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Fur And Skin 01 - Hugo, Humano
#1
Citação:Cronologicamente, esta é a primeira história da série "Fur And Skin".
Para quem tá chegando agora e não leu meus contos no fórum velho, "Fur And Skin" é um cenário que trata de que há um mundo conectado à Terra, o mundo de Tabax, habitado por criaturas antropomórficas - Os Ooza - e cujas conexões se dão por portais chamados "Funtos". "Hugo, Humano" se dá ANTES do início dos contatos formais entre Terra e Tabax, o que complica um pouco as coisas para Hugo, o primeiro Humano a visitar Tabax (Será?).
Espero que apreciem a leitura.
Fur And Skin – Hugo, Humano
 
Uma cidade no interior do Brasil. Um carro abarrotado, com uma única pessoa em seu interior. Em sua mente, uma casa perto da montanha. Nessa mesma cidade, uma imobiliária em seu caminho. Um homem com um sonho.
 
Seu nome é Hugo. Hugo chega à imobiliária, carregando um maço de notas. Adentra à porta, onde um corretor já estava à espera.
 
(Hugo)—Sr. Nokujima, eu suponho.
 
(Noku)—Me chame de “Noku”. É meio “malicioso”, mas foi assim que me chamaram à vida inteira. Já você, deve ser Hugo Stozzo, não?
 
(Hugo)—É. Eu vim atrás da casa. O dinheiro está aqui. (Sacode o maço de notas)
 
(Noku)—(Sacode as chaves) E as chaves estão aqui. A vila onde se encontra tua futura casa fica a oeste da vila rural de Albuquerque. O nome é Vila Sakura, não tem como errar.
 
Hugo passa o dinheiro. Noku conta. Cara de satisfação, Noku dá as chaves e assina a escritura da casa em nome de Hugo. Hugo pega as chaves, a escritura e entra no carro. De repente, se lembra de uma história.
 
(Hugo)—Ouviu falar de histórias de lobisomens?
 
(Noku)—Ouvi. Mas não acredito, não. Ó, não vá se enganar. “Oeste” é pra esquerda, tá?
 
(Hugo)—Certo. Até a próxima, Sr. Noku.
 
Só que, com duas coisas, Davi Nokujima não contava: Uma, que Hugo Stozzo é meio burro. Outra, que o mapa tava de ponta-cabeça.
 
Segundo o mapa, segue-se pelo sul até a vila rural de Albuquerque, e depois, vai-se para Oeste.
 
Segundo Noku, “Oeste” é para a esquerda.
 
E assim foi. Conduzindo calmamente sua camionete, Hugo passou pela vila rural de Albuquerque e foi para a esquerda.
 
Para Leste.
 
A estrada de terra a leste leva ao sopé de uma montanha que ainda vai ser dinamitada para fazer um túnel. Ou seja, adiante não há nada além de um paredão de granito.
 
Cerca de 800 metros antes do paredão, porém, uma fortíssima neblina tomou conta da pista. Tudo que Hugo viu foi um arco de pedra. O nevoeiro terminou depois de Hugo rodar mais de dois quilômetros.
 
A estrada era cimentada, e não asfaltada, como de costume. Hugo viu que a paisagem era mais verde e sentiu que estava esfriando. Nem prestou atenção na lua. Um nevoeiro mais rasteiro cobria uma plaqueta verde que anunciava o destino: “Vila Sakura”. Umas sílabas estavam meio distantes umas das outras na placa, mas Hugo não prestou atenção nesse detalhe.
 
Vila Sakura era uma vilazinha bem beira-de-estrada, daquelas de uma rua só. Entrando na rua, Hugo procurou pela casa Nº 95. Sem sucesso: As placas pareciam ininteligíveis. A solução foi procurar por algum casa que aparentava estar vazia. Achou a única sem carro. Entrou na garagem. Saiu do carro. Pôs a chave na porta. Girou a chave.
 
A porta abriu.
 
(Hugo)—Uuui, ai... (Espreguiçando-se e olhando o vazio da casa) Ano novo, vida nova. Nada de estranho – Exceto pelas placas das casas – uma vida sossegada. Chega de escrever livros de fantasia! Faturei uma graninha considerável, guardei boa parte no banco, graças a essa estranha mania de Furries que tomou conta do Brasil! Nem sei como eu consegui escrever e desenhar aquelas estórias todas! Até parece que existem de verdade! É... De hoje em diante, chega!
 
Vizinhos prestavam atenção no novo indivíduo
 
(Vizinho 1)—Olha, vizinho novo!
 
(Vizinho 2)—Não sei como aquele veículo dele não explodiu... Ouviu a barulheira?
 
(Vizinha)—O que acham de uma recepção calorosa de boas vindas?
 
Sob um capote e com o rosto coberto por uma máscara – Sim, estava frio – Hugo descarregava as coisas da camionete para dentro de sua nova casa.
 
(Hugo)—Sim, chega de peludos! Nada de Carlos Cavalo, nem de sua esposa Elen Égua, nem de Lúcio Lobo, nem de Carla Camundonga. Só vou querer a companhia de Homo Sapiens, de preferência que não leiam quadrinhos! Por isso, nem trouxe TV.
 
Após descarregar tudo dentro da casa, Hugo fecha o carro, fecha a porta de casa e pensa no que montar primeiro.
 
Em contrapartida, na casa da frente, muito estava sendo feito. Embora o frio piorasse do lado de fora, mesmo cobertos da cabeça aos pés, os vizinhos foram, horas depois, bater na porta da casa de Hugo.
 
Hugo estava sentado em um pufe. Ironicamente, lendo uma storyboard com o elenco de sua última história em quadrinhos
 
(Hugo)—Elenco: Carlos Cavalo; Elen Égua; Lúcio Lobo; Carla Camundonga; Gonçalves Gorila; Ralf Rato; Cat-Arine, a estrangeira; Raissa Raposa; Leandro Leão; Paula Poodle. Putz... Que doideira
 
Uma batida na porta tira a concentração de Hugo. Ciente do frio lá fora, ele se cobre e põe a máscara.
 
(Hugo)—Já vai, já vai! Quem pode ser a uma hora dessas?
 
Ao abrir a porta, Hugo é surpreendido!
 
(Vizinhos)—SURPREEESA!!!
 
Os vizinhos, cerca de dez, traziam bolos, salgados e suco. Como também estavam cobertos até a cabeça, Hugo não notou nada estranho neles. Os vizinhos puseram os comes e bebes em uma mesinha encostada na parede, e se juntaram em frente à porta. E, de uma vez só, tiraram os capotes e máscaras.
 
(Vizinhos)—SEJA BEM VINDO, NOVO VIZINHO!!!
 
Hugo caiu sentado.
 
Não eram humanos.
 
As formas de suas cabeças se assemelhavam-se mais às de um casal de equinos, outro casal de roedores, um lobo, um gorila, uma gata, uma raposa, um leão e uma cadela poodle.
 
(Cavalo)—Que houve? Está passando mal?
 
(Poodle)—Vai ver, ele está surpreso, porque nunca fizeram uma recepção tão calorosa pra ele!
 
(Hugo)—QUE É ISSO!!! VOCÊS... NÃO... EXISTEM!!!
 
(Poodle)—Viu só?
 
(Raposa)—Vai, já que ele tá todo coberto, vamos aproveitar e brincar de “Adivinha o ooza dele”!
 
(Hugo)—O...”Ooza”?
 
(Raposa)—É um Boxer!
 
(Gorila)—Outro gorila!
 
(Égua)—Cara-chata e sem cauda? Chimpanzé!
 
(Rato)—É um Mau!
 
(Camundonga)—Um lince!
 
(Cavalo)—Um Manx!
 
(Lobo)—Orangotango!
 
(Gata)—Bonobo!
 
(Leão)—Sharpei!
 
(Poodle)—É um Pug!
 
(Raposa)—Anda, quem acertou? Qual é o teu ooza? Mostre-se!
 
Lentamente, Hugo baixa o capote e tira a máscara, para espanto de todos.
 
(Hugo)—Ou eu tô louco... Ou eu peguei, literalmente, a Curva Errada em Albuquerque.
 
A égua comemora, pulando.
 
(Égua)—AH!!! Não falei? Chimpanzé, não disse?!?
 
(Gorila)—Se isso aí é um chimpanzé, minha cara, eu sou um urso polar! Esse... Cara, eu acho, não pertence a espécie alguma que conheçamos.
 
(Hugo)—Onde... Eu... Tô?
 
O humano abre caminho pelos vizinhos, passando pela porta. Olha pra cima. Uma grande lua azul, com filetes brancos, parecendo nuvens. Olha com mais atenção ao redor. Carros e motos totalmente estranhos. Casas esquisitas. Corre até a entrada da vila, onde estava a placa.
 
(Rato)—Ei, vizinho!
 
A placa, que estava parcialmente encoberta pelo nevoeiro, mas permitia ler Vila Sakura, agora mostrava um conjunto de caracteres totalmente estranhos acima da inscrição que, sem o nevoeiro, permitia vê-la por completo:
 
MANIVILANI SADOSA KURATEON.
 
(Hugo)—ONDE É QUE EU FUI PARAR?!?
 
(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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[Imagem: CAP.jpg]
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#2
(Continuando...)

(Hugo)—ONDE É QUE EU FUI PARAR?!?
 
Correndo rumo à camionete, Hugo pega o mapa da estrada. Olha o ponto e revira o mapa.
 
(Hugo)—Mas eu fui pra esquerda! Eu fui!! É Oeste, não é?
 
O gorila vem por trás, olha o mapa e o vira de ponta-cabeça.
 
(Gorila)—O “N” é pra cima. Com o “N” pra cima, Oeste é esquerda. Do teu jeito, “N” pra baixo, Oeste é direita.
 
Hugo manda um baita tapa na própria cara. Volta à entrada da vila, chegando até a rodovia, apontando o caminho.
 
(Hugo)—Eu sei que eu vim de lá.
 
O cavalo olha pra direção que Hugo aponta e discorda.
 
(Cavalo)—Lá? Lá não tem nada, a não ser um paredão de rocha! Na verdade, o pessoal da empreiteira tá meio atrasado pra dinamitar e fazer um túnel.
 
(Lobo)—Você falou de “Curva Errada em Albuquerque”, não é, estranho? Já ouvi falar dessa cidade misteriosa. A cidade dos “macacos sem pêlos”. A cidade da abominável raça chamada eufemisticamente de Suywan.
 
(Hugo)—Cidade? CIDADE? Somos mais de seis, digo, seis bilhões em todo o mundo!!! Er... Em todo o meu mundo...
 
Os peludos presentes se arrepiam.
 
(Lobo)—MENINAS! GALERA! HÁ UM SUYWAN ENTRE NÓS!!! NÃO DISSE QUE ELES EXISTIAM MESMO?!?
 
Os mesmos vizinhos que deram aquela recepção calorosa, desta vez se aproximavam com medo. Os símios espalhavam histórias de terror tendo a criatura chamada suywan como principal protagonista e carrasco. Histórias como essa circulavam de boca em boca haviam mais de cinco mil anos.
 
(Cavalo)—Teu nome, suywan?
 
(Hugo)—Meu nome é Hugo. Hugo Stozzo
 
(Lobo)—Istuz... Estoz... Ah, quer saber? Vou te chamar de “Hugo Suywan”, é mais fácil!
 
(Hugo)—Nós nos chamamos de Humanos! Sou um humano, hominídeo, Homo sapiens, faço parte da humanidade.
 
(Lobo)—Então tá: Hugo Humano tá bom?
 
(Hugo)—E você, como chama tua raça?
 
(Lobo)—Todos nós somos Ooza. E, já que você se apresentou, também vou me apresentar. Meu nome é Khor Takarai.
 
(Cavalo)—Khumarto Gramma.
 
(Égua)—Sou Mästhiga Gramma, esposa de Khumarto.
 
(Gorila)—Meu nome é Keen Ghikong.
 
(Camundonga)—Er... Rah Tis’Idha
 
(Rato)—Kohmi Khei’Ju
 
(Gata)—Mee Ahndho.
 
(Leão)—Toh’Ru Jeendo.
 
(Raposa)—Khawda Blanka.
 
(Poodle)—Lou. Lou Zheeña.
 
(Hugo)—Putz, que nomes mais cabulosos! Mastiga grama, King-kong, Raticida, Miando, Cauda branca...
 
(Khumarto)—Uh gostoso também não é assim tão de se orgulhar...
 
Os outros riem da assertiva de Khumarto. Hugo fica meio sem graça. Já faziam brincadeiras com o nome dele onde ele morava antes.
 
(Hugo)—Se prestar atenção na pronúncia, vai ver que há diferença entre o meu nome e o que você acabou de dizer.
 
(Khumarto)—O mesmo se pode dizer dos nossos nomes.
 
(Hugo)—Bom, agora que sabemos nossos nomes, gostaria de saber onde raios onde eu estou, pra saber se tô muito longe de onde eu vim.
 
(Lou)—Bairro Sadosa. Cidade de Manivilani, província de Hizzad, feudo de Gnuratsaronshikushadhiey – Mas pode chamar só Gnurat, pra facilitar – Continente Oriental, Tabax.
 
(Hugo)—Tabax... É o nome do planeta, no caso?
 
(Lou)—Yap!
 
(Toh’Ru)—Tem uns doidos que ainda o chamam de Daibas, mas isso é assunto pros livros de história.
 
Enquanto conversavam, Hugo ia voltando, mais calmo, para sua casa. Haviam presentes deixados pelos vizinhos. Entre eles, um curioso livro.
 
(Hugo)—Dicionário Suywankan-Toukan?
 
(Mästhiga)—Ideia de Khumarto. Khor trouxe essa pérola de Sajuriah. Graças a isso, a gente entende o que você diz, e vice-versa.
 
(Rah)—Como se chama o lugar de onde você vem?
 
(Hugo)—Bem... Venho da cidade de São Paulo, no estado de São Paulo. Meu país se chama Brasil, e o planeta de onde eu venho, Terra.
 
(Kohmi)—“Estado”, no caso, é a província, certo?
 
(Khumarto)—É o mesmo caso da cidade-laboratório de Shoulla, que fica no continente gelado que tem o mesmo nome.
 
Hugo provou alguns quitutes trazidos pelos vizinhos. Alguns deles tinham um gosto esquisito, principalmente os trazidos por Mästhiga.
 
A gata conhecida por Mee Ahndho chega por trás de Hugo, com outro pacote na mão.
 
(Mee)—Sabe... Há tanto tempo que falamos o Suywankan entre nós, que achei que acabaríamos esquecendo o Toukan.
 
(Hugo)—Ah, é?
 
(Mee)—Por isso, eu criei estes discos de aprendizado do idioma Toukan. Você liga na hora de dormir e o subconsciente aprende durante o sono. Já fiz oito discos, e pelo visto, vou ter que fazer mais.
 
(Hugo)—Por quê?
 
(Mee)—Ah, sabe... Se existem mesmo seis bilhões de suywan como você disse que existem, uma vez que você apareceu, é bem capaz que outros apareçam, também. Seria uma boa se vocês falassem o nosso idioma em Tabax.
 
Mee dá o pacote, contendo uma mídia ótica parecida com um CD, junto com o aparelho que a toca, para Hugo.
 
(Hugo)—É... Vou mesmo precisar aprender a falar como vocês.
 
(Mee)—Não aqui em Sadosa, mas quando você sair com esse teu thupayba barulhento para outros cantos de Manivilani, falar Toukan será essencial. Recomendo que fique aqui por, pelo menos, um mês. E, enquanto você aprende o básico do Toukan, a gente te ajuda.
 
(Hugo)—“Thupayba”?
 
(Mee)—Aquele veículo no qual você veio!
 
A gata aponta a camionete.
 
(Hugo)—Ah, o automóvel...
 
(Mee)—É... Você teve sorte em chegar aqui a Sadosa. Chegasse em outro lugar, e teu destino seria a cela da Haijmazoo! Ouvi falar de muitos oozabiregai que tiveram seu destino selado por lá, e...
 
(Hugo)—Peraí... Volta o filme... O que é essa tal de Haijmazoo? E o que é esses tais de oozabir... Birigui?
 
(Mee)—Haijmazoo é o Serviço Secreto dos Governos de Tabax.
 
(Hugo)—Ah, tá...
 
(Mee)—Ooza é como definimos todo ser racional. Em teoria, como você também raciocina, você também seria considerado Ooza.
 
(Hugo)—E esse “oozabirigui”?
 
(Mee)—Oozabiregai. São ooza com aparências que não entram em total concordância com o nosso entendimento. Você, suywan, seria mais um oozabiregai.
 
(Hugo)—E “Tabaxi”, o que significa?
 
(Mee)—Tabaxi é gentílico de Tabax. Ou seja, quem nasce em Tabax é Tabaxi.
 
(Hugo)—Fale mais sobre esses oozabire...Gai. Como são eles?
 
(Mee)—Ah, não se sabe muito. A maioria é puro rumor, mas fala de coisas como cavalos com chifres, cavalos alados, lagartos cuspidores de fogo e leões com cara de águias.
 
(Hugo)—Unicórnios, pégasos, dragões e grifos.
 
(Mee)—Então eles existem mesmo?
 
(Hugo)—Nunca vi nenhum deles. Com certeza, são criaturas mitológicas.
 
(Mee)—Talvez sejam, no teu mundo... E, talvez, o mito deles no teu mundo tenha algo a ver com o nosso mundo.
 
Hugo se despede de Mee. Vai dormir. Arma um colchonete, come os quitutes deixados por seus vizinhos e dorme, logo depois.
 
Na manhã seguinte, um mutirão é feito pelos vizinhos para Hugo receber alguns móveis para sua casa.
 
(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
[Imagem: writer__s_stamp_by_themasterneko-d3d718g.gif][Imagem: brony__stamp_by_blizzykai-d3kvtne.png][Imagem: monster_musume_cerea_stamp_by_venasari-d97gxns.png][Imagem: Gurren_Lagann_Stamp_by_BLUE_F0X.gif][Imagem: my_rosario_vampire_inner_moka_stamp_by_a...6ki62a.png]
[Imagem: CAP.jpg]
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#3
(Continuando...)

Na manhã seguinte, um mutirão é feito pelos vizinhos para Hugo receber alguns móveis para sua casa.
 
(Hugo)—Como é que o português é tão popular? Notei que todos os vizinhos conhecem pelo menos uma ou duas frases na minha língua!
 
(Khawda)—Ah, o Suywankan? Isso foi obra da popularidade do livro Macacos Pelados, do sajuriani Khonta Khawzo. Segundo rumores, Khonta foi o primeiro a visitar Albuquerque e os domínios suywan. Da experiência dele nesse lugar, ele fez a aventura de Pool Ghento, um lobo tabaxi considerado monstro perigoso por todos os suywan, exceto por uma criança. É o livro de ficção mais vendido em toda Tabax! Khonta incluiu a gramática suywan no livro, que incluía também o roteiro para se ir para Albuquerque. Muitos estão procurando esse caminho, mas é difícil! Bom, e é por isso que o teu idioma é tão conhecido entre nós!
 
(Hugo)—Ah...
 
(Khawda)—Agora, alguém veio de Albuquerque... Todo um universo de possibilidades diante de nossos olhos! O idioma Suywan é idioma paralelo informal há anos!
 
(Hugo)—(O português, né...)
 
(Khawda)—Não gostaria de dar uma volta comigo pra ver os outros distritos de Manivilani?
 
(Hugo)—Ehre![.1] 
 
No silenciosíssimo thupayba de Khawda, ela conduz Hugo até um centro de compras.
 
(Hugo)—Carro silencioso, hein? Só ouço um leve assovio...
 
(Khawda)—Surpresa estou eu sobre teu thupayba: Faz muito barulho, parece que vai explodir a qualquer momento!
 
(Hugo)—Pudera... Os pistões do motor devem estar mal-regulados...
 
(Khawda)—Pis... Pistões?
 
Até Khawda entender que o motor do carro de Hugo age por um ciclo iniciado pela explosão nas câmaras dos pistões, foram-se dez minutos. E, até Hugo entender que o motor do thupayba da Khawda e, na verdade, uma turbina, foram-se outros dez minutos.
 
(Hugo)—Turbina?!? Como...  Turbina de avião?
 
(Khawda)—“Avião”? O que é isso?
 
(Hugo)—Ah, há, vai me dizer que você nunca viu uma máquina voadora!
 
(Khawda)—PELO GRANDE! [.2] Máquinas que voam? Isto é ridículo!
 
E até Khawda compreender que os suywan fabricam máquinas voadoras, mais pesadas que o ar, foram-se outros dez minutos.
 
Mais meia hora de passeio, e Khawda entrou em um estacionamento de uma espécie de sobrado, onde estavam escritas as frases Tokkoma Kan Tife e Clube do Livro.
 
(Hugo)—“Clube do Livro”?
 
(Khawda)—“Tokkoma Kan Tife”, no toukan de Schwarzak. Aqui se exercita o idioma Suywankan em toda parte, mas principalmente na “Sala Pool Ghento”, onde se fala de suywan às 20 horas do dia.
 
(Hugo)—Não são 24?
 
A raposa mostra um relógio de parede para Hugo.
 
(Khawda)—Não. São 20.
 
O relógio de parede tem só números de 1 a 10, e os ponteiros correm em sentido anti-horário. Hugo, prestando atenção no relógio esquisito, nem vê Khawda entrando na “Sala Pool Ghento” Khawda vê que o humano está distraído e o puxa pela mão para que ele entre na sala com ela.
 
São recepcionados por um gato um tanto... Excêntrico.
 
(Gato)—<Oiii! Olha só, ooza! Khawda Blanka nos trouxe um ooza vestido de suywan com perfeição!!!>[.3] 
 
(Khawda)—<E se eu disser que ele é mesmo um suywan?>
 
(Gato)—<Ah, qualé Khawda! Tá certo, os livros de Khonta Khawzo são excelentes, mas daí pra me dizer que existem suywan de verdade?>
 
(Khawda)—<Toca nele, Mah!>
 
Mah Lyado. Gato branco com grandes manchas negras pelo corpo. Apreciador da obra de Khonta Khawzo, mas um tanto cético.
 
(Mah)—(Para Hugo) <Qual ooza é você?>
 
(Hugo)—O que esse gato disse, Khawda?
 
(Mah)—<Uau, teu suywankan é perfeito!>
 
Mah toca a cara de Hugo. Sente que há carne, e não borracha, nas feições suywan. Se afasta, assustado. Se joga num sofá.
 
(Mah)—<Que loucura é esta? Khawda, ele fez plástica? As feições de suywan dele são verdadeiras!!!>
 
(Khawda)—<Não, ele é um suywan de verdade! Veio de Albuquerque, e tudo o mais!
 
(Hugo)—Cês podiam falar português, pelo amor de Deus?!?
 
(Mah)—<O que há com ele?>
 
(Hugo)—<Está assustado, eu acho.> Tente exercitar teu suywankan um pouco, Mah!
 
(Mah)—Ah, tá. Er... Hugo, é teu nome, não é? É verdade que os suywan são... Er... Canibais?
 
(Hugo)—HEIN?!?
 
(Mah)—É, ouvi falar que os suywan não passam um dia sem comer carne de boi, de porco, ou mesmo de cachorro...
 
(Hugo)—Não existem “bichos inteligentes”, como vocês, no mundo onde vivo. Lá, a única raça inteligente existente é a raça humana... A minha raça. Os seres que vejo falando aqui eu vejo andando nas quatro patas lá.
 
(Mah)—Peraí, volta do começo que não entendi...
 
(Khawda)—Isso não é canibalismo, Mah! Os suywan só seriam mesmo canibais se eles comessem carne de outros suywan!
 
(Mah)—Anhé?
 
(Khawda)—Hugo, explique ao nosso amigo felino em detalhes o que você acabou de falar.
 
(Hugo)—Vou tentar... No meu mundo, vocês só existem como animais.
 
(Khawda)—Khëbas.
 
(Hugo)—“Humana” é o nome da minha espécie, da minha raça.
 
(Khawda)—Suywan.
 
(Hugo)—Nós também chamamos de “quadrúpedes” os animais que são destituídos de inteligência, porque, bem... Eles vivem sobre as quatro patas.
 
(Khawda)—Toubana.
 
(Mah)—Ahh... “Humana” é suywan em suywankan... Mas temos mesmo cara de khëbas?
 
Hugo tira de sua mochila um livro, de fotos de animais, trazido da Terra. Oferece-o a Mah.
 
(Mah)—Eu... Posso? Ooza... Vou pegar em um artefato suywan...
 
Os ooza que lá estavam deram uma olhada de canto. O livro tinha, como título, “Mamíferos do Mundo”. Hugo abriu o livro na página que tinha a foto de um gato.
 
(Hugo)—É a tua cara.
 
Mah contempla a imagem do quadrúpede estampada no livro.
 
(Mah)—Nome: Gato doméstico. Nome científico: Felis Catus. Família: Felidae. Ordem: Carnívora... Sou um... Gato? É, é meio parecido com o meu biótipo...
 
Logo depois, a raposa adianta algumas páginas para mostrar a foto de um animal aparentado a ela.
 
(Khawda)—Veja, essa sou eu! Eu sou uma raposa!
 
(Mah)—Será que somos parentes?
 
(Khawda)—(BLÉÉÉÉ…) Por que acha isso, pelo formato das orelhas?
 
Com isso, todos os presentes ficaram curiosos para ver o livro do suywan e saber com qual khëba da Terra dos suywan cada um se parecia. Na verdade, os animais ilustrados no livro já existiam ali, tanto na forma “quadrúpede” quanto na forma antropomórfica. Mas os nomes eram diferentes, sendo que em Tabax os nomes eram mais onomatopaicos. Por exemplo, möw era como os tabaxi chamavam o gato, e waff era como eles chamavam o cão. Haviam exceções à regra, como os pâmura, que eram os animais da classe dos mustelídeos. De uma forma ou de outra, os ooza passaram a se chamar de animais.
 
Depois de umas compras pelo mercado ao qual o Tokkoma Kan Tife era anexado, Khawda comentou o sucesso do livro.
 
(Khawda)—Teu livro fez sucesso, Hugo.
 
(Hugo)—Ô! Tanto que até tive que deixá-lo no Tokkoma Kan Tife...
 
(Khawda)—Não vai ser lá uma grande perda pra você. Mas pra nós, é a doação mais importante já feita! Nenhum outro Tokkoma Kan Tife tem um só tokkoma do povo suywan que seja! Er... Tão pesados, os discos?
 
Hugo carrega quatro pilhas de 100 discos cada, discos de tamanho de CDs.
 
(Hugo)—Não muito... Mas do que são estes discos?
 
(Khawda)—Episódios narrados em som e imagem... Não sei se você já viu...
 
(Hugo)—Aaaah, filmes! E são filmes do quê?
 
(Khawda)—Ahn... Yiff...

(Continua...)

 


 [.1]“Sim!, Claro!”, no idioma Toukan.

 [.2]A divindade adorada pelos Ooza é conhecida pela alcunha de “O Grande”, não possuindo um nome próprio.

 [.3]<> = Falado em Toukan


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#4
(Continuando...)

(Khawda)—Ahn... Yiff...
 
(Hugo)—“Yiff”? Yiff, yiff... YIFF?!?
 
Um tigre com roupas de segurança dá a maior bronca em Hugo!
 
(Tigre)—Pára de ficar falando palavrão aqui, primata! Há filhotes no mercado!!!
 
Saindo do mercado e chegando ao thupayba de Khawda, ela e Hugo começam a carregá-lo.
 
(Khawda)—Que tá tão espantado, suywan?
 
(Hugo)—“Yiff” é, por acaso, um macho e uma fêmea, na cama, no maior calor da batalha?
 
(Khawda)—Fala sexo de uma vez! É, sim, é muito sexo! “Yiff” é a palavra mágica que nós suspiramos quando estamos prontos para o amor... Em mim, quase que não vem, mas quando vem, sai de baixo!
 
Hugo engole em seco. Os dois voltam para Sadosa, a tempo do almoço. Hugo almoça na casa de Khawda.
 
(Khawda)—Temos bife, carne moída, copa, presunto, salame, mortadela, e... Peixe grelhado. Pra acompanhar, queijo e omelete.
 
(Hugo)—(Putz, só produtos animais...)
 
Após o almoço, filmes Yiff, rodando no “gira-discos” da sala. Khawda assistia aquilo como se fosse uma comédia pastelão, impassível aos filmes, enquanto que Hugo quase não se continha. Somente a boa educação impedia o suywan de yiffar a si mesmo naquela hora!
 
(Khawda)—Tá tenso, suywan? Não vai me dizer que você tá na época do “acasalamento”?
 
(Hugo)—Não... N-não temos “Época”... Nós, humanos, fazemos... Er, “isso”... O ano... Inteiro...
 
Khawda gargalha.
 
(Khawda)—SÉRIO?!? E você tá com vergonha de... Er... “se aliviar”? Ah, ah, ah... Então, me deixe dar licença para você… Er… “Ficar à vontade”. Vou lá na casa da Mee e volto em 30 minutos, tá?
 
(Hugo)—Peraí!... Se estou atrapalhando, deixa... Que eu volto pra minha casa...
 
(Khawda)—Imagine, suywan! Minha casa, tua casa! Você precisa se acostumar com a nossa... Hospitalidade. Já volto, viu? (Fecha a porta e sai)
 
Hugo está sozinho. Baixa o zíper da calça...
 
(Hugo)—Putamerda, que filme quente da porra!
 
Na casa de Mee Ahndho...
 
(Khawda)—Mee!
 
(Mee)—Fala, Khawda! E o suywan?
 
(Khawda)—Ah, o suywan está yiffando a si mesmo na sala da minha casa...
 
Gargalhadas entre as duas.
 
(Mee)—O suywan tá na época do acasalamento, então?
 
(Khawda)—Época? Que época?!? Os suywan fazem isso o ano inteiro!!!
 
(Mee)—Pelo Santo Elo... Então, ele é bem “versátil”... Se eu não achar um macho disponível quando estiver na “minha hora”...!
 
(Khawda)—OO QUÊÊÊ!!! Tá pensando em yiffar o suywan, tá?
 
(Mee)—Ah... Que tem? Ele é macho, não é? Você nunca yiffou um macho de outra espécie?
 
(Khawda)—Eu já, mas nunca um de uma espécie tão... Diferente da minha! No máximo, foi alguém da mesma espécie do Khor, ou da Lou.
 
A gata faz cara de desconfiada.
 
(Mee)—Sei!...
 
(Khawda, mudando o assunto)—Ah, já te falei que o suywan fez o maior sucesso lá no Tokkoma Kan Tife? Ele levou um livro de khëbas do mundo dele e doou o livro! Os fãs de Khonta Khawzo receberam o livro como se fosse uma relíquia!
 
(Mee)—Sério?!
 
Nisso, chega um thupanã[.1]  de uma emissora de TV local. De dentro dele, descem uma marta com um microfone na mão, e um porco com uma câmera. A marta liga o microfone, o porco liga a câmera e, de dentro do veículo, um cachorro dá um sinal de “tudo pronto”.
 
(Marta)—Pehli’ Kara para o Canal Dez, reportando ao vivo do bairro Sadosa, na cidade de Manivilani, onde uma misteriosa criatura tida como sendo um suywan foi avistada nos arredores. (Vira o microfone para Khawda) Com licença, alguma das senhoras viu um suywan por aí?
 
(Khawda)—Sim, ele é nosso amigo.
 
(Mee)—(Xi...)
 
(Pehli’)—É verdade que o suywan é canibal?
 
(Khawda)—Pelo Grande! De onde você tirou essa descabeçagem[.2] ?
 
(Pehli’)—Ah, sim... Vocês ainda não viram o suywan comer ninguém.
 
Pehli’ interrogava Khawda enquanto Mee bolava um plano com os vizinhos e o punha em ação, junto com Khumarto e Khor.
 
(Khumarto)—Khawda, cadê você? Você esqueceu de tomar de novo os teus remédios?
 
Tanto Pehli’ como Khawda estranharam o chamado. O cameraman capta a imagem de Khumarto segurando um frasco de comprimidos, enquanto Khor e Mee seguravam algo parecido com uma camisa-de-força. Os três, vestidos de branco.
 
(Khawda)—Remédios, como assim?
 
(Khumarto)—Ah, não!... Não me diga que está falando pra essa pobre repórter aquela estória do suywan de novo!
 
(Pehli’)—Como... Como assim?
 
(Khor)—Mil perdões, senhorita... Esta moça aqui é meio descabeçada,[.3]  entende? Ela precisa tomar remédios controlados, como o Despekazip,[.4]  conhece?
 
(Pehli’)—Meu Grande... O Despekazip?
 
(Khor)—É, ela toma 15 todo dia!
 
Decepcionada, a marta meneia a cabeça.
 
(Pehli’)—Coitada!... E ela parece ser tão jovem!... E o relato dela parecia ser tão convincente!... Então, esse papo de suywan é tudo estória dela?
 
(Khor)—Tudo estória dela.
 
Amarrada na camisa-de-força, Khawda não está entendendo nada!
 
(Khawda)—ME SOOOOLTAAAA!!!
 
(Pehli’)—Mas... Quem era o sujeito que estava com ela lá no Tokkoma Kan Tife?
 
(Khor)—Não sabe? Um novo morador daqui do bairro... Um chimpanzé meio fanático pela obra de Khonta Khawzo, que entrou na faca pra ficar igualzinho a um suywan de verdade!
 
Feitas as desculpas, Pehli’ e sua equipe subiram no thupanã e voltaram para o lugar de onde vieram. Khor e Khumarto tiram a focinheira de Khawda e desabotoam a camisa-de-força.
 
(Mee)—Desculpe, Khawda... Mas achamos melhor o povo não saber dessa história de suywan.
 
(Khawda)—Mas me fazer de louca?!? Com que cara que eu vou voltar ao Tokkoma Kan Tife?
 
(Mee)—Eu ligo para o Mah e para os outros.
 
Hugo ainda estava ”yiffando a si mesmo” na casa de Khawda. Mee pegou sua aothupa[.5]  e se dirigiu ao Tokkoma Kan Tife, nem notando o thupanã estacionado a 100 metros da entrada. Lá dentro, Pehli’ Kara e seus assistentes vasculhavam a rede tabaxi de dados.
 
(Pehli’)—Vendo a relação de todos os moradores de Manivilani Sadosa Kurateon. A única raposa fêmea residente se chama Khawda Blanka. (Digitando) Histórico médico de Khawda Blanka... (Digitando e clicando) Absolutamente normal. (Digitando e clicando) O único primata residente se chama Keen Ghikong, e é um gorila. Não há sinal de chimpanzés por lá. (Digitando e clicando) Há uma casa vazia na lista, mas no visual todas as casas estão ocupadas. Conclusão? Há um suywan por lá.
 
(Porco)—O que pretende fazer?
 
(Cachorro)—Se liga, agente Palme! Lógico que a agente Kara vai avisar a Central!
 
(Ag. Palme)—Mais um caso de oozabiregai, agente Ki’Rex?
 
(Pehli’)—Não, é muito mais grave! Alô, Central? Código 666 em Manivilani, Sadosa Kurateon!
 
Pehli’ Kara não é repórter, Irens Palme e Vienga Ki’Rex não são assistentes: Os três são agentes da Haijmazoo! E Hugo Humano é seu próximo alvo!
 
Anoitece. Khawda entrou em sua casa, estranhando o asseio.
 
(Khawda)—Hugo?... Você... Desistiu de seu propósito?

(Continua...)



 [.1]Do Toukan: Thupa (Mecânico) + Nã (Cargueiro) = Caminhão ou qualquer veículo de carga.

 [.2]O mesmo que “asneira”.

 [.3]Neste sentido, significa “desequilibrado mental” ou simplesmente “louco”.

 [.4]Uma versão turbinada do nosso conhecido Gardenal.

 [.5]De “Ao” (Montaria) + “Thupa” (Mecanismo) = Motocicleta


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
[Imagem: writer__s_stamp_by_themasterneko-d3d718g.gif][Imagem: brony__stamp_by_blizzykai-d3kvtne.png][Imagem: monster_musume_cerea_stamp_by_venasari-d97gxns.png][Imagem: Gurren_Lagann_Stamp_by_BLUE_F0X.gif][Imagem: my_rosario_vampire_inner_moka_stamp_by_a...6ki62a.png]
[Imagem: CAP.jpg]
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#5
(Continuando...)

(Khawda)—Hugo?... Você... Desistiu de seu propósito?
 
Do banheiro, Hugo responde.
 
(Hugo)—Uff... ‘Magina, Khawda... Fiz tudo o que tinha que fazer... Só que eu não iria melecar a sala de tua casa, né?
 
(Khawda)—E por que não? A graça está justamente em deixar o cheiro no ambiente!
 
(Hugo)—No teu mundo, porque no meu isso é porquice!
 
Khawda corre até o banheiro e começa a farejar, à caça do cheiro de Hugo
 
(Khawda)—Nossa!!! (Abana o focinho) Que cheiro forte!!! Você vai ver a Mästhiga chegar aqui já, já...
 
A raposa liga um ventilador (ou algo parecido, que faz vento) para o cheiro sair do banheiro e, em menos de dez minutos...
 
(Mästhiga)—Khawda, que cheiro é esse?
 
A raposa sai para o quintal, para recepcionar a égua.
 
(Khawda)—Tá sentindo? Cheirão de suywan!
 
(Mästhiga)—Suywan yiffado?!
 
(Khawda)—Suywan yiffado!!
 
(Mästhiga)—Nossa, esse cheiro me lembra muito o Khumarto depois da nossa primeira noite! Ah, que saudade!... Cadê o Hugo?
 
(Khawda)—Tá na sala, envergonhado. Acho que a sociedade dele tem tabus quanto ao cheiro... Hã?
 
Hugo está conversando com a repórter.
 
(Pehli’)—Que macho cheiroso... Poderia vir aqui um pouco?
 
(Khawda)—Essa marta... HUGO, ESPERA!!!
 
Irens e Vienga agarram Hugo, enquanto quatro thupanãs negros invadem o vilarejo!
 
(Khawda)—HUGOOOO!!!
 
(Mästhiga)—SOLTEM O SUYWAN!!!
 
Armas são apontadas para elas.
 
(Hugo)—Ei, não apelem! Nunf, hunf, unnf...
 
Um pano embebido em sonífero tapa a boca de Hugo, fazendo-o dormir.
 
(Pehli’)—Louca, hein? Não me parece agora tão descabeçada quanto me fizeram acreditar. “Prazer”, Pehli’ Kara, agente da Haijmazoo. Agora, esta criatura perigosa estará sob nossa custódia!
 
(Mästhiga)—Peraí, o Hugo não é perigoso!
 
(Pehli’)—Acredite, potranca... Os suywan são as criaturas mais perigosas do Universo!
 
Inconsciente, Hugo é jogado em um dos thupanãs negros. Os agentes entram nesse mesmo thupanã e os veículos se retiram.
 
Khawda corre atrás deles, mas um tiro certeiro no tanque de combustível da aothupa de Khor Takarai, fazendo-a explodir, indica claramente que os agentes da Haijmazoo não querem ser seguidos.
 
(Khawda)—RÁPIDO, MÄSTHIGA!!!  Chame Khumarto e os outros, talvez ainda possamos resgatá-lo!!!
 
Mästhiga corre para sua casa. Misteriosamente, ela sai de sua casa e entra em outras casas, saindo delas logo depois. Por fim, volta para Khawda.
 
(Mästhiga)—Mudos. Cortaram nossas comunicações.
 
(Khawda)—NÃO ACREDITO!!! E só há nós duas aqui!!!
 
Nisso, chega Mee em sua aothupa. Khor e Lou no thupayba de Lou, Keen em seu thupanã, Kohmi no thupayba de Rah, acompanhado dela, Khumarto a pé e Toh’Ru em sua irathupa[.1] .
 
(Khumarto)—Mästhiga, que cara é esta? Não está contente em me ver?
 
Como resposta, a potranca se joga nos braços de seu marido, chorando copiosamente, e assustando o cavalo.
 
(Mästhiga)—(Chuif!) Me abraça, Khumarto!... Houve uma tragédia!!!
 
(Khumarto)—T... Tragédia?... Que houve, Mästy querida?
 
(Khawda)—Foi a Haijmazoo... (Chuif!) Levaram o suywan!... Invadiram a vila, levaram Hugo embora e nos ameaçaram!!!
 
Lou leva as mãos ao focinho e corre para sua casa. Impotentes frente a situação, os machos da vila rugem e rosnam. Rah esmurra seu thupayba, enquanto que Mee chora copiosamente.
 
(Khumarto)—Mas... COMO nos acharam?
 
(Mästhiga)—Uma marta, que se dizia repórter...
 
Khumarto sacode a cabeça, mão acreditando que era a mesma marta que parecia tão inofensiva.
 
(Khumarto)—AQUELA MARTA?!? Agente da Haijmazoo?!? (Arranca pêlos da crina) NÃO ACREDITO!!!
 
(Keen)—Não vai adiantar de nada chorar e se descrinar. Alguém sabe onde fica o escritório central da Força Corretiva?
 
(Toh’Ru)—E do quê isso vai adiantar?
 
(Keen)—Conheço alguém que pode nos ajudar...
 
Todos os olhares se voltaram, ao mesmo tempo, para o gorila.
 
(Keen)—Esse ooza trabalha no escritório central da Força Corretiva... Mas eu não sei quem é, só poso chamar pelo codinome. Não é lá tão esperta a atitude, mas... E aí? Temos alternativa?
 
(Khor)—Enquanto você fica aí vomitando palavras, Keen, o Hugo pode estar sendo dissecado vivo!!! (Para a turma) Quem sabe o caminho?
 
A poodle volta de sua casa, ainda chorando, mas já consciente do que Keen e os outros falavam.
 
(Lou)—Eu... (Chuif) Eu sei... É... É o 1º Departamento Corretivo, lá em Schwarzak... (Chuif)
 
(Khumarto)—Lá na capital?
 
(Lou)—Sim, é lá...
 
(Khor)—MINHA AOTHUPA!!! QUEM FOI O DEMÔNIO QUE...?!?
 
Khor encontrou sua aothupa, toda carbonizada, e sem seu tanque de combustível, que tinha sido detonado com um tiro.
 
(Khawda)—A Haijmazoo não queria ser seguida, e eles deram um “tiro de advertência”.
 
(Toh’Ru)—Ooza... Vamos aprontar nossas coisas e vamos logo pra Schwarzak? Quanto antes resolvermos esse impasse, melhor.
 
Logo os outros vizinhos ficaram cientes do ocorrido, mas não quiseram se envolver. Em dois thupaybas e um thupanã, partiram Lou, Khor, Khumarto e Mästhiga; Rah, Kohmi, Khawda e Keen; Toh’Ru e Mee. Prevenidos para uma longa viagem, levam muitas coisas de necessidade nos porta-malas dos thupaybas e no compartimento de carga do thupanã. Partiram ainda de noite, rumo a Schwarzak.
 
Enquanto isso...
 
(Hugo)—Hein? Onde eu tô?
 
Armas são engatilhadas em sua direção.
 
(Hugo)—(Devo estar no Inferno...)
 
(Pehli’)—Mantenham-no sob vigilância constante! Mas muito cuidado! O Comando Central precisa dele vivo!  
 
(Hugo)—Não precisa enfiar o cano de uma .48 no meu nariz, eu não vou te comer!
 
(Pehli’)—Piadista, hein, suywan? Mor Pheu?
 
(Mor)—Sim, senhora?
 
(Pehli’)—Cale esse engraçadinho!
 
(Mor)—Sim, senhora.
 
O pano embebido em sonífero avança em direção a Hugo.
 
(Hugo)—Ah, não, de novmm nummmfff.... Zzzz... Zzzz... ROOOONC!!!... Zzzz... ROOOONC!!!... Zzzz...
 
(Pehli’)—Por esse piadista pra dormir foi uma péssima idéia! Nem o meu ex-macho roncava tão alto!
 
Horas se passam. A luz interna do thupanã se acende, acordando e ofuscando o humano.
 
(Hugo)—Ô, caralho, essa luz forte na minha cara, aí!
 
Novamente, um soldado aponta um rifle para Hugo.
 
(Soldado)—Cala essa tua boca, suywan, ou eu te faço dagakía,[.2]  entendeu?
 
(Hugo)—Não vem não, que a moça falou que o Comando Central precisa de mim vivo!
 
(Soldado)—Vivo, sim. Inteiro, não consta.
 
Uma coronhada atinge a cara de Hugo.
 
(Hugo)—Filhodaputa...

(Continua...)



 [.1]De “Iraa” (Corrida) + “Thupa” (Mecanismo) = Quadriciclo. Os quadriciclos são usados como veículos de competição

 [.2]Uma espécie de peneira.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
[Imagem: writer__s_stamp_by_themasterneko-d3d718g.gif][Imagem: brony__stamp_by_blizzykai-d3kvtne.png][Imagem: monster_musume_cerea_stamp_by_venasari-d97gxns.png][Imagem: Gurren_Lagann_Stamp_by_BLUE_F0X.gif][Imagem: my_rosario_vampire_inner_moka_stamp_by_a...6ki62a.png]
[Imagem: CAP.jpg]
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#6
(Continuando...)

(Hugo)—Filhodaputa...
 
Arrastado e atordoado, Hugo é posto pra fora do thupanã. Suas feridas são tratadas por um enfermeiro antes de ser conduzido à sala de triagem. Um buldogue sisudo o espera do outro lado da escrivaninha.
 
(Buldogue)—<Nome?>[.1] 
 
(Hugo)—Toukan ma tou. Suywankan tou.
 
(Buldogue)—<O que?!?>
 
(Soldado)—<Ele não fala Toukan, senhor. Só se comunica em Suywankan.>
 
(Buldogue)—<Isso eu entendi muito bem, soldado! Mas que doideira é essa de Suywankan?>
 
(Soldado)—<O senhor nunca leu um livro de Khonta Khawzo?>
 
(Buldogue)—<Eu não tenho tempo pra ler besteiras! Você pode se comunicar com ele?>
 
(Soldado)—<Sim, senhor.> Suywan, serei o teu intérprete.
 
(Buldogue)—<Nome!>
 
(Soldado)—Nome!
 
(Hugo)—Hugo Martinelli Stozzo.
 
(Buldogue)—<Procedência!>
 
(Soldado)—Procedência!
 
(Hugo)—Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, América do Sul, Terra...
 
(Buldogue)—<Que nomes são esses?>
 
(Soldado)—Que nomes são esses?
 
(Hugo)—Belo Horizonte é o nome da minha cidade.
              Minas Gerais, o do estado.
              Brasil, o do meu país.
              América do Sul, o do continente.
              Terra, o nome do meu planeta.   
 
(Soldado)—Belo Horizonte, <Nome da cidade.>
                   Minas Gerais, <Nome da província.>
                   Brasil, <Nome do feudo.>
                   América do Sul, <Nome do Continente.>
                 Terra, <Nome do planeta de origem.>
 
(Buldogue)—<Dieta!>
 
(Soldado)—O que você costuma comer?
 
(Hugo)—Arroz, feijão, ovos e bife.
 
(Soldado)—O que ser isso que você falou?
 
(Hugo)—Arroz e feijão são cereais. Bife é carne bem passada.
 
(Soldado)—<Cereais, ovos e carne bem passada.>
 
(Buldogue)—<Vou anotar, então, como “onívoro”.>
 
Horas depois, os dois thupaybas e o thupanã chegam a Schwarzak. O prédio do 1º Departamento Corretivo já era visível.
 
(Khawda)—Keen, contamos com você.
 
(Keen)—Espero estar certo.
 
Keen Ghikong entra no 1º Departamento Corretivo, com esperanças em mente e uma palavra na boca:
 
—Vincent...
 
Abre uma porta, onde se desenrola um interrogatório.
 
(Keen)—Vincent?
 
(Iguana)—Não conheço nenhum Vincent. Shadu?
 
Shadu Kosera e Kasshir Tathai, investigadores. O urso é novato, enquanto que Kasshir está há vários anos no Departamento Corretivo. 25, pra ser mais exato.
 
(Shadu)—Peça a lista de efetivos ao delegado, ele deve conhecer algum Vincent.
 
(Keen)—Obrigado. 
 
O gorila volta ao corredor, enquanto que Shadu e Kasshir continuam interrogando o jacaré.
 
(Shadu)—Anda logo, Catchun, o que você sabe sobre o tal de Prado Verde?
 
(Catchun)—Já disse que não sei de nada!... (Apanha) Ai! Ui!
 
Na sala do delegado, um leão com pose de folgado zapeava os canais do televisor.
 
O Canal 3 apresentava o compacto do Show Beneficente em benefício às vítimas de gangues dietistas, organizado pela popstar Kanine.
 
O Canal 10, de notícias, alertava sobre uma possível epidemia de uma doença misteriosa que ataca os pulmões e é transmissível pelo ar.
 
O Canal 12 apresentava, ao vivo, a final do Torneio de Artes de Combate na cidade de Ahan-Kahabo. Na disputa final, o garanhão Hisarto Nabre venceu o lobo Gheran Famardh, o Bunda-Lisa, e se consagrou bicampeão mundial por nocaute.
 
(Leão)—Finalmente, achei o canal de luta! Putaquepariu, esse lobo sem cauda achava que podia alguma coisa contra o Hisrarto? O garanhão barbariza!!!
 
Chegando de leve, o gorila dá umas pancadinhas na porta pra anunciar sua chegada.
 
(Keen)—Er... Com licença...
 
(Leão)—Fala, primata, e seja rápido: Ainda quero pegar a reprise da disputa pelo terceiro lugar entre Kod Yack e Threz Caco. 
 
(Keen)—Procuro por um tal “Vincent”...
 
(Leão)—O que você quer com “Vincent”?
 
(Keen)—Um amigo meu foi capturado, por engano, pela Haijmazoo. Não tenho o menor sinal de seu paradeiro.
 
Nisso, chega um panda.
 
(Panda)—Posso ajudar?
 
(Keen)—Ah, sim. Preciso de ajuda, senhor...
 
(Panda)—Delegado Käzzaz Bourii. O que o senhor precisa?
 
(Keen)—Preciso achar um tal “Vincent”...
 
Nisso, Bourii nota o leão assistindo a tevê, e manda um murro na mesa pra chamar sua atenção.
 
(Bourii)—VINCENT!!! Não viu o gorila atrás de você, por que ainda não atendeu?... Vadiando na minha sala, folgado?
 
(Keen)—Ah, ele é o Vincent!
 
(Vincent)—Sim, sou eu. Você me disse de um amigo, de um rolo que houve com ele (Gesticula “Vamos conversar em outro lugar?”), né? Siga-me.
 
Keen foi atrás de Vincent, entrando junto com ele em uma sala à prova de som.
 
Enquanto isso, na Haijmazoo...
 
(Soldado)—Precisa de algo no cubículo?
 
(Hugo)—Preciso... Minhas roupas.
 
Hugo estava nu, em um cubículo, isolado de todos.
 
(Soldado)—Tuas roupas estão sendo devidamente esterilizadas, para evitar a propagação de alguma epidemia desconhecida. Não basta a “Síndrome de Grippe” que assustou meia Tabax?
 
(Hugo)—Tá, mas enquanto isso eu vou ficar desse jeito, com os balagandãs de fora? Olha, o passarinho vai ficar resfriado!
 
Nisso, chega uma enfermeira, fitas na mão.
 
(Soldado)—<Tire as medidas.>
 
(Hugo)—Peraí... Ela vai tirar as minhas medidas?!? (Tenta se “cobrir” de tudo quanto é jeito) Qualé?!?
 
O soldado, impaciente, aponta sua arma pra Hugo.
 
(Soldado)—Não seja agressivo, e eu não terei motivo para disparar. Inma, continue.
 
(Inma)—Que foi, suywan? Tá com vergonha? Não se preocupe, meu período “quente” só virá daqui a três meses.
 
Sob protestos (Velados por causa da arma apontada pra cabeça) do humano, Inma tirou todas as medidas. Dois minutos depois, Hugo estava em paz, novamente. Duas horas depois, a mesma enfermeira, uma corça, volta, com roupas na mão.
 
(Inma)—He, He... Toma. Vista-se. Olhando assim de relance, você não é lá grande coisa como macho, sabia?
 
Hugo resmunga. O soldado ri. Hugo se veste. Inma fita o humano secamente, enquanto o soldado estranha.
 
(Soldado)—Que foi, Inma? Tá secando o suywan por quê?
 
(Inma)—Eh... Sabe, ele até que é bonitinho... Não me parece ser uma criatura perigosa...
 
(Soldado)—É, você falou a mesma coisa a respeito daquele lobo com chifres, até ele começar a soltar relâmpagos por eles! Anda, de volta ao trabalho!

(Continua...)

 


 [.1]<Traduzido do Toukan>


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
[Imagem: writer__s_stamp_by_themasterneko-d3d718g.gif][Imagem: brony__stamp_by_blizzykai-d3kvtne.png][Imagem: monster_musume_cerea_stamp_by_venasari-d97gxns.png][Imagem: Gurren_Lagann_Stamp_by_BLUE_F0X.gif][Imagem: my_rosario_vampire_inner_moka_stamp_by_a...6ki62a.png]
[Imagem: CAP.jpg]
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#7
(Continuando...)

(Soldado)—É, você falou a mesma coisa a respeito daquele lobo com chifres, até ele começar a soltar relâmpagos por eles! Anda, de volta ao trabalho!
 
Chega a noite. Embora o cubículo seja individual e não seja desconfortável, é desolador ficar lá sozinho. A comida vem por uma fenda nos fundos. Um prato com algo parecido com arroz, feijão, ovos e bife. Bateu a fome, Hugo precisou comer.
 
No escritório Central da Força Corretiva...
 
(Vincent)—E ele é um suywan? Como ele veio parar aqui, de thupayba e tudo?
 
(Keen)—Me parece que ele pegou a curva errada em Albuquerque. Que levava para um paredão de granito.
 
(Vincent)—Albuquerque... Já ouvi falar desse lugar... Um lugar propício ao surgimento de Funtos.
 
(Keen)—De quê?
 
(Vincent)—Funtos. Portais e vórtices que ligam Tabax à terra dos suywan. Sou um rastreador dimensional e informante a serviço de um ooza muito importante. Albuquerque é a “Cidade Mítica” para onde foi Khonta Khawzo.
 
(Keen)—O que escreveu Macacos Pelados?
 
(Vincent)—Esse mesmo. Acha você que é tudo da cabeça do Sr. Khawzo? Meu “contratante” conhece os suywan como ninguém. Eu conheço os suywan como ninguém!
 
O gorila fica estupefato ao ouvir o leão.
 
(Keen)—Você... Conhece... Os suywan?...
 
Graças ao isolamento acústico, ninguém pôde ouvir os gritos de terror de Keen Ghikong ao ver a forma leonina de Vincent retraindo-se e distorcendo-se para uma forma cada vez mais... Humana.
 
(Vincent)—Sou conhecido por Fera-dos-esgotos. Minha verdadeira origem nem precisa ser comentada. Antes, eu tinha nojo dos humanos, embora vivesse em meio a eles. O teu “amigo” deve estar na Base Secreta da Haijmazoo, na cidade de Ahan Kahabo, na província de Fratil. Estão armados e são perigosos. Desistam enquanto respiram.
 
Nisso, a luz vermelha torna-se verde. Käzzaz Bourii entra de sopetão, assustando o gorila... Que toma outro susto ao procurar o Vincent Humano e só encontrar o Vincent Leonino.
 
(Bourii)—Vincent, o gorila está passando bem?
 
(Vincent)—Já vou levá-lo pra fora, senhor.
 
O papo continua, discreto, em um corredor vazio.
 
(Keen)—Mas então, você é um tipo de “Agente-Duplo”?
 
(Vincent)—Mais ou menos.
 
(Keen)—Hugo é nosso amigo; estamos todos preocupados com a saúde dele.
 
(Vincent)—Se eu conheço bem a cambada de lá, não precisam temer pela segurança do suywan: Eles preferem “colecionar” espécimes.
 
(Keen)—Quer dizer que... Você não pode nos ajudar?
 
O leão já conduzia o gorila à saída.
 
(Vincent)—Poder, eu posso... Mas não pode ser agora, já. Pensa que o vosso suywan é o único prisioneiro de lá? Acredite: Não é! Tchau, gorila.
 
Keen volta aos amigos que o esperavam do lado de fora.
 
(Khumarto)—E então?
 
(Keen)—Ahan Kahabo, Fratil. Uma verdadeira fortaleza. Seremos feitos dagakia antes de vermos o prédio. Mas, nada de pânico. Segundo Vincent, que é um oozaweze[.1]  Suywan, eles estão “colecionando” prisioneiros vivos.
 
Enquanto isso, na Haijmazoo...
 
(Pangolim)—O que acha?
 
Kass Kuddo. Pangolim. Um dos coordenadores do setor de alienígenas da Haijmazoo.
 
(Pehli’)—Não sei, senhor. Ele parece apático e inofensivo.
 
O comentário é sobre Hugo.
 
(Mor)—Soltamos o suywan?
 
(Kass)—Está louco, Mor?!? Imagine o alvoroço que seria um suywan transitando livremente por toda Tabax!
 
(Vienga)—Agente Pheu quis dizer soltá-lo dentro dos muros da Haijmazoo, sem deixá-lo ir para o exterior. Aposto que o coitado nem sabe por que está preso!
 
(Kass)—A Haijmazoo paga você para agir, Agente Ki’Rex, não para você pensar! Todos nós sabemos dos perigos sublimados que os suywan proporcionam!
 
(Pehli’)—O suywan parece estar chorando...
 
Kass vira as costas. Dá dois passos e uma encarada feia em Pehli’.
 
(Kass)—Agente Kara... Se algo ocorrer de trágico por culpa do suywan, a responsabilidade cairá sobre a tua cauda.
 
Após a retirada de Kass, Irens comenta, por último.
 
(Irens)—Eu acho que isso quer dizer que a senhora pode levar o suywan pra tomar um arzinho.
 
A marta aperta um botão azul e se dirige ao microfone.
 
(Pehli’)—Srta. Inma, traga o suywan para a Sala de Interrogatório!
 
(Inma)—Agora, Sra. Kara? Tá passando a novela!...
 
(Pehli’)—Agora, sua corça chata! Grave a novela para ver depois!
 
Minutos depois, a corça chega à cela de Hugo. O humano, que estava desesperado, encolhido num canto, olha a cervídea abrir a cela com certa apreensão.
 
(Inma)—Venha, suywan...
 
Já esperando algo pior, Hugo aceita, resignado, o provável destino que o aguarda. Afinal, melhor seria do que permanecer naquela agonia.
 
(Hugo)—Espero que... Ao menos, seja indolor.
 
Inma fica quieta. Os passos são dados em absoluto silêncio. Os corredores só ecoam as pisadas do suywan. Os outros prisioneiros, ou dormem, ou assistem, em profundo silêncio, à cena aparentemente tenebrosa.
 
Cinco minutos depois, chegam ao local determinado. A Sala de Interrogatório contém duas cadeiras e uma mesa.
 
(Inma)—Sente-se.
 
Cada vez mais estranhado, Hugo se senta em uma das cadeiras, enquanto aguarda.
 
A caminho de Ahan Kahabo...
 
(Toh’Ru)—Se soubesse que Vincent era outro leão, eu poderia ter conseguido uma “forcinha” a mais...
 
(Keen)—Sem chance, Toh’Ru. Vincent não é um leão qualquer, é um leão-que-vira-suywan. Ou seja, é conterrâneo de Hugo. Acha que Vincent não faria algo se pudesse, por um conterrâneo em perigo?
 
(Rah)—Você nos disse, Keen, que Vincent trabalha para um ooza muito importante. Pois bem: Quem é o cara?
 
(Keen)—Não sei. Vincent não me disse.
 
O grupo cruza a madrugada na longa estrada e alcança a cidade de Ahan Kahabo no alvorecer. Todos estão muito cansados e procuram um lugar para dormir. Perto deles, um dono de banca recebe o jornal do dia assim que a abre. O jornal – Chamado Ahan Tahan [.2] – estampa na primeira página:
 
“—Objetos não-identificados vistos entre as ruínas de Fort Leone!”
 
(Khor)—Nossa!! Será que há mesmo vida fora de Tabax?
 
(Khawda, cochichando)—(E você acha que Hugo Humano é o quê, seu descabeçado?)
 
(Khor)—Não, eu tô falando desses objetos voadores! Será que há mesmo naves que transitam por entre os mundos?
 
(Khumarto)—Eu acredito.
 
(Mästhiga)—Pois eu não acredito.
 
Após uma discussão inútil sobre acreditar ou não acreditar em OVNIs, os dez acharam um hotelzinho barato e foram descansar.
 
Horas antes, na Haijmazoo...
 
A marta entra na Sala de Interrogatório, onde Hugo está sentado. Sem armas, sem guarda-costas.
 
(Hugo)—Muito confiante, pra vir me matar sem armas. Luta alguma arte marcial?
 
(Pehli’)—Te matar? Morto, você não tem valor algum!
 
(Hugo)—Já que é assim, por que estou aqui?
 
(Pehli’)—Porque você é um suywan. Tua raça é um flagelo para o mundo que habita!
 
(Hugo)—Como assim, “flagelo”? Não sei do que você fala, furona.
 
(Pehli’)—Marta.
 
(Hugo)—Furona, marta, arminha, visona... Qual é a diferença?
 
(Pehli’)—Vocês, humanos... Desatentos como sempre.
 
Hugo toma um susto. Humanos? Ela disse Humanos?

(Continua...)



 [.1]Oozaweze é um ooza que muda de forma (De “Weze” = Parte). É o termo dado aos licantropos.

 [.2]Ahan Tahan significa “Mensageiro de Ahan (Kahabo)”.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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[Imagem: CAP.jpg]
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#8
(Continuando...)

Hugo toma um susto. Humanos? Ela disse Humanos?
 
(Pehli’)—Estranhou o termo suywankan para designar a tua raça? Não é assim que vocês se chamam? Vocês também não são conhecidos por Homem, Gente, Humanidade, Ser Humano, Homo Sapiens e outros nomes semelhantes?
 
(Hugo)—Como... Como pode saber tanto de minha raça?...
 
Pehli’ Kara empurra sua cadeira pra trás. Recosta-se na parede.
 
(Pehli’)—Bom, não foi lendo livros de Khonta Khawzo, com certeza! Quem dá o golpe, esquece fácil; mas quem o leva... Nunca, nunca esquece! Por acaso, você já ouviu falar de lugares como Lemúria, ou Atlântida?
 
(Hugo)—Lemúria? Atlântida? Ora, isso são meras lendas!
 
(Pehli’)—Heh... Lendas... Vocês são mesmo burros feito portas e ingênuos feito filhotes. Venha comigo!
 
A Hugo, não restou outra alternativa, senão seguir Pehli’ até uma outra sala, ligada à anterior por um amplo corredor.
 
(Pehli’)—Me conte a história do teu mundo, desde o início.
 
(Hugo)—Bom... No começo, eram os dinossauros. Depois, veio o meteoro que os matou. Daí, se desenvolveram os mamíferos, e com eles, os ancestrais do Homem, a caçar mamutes e alces, e fugir de tigres-dentes-de-sabre. Depois...
 
(Pehli’)—Depois...?
 
(Hugo)—Bom, essa foi a pré-história. A história começa no Egito...
 
(Pehli’)—Pára por aí! Você não acha que falta alguma coisa... Entre o Egito e os tigres-dentes-de-sabre?
 
(Hugo)—O que seria?
 
(Pehli’)—O que você acha de... Cem mil anos de História jogados no lixo?
 
(Hugo)—CEM MIL?!?
 
(Pehli’)—O Grande fez vocês esquecerem... Mas nós nunca esquecemos. Nós vivíamos em teu mundo. A Terra tinha seres inteligentes de mais de 4000 raças diferentes! Era o tempo da Lemúria e da Atlântida... Naquele tempo, o lugar que vocês conhecem como Deserto do Sahara era apenas um oceano. E a massa de terra que vocês chamam de Austrália nem existia.
 
Hugo prestava a maior atenção no que Pehli’ dizia.
 
(Pehli’)—“A Lemúria abrigava os Carnívoros e seus Rebanhos; a Atlântida abrigava os Herbívoros e suas Lavouras. E fomos nós quem ensinamos vocês a criar Rebanhos e plantar Lavouras.
 
“Todavia, vocês preferiam caçar e roubar. A caça e o roubo sobreviveram até quando vocês ergueram vastos impérios nos continentes que ainda estão emergidos. Mas vocês tinham, além disso, uma inveja muito grande de nós. Não sabiam fazer as coisas que fazíamos tão bem como nós, e uma única vez vocês se uniram. Para nos atacar. Vocês invadiram a Lemúria e a Atlântida.
 
“Seríamos exterminados, não fosse a intervenção do “Grande”. A voz do “Grande” nos guiou até as cavernas onde nos escondíamos de vocês. O “Grande” criou outro mundo, só para nós, já ciente da temível arma que vocês estavam construindo com alta tecnologia. A “Arma de Destruição Suprema”.
 
“Das cavernas, o “Grande” criou os “Funtos”, e ordenou que abandonássemos tudo para atravessar os portais que nos levaram até “Atabasa”, que virou “Atabas”, que virou, por si, “Tabas”, e por fim, “Tabax”.
 
Quando o último ooza entrou em “Atabasa”, o “Grande” desviou um meteoro, que foi grande e potente o suficiente para afundar a Atlântida e, por conseqüência, elevar a porção de terra que vocês chamam de Sahara. A Lemúria, por sua vez, foi afundada devido à ação dos suywan, que criaram uma arma tão destruidora que, quis o “Grande”, que o método de construção da mesma afundasse com o continente. Então, tanto nós quanto vocês retornamos ao estado primitivo. E, para evitar que vocês se aventurassem pelo espaço para nos caçar, o “Grande” fez com que vocês esquecessem tudo sobre nós, ou quase tudo.
 
“As suposições sobre a Lemúria e a Atlântida, e os seres antropomórficos de diversas mitologias, como a Egípcia, são os últimos resquícios deste capítulo arrancado à força da História da Civilização Suywan.
 
“Essa história, contudo, foi transmitida oralmente entre as gerações de Ooza, até ser registrada no Livro Negro de Anwi,[.1]  e finalmente ser traduzida pela equipe de lingüistas da Haijmazoo. Espero que, agora, você possa entender o porquê de tudo isso estar acontecendo com você.”
 
Hugo está cabisbaixo. Nunca se sentiu tão mal. Pehli’ fita o humano, com pena.
 
(Hugo)—G-gente... Eu... Eu não sei de nada, eu não fiz nada...
 
(Pehli’)—Nesta encarnação, isto é óbvio... Mas só o Grande sabe do teu passado... Das tuas encarnações no tempo da Guerra. Poderia ter sido você o meu assassino. E se fosse EU a parar na tua vizinhança? Vocês, suywan, não teriam feito o mesmo comigo, ou pior até, do que nós estamos fazendo com você?
 
(Hugo)—Olha, fuinha...
 
(Pehli’)—MARTA! E meu nome é Pehli’ Kara!
 
(Hugo)—“Pele Cara”? Bom, na terra, pele de marta é mesmo, muito cara...
 
(Pehli’)—Não muda o assunto, suywan! Fale logo!
 
(Hugo)—Tá, já que você me disse teu nome, vou te dizer o meu: Hugo Stozzo.
 
(Pehli’)—Uh gostoso?!? Ah, ah, ah, ah, ah!!!
 
(Hugo)—HUGO!!!
 
A marta continuava rindo, mas depois conseguiu se controlar.
 
(Pehli’)—Ehhh... Continue... Hugo.
 
(Hugo)—Olha, Sra. Kara, eu sou só um escritor que estava atrás de um pouco de sossego.
 
(Pehli’)—Escritor? Quer dizer, tokkomajan? Você escreve tokkomas?
 
Hugo explicou a Pehli’ sobre as histórias sobre Furries que ele escrevia, e o sucesso que elas fizeram na Terra. Na frente da marta, descortinou todo seu íntimo, impressionando-a com as máquinas voadoras e com o horror das guerras, e também com as maravilhas que eram os satélites e a chegada do homem na Lua.
 
Por sua vez, Pehli’ contou um pouco de sua vida. Seu casamento com um fuinha, o filhote abortado, as dificuldades de manter o casamento em pé e a consequente vinda do divórcio, a busca por uma vocação e a consequente inscrição na Haijmazoo. Hugo se impressionou com o número reduzido de nações em Tabax (Pouco mais de uma dúzia) e com o fato de elas serem segregarias, havendo nações destinadas a certas raças.
 
A madrugada passa sob uma conversa que começou tímida e terminou animada. Por força do protocolo, Hugo foi reconduzido à sua cela individual pela marta. Kass, ao saber do ocorrido, terminou congratulando Pehli’ Kara por “coragem”.
 
No hotel, não muito longe dali...
 
(Khawda)—Mee...
 
(Mee)—Que foi, Khawda?
 
(Khawda)—Tô sem um pingo de sono. Cadê a Mästhiga? Ela sabe pôr pra dormir legal...
 
(Mee)—Mästhiga tá dormindo com o marido dela no outro quarto, Khawda. Cê não vai se atrever a acordá-la, vai?!?
 
(Rah)—Cês duas aí, querem parar com barulho que eu tô tentando dormir?
 
(Khawda)—Tá sem sono também, Rah?
 
(Rah)—A Lou não para de chorar aqui, como é que eu vou ter sono?
 
Nisso, a porta se abre.
 
(Mästhiga)—Sabia que... (Uaaahhh...) Vocês estavam sem sono... O clima ficou feio entre eu e o ’Marto, posso passar a noite aqui?
 
(Mee)—Só se fizer essas paranoicas dormir agora!
 
Mästhiga Gramma conhece sugestões hipnóticas e, com esse conhecimento, põe as outras fêmeas pra dormir em poucos instantes. Abatida, cai no sono logo depois.
 
Enquanto isso, no quarto dos machos...
 
(Keen)—E aí, como a gente faz?
 
(Toh’Ru)—Ouvi falar de uma equipe de limpeza que vai limpar um dos setores da Haijmazoo daqui a cinco dias.
 
(Khor)—Ouro[.2]  que vem?
 
(Toh’Ru)—Ouro que vem.
 
(Keen)—Hoje é Sol... Eu consigo os trajes no máximo até Água, com rodos e todo o aparato de limpeza. As fêmeas limpam enquanto nós procuramos e fugimos com o suywan.
 
(Kohmi)—Tá, mas... E se nos pegarem?
 
(Khumarto)—Se nos pegarem... Foi muito bom conhecer vocês. Vejo vocês na próxima encarnação.
 
(Khor)—Êêê, Khumarto! Só fala besteira!
 
(Khumarto)—Besteira nada, falo só a verdade! Se nos pegam, nos matam e pronto!
 
Amanhece o dia. Keen Ghikong leva seu thupanã para uma camuflagem, ao mesmo tempo em que vai buscar disfarces. O tigre branco com quem ele conversa parecia ter hipomelanoma, pois não tinha listras.
 
(Keen)—Bom dia. Sou o gorila que te falou ao telefone, Keen Ghikong Vim atrás do kit-serviço-de-limpeza-fajuto para soltar o meu amigo. Você é... Sr. Snowmeow, não?
 
(Snowmeow)—Sim, sou eu. Vincent me falou de vocês.

(Continua...)

 


 [.1]Um dos primeiros nomes de Anúbis.

 [.2]A semana tabaxi é dividida em Sol, Lua, Fogo, Água, Planta, Ouro e Terra, sendo o Sol equivalente ao Domingo, e a Terra, ao Sábado.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#9
(Continuando...)

(Snowmeow)—Sim, sou eu. Vincent me falou de vocês.
 
Então, Snowmeow explicou que era para ele quem Vincent trabalhava. Explicou, também, que também pretende libertar certos tipos “especiais” de dentro da Haijmazoo. Enquanto os dois conversavam, o thupanã estava sendo pintado com as cores de uma conceituada empresa especializada em limpeza.
 
Claro, a estratégia de Snowmeow é diferente. Ele conta com mercenários altamente treinados e afiados em prados tão distantes quanto Zagor e Namyamirasu. Ele também está interessado em uma suposta passagem interdimensional localizada dentro da cidade gnurati de Fort Leone. Para ele, Keen e seus amigos são apenas iscas. Distrativos. Não por outra razão, o “tigre das neves” está fornecendo total apoio estrutural para o plano de Keen. Se o gorila e seus amigos escaparão com vida? Isso é irrelevante. O que interessa é que o gorila e seus amigos distraiam os agentes da Haijmazoo até ser tarde demais.
 
As roupas, as credenciais, os materiais de limpeza, e até mesmo os “facilitadores” para uma fuga foram arranjados sem muito custo para o gorila. Keen retornou para o hotel, todo determinado.
 
(Keen)—Tá tudo pronto, ooza. Taí as suas credenciais, as roupas, os equipamentos e aqui está o que os “limpadores de verdade” iriam fazer por lá.
 
(Kohmi)—Karaj, Keen, de onde você roubou isso tudo?!?
 
(Keen)—Não roubei nada. Comprei, honestamente, do Sr. Snowmeow.
 
(Mee)—(Purrr...) Snowmeow, hein? Conheço ele de longe. Muito amigo de equinos. Envolvido em muitas tramóias. Cara muito perigoso.
 
(Toh’Ru)—Também já ouvi falar de Lord Snowmeow. Tem certeza que o suywan compensa um envolvimento desses com um mafioso daqueles?
 
(Khumarto)—Vai mijar pra trás agora, Toh’Ru?
 
Nisso, Lou Zheeña levanta sua voz esganiçada!
 
(Lou)—ESCUTEM BEM AQUI, BANDO DE SACOS DE BATATAS!!! NINGUÉM VAI PULAR DO BARCO AGORA, ENTENDERAM MUITO BEM?!?
 
(Mästhiga)—Calma, Lou, não precisa gritar assim!...
 
(Rah)—Lou tem razão: Prefiro morrer agora em uma missão heroica do que passar o resto de minha vida atormentada por minha própria covardia. Nossos outros vizinhos fizeram a opção deles e ficaram na tranquilidade de Sadosa. Nós optamos arriscar as nossas vidas pra livrar um suywan inocente daquele inferno. Eu não volto mais atrás.
 
(Lou)—Nem eu!
 
(Khor)—Estou com elas!
 
(Keen)—Pouco me importa quem seja Snowmeow: Eu comecei, eu termino!
 
(Kohmi)—Estou com você, macacão!
 
(Rah)—Afundamos, então chafurdamos!
 
(Khumarto)—Tá, eu continuo...
 
(Mästhiga)—Você ia parar, Khumarto?
 
(Mee)—Ehre, ehre... Vocês me convenceram.
 
(Toh’Ru)—So’Gah! [.1] 
 
Em meia hora se vestem, se paramentam, entram no thupanã e se dirigem ao quartel-general da Haijmazoo.
 
Pararam em frente ao portão principal. Rezaram, enquanto aguardavam a autorização.
 
(Khumarto)—Mästhiga... Se o suywan sobreviver, se nós pudermos sair com vida desta, todos nós... Eu assino uma suna[.2]  pra você.
 
(Mästhiga)—Uma... Suna?
 
(Khumarto)—Eu ouvi tudo. Meses atrás. Quando Khawda estava em casa.
 
(Mästhiga)—Oh, Khumarto...
 
(Khumarto)—Mas eu também quero que você assine uma suna pra mim. Não sou tão bonzinho.
 
(Keen)—Quietos aí atrás. Vão abrir o portão.
 
O portão se abre, e o thupanã entra, calmamente. Os Ooza da Limpeza descem com seus aparatos. Um agente da Haijmazoo, um asinino, joga um olhar malicioso para Mästhiga.
 
(Agente)—Gracinha...
 
(Mästhiga)—(Para Khumarto) Se você assinar, eu também assino.
 
Khumarto Gramma meneia a cabeça, enquanto pega os baldes. Normalmente, e sem despeitar suspeitas, os Ooza da Limpeza, concentrados em parecerem autênticos, lavam, limpam e secam o chão, as paredes e as celas vazias. Passam-se cinco horas de limpeza até Hugo Humano ser descoberto, no Setor 4.
 
Rah Tis’Idha foi quem o achou.
 
(Hugo)—Ratinha?
 
(Rah)—Oi, Hugo!
 
(Hugo)—Me tira daqui, Rah! Tô ficando louco com essa clausura, sem falar das broncas da marta maluca, que acha que eu matei ela numa encarnação passada!
 
A camundonga ajeita o colarinho, e...
 
(Rah)—Toh’Ru, Setor 4, cela A4X-B0!
 
Toh’Ru Jeendo, no thupanã, retransmitiu.
 
(Toh’Ru)—Leão para equipe, ratinha achou humano. Setor 4, cela A4X-B0!
 
Mas, com uma coisa, Keen e seus amigos não contavam:
 
(Irens)—Sr. Kuddo, captei transmissão de rádio clandestina. Duas transmissões, uma vindo do corredor do Setor 4, em frente à cela A4X-B0, e outra vindo do thupanã de limpeza.
 
(Kass)—Detenham todos!!!
 
Cinco minutos se passam e todos estão algemados. Enfileirados, os dez, em frente a Kass Kuddo, Pehli’ Kara, Irens Palme, Vienga Ki’Rex e Akibi Shannon, um gato que ajudou a interceptar a trupe.
 
(Kass)—Expliquem-se. Equipes de limpeza não costumam usar transmissores de rádio. Ainda mais, com a mensagem que captamos.
 
(Pehli’)—A raposa eu conheço, Sr. Kuddo. Os outros aí a fizeram de louca para disfarçar o que ela tinha me dito sobre o suywan. A gata, eu vi de relance. O cavalo e o lobo se fizeram de médicos e a puseram em uma camisa-de-força.
 
(Kass)—O que vocês vieram fazer aqui?
 
(Mästhiga)—A furona pode falar por nós...
 
(Pehli’)—MARTA!!!
 
(Mästhiga)—Marta, furona, é tudo pâmura[.3] ...
 
(Kass)—Agente Kara? Se a senhora os conhece, sabe as intenções deles?
 
(Pehli’)—Sim, Sr. Kuddo: Resgatar o suywan que capturamos.
 
Nisso, Mor Pheu traz Hugo pelo colarinho.
 
(Mor)—Tá aqui, Sr. Kuddo. Como pediste.
 
(Kass)—Sr. e Sra. Gramma... Sr. Jeendo... Srta. Ahndho... Srta. Tis’Idha... Sr. Khei’Ju... Srta. Blanka... Sr. Takarai... Sr. Ghikong... E Srta. Zheeña. Olhem bem para o Sr. Stozzo. É a última vez que o verão.
 
(Khawda)—Vocês... Vocês vão matar o suywan inocente?!?
 
(Kass)—Não.
 
Por um instante, alívio.
 
(Kass)—Vamos matar VOCÊS, por terem invadido a Haijmazoo. Esta é uma organização séria que visa a segurança de Tabax, e vocês servirão de exemplo.
 
Khumarto e Mästhiga apertam-se as mãos, sob as algemas.
 
Toh’Ru suspira, olhando pra cima.
 
Mee senta no chão, começando a chorar.
 
Rah e Kohmi se abraçam.
 
Desnorteada, Lou se apóia na parede.
 
Khor grita de puro terror.
 
Keen olha frio para Kass.
 
Khawda tenta chegar perto de Hugo, contida pelos guardas.
 
O pangolim percebe que o gorila nem se abalou com a notícia da morte iminente.
 
(Kass)—Parece compenetrado, gorila. Tem algo a me dizer?
 
Mesmo com as mãos algemadas, Keen levanta o colarinho e, com toda a calma de um monge budista, fala ao microfone embutido nele:
 
(Keen)—Snowmeow, agora é com você.

(Continua...)

 


 [.1]Interjeição de aborrecimento ou reclamação.

 [.2]Uma suna é um documento, que decreta um acordo feito entre duas partes. Geralmente, entre marido e mulher, a suna citada é a Masiyamatou Suna, usada para autorizar um cônjuge a ter uma relação extra-conjugal.

 [.3]Nome tabaxi para os mustelídeos.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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#10
(Continuando...)

(Keen)—Snowmeow, agora é com você.
 
(Kass)—Quem é Sno--
 
Alarmes soam de todos os lados: O quartel-general da Haijmazoo está sendo invadido por todos os lados!
 
(Kass)—Maldição... Executem todos!
 
(Mor)—Mas chefe... Não seria melhor rechaçarmos o ataque dos invasores primeiro?
 
(Kass)—VÃO, ENTÃO!!!
 
Os soldados correm para a batalha, enquanto Kass Kuddo saca uma pistola.
 
(Kass)—Eu mesmo termino isso. Quem quer ser o primeiro? O gorila, que foi o causador dessa balbúrdia toda?
 
(Keen)—Vá em frente... Antes morto como herói do que vivo como um covarde.
 
O folidoto aponta a arma para o gorila.
 
(Kass)—Você não entendeu... Ninguém vai saber que vocês morreram... Pelo menos não aqui.
 
Mas, o que Kass não sabia, é que as algemas estavam mal-postas em Hugo, e ele estava fora do seu ângulo de visão.
 
(Kass)—Vocês terão viajado... Vivendo vidas insignificantes, até morrerem como indigentes em algum acidente. E você, gorila atrevido, vai ser o prim--
 
--POW!
 
Kass cai no chão, ainda consciente. Afinal, um pangolim é revestido por grossas placas escamadas de queratina, parecendo mais um réptil do que um mamífero. Hugo chuta a pistola pra longe e dá outra cacetada em Kass. Agora sim, o folidoto apaga.
 
(Hugo)—O pior defeito de um vilão... É falar demais.
 
Sacando as chaves de Kass, Hugo liberta a todos em pouco tempo.
 
(Keen)—Sabia que podia contar com você, Hugo.
 
(Mästhiga)—(Mmmchuuac!)
 
(Khumarto)—Mästhiga, espera ao menos eu assinar a bendita da suna!
 
(Khawda)—Que beijaça, Mästhiga!!!
 
Em meio ao tiroteio, engatinhando, os onze se dirigem para fora, quando dão aos pés de um lobo.
 
Um grande lobo com chifres.
 
(Lobo c/ chifres)—Suywan! Venha comigo!
 
(Hugo)—Vamos, gente!!!
 
(Khor)—“Gente”?
 
Correndo na frente, o lobo com chifres guia a trupe para uma saída livre.
 
(Lobo c/ chifres)—Eles vieram te libertar?
 
(Hugo)—Isso.
 
(Lobo c/ chifres)—Corajosos, eles.
 
De repente, são cercados por agentes da Haijmazoo. Um deles levanta a voz contra o lobo chifrudo.
 
(Agente)—Não se mova, Tiger-of-the-Winds, e você poderá voltar vivo para a cela!
 
(Tiger)—Como vocês mesmos dizem... Vão se yiffar!
 
Dos chifres do lobo, saem relâmpagos que atordoam os agentes.
 
(Tiger)—Vamos!!!
 
Os doze se salvam em um bunker trazido até o local pelas tropas de Snowmeow. E, do nada, é o próprio quem surge.
 
(Snowmeow)—Obrigado, Keen
 
(Tiger)—Eu estou do teu lado agora, Lord Snowmeow.
 
(Keen)—Obrigado digo eu, lorde.
 
(Snowmeow)—Estão livres para sair. O thupanã está logo ali.
 
Onze seres entram no thupanã e deixam a base da Haijmazoo com seus estampidos de guerra Horas e horas de direção ininterrupta, e a cidade de Manivilani está acessível de novo.
 
(Hugo)—...E por isso, a haijmazoo me considerou uma criatura de ala periculosidade.
 
(Khawda)—Pelo Sagrado Garfo!
 
(Rah)—Pelo Santo Elo!
 
(Mästhiga)—Pare aqui, Toh’Ru!
 
Uma papelaria-cartório, conhecida por sunoma.
 
(Mästhiga)—Duas sunas, por favor!
 
(Atendente)—Que tipo de suna, senhora?
 
Khawda se abraça à égua, de um jeito insinuante, desconcertando o jovem gambá.
 
(Khawda)—Ai, seu pâmura bobinho, que tipo de suna se dá a uma fêmea casada, gostosa e cheia de amor pra dar, hein?
 
(Atendente)—Ah... Uma Masiyamatou Suna.
 
(Mästhiga)—DUAS, eu disse! Uma pra mim e outra pro meu macho.
 
O atendente, pimentão total, entrega as sunas para Mästhiga.
 
(Atendente)—Er... Quatro Rayts.
 
(Mästhiga)—Nossa, como tá caro pular a cerca nesses dias, hein? E aí, quer vir pra nossa festa?
 
(Atendente)—Er... Não. Minha namorada me mataria.
 
(Khawda)—Até, gracinha! (Joga beijinho)
 
(Xerocador)—Eita, Ghento, hoje cê tá com a cauda adoçada, hein?
 
Kachin Ghento. Gambá. Tímido feito uma tartaruga.
 
(Ghento)—Calaboca, Ziño!
 
Tatoo Ziño. Tatu. Xerocador e carimbador. Não perde uma piada.
 
(Ziño)—Ih! Olha a potrancuda de novo!
 
(Ghento)—Com o macho dela, desta vez.
 
Khumarto e Mästhiga põem suas sunas no balcão, devidamente assinadas e testemunhadas.
 
(Mästhiga)—Carimba aí... Gracinha.
 
Kachin carimba as duas sunas e cola os selos de autenticidade.
 
(Khumarto)—Vamos, Mästhiga, pega tua suna e voltemos a Sadosa! Mas quem vai ser o Alfa,[.1]  hein?
 
(Mästhiga)—Ah! Se eu te falo, não tem graça, Khumarto! (Pega o braço de Kachin) Pode ser este gracinha aqui...
 
Uma voz esganiçada irrompe do nada:
 
Larga o meu macho, JÁ!!!
 
Uma gambá fêmea, visivelmente nervosa com o assanho de Mästhiga.
 
(Ghento)—Effe, querida... Não é nada que você está pensando...
 
Effe Dora. Garçonete da lanchonete à frente da sunoma. Muito ciumenta e escandalosa.
 
(Khumarto)—Mästhiga, larga o pobre do gambá, essa aí deve ser a fêmea dele.
 
Ouvindo a voz de Khumarto, a gambá fêmea atenta seu olhar e reconhece o garanhão de cara.
 
(Effe)—Gramma? Khumarto Gramma?!?
 
Um abraço saudoso desfaz o escândalo iminente.
 
(Mästhiga)—De onde a conhece, ’Marto querido?
 
(Khumarto)—Nunca te falei dela? Fomos colegas de infância!...
 
Effe, sentindo-se à vontade, abraçava Khumarto
 
(Effe)—Quase namoramos.
 
(Ghento)—Ziño... Uma suna. Melhor, duas sunas.
 
Rindo, o tatu entrega os papéis para Kachin.
 
(Ghento)—Effe... Vai assinar não?
 
A gambá fêmea se assombra em ver que é uma suna, igual à que Khumarto e Mästhiga tinham acabado de assinar!
 
(Effe)—PRA QUÊ? PRA VOCÊ FICAR NO DESFRUTE COM ESSA ÉGUA SEM-VERGONHA?
 
Kachin Ghento resolveu levantar sua voz.
 
(Ghento)—Pois, sim, se você vai ficar no desfrute com esse garanhão, eu também tenho direito! Vamos assinar ou não?!
 
Meia hora de discussão depois, os ooza estavam em Sadosa, rindo de Khumarto e Mästhiga. Hugo era o que mais ria de tudo.
 
A noite chegou, todos foram para suas casas. Hugo, em sua casa bagunçada, jogou as comidas velhas fora, apagou a luz e foi dormir. Mal passou meia hora, um vulto abre a porta da casa de Hugo, aproximando-se dele, que, esperando um novo ataque da Haijmazoo, surpreende-se ao usar a lanterna pra iluminar o rosto que o visitava...
 
(Hugo)—Mästhiga?!?

(Continua...)



 [.1]Abreviação de “Alfaruka Ei”, que é o substituto conjugal


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
[Imagem: writer__s_stamp_by_themasterneko-d3d718g.gif][Imagem: brony__stamp_by_blizzykai-d3kvtne.png][Imagem: monster_musume_cerea_stamp_by_venasari-d97gxns.png][Imagem: Gurren_Lagann_Stamp_by_BLUE_F0X.gif][Imagem: my_rosario_vampire_inner_moka_stamp_by_a...6ki62a.png]
[Imagem: CAP.jpg]
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#11
(Continuando...)

(Hugo)—Mästhiga?!?
 
Mästhiga leva a mão direita à boca de Hugo.
 
(Mästhiga)—Não grita, seu estabanado! Não estou a fim de acordar todo o kurateon!
 
Mesmo com a boca tapada, Hugo ainda tenta perguntar:
 
(Hugo)—Qumf vmfsmf smtmfmzmndf mqumf?
 
(Mästhiga)—“Que estou fazendo aqui?” Boa pergunta, suywan. O que uma fêmea faz na casa de um macho no meio da madrugada? Você vai ligar o teu cérebro ou prefere que eu te fale?
 
(Hugo)—(Tirando a mão de Mästhiga da boca) Não vai me dizer que você tá... Er... Quente!
 
(Mästhiga)—Quente? Quer dizer, querendo yiffar com o primeiro macho que vier pela frente? O que você acha... Hugo?
 
A mão esquerda de Mästhiga massageia o peito do humano. Nitridos emanam da potranca como se fossem um mantra.
 
(Hugo)—Mas... Mästhiga? Justo eu? Por quê?
 
(Mästhiga)—Primeiro... Um suywan tem esse “quê” de misticismo. Segundo... Um suywan está “quente” o ano inteiro. Ou vai me dizer que é mentira?
 
(Hugo)—Não... Nós, humanos, er... Yiffamos o ano inteiro.
 
(Mästhiga)—Notou que você está mais familiarizado com o toukan, Hugo?
 
(Hugo)—E você não me apelida mais por suywan...
 
(Mästhiga)—Ainda bem que Khumarto assinou a minha suna... Esta falta de pêlos me arrepia todinha... Te quero agora... Humano.
 
No dia seguinte...
 
(Khawda)—Mästhiga!
 
Mas, para surpresa da raposa, a potranca aparece por trás dela!
 
(Mästhiga)—Fala, Khawda!
 
(Khawda)—AIIII, sua doida! Quase me mata do cora... De onde você está vindo, Sra. Mästhiga Gramma?
 
(Mästhiga)—Te dou três chances.
 
(Khawda)—Só preciso de uma: Hugo Humano!!
 
(Mästhiga)—Qual foi tua dedução?
 
(Khawda)—Não foi dedução: Foi audição! Ou você acha que eu não sou capaz de reconhecer os teus bufos, relinchos e balidos ressoando por toda a vila durante a madrugada? Tá todo mundo puto contigo, pois ninguém conseguiu dormir!
 
A potranca pega o braço direito da raposa, colocando a mão direita dela sobre o seu peito.
 
(Mästhiga)—Tá, mas sente o meu coração...
 
(Khawda)—Määästhigaaa!!! Tá uma batucada feroz no teu coração... Foi o suywan?
 
(Mästhiga)—Foi... Foi uma yiffada do outro mundo... O suywan é uma usina de força! Foi... (BRRRFFF!!!) Foi “trabalho” pra uma semana!
 
(Khawda)—Uaaauu...
 
Nisso, chega uma camundonga ofegante.
 
(Rah)—Alguém viu o Kohmi?
 
(Khawda)—Saiu com o Khumarto para Mamireva.
 
A roedora começa a se agitar de nervosismo.
 
(Rah)—Não dormi a noite inteira por tua culpa, Mästhiga! Tu e teu marido yiffando a madrugada inteira e...
 
(Khawda)—Escorrega e cai, Rah, porque o macho que estava com Mästhiga era outro.
 
(Rah)—Mas já tá usando a suna, sua permissiva?... Quem foi?
 
(Khawda)—Uééé... Não ouviu os gemidos do macho em questão?
 
(Rah)—Nem tinha como! A potranca abafava tudo com seus... Orgasmos múltiplos!
 
Khawda, cara de safada, emenda outra pergunta.
 
(Khawda)—Mas, Rah... Por que é que você queria saber do Kohmi, hein?
 
(Rah)—Ah... O Kohmi não reclama que “Nunca estou no tempo”, que “sou fria como o gelo”, e essas coisas? (Se esfregando) Pois bem: Cadê ele agora?
 
(Mästhiga)—Rah Tis’Idha! Você também está na época do Yiff, é?
 
(Khawda)—Um século depois, e eis que Rah fica quente!
 
(Rah)—(Se contorcendo) Ssss... Ah, não passa de hoje, se o Kohmi não aparecer, eu me jogo em cima do primeiro ooza que achar na frente!
 
(Mästhiga)—Suywan não serve?
 
(Rah)—Não vai me dizer... Que você...?
 
A camundonga assume um ar de espanto, enquanto Mästhiga abana seu xale.
 
(Mästhiga)—Ô! Hugo Humano dá de dez a zero no meu macho! E eu não trocaria Khumarto por ninguém, hein?
 
Um telefonema faz a potranca correr pra casa.
 
(Rah)—Khawda... Quais foram as palavras exatas de Mästhiga sobre o... O suywan?
 
(Khawda)—Camundonga... O coração dela está a galope! Ela disse palavras como “yiffada do outro mundo”, “usina de força” e “trabalho pra uma semana”.
 
(Rah)—Será... Que ele é bom assim?
 
(Khawda)—Você sabe, a opinião de Mästhiga é puramente instintiva. Ela nunca yiffou outro macho que não fosse o Khumarto. É tudo novidade pra ela.
 
Nisso, Mästhiga volta de casa.
 
(Mästhiga)—Khumarto. O thupayba quebrou em Schwarzak. Kohmi foi visitar uma prima que mora lá. Voltam em uma... Semana.
 
A raposa ri. “Coitado do Hugo!”, pensa. Mästhiga põe uma coisa nas mãos de Rah.
 
(Mästhiga)—Tome. É pra você.
 
Um vibrador.
 
(Rah)—Isto é... O que eu penso que é?
 
(Khawda)—Deixe-me ver... (Brincando) Tem formato de vibrador, textura de vibrador, cor de vibrador e – Uau, Mästhiga! – Tamanho de vibrador.
 
(Mästhiga)—Se você não achar nenhum macho disponível, Rah, faça bom proveito do meu Chifre da Felicidade. É capaz do suywan ainda estar esgotado por causa do baile que eu dei nele ontem.
 
(Khawda)—Ui, convencida!
 
Rah Tis’Idha corre pra casa com o novo presente. Era manhã de Sol. Por uma misteriosa razão, desde que Hugo fora resgatado até aquele momento, a Haijmazoo não tinha voltado a Manivilani Sadosa Kurateon.
 
Passam-se poucos minutos, e um zumbido característico se ouve saindo da casa de Rah.
 
(Mästhiga)—Nossa, o vibrador tá no máximo! Rah vai acabar se matando!
 
(Khawda)—Do modo como eu conheço a Rah, Mästhiga, é bem capaz do vibrador derreter antes disso.
 
Do outro lado da rua, uma poodle muito nervosa chega até as duas.
 
(Lou)—Égua yiffeira, vulgo Mästhiga Gramma! Estou pu-tíssima com os teus relinchos na madrugada de ontem pra hoje!
 
(Khawda)—Não dormiu ontem também, Lou?
 
(Lou)—E quem dormiu? O Khor tá quase yiffando a si mesmo, depois de ficar ouvindo a performance dessa potranca doida!
 
(Mästhiga)—Então, vá correndo falar pra ele que a Rah tá quente e tá derretendo o meu vibrador porque não acha macho disponível!
 
(Lou)—Manda a Khawda! Eu não chego perto daquele yiffeiro nem pra pedir açúcar!
 
Meia hora depois...
 
(Keen)—Que gemeção toda é essa no cafofo da Rah?
 
(Hugo)—Me parece... Que a Rah tá pegando fogo, e o Khor foi lá com a sua mangueira, pra apagar o fogo dela.
 
(Keen)—Fogo...? Mangueira...? (Se toca) Ah, tá!!!
 
(Mee)—Suywan, você está... Er... Melhor?
 
(Hugo)—Ainda tô baqueado com o “baile” da Eguona Pocotó, mas eu sobrevivo. Fala aí, gorilão, quantos esportes o garanhão dela pratica pra poder agüentar aquele fogo todo?
 
(Keen)—Nenhum, só trabalha na varreção de rua. Um dia, ele me disse que quase morreu no primeiro yiff dos dois, na lua-de-mel. “Mästhiga Gramma é uma máquina de moer carne!”, das palavras de Khumarto.
 
(Hugo)—Por mais quanto tempo vamos ficar falando de yiff?
 
(Mee)—Ah, sei lá. Tá tão... Divertido.
 
Uma dolorosa semana depois...
 
(Khumarto)—Masty, querida! Voltei!
 
Khumarto Gramma é recepcionado por um caloroso abraço dado por sua esposa. De sua casa, entre suspiros infartados, mais alguém comemora.
 
(Hugo)—(Aaaarf...) Tô saaaalvo... (Aaaaaarf...)
 
(Mästhiga)—E aí, ’Marto querido... (Beijo) Andou yiffando muita fêmea pelo caminho? (Outro beijo)
 
(Khumarto)—Pelo visto, você andou abusando da suna, né? Só yiffei uma fêmea... Uma outra potranca, velha conhecida minha de colégio. E você? Quantos machos você yiffou?
 
(Mästhiga)—Um, só, também... Mas foi o mesmo, todos os dias. Te dou três chances pra adivinhar quem foi.
 
(Khumarto)—Isso é fácil... (Grita) Ooza, Mästhiga está bem quente, mas eu tomei Penda[.1]  hoje, e não tô podendo!!! Alguém quer vir no meu lugar?
 
Gritando, em desespero, Hugo sai de sua casa, correndo no sentido oposto!
 
(Khumarto)—Conheço a fêmea que eu tenho.
 
Palavras como “moedora de carne” e “te vira, pangaré” ecoaram por Sadosa inteira. Pelo visto, se Khumarto tivesse mesmo tomado Penda, ele teria que se virar pra dar conta do recado.
 
Kohmi Kei’Ju, por sua vez, correu até a casa de Rah Tis’Idha. Mas o período quente dela tinha se esvaído. Era um período temporão, despertado pelos orgasmos da potranca, e gasto com dias e noites de yiff.
 
Hugo entra na casa de Khawda, com medo de ser pego por Mästhiga de novo. Khawda aproveita que ele está lá e chama ele para um passeio.
 
(Khawda)—Vem, Hugo!

(Continua...)



 [.1]Penda é um medicamento relaxante, pra aliviar as dores musculares de trabalho excessivo. Seu efeito colateral é a impotência sexual pelo prazo de 20 horas (Um dia inteiro em Tabax.)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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[Imagem: CAP.jpg]
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#12
(Continuando...)

(Khawda)—Vem, Hugo!
 
De novo, Khawda Blanka conduz Hugo ao Tokkoma Kan Tife. O autor de Macacos Pelados, Khonta Khawzo, estava lançando e autografando um novo livro, Eu, suywan, sobre os modos de vida, ambições, sonhos e a sociedade dos suywan. Fazendo-os, de monstros, a uma nova raça. Uma raça “tão ooza quanto os ooza tabaxi”. Diz-se que Khonta esteve em Albuquerque. Entre os suywan.
 
(Khawda)—Dois livros. Um pra mim, outro pra ele.
 
O escritor olhou bem para a face de Hugo.
 
(Khonta)—Um humano em Tabax? Você é de onde?
 
(Hugo)—Bom... Era pra eu ser de Vila Sakura, mas acabei parando em Manivilani, Sadosa Kurateon.
 
(Khonta)—Então... Você é Hugo. Sumido há meses.
 
(Hugo)—Ué... Tem alguém sentindo a minha falta?
 
(Khonta)—Está a fim de voltar para o teu mundo? Eu sei como.
 
(Hugo)—SÉRIO? Quer dizer... Chega de Haijmazoo, de coisas estranhas e palavras esquisitas?
 
A fila atrás dos dois reclamou um pouco, e Khonta autografou o livro de Hugo. Na saída, Khawda não pôde esconder sua preocupação.
 
(Khawda)—Você... Vai mesmo voltar pra tua casa?
 
(Hugo)—Khawda... Se aquele velho não estava brincando, eu posso voltar pro meu mundo! Minha gente, meu idioma, minha grana! Tô muito feliz, Khawda!
 
(Khawda)—Ah... Tá...
 
Hugo não notou que a raposa estava escondendo seu descontentamento com a notícia. Ambos entram no thupayba e voltam a Sadosa. Hugo e Khawda lêem o livro, de cabo a rabo. O humano notou certas divergências entre o que estava escrito no livro e a vida real na Terra.
 
(Hugo)—Khonta não soube distinguir raças de etnias. Pra ele, a humanidade é dividida em Europeus, Africanos e Ásia-americanos[.1] . E, então, ele deu os termos tabaxi respectivos de Saha, Tan’Oko e Beiha[.2] .
 
(Khawda)—Então, na verdade, vocês são uma raça só...
 
(Hugo)—Pelo bem da Terra!
 
No fim do livro, o autógrafo. No autógrafo, uma dedicatória incomum: ”O caminho para casa se abre nas noites de Lua Cheia e nos dias de Lua Nova. A parede e o túnel são um só quando se ergue a neblina luminosa.”
 
(Khawda)—Uma charada?
 
(Hugo)—Parece. Que lua é hoje?
 
(Khawda)—Minguante. Mas é o último dia, amanhã já começa a Lua Nova.
 
No dia seguinte, Hugo saiu. A pé. A cerração cobria a estrada. Perto da parede de granito, Hugo pegou uma pequena pedra. Arremessou-a. A pedra resvalou no granito e quase o atinge de volta. Pegou outra pedra, do mesmo tamanho. Jogou de novo.
 
A segunda pedra sumiu de vista, quicando adiante.
 
(Hugo)—Será que...?
 
Cem metros o separavam de Albuquerque. Dois passos. Mais dois passos. Mais um passo e, de repente, Hugo sente um puxão forte por trás, no capuz de sua blusa.
 
(Hugo)—Hein?
 
Mee Ahndho.
 
(Hugo)—Que faz aqui?
 
(Mee)—Khawda vai ficar triste se você for embora assim, de repente.
 
(Hugo)—Eu não ia embora, eu só ia testar se o funto funcionava, mas depois eu iria voltar!
 
(Mee)—Hmmm... Será que eu acredito? E se o funto fecha antes de você voltar? E se acontece algo, de repente, que te impeça de voltar?
 
Hugo fica pensativo. Não tinha se lembrado do detalhe de quanto tempo que os funtos ficam abertos logo assim que abrem.
 
(Mee)—Se você vai embora, Hugo, pelo menos vá se despedir da Khawda.
 
(Hugo)—Mas eu...!
 
Momentos depois, Hugo retorna a Sadosa, com Mee em seu encalço. Hugo entra em sua casa. Mee entra logo atrás, e fecha a porta.
 
Duas horas depois...
 
(Mee)—Espero... (Uf!) Que isso te convença de... Pensar um pouco mais.
 
(Hugo)—Vocês vão... (Arf) É me matar!!!
 
Parece-se que Hugo anda não está acostumado ao que os cientistas da Terra chamam de Estrus, ou seja, o período em que as fêmeas ficam “quentes”.
 
Chegou a tarde, e Hugo foi sair por Manivilani em sua camionete. O barulho que o motor emitia, normal para o padrão humano, começou a aumentar, aumentar, aumentar... Rah, assustada, correu para sua casa.
 
(Rah)—VAI EXPLODIR!!!
 
(Mee e Khawda)—SAI DAÍ, HUGO!!!
 
--BUUUUM!!!!
 
O capô da camionete subiu a uns quatro metros de altura, junto com muita fumaça, e caiu em cima do teto. O gorila corre rumo ao carro.
 
(Keen)—Suywan!!! Você está bem?!?
 
Hugo abre a porta da camionete. Sai, tossindo com tanta fumaça. Assim que bate a porta, fechando o veículo, as quatro suspensões quebram e a carroceria cai pelo chão.
 
(Hugo)—Lá se foi o meu motor... E o meu carro inteiro!!!
 
(Khawda)—Não te disse, Hugo, que esse thupayba suywan acabaria explodindo?
 
(Hugo)—E eu não tenho dinheiro o bastante pra consertar esta pemba!
 
Da explosão do thupayba de Hugo passaram-se mais cinco meses. Hugo resolveu fazer uns bicos de jardineiro pra consertar o seu thupayba. Como ele havia feito jardinagem artística antes de começar a escrever, pegou um emprego fixo em uma empresa de jardinagem. Os ooza ficavam fascinados com as árvores e arbustos cortados em forma de bichos, objetos e formas geométricas. Por sua vez, Hugo estranhava o fato de os ooza não estranharem sua forma, como se eles já tivessem visto outros suywan por ali.
 
Hugo até mesmo esqueceu de voltar para a Terra. Estava em um emprego firme e tranqüilo, ganhando 1750 Rayts[.3]  por mês. Acabou consertando o seu thupayba com peças tabaxi: Pneus novos de borracha natural, suspensão a gás/mola e turbina de 400 shp. Por fora, ainda parecia a velha camionete de sempre.
 
Foi num dia desses que chegou o muttajan.[.4]  Todos se aglomeravam ao pequeno muttayba,[.5]  esperando mensagens de parentes, resultados de concursos, ou o que quer que fosse endereçado a eles.
 
(Muttajan)—Tenho oito muttas para Manivilani Sadosa Kurateon: Khawda Blanka. (Entrega) Khumarto Gramma (Entrega) Lou Zheeña. (Entrega) Toh’Ru Jeendo. (Entrega) Keen Ghikong. (Entrega) Rah Tis’Idha. (Entrega) Mästhiga Gramma. (Entrega) e Khor Takarai. (Entrega)
 
Outros vizinhos ficaram frustrados por estarem recebendo suas cartas e não terem recebido.
 
(Khumarto)—Contas...
 
(Mästhiga)—E mais contas.
 
(Muttajan)—Alguém aí sabe onde mora o Sr... Hugo... Stozzo? Há uma mutta pra ele, vinda de... Belo Horizonte – MG?
 
(Keen)—Hugo mora aqui, Sr. Thero. Mas no momento ele está fora, trabalhando. Se quiser, eu entrego pra ele.
 
Khar Thero. Cão, pastor alemão. Teme os khëbas Waff[.6] . Só entrega carta nas entradas dos kurateons para não encarar os seus parentes irracionais.
 
(Keen)—De quem é a mutta?
 
(Khar)—O nome está confuso, a escrita com certeza é suywankan, mas mesmo assim, a grafia está horrível! Até parece que foi escrita no desespero!
 
Keen Ghikong pega a carta endereçada a Hugo e a leva para sua casa.
 
(Khawda)—Outra proposta da Yiffta![.7]  Meu, eles não desistem nunca!
 
(Lou)—Mamãe... (chuif!) Tá com saudades...
 
(Toh’Ru)—É do clube de hechawa...[.8]  Querem que eu faça um teste!
 
(Rah)—Tinha que ser...! Kohmi, que história é essa de me mandar uma mutta?
 
(Khor)—É do Tokkoma kan Tife... Ganhei o livro no sorteio!
 
Lá dentro, Keen Ghikong contempla sua carta.
 
(Keen)—Prima Shyta... Reclamando do divórcio do marido. Eu disse pra ela, que o tal do Synko não era kantu[.9]  pra ela, mas ela algum dia me escuta? Não, né...
 
Horas depois, Hugo chega.  Logo de cara, vê Rah e Kohmi discutindo na calçada da casa dele. “Vão acabar se casando”, pensa. A camionete assovia até a garagem de sua casa. Ao sair, Hugo vê Toh’Ru correndo de um lado pro outro.
 
(Hugo)—Ué, Toh’Ru, que é isso agora?
 
(Toh’Ru)—(Puf...) Tô treinando... (Arf...) Pra jogar hechawa... (Puf) Fui... Chamado pro Taishiwa,[.10]  cara... (Arf!...) Tô alucinado!...
 
(Hugo)—Ah, tá... Depois você me explica o que é esse tal de hechawa.
 
Mal entra em casa, Hugo é chamado por Keen Ghikong.
 
(Keen)—Carta pra você.
 
Um envelope, engarranchado, com o nome de “Hugo Stozzo” na frente.
 
(Hugo)—Pra mim? De quem seria?
 
(Keen)—Não consegui traduzir. Mas, pelo visto... É do teu mundo.

(Continua...)

 


 [.1]Asiáticos e ameríndios foram tidos como uma “raça” só.

 [.2]Saha significa “Olhos-claros”. Tan’Oko significa “Lábios grandes”. E Beiha significa “Olhos puxados”.

 [.3]Rayt é a moeda local. Um Rayt equivale a 0,1g de ouro, o que a tornaria uma das moedas mais fortes da Terra.

 [.4]Muttajan é como os tabaxi chamam o carteiro, de Mutta (Carta, mensagem) + Jan (O que usa/opera).

 [.5]Muttayba é um veículo pequeno usado pelos muttajan para a entrega de cartas entre os kurateon (As pequenas vilas de uma rua só, como aonde mora Hugo)

 [.6]Cachorros comuns (Sim, existem animais comuns em Tabax!). Waff também se aplica a todo ooza canídeo.

 [.7]Yiffta é uma revista de entretenimento adulto, semelhante a nossa Playboy. A palavra, em toukan, significa algo como “safadeza”.

 [.8]Hechawa é um esporte muito popular em Tabax. Um tipo de “pega-pega” com regras bem definidas. A palavra vem do toukan Heche (Predador) e Yawa (Presa).

 [.9]Kantu se aplica a toda a classe dos primatas.

 [.10]Taishiwa é um time de hechawa local.


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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[Imagem: CAP.jpg]
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#13
(Continuando...)

(Keen)—Não consegui traduzir. Mas, pelo visto... É do teu mundo.
 
Assustado, Hugo pega a carta. A letra, inconfundível, é da sua irmã. Como ela obteve o endereço, e como a carta chegou até a casa dele, é o mistério em questão. Hugo abre o envelope e tira de lá a carta.
 
 
Belo Horizonte, 16 de Janeiro de 2010.
 
Caro irmão:
 
Tudo ficou uma loucura desde que você saiu daqui pra se isolar do mundo. E, pelo visto, conseguiu mesmo: Entrou por um portal e foi parar numa “terra alternativa”, digna do livro do Dr. Moreau. Como eu soube disso? Bem, digamos que um lobisomem me contou. Affe, não bastasse o ET de Varginha? Esse tal lobisomem é um escritor daí, eu acho, e ele escreveu um livro sobre experiências que vivenciou aqui em Minas. Acho que o nome dele é “conta causo”, ou coisa assim.Ele me disse também que te conhecia, e se esta carta chegou em tuas mãos, foi porque ele a remeteu daí mesmo de onde você está.
 
Estou com medo. Medo e saudades. A mãe ligou de lá de São Paulo que vai vir pra cá comemorar o aniversário, então vê se dá uma passada aqui antes do dia 10 de Fevereiro, tá? Porque, se o lobisomem pôde vir pra cá e voltar, você também pode.
 
Um beijo da mana.
 
                                                                                           Poliana “Popa” Stozzo.
 
 
Hugo dobrou a carta e a recolocou no envelope.
 
(Keen)—Quem era?
 
(Hugo)—Era a Popa.
 
(Keen)—Hein? “Popa”?
 
(Hugo)—É o apelido de Poliana, minha irmã. Ela disse que eu... Que eu preciso voltar para minha casa. Minha mãe vai vir de São Paulo pra comemorar seu aniversário na casa onde eu morava antes. Quando chegou esta carta?
 
(Keen)—Deve ter chegado a uns dois dias atrás, o muttajan só entregou ela hoje.
 
(Hugo)—Então, tenho só uma semana.
 
(Keen)—Para o quê
 
(Hugo)—Pra sair daqui, ué!
 
De repente, ouve-se um estardalhaço do lado de fora. Hugo e Keen sem pra ver o que era. Era um thupayba que capotou.
 
Debaixo dele, sai um lobo atordoado, prontamente auxiliado por um cervo e por Mästhiga.
 
Khonta Khawzo.
 
(Khonta)—HUMANO!!!
 
(Khawda)—É o velho Khonta! A que devemos a honra de tão... Estabanada visita?
 
Hugo vai em direção a Khonta, ver o que o lobo quer.
 
(Khonta)—É você! O único suywan de Tabax! Certo?
 
(Hugo)—Creio que sim.
 
(Khonta)—Então, arruma logo tuas coisas: O paredão de granito vai ser dinamitado, e a última passagem que liga esta terra à tua terra se fechará para sempre!
 
(Hugo)—COMO É?!?
 
(Khonta)—Eu tive acesso a registros antigos da Era Atabasa, que falam sobre a instabilidade do planeta: Deus, ou seja lá o nome que vocês deram para o Grande, criou Tabax para os ooza... E só para os ooza! Humanos não são aceitos, e a presença de suywan aqui, mesmo que seja um só suywan, desestabilizará toda Tabax!!!
 
(Hugo)—COMO É QUE É?!?


(Khawda)—NÃO!!! Isso não pode ser verdade!!!
 
(Khonta)—Acredite, eu sei disso por experiência própria. O mesmo acontece com os ooza no mundo dos suywan! Por isso, eu saí de lá o quanto antes! Todos os outros portais já foram definitivamente fechados, só sobrou a neblina de Albuquerque!!! E, se o paredão de granito for dinamitado, o último portal para o mundo dos suywan será fechado, e daí, o suywan teria que... (Gulp) Teria que ser... Morto, para Tabax não se transformar em uma bola de lava! Os técnicos estão aprontando a dinamite, a pedido da Haijmazoo, apronta tuas coisas e anda logo!
 
(Khumarto)—Vamos distrair os dinamitadores pra podermos ganhar tempo!
 
(Hugo)—Espera aí... Você... Você também é agente da Haijmazoo?
 
(Khonta)—Não espalha... Mas, não fosse por mim, vocês teriam sido caçados tão logo voltassem aqui, quando fugiram. Eu faço parte da Sarajan, uma organização ultra-secreta criada pela Haijmazoo para promover, aos poucos, a integração das espécies diferentes oriundas de outros planos. Mas não é hora de papo, anda! Apronta tuas coisas!
 
Hugo corre até sua casa. Esvazia a caçamba da camionete, guardando dentro dela apenas as lembranças tabaxi: Um tocador de mídia ótica dado por Khawda Blanka; Rayts ganhos no emprego; livros dados por Mee Ahndho; o dicionário de Toukan dado por Khor Takarai; roupas dadas por vizinhos; um manual de hechawa dado por Toh’Ru Jeendo, entre outras coisas. E, logo, a camionete ficou lotada de tranqueiras.
 
A despedida foi triste, muito triste. Abraços calorosos, como se abraçassem um condenado à morte. Minutos depois, a camionete parecia estar em um cortejo fúnebre. Mesmo os dinamitadores e os agentes da Haijmazoo ali presentes ficaram com dó e esperaram o veículo, lentamente, desaparecer, deixando pra trás os acenos, as lágrimas, e as promessas de “nunca nos esquecer”.
 
Vinte minutos depois do automóvel desaparecer na mística neblina, as cargas de dinamite são detonadas. A neblina se mistura à fumaça e, logo depois, desaparece. Do outro lado, a cerração desaparece como se tivesse sido soprada por alguém. Hugo, estranhado, julga já estar na Terra. A lua branca da tarde e o asfalto malcuidado corroboram a teoria. A camionete é conduzida ao acostamento, parando em seguida. Hugo abre a porta, sai da camionete e suspira:
 
(Hugo)—Adeus Khumarto e Mästhiga, casal de mente aberta. Adeus, Toh’Ru dos sonhos ousados, e Mee das palavras doces. Adeus, Khor professor de Toukan, Lou professora do modus vivendi tabaxi, e Khawda professora de... (Caham) Adeus Kohmi, que me emprestou os Rayts quando eu precisei, e Rah, que me deu mais do que eu podia merecer. Adeus Keen, conselheiro e grande amigo. Adeus, Pehli’, que me poupou a vida ao afrouxar os meus grilhões durante a resposta da invasão de Snowmeow. Adeus Khonta meu velho, que sabia bem mais do que eu suspeitava, e que salvou minha vida e dois mundos. Nunca vou esquecer nenhum de vocês.
 
Um longo suspiro, e uma lágrima corre do olho esquerdo. Hugo entrou na camionete e seguiu para Belo Horizonte. Vez por outra, principalmente de noite, quando certas luzes estranhas passavam por cima de seu veículo, a turbina engasgava. “Seriam OVNIs?”, pensou. Talvez: Hugo Humano passou quase seis meses em outro mundo, agora ele poderia crer até no Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa.
 
Semana seguinte, ei-lo em Belo-Horizonte. O assovio da turbina chamava atenção por onde passava. Sua antiga casa ficava perto de um morro, no comecinho da periferia. Poliana, que já o esperava do lado de fora, também estranhou a camionete sibilante.
 
(Poliana)—Uai, Hugo! Comprou um turbo novo pra camionete, é?
 
(Hugo)—Não, é só um motor novo.
 
(Poliana)—Te entregaram a minha carta?
 
(Hugo)—Sim.
 
A irmã de Hugo começa a olhar dentro do compartimento da camionete, e vê muita tralha.
 
(Poliana)—Que negócios são esses?
 
(Hugo)—Lembranças do lugar onde estive.
 
Passou-se outra semana,e veio a mãe de Hugo, Maria Olga. Como sempre, antes do previsto. E, como sempre, falando muita besteira. Mas, depois da passagem de Hugo por Tabax, as “besteiras” de Maria Olga ganharam um contorno mais verossímil.
 
(Olga)—Filho, já ouviu falar do kanaíma?
 
(Poliana)—Ai, mãe, vai começar com isso de novo?!?
 
(Olga)—Ora, filha, teu avô esteve cara a cara com um deles!
 
(Hugo)—Tô acreditando em tudo, ultimamente... Kanaímas não são os homens-onça da Floresta Amazônica?
 
(Olga)—Mais ou menos. Mas eles não viram onça, eles são assim, meio a meio, desde quando nascem.
 
(Hugo)—Mãe... Se a senhora soubesse por onde passei... Eu não duvido de nada! Vi até o Coelhinho da Páscoa!
 
(Olga)—Não precisa usar de ironia comigo, filho! Eu sei quando você não acredita no que falo!
 
Hugo bufa.
 
(Poliana)—Desculpa o Hugo, mamãe... A gente andou passando por umas coisas estranhas, ultimamente... É um tal de Tabax, uns tais de Ooza, lobisomem na porta de casa...
 
Silêncio.
 
(Hugo)—Feliz aniversário, mãe. Agora, eu vou voltar pra serra... Sem pegar a Curva Errada em Albuquerque desta vez.
 
Maria Olga foi abraçada pelo filho. Há muito tempo não fazia isso. Logo depois, Hugo pegou o celular e discou o número da imobiliária do Sr. Nokujima.
 
(Noku)—Arô...
 
(Hugo)—Sr. Nokujima?
 
(Noku)—HUUGOO!!! TÁ VIVO, Ô SUMIDO? “OESTE” ERA ESQUERDA SÓ NO MAPA, SEU TRONCHO!
 
(Hugo)—A casa lá na Vila Sakura ainda é minha?
 
(Noku)—Uai, sô! Tá com as chaves e a escritura aí?
 
Hugo pega as chaves no bolso.
 
(Hugo)—Sim, tô.
 
(Noku)—Então é, ô besta! Siga à direita da Vila de Albuquerque, viu? Quase mata tua irmã e a mim de susto!
 
Cinco dias depois, Hugo entra na verdadeira Vila Sakura, com sua camionete à turbina. A Vila Sakura era uma vilinha beira-de-estrada, daquelas de uma rua só. Entrando na rua, Hugo procurou pela casa 95. Achou a casa. Entrou na garagem. Saiu da camionete. Pôs a chave na porta. Girou a chave.
 
A porta abriu.

(Continua...)


Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
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