don só tinha visto as três equinas até então.


Outra diferença era o dinheiro. As “notas” de Rayt pareciam cartões de crédito, com seus hologramas, códigos estranhos e cores variadas. Até as dimensões eram as mesmas. Mais, cada Rayt valia 10 reais, então Don tinha que tomar muito cuidado com o que levava. Bucky orientou Don sobre como guardar os Rayts, Como sempre, Thoá parou na loja de acessórios para fêmeas, perdendo muito tempo (e dinheiro) com badulaques coloridos e brilhantes que tanto Bucky quanto Risara consideravam inúteis.


Mais uma coisa estranhada por Don, foi a presença de humanos. Don achou que se sentiria isolado no meio do povo-bicho, mas haviam até mesmo lojas especializadas em iguarias suywan, gerenciadas por pessoas que passariam despercebidas em São Paulo. Bucky explicou a Don que Rippata e Gnurat eram os países com maior população humana em Tabax e, em especial suas capitais, respectivamente Onadar e Schwarzak, possuíam uma expressiva colônia suywan.


(Don)—Er, não ria se eu perguntar isso, mas... Vocês se dão bem com espécies carnívoras?


(Thoá)—Às vezes sim, às vezes não... Eu, por exemplo, fico com os dois pés atrás quando um carnívoro diz que quer “me comer”... Se é um suywan ou outro herbívoro, fica fácil, mas se tratando de carnívoros, nunca se sabe em qual sentido ele pode estar falando...


(Risara)—Valeu, Thoá oferecida, pela explicitude da tua explicação.


(Bucky)—Thoá, o Don está aqui a negócios, portanto nem tente assediá-lo!


(Thoá)—♪ Olha o ciuminhooo... ♫


Bucky
bufa. Thoá sabe como irritá-la fácil.

(Don)—Mas vocês têm algum amigo carnívoro?


(Bucky)—Uns poucos. Mas muito bem escolhidos, não é qualquer canibal que pode se aproximar de nós.


(Don)—“Canibal”?


(Risara)—Bucky tem pouca paciência com carnívoros. Canibal é um termo chulo pelo qual os herbívoros chamam os carnívoros, do mesmo modo, os carnívoros chamam os herbívoros de papa-mato. Ah, chegou o boekau!


O boekau, como os ooza chamam o transporte coletivo terrestre, é grande e espaçoso, assim como são as ruas em Tabax. O espaçamento entre os bancos é grande, para acomodar corpos grandes e caudas massivas. Doze minutos depois, o quarteto desce até um subúrbio de uma só rua, que os ooza chamam de kurateon. As casas, todas sem muros nem portões, lembram de longe aquelas vilas americanas dos filmes da década de 80, mas no fim da rua havia uma escola, que também era uma espécie de centro comunitário. Perto dessa escola, à esquerda, uma casa de dois andares pintada com três cores diferentes.


(Bucky)—Chegamos!


(Don)—Casinha chicosa, hein?Não sabia que dança dava tanto dinheiro.


(Risara)—Não dá. A casa estava em ruínas e Thoá “convenceu” uns senhores a reformá-la e fazer o andar superior. Quando há uma casa abandonada, o primeiro que reformá-la e declará-la sua, leva. Nós três fizemos isso juntas.


(Bucky)—Pedi para fazerem um andar superior para eu poder ter todo o espaço disponível para treinar. Então o andar superior é uma sala só.


(Thoá)—Eu até pensei em alugar o andar superior pra festas e eventos, mas nãããão, as duas foram contra!


(Bucky)—Nossa casa é NOSSA CASA!


(Risara)—Os vizinhos do kurateon também foram contra, Thoá! Eles odeiam barulho, e a Bucky tem que ouvir música o mais baixo possível!


(Bucky)—Graças ao Grande, tenho excelente audição!


(Don)—Vixe, eu sou meio surdo.


(Bucky)—Não se preocupe, eu vou treinar esses teus ouvidos.


E os dias foram passando. Don, toda vez que errava um passo, levava bronca de Bucky, e culpava o som muito baixo. Mas, com o tempo, Don conseguia ouvir melhor as músicas, e errava menos os passos. Chegou até a improvisar umas jogadas, aproveitando a diferença de tamanho e peso entre ambos. Lógico, Bucky não gostava disso. Bucky odeia ser jogada no ar, uma forma de Thoá e Risara provocarem-na.


Uma das coreografias usou a música de Kylie Minogue, “In Your Eyes”, e com ela, Don e Bucky ficaram em terceiro lugar no concurso de danças de casais em Peha Padu, Araitsi. O prêmio, apesar de pequeno, valeu o deslocamento até o “país dos ratos”, como Don o chamava, dada a maioria da população do país ser de roedores. Peha Padu estava vivendo uma transformação, dado um torneio de lutas que vem se tornando popular e ameaçando a supremacia do torneio de Ahan Kahabo, em Gnurat.


(Bucky)—Se você tivesse me agarrado no momento certo ao fim da coreografia, teríamos levado o primeiro prêmio.


(Don)—Já disse, foi mal.


(Bucky)—Não se desculpe. Voltando, vamos treinar mais. Mas desta vez, com outra música. E outra coreografia.


(Don)—OUTRA?!?


(Bucky)—Se repetirmos coreografias em mais de um torneio, vão pensar que nós só sabemos dançar aquilo, e com certeza, vai contar pontos negativos. Não sabia? Todos os torneios são gravados! Quando o mestre de cerimônias chama nossos nomes, os jurados já sabem o que dançamos no torneio anterior!


(Don)—Tem disso também?!?


(Bucky)—Ei... Eu te disse que seria fácil?


Uma piscadela maliciosa deixa Don sem ter o que responder. Resta a ele embarcar no trem (Que os ooza chamam de Pamashir) com Bucky e Risara de volta para Rippata. Thoá estava “de castigo” por ter trazido um macho pra casa delas: Entrou no cio três dias antes de irem para Araitsi.


Bucky
sugeriu um house raro, chamado “Tiahuanaco Euro”, para trabalharem uma coreografia por cima. Foram-se mais dois meses de árdua batalha. O contato constante entre os dois corpos estava sendo demais para Don aguentar.

Foi quando Bucky começou a sentir-se estranha.


(Risara)—Que foi?


(Bucky)—Não sei por quê, mas... Mas eu ando querendo dançar ainda mais encostada no Don... O calor do corpo dele está me deixando...


(Risara)—No cio?


(Bucky)—QUÊ?!?


(Risara)—Sejamos sinceras, Bucky! Quantas vezes você entrou no cio na tua vida? Desde que eu te conheço – E eu te conheço de quando éramos potras! – eu nunca vi você manifestar um período quente. Será que finalmente a Bucky vai dar um jeito nesse lacre?


(Bucky)—Não fala alto! O Don ainda não sabe que eu sou... Er...


Lá embaixo, a conversa era a mesma, mas diferente.


(Thoá)—Não, Don, a Bucky nunca teve um namorado. Teve um ou dois ficantes, mas não foi nem um pouco longe com eles.


(Don)—Quer dizer que...?


(Thoá)—U-hum. Ela é virgem. Tirou a sorte grande, suywan!


(Don)—Ela... É... Virgem...?


(Thoá)—Como ela é assim pequenininha, pensam que ela é uma filhota, e não sabem que dentro daquele frasco pequeno tem uma fêmea com um enorme fogo dentro de si, esperando pra ser amada e possuída por um macho tarado, do puyuu grande, que mande aquele cabaço pro espaço! Ela fica reprimindo o cio dela com medicação, uma hora ela vai surtar e catar o primeiro macho que ver na frente. Mas, vem cá... Por que você queria saber se ela já teve um namorado?


(Don)—Não fala pra ela, mas... Aquela nova coreografia está me deixando louco, com aquele roça-roça dos nossos corpos!


(Thoá)—Por que vocês não yiffam logo duma vez?


(Risara)—Por que vocês não yiffam logo duma vez?


(Bucky)—Não acho que ele vá querer algo do meu tamanho – E outra, ele é um suywan! – Eu pareço uma filhota, e os machos gostam de volúpias ambulantes feito a Thoá.


No final, o Tiahuanaco Euro não deu certo, e Bucky escolheu outra música, de uma cantora japonesa chamada Fumi Hirano: “Margarita”.






A coordenada foi feita às pressas para compensar o tempo perdido com a coreografia anterior, mas já mostrava a intimidade com a qual os dois tinham se habituado. O ritmo era totalmente diferente, mais coisa de casal, mesmo. Um bolero cantado em um desenho japonês de grande sucesso. Totalmente diferente da batida House com elementos andinos que era o Tiahuanaco Euro.


E, nessa nova coreografia, Bucky e Don estavam cada vez mais agarrados. Seus rostos chegavam cada vez mais próximos, a ponto de um sentir o hálito do outro. Ao fim da coreografia, cansaço e suor.


(Bucky)—Quem toma banho primeiro? (Pega uma moeda) Como vocês dizem... Cara ou coroa?


(Thoá)—Por que vocês não tomam juntos?


(Don e Bucky)—HEIN?!?


(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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