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Fur And Skin 01 - Hugo, Humano
#16
(Continuando...)

“Não pode ser verdade”, pensava Hugo. Desiludido, com a teoria do hoteleiro, tomou uma decisão radical:
 
(Hugo)—Então, eu vou pra Buenos Aires. De lá, um avião e eu tô em Madri.
 
(Hoteleiro)—Se conseguir passar pela “arfândiga”, boa sorte. Recomendo ir pela via de Cruz Alta. Tem uns descampados por onde tu podes atravessar e ir para o Uruguai.
 
Dito e feito. Hugo foi para Cruz Alta. Mas, em vez de ir pelo descampado, resolveu continuar a procura por Forte León. Encontrou um gaudério que estava a cuidar de um rebanho, junto de outros tropeiros.
 
(Gaudério)—Forte León fica na fronteira, tchê. Metade no Brasil, metade no Uruguai. Vila boa, muito boa, tchê. Vá de dia, pois de noite é muito perigoso. Uns espíritos de animais andam aparecendo por lá, ultimamente. Bah, de noite, é um perigo só.
 
Hugo dormiu entre os tropeiros naquela noite gelada. Acordou ainda na madrugada, com o barulho de cavalos assustados. Olhou o relógio: Três da manhã. Já era o décimo-quinto dia em que os cavalos acordavam assustados com alguma presença que Hugo não conseguiu detectar, mas que o gaudério mais velho já definia:
 
(Gaudério)—São os espíritos dos animais, tchê. Eles estão caçando. Não saia da tuia, ou você será a caça!
 
Hugo, por prudência, seguiu os conselhos do gaudério. Passou o resto da noite sob cobertores, ouvindo os sons estranhos.
 
Da tuia para mais uma vila, e dela para Forte León. A cidade que leva o mesmo nome do antigo forte tinha sido construída exatamente para sitiá-lo, por isso, a cidade se situava tanto no Brasil quanto no Uruguai. Mesmo assim, 90% dos forteleonenses são brasileiros. Quando Hugo entrou na cidade, os presidentes do Brasil, do Uruguai e da Argentina estavam em uma reunião de emergência a discutir o futuro da cidade e do portal. O acordo envolveu a transformação da cidade em uma Zona Franca, recebendo assim pessoas de todo o mundo, livremente. Hugo foi o primeiro visitante beneficiado com o novo acordo.
 
Os guardas abriram caminho para Hugo, sem fazer qualquer pergunta. Hugo estranhou, pois estava em área de fronteira. Perguntou umas três vezes se podia passar. Como não houve negativa, passou.
 
E, por incrível que parecia, logo já se podia ver ooza diversos. O primeiro ooza avistado por Hugo foi uma civeta. Parecia reconhecê-lo, pois acenou e sorriu pra ele. Hugo acenou e sorriu de volta. Mais adiante, pelas ruas de Forte León, Hugo já via alguns thupaybas e algumas aothupas e irathupas.
 
Não demorou muito, parou em um bar, apinhado de ooza. Sentou e pediu um guaraná. Enquanto bebia, foi reconhecido por um porco que estava sentado ao seu lado.
 
Irens Palme.
 
(Irens)—Ooora, ora, ora, ora... Vienga, Mor, Akibi... Olha só quem veio ao nosso bar...
 
Surpreso por reconhecer aquelas caras, Hugo quase engasga o guaraná.
 
(Hugo)—(PFFT!!) AH, NÃO!!!
 
Irens Palme, o porco. Mor Pheu, o preguiça. Vienga Ki’rex, o dobermann. Akibi Shannon, o siamês.
 
Ex-agentes da Haijmazoo.
 
(Mor)—Hugo...
 
(Vienga)—O primeiro humano de Tabax...
 
(Akibi)—O motivo de nossa demissão...
 
Sabendo da encrenca, o dono do bar já veio advertindo:
 
(Barman)—Se for pra brigar, vão brigar lá fora!
 
(Vienga)—Com todo o prazer dos dois mundos!
 
O dobermann arrastou Hugo pelo colarinho até a rua, e lá mesmo o jogou no chão.
 
Nisso, um motoqueiro que estava de passagem encarou Vienga.
 
(Motoqueiro)—Aê, seu fi’duma cadela!! Que história é essa de vir pra cá atrás de encrenca? Quer bater num homem? Vem bater nimim! Seu vira-lata sarnento!
 
(Vienga)—Dou conta de vocês dois e de quem mais vier!
 
Nisso, outros três motoqueiros ouviram isso e desceram de suas motos, o emblema do “Abutre’s Moto Clube” estampado em suas jaquetas de couro. Irens, Mor e Akibi foram em assistência do dobermann.
 
(Irens)—Vão bater no Vienga?!? Vão ter que passar por nós!!!
 
Meio minuto depois, o fuzuê estava armado em frente ao bar. Hugo, que era a causa de tudo, se esgueirou até a camionete e sumiu sem que os ex-agentes notassem, pois eles estavam ocupados demais dando e levando porrada. A camionete parou dois quilômetros adiante, chamando a atenção de uma corça elegante.
 
(Hugo)—Com licença...
 
(Inma)—Hein?... Ah, é você!...
 
(Hugo)—Você me conhece?
 
(Inma)—Inma Nyangah. Eu te peguei da cela e te levei até a Sala de Custódia, lá na Haijmazoo, não tá lembrado?
 
(Hugo)—AH, É! Foi... Despedida, também?
 
(Inma)—O que você acha? Todos foram despedidos! A Haijmazoo foi extinta e será refeita do zero, com tudo novo. Novos objetivos, nova mentalidade... E novo quadro de funcionários. Nem mesmo o chefão Kass foi poupado! E, como você já deve perceber, vim aqui atrás de emprego.
 
(Hugo)—Esqueça. Até pelo que eu saiba, existem mais humanos do que ooza, e o total de terras emersas em Tabax é maior que o da Terra. Você sabe para que lado fica o portal?
 
(Inma)—Siga em frente, até o fim. Dobre à direita, até a estrada de terra. Quando vê-la, vá à esquerda, e chegará até as ruínas. Quando chegar na muralha, o portal estará lá. Mas o que você pretende fazer por lá?
 
(Hugo)—Trabalhar no que eu sei, que é jardinagem artística. Se você quiser aprender, eu posso te ensinar. Teu mundo é grande, as plantas crescem todo dia, e é uma novidade. O que acha? Dá dinheiro, é relaxante, e é mais fácil do que você pensa. E aí, quer vir?
 
A corça abriu a porta direita e entrou na camionete de Hugo.
 
(Inma)—Tá parado por quê?
 
Uma hora se passou, e Hugo queria saber como a situação dos portais ficou estável, mesmo com ooza e humanos nos dois mundos. Inma respondeu que engenhos celestes (Os OVNIs) descarregaram uma energia que, praticamente, retirou o lacre que desestabilizava os dois planetas, e esse lacre ficava em Forte León (na Terra) e Fort Leone (Em Tabax). Com o fim desse lacre, ooza e humanos podem freqüentar livremente os dois mundos.
 
Mas, claro, a insegurança ainda era uma constante. Com isso, perto das ruínas, veículos militares estavam posicionados, e seus soldados faziam uma blitz, parando o veículo de Hugo por tabela. Um senhor a caráter, parecendo ser um capitão, se dirigiu a eles.
 
(Capitão)—Boa tarde, rapaz.
 
(Hugo)—Boa tarde, senhor.
 
(Capitão)—Sou o Capitão Sho Honshi, e quero saber suas intenções além desta fronteira.
 
(Hugo)—Sou jardineiro artístico, senhor. Estou indo oferecer meus serviços.
 
(Sho)—Tem visto um canídeo tabaxense chamado... Otto Vonraischzeen?
 
(Hugo)—Não, senhor. E o gentílico é tabaxi, senhor.
 
O capitão presta mais atenção à companhia de Hugo.
 
(Sho)—Quem é o... Tabaxi ao teu lado, meu jovem?
 
(Hugo)—Ela se chama Inma Nyangah, e é minha guia para Tabax.
 
(Sho)—Ah, uma moça? Bom, era só isso. Estão liberados. Tenham... Eh, eh... Um muito bom dia, jovens!...
 
Em Tabax, Fort Leone é uma cidade também campestre, com uma montanha de onde sai o nevoeiro. Hugo e Inma notavam o movimento populacional, assombroso, com nítida maioria de humanos. Hugo resolve ensinar Inma conforme oferece seus serviços.
 
Duas semanas de aula depois, Inma já tinha sua lista de clientes, e suas habilidades inatas já atraíam uma nova carteira de interessados em ver arbustos esculpidos em seu quintal.
 
(Hugo)—Que bom que você aprendeu tão rápido, Inma! Você tem mesmo o dom para jardinagem artística.
 
(Inma)—Bondade sua... Ah... Quanto eu te devo pelas aulas?
 
A corça pega um maço de Rayts, que o humano recusa.
 
(Hugo)—Não, não, não. Esquece. Você vai precisar desses Rayts mais do que eu.
 
(Inma)—Mas... Eu sinto que devo te... Recompensar, por toda essa ajuda que me deste!
 
(Hugo)—Já tenho minha recompensa: Poder ficar aqui em Tabax. O resto é complement--
 
Inma agarrou Hugo e se jogou com ele na rede do hotel.
 
(Hugo)—Hein?
 
(Inma)—Então... Deixe me complementar um pouco mais...

(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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[Imagem: CAP.jpg]
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#17
(Continuando...)

(Inma)—Então... Deixe me complementar um pouco mais...
 
Hugo sentiu o quanto é macia a pele e quão sedosos são os pêlos da corça. Os aromas que dali emanavam já eram muito bem conhecidos pelo humano.
 
(Hugo)—(Humm... Cheiro de fêmea quente...)
 
A noite foi longa. E barulhenta. A dona do hotel perguntou para um humano que passava pela recepção que sons eram aqueles.
 
(Humano)—É outro humano... Se divertindo...
 
Quando surge o sol, Hugo se apronta. Deixa as ferramentas de jardinagem com Inma, para que ela possa trabalhar. Um beijo formal de despedida, e Hugo zarpa de Fort Leone.
 
A camionete cruza todo o estado dos Ursos, chamado Fratil. De Fratil vai para Kaishak, e de Kaishak para Hizzad. Parou em Schwarzak, para se reorientar.
 
De Schwarzak chegou a Sadosa. Parou no Tokkoma kan Tife. Até lá já haviam humanos, comprando livros em toukan e português e dialogando com os ooza de lá.
 
(Hugo)—Será que o pessoal está ali?
 
Sentando num divã, Hugo descansa. Sentiu mãos macias sobre seus ombros.
 
(Pehli’)—É você mesmo, suywan?
 
Um abraço caloroso surpreende o humano em questão. Choros e risos se misturam.
 
(Hugo)—Ora, se não era aquela arminha da Haijmazoo!
 
(Pehli’)—MARTA, seu bobo! Pensei que não te veria mais, seu...!
 
(Hugo)—Arminha, marta, é tudo mustelídeo...E os outros?
 
(Pehli’)—os outros, quem? Meus ex-colegas?
 
(Hugo)—Nãããão, martinha... Meus colegas.
 
(Pehli’)—Não foi à Manivilani ainda? Tá todo mundo lá na cerimônia de... Como vocês chamam aquilo?... Er... Cavamento!
 
(Hugo)—“Cavamen...” AH, CASAMENTO!!! Mas quem vai casar?
 
(Pehli’)—Não sei, não me disseram!...
 
Hugo se despediu de Pehli’ e zarpou para o bairro Manivilani. Chegou lá, já entrando em sua casa de costume.
 
Não havia ninguém lá, a princípio...
 
(Hugo)—Ué?... Cadê todo mundo?
 
Uma porta se abre, na casa do lado.
 
Toh’Ru Jeendo Vestido em cores berrantes.
 
(Hugo)—Toh’Ru?
 
(Toh’Ru)—Hein?... SUYWAN!!!
 
Um abraço arrebatador surpreende o humano.
 
(Hugo)—Cadê todo mundo?
 
(Toh’Ru)—Estão assistindo à Cerimônia de Compromisso da Rah e do... Hau, hau, hau!!! Do Kohmi!
 
(Hugo)—O rato e a camundonga?
 
(Toh’Ru)—Pois é, quem diria, hein, Hugo? Ela o detestava tanto que, de repente, um belo dia se agarra nele e pede para que ele fique com ela pra sempre!
 
(Hugo)—Ô louco, parece trabalho de macumba... Tá, mas onde você tá indo assim, parecendo um palhaço?
 
(Toh’Ru)—Então, vai ter hechawa hoje, e tô indo pra lá. O meu time, o Taishiwa, vai jogar contra o Kwasimpa. Se você quiser ir ao... Como vocês chamam mesmo?
 
(Hugo)—Casamento?
 
(Toh’Ru)—Isso, casamento! Se quiser ir lá, depois te mostro a gravação do jogo.
 
(Hugo)—Mas onde que é, cara?
 
(Toh’Ru)—No templo, ué! Um quarteirão atrás do Tokkoma kan Tife!
 
(Hugo)—PUTZ!!! Eu tava lá agorinha há pouco!!!
 
Risadas incontroláveis de ambos. Enquanto Toh’Ru partia em seu thupayba, Hugo contemplava a sala, agora vazia, de sua antiga casa tabaxi.
 
(Hugo)—Ainda bem que eu tinha uma cópia da chave. Com essa humanidade toda invadindo Tabax, preciso garantir meu canto.
 
Minutos depois, estava no Templo Za Fen Ril. Praticamente todo o bairro Manivilani e a parentalhada dos noivos estavam lá. A noiva, em um vestido mais colorido que o traje de hechawa de Toh’Ru, e o noivo, vestido de azul-claro, do sombrero aos sapatos.
 
A noiva também tinha um sombrero combinando com o vestido.
 
Noivo e noiva passaram sob uma armação de arcos floridos, com pétalas de flores sendo jogadas sobre eles. De volta ao púlpito, Rah e Kohmi trocam seus sombreros e se beijam, arrancando aplausos de todos (E lágrimas de algumas mais sensíveis). Do púlpito mesmo, noivo e noiva tiram seus sombreros de suas cabeças e arremessam-nos para o público.
 
Hugo observou, passivo, o sombrero multicolorido girando, girando, girando e... TCHUF! Caiu certinho na cabeça do humano!
 
(Khawda)—AAAIII, O CHAPÉU DO NOIVO VEIO PRA MIM!!!
 
Os ooza se dividiam entre olhar para Khawda Blanka, que comemorava o fato do sombrero do noivo ter caído na cabeça dela, e pra um estranhado Hugo, que achava estranho aquele chapelão ter caído em sua cabeça, quase fora do templo.
 
Com o sombrero na frente da cabeça, ninguém notou quem era o sortudo. Na tradição ooza, os chapéus dos noivos têm o mesmo tipo de sortilégio que o buquê da noiva. Tanto é que os ooza se espremem pra tentar fazer o chapéu cair encaixado na cabeça, parecendo zagueiros em cobrança de escanteio.
 
Khumarto Gramma foi cumprimentar o felizardo. Quando tirou o sombrero do caminho pra ver quem era, quase caiu duro.
 
(Keen)—Quem é o ooza, Khumarto, quem é?
 
(Khumarto)—(Fala baixo... É o cara)
 
(Keen)—(“Fala baixo” por quê? É o Hugo?)
 
(Khumarto)—(Ehre, é ele. Vai lá na femarada e chama a Khawda, vamos matá-la de susto!)
 
Keen foi até Mästhiga, que falou pra Lou, que cochichou para Mee, que sussurrou pra Shai, e assim foi, até chegar em Khawda. Khumarto manteve Hugo o tempo todo com o sombrero à frente da cara.
 
(Hugo)—Pra que isso, pangaré?
 
(Khumarto)—É tradição ooza, não tira o chapéu da frente, só quando eu falar, tá?
 
Khawda chega, com o sombrero azul-claro nas mãos. Sem mencionar nomes, Khumarto e Keen deixaram Khawda na frente de Hugo, e na mesma condição, com o chapelão tapando a vista.
 
(Mästhiga)—Um, dois, três, vai!
 
Hugo e Khawda ao mesmo tempo, abaixam seus sombreros.
 
(Khawda)—Hu... Hugo...
 
(Hugo)—Oi, raposinha, como é que v--!
 
A raposa derruba Hugo no chão, tamanho é o ímpeto e a força com que ela se joga sobre ele!
 
(Hugo)—Ai minhas costas, Khawda!!!
 
A raposa se agarrava cada vez mais forte no humano.
 
(Khawda)—Hugo... Hugo... (Chuif!) Me diga que é você mesmo, que não é mais um daqueles sonhos idiotas que ando tendo!!! ME DIGA!!!
 
(Hugo)—Sou eu mesmo, Khawda...
 
O beijo é tão rápido, avassalador e inesperado, que arranca dos presentes – Inclusive dos noivos – uma salva de aplausos e assovios!
 
(Rah)—Nossa, Khawda! Nem parece que os noivos são eu e o Kohmi, sabia?
 
A raposa derramava lágrimas de alegria por rever o humano.
 
(Khawda)—Não importa!!! Meu Hugo está aqui, voltou do Mundo dos Mortos!!! Agora, eu não largo dele nem por suna!!!
 
(Hugo)—“Mundo dos Mortos”?

(Khor)—Não liga! Khawda sempre foi assim, exagerada...

 
De volta ao kurateon, todos comemoram a volta de Hugo, exceto por Rah Tis’Idha e Kohmi Kei’Ju, a caminho da Estância de Shoyan, em Fariah. Todos, mesmo os outros vizinhos que nunca falavam com ele, querendo saber como Hugo conseguiu voltar.
 
(Hugo)—Então, um novo portal se abriu, e a humanidade está vindo em massa para Tabax.
 
(Keen)—Mais suywan?
 
(Mee)—Milhares de suywan?!

(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#18
(Continuando...)

(Keen)—Mais suywan?
 
(Mee)—Milhares de suywan?!
 
(Hugo)—Por aí...
 
(Toh’Ru)—HÁ, HÁ, a Haijmazoo vai ter trabalho infinito pra dar conta de tanto suywan!
 
Enquanto isso, Mästhiga assistia TV. Uma notícia importante chamou a atenção dela, que prontamente chamou os outros:
 
(Mästhiga)—Ooza, vejam isto!
 
Na TV, uma declaração do presidente interino de Gnurat, Kompa Nyero, sobre a presença dos suywan e suas boas-vindas à mais nova raça, ao mesmo tempo em que um suywan barbudo apertava as mãos do presidente. Do suywan, a declaração:
 
“—Vocês, oozas, são bem-vindos à Terra, quando quiserem.”
 
Festa na TV e festa em todo lugar. Canecas de cerveja azul se tocam sob gritos de guerra cantados no idioma toukan.
 
O garanhão, já com algumas na cabeça, é o primeiro a falar besteiras:
 
(Khumarto)—Já tô com umas sunas que é pro Kohmi e pra Rah assinarem!
 
(Mee)—Ihhh... Mästhiga, controla teu macho, que agora ele está pensando com a cabeça errada...
 
(Mästhiga)—Khumarto, aquela suna, do mês primeiro, tá valendo ou não?
 
(Hugo)—(Ih, começou...)
 
(Khumarto)—Por quê? Você quer yiffar o suywan de novo?
 
(Mästhiga)—E se eu quiser? A Khawda é minha amiga de longa data, ela não iria regular o novo macho dela, iria? Khawda? Ei?
 
(Khawda)—Mästhiga, que estória é essa de meu novo macho?
 
(Mee)—Ah, raposinha, aquela cena lá no templo foi fingida, então?
 
Khawda fica toda encabulada.
 
(Khumarto)—Tá... Tá valendo, sim. Tão valendo as duas!
 
Os outros machos, assistindo à TV, viam a gravação da partida de hechawa, na qual o Taishiwa, time em que Toh’Ru jogava, perdeu para o Kwasimpa por pouco.
 
(Toh’Ru)—Aí, aquilo foi apelação... Os corredores do Kwasimpa são todos lebres que correm a lançada[.1]  por Zomaron! E os pegadores? Dois guepardos! Por isso nós perdemos! Os nossos corredores não tiveram a menor chance, e eu e o Asouf tomamos uma canseira lascada, só comendo poeira dos corredores!
 
(Keen)—Ah, isso é azar de estréia. O Kwasimpa é tricampeão tabaxi, enquanto o teu Taishiwa vinha da Divisão de Acesso! Queria o quê?
 
(Khor)—Quê que tá rolando lá atrás?
 
Keen olha pra trás. Volta os olhos pra TV.
 
(Keen)—Uma suruba, nada mais.
 
(Toh’Ru)—Tá, mas o que é essa tal de subura?
 
(Keen)—Suruba. É uma gíria dos suywan. Um yiff grupal.
 
Os outros olham pra trás.
 
(Toh’Ru)—Tá todo mundo quente hoje em dia?
 
(Khor)—O ruim é que, quando chega a nossa vez, cadê elas?
 
(Keen)—Carnívoros... Humpf!
 
Meio cambaleante, Hugo chega no sofá.
 
(Keen)—Tá se divertindo, suywan?
 
(Hugo)—Keen... (suspiro) Gorila... (suspiro) Cadê aquele pacote de camisinhas que eu te mostrei?
 
(Keen)—Aquelas coisas de borracha pra cobrir o... O... A ferramenta? Se eu não joguei fora, estão lá na cozinha, na gaveta sob o armário. Por quê?
 
(Hugo)—Pra evitar acidentes. Por que vocês não me ajudam? As garotas estão impossíveis!
 
(Toh’Ru)—Sinto, mas só fico quente daqui a cinco meses.
 
(Khor)—Eu, daqui a seis.
 
(Keen)—Já eu, em três.
 
Khawda Blanka se joga em Hugo, visivelmente alterada
 
(Khawda)—Eu adoooooooro os suywan!
 
(Hugo)—Socooooooooorrrrrrroooo!!!
 
O leão, o lobo e o gorila riem do humano sendo pego e assediado pelas fêmeas do círculo. Khumarto até tenta ajudá-lo, mas a bebida o deixa meio que sem ação.
 
E o dia amanhece.
 
Hugo está dormindo, abatido. Khumarto também, bêbado. As fêmeas foram, contentes, limpar a casa de Keen, e os outros machos, trabalhar.
 
O muttajan chegou com cartas para quase todos os moradores, exceto Hugo, Keen e Rah.
 
Hugo e Khumarto só acordaram às 9h. Khumarto, mais que atrasado, correu para a firma de limpeza onde trabalhava, voltando uma hora depois, com uma cara abatidíssima:
 
(Khumarto)—Fui despedido. Pra pagar o meu salário, o patrão contratou três suywan.
 
(Mästhiga)—Como é?
 
(Khumarto)—Recebia 1200 Rayts por mês. O patrão me despediu e contratou três suywan que receberão 400 Rayts por mês cada!
 
(Hugo)—(Ai...!)
 
A raposa afaga Hugo por trás.
 
(Khawda)—Não é tua culpa, Hugo. Cedo ou tarde, essa nova passagem viria a descoberto.
 
(Hugo)—Mesmo assim... Tô com peso na consciência.
 
O humano sai, com uma onda de desemprego tomando conta dos ooza do continente oriental, principalmente de Gnurat.
 
Passam-se duas semanas sem que Hugo achasse um novo emprego para Khumarto. Nem para os outros. Agora, os únicos empregados eram Hugo, que é autônomo – Jardineiro – e Toh’Ru, que é hechawajan[.2]  profissional.
 
De folga, Hugo foi ao Tokkoma kan Tife, e notou que os humanos que lá residiam tinham dificuldade em se expressar. Foi quando estalou a ideia.
 
(Hugo)—Pehli’, aquele teu cursinho de capacitação a zatoujan[.3]  é fácil de aprender?
 
(Pehli’)—Quer ser professor?
 
Após uma longa conversa, Pehli’ Kara ensina os desempregados do Manivilani Sadosa Kurateon a ensinar os humanos o idioma toukan. Um prédio foi alugado com uma vaquinha e, professores capacitados, a escola de idioma toukan “Zé Ooza!”[.4]  foi inaugurada.
 
Cinco meses depois o sucesso da escola salva muitos ooza da pindaíba. Na contramão, a “Zé Ooza!” passou a ensinar português (ou, como eles diziam, suywankan) aos ooza que precisavam passar muito tempo na Terra.
 
O emprego retorna, pendurado em asas. Kajaybas começam a ser trazidos desmontados para Tabax, montados e revendidos. Campos de pouso – os kajaybarangas – passam a ser construídos por toda parte e, com os humanos preenchendo esses novos lugares, a onda de desemprego recua. Todavia, esses kajaybas, pequenos e experimentais, são incapazes de chegar a Udibaria, Itiarasa ou ao Continente Ocidental. A “Zé Ooza!” chega à Terra.
 
Passaram-se alguns meses. Voando num kajayba, Khawda Blanka grita de pavor: descobriu ter medo de altura. Hugo, nos controles, ria que se partia. Um kajaybaranga foi aberto, paralelo ao kurateon de Manivilani. Sob o aplauso da vizinhança, o pouso foi tranqüilo.
 
(Khawda)—NUNCA MAIS! Quase morri de medo nessa... Coisa!
 
(Hugo)—Fazia tempo que eu não andava de avião. Nossa, foi da hora!
 
Mästhiga, mãos dadas a Khumarto, esperando seu primeiro filhote.
 
Rah, fazendo as contas junto a Kohmi, planejando fazer o mesmo.
 
Toh’Ru abraçado a Mee, com o casamento marcado para daqui a dois meses.
 
Khor e Lou, trocando olhares de relance.
 
Pehli’ ao lado de seus novos amigos, Mah Lyado, Fidyu Makenga e Shai Keshapa.
 
Keen abraçado a outra Rah, a sagüi chamada Rah Budda, pulseiras de compromisso atadas aos pulsos.
 
Todos estavam lá, assistindo à performance aeronáutica de Hugo
 
(khumarto)—Parabéns, suywan! Nunca vi uma coisa tão pesada voar com tamanha desenvoltura!
 
(Keen)—Gostei de ver, Hugo.
 
(Mee)—Quero voar também!
 
(Hugo)—Amanhã a gente voa, Mee. Agora, tenho... Algo importante para dizer a vocês.
 
Todos ficam apreensivos.
 
(Hugo)—Todos sabem que eu quero morar aqui em Sadosa até o fim da minha vida. Todavia, fazer isso sozinho é impensável, e é uma loucura. Sei que, vocês são meus vizinhos mas, amizade não é tudo. Passei por maus e bons momentos, e vim comunicar que estou dando um passo a mais na minha permanência neste lugar.
 
Dito isto, se vira para a raposa.
 
(Hugo)—Khawda Blanka... Aceita ser minha esposa?...
 
As pulseiras de compromisso, que Hugo iria mostrar para todos, caem no chão: Khawda derrubou Hugo, sob aplausos e assovios, ofegante, lágrimas caindo no rosto do humano. Soluçando, respirando de forma acelerada, beija Hugo como se fosse a última vez de sua vida. Depois disso, suspirou e choramingou:
 
(Khawda)—Aceito!
 
 
 
FIM.


 [.1]“Lançada”: Corrida que começa com cem metros de trote, mais cem metros de pique e termina com cinquenta metros no puro gás.

 [.2]Jogador de hechawa.

 [.3]Professor.

 [.4]“Zé Ooza!” significa “Seja Ooza!”, ou em um caráter mais amplo, “Seja um ser pensante!”


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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